Maipetto no Neko
39 Capítulo 39 - Angustiante
Notas iniciais
Mas mesmo q eu escreva um parágrafo por dia, o capitulo sai =D
Enfim, eu sou a drama queen gente! Essa historia tem seus momentos fofos, safados, engraçados... E dramáticos!!! Espero que curtam a leitura, e que se emocionem como eu ;)
Kissus!
Maipetto no Neko
Capítulo 39 — Angustiante
Poderia ser um dia como qualquer outro. Veria as palhaçadas de Rukia, ouviria as reclamações do professor por conta de seu atraso, ou ainda teria alguns minutos de folga do trabalho de assistente. Tudo, na verdade, corria as mil maravilhas até antes da noite da festa, até antes de condenar a si mesmo naquela maldita madrugada...
Renji continuava a remoer as memórias, como se elas fossem uma espécie de castigo. Infelizmente, não tinha nenhum amigo com quem pudesse conversar; botar pra fora toda essa angústia. E falando em amigos, Rukia avisou que iria buscar Ichigo e os demais no resort. Queriam almoçar juntos, depois de tanto tempo sem se encontrarem. Aquilo só traria mais problemas, podia sentir nos ossos.
O relógio da sala de reuniões batia onze e meia. Byakuya trancou-se na porta ao lado há mais de uma hora com a desculpa do silêncio. Enquanto isso, o ruivo tinha de digitar inúmeros processos no computador do professor. Ah! Não podia ter trabalho mais ingrato! E mal conseguia se concentrar nele. Ergueu-se da cadeira procurando por uma xícara, precisava de um café, de uma distração.
Queria sentir o toque da pele de Byakuya outra vez. O cheiro dele entrando tão forte pelas narinas, os olhos negros lhe encarando com aquele brilho, aquela voracidade nunca vista por ele antes. E se odiava por almejar o impossível.
A sobrancelha de Byakuya tremia incansavelmente dentro do escritório. Mesmo tentando ao máximo, não conseguia se concentrar no trabalho. Os mais barulhentos hóspedes ficavam passando por debaixo de sua janela, atormentando a paciência do homem. Relevava, pois estavam no do período de férias – a o menos para a maioria deles.
Esfregou as têmporas, cansado. A noite fora mal dormida e ainda estava de ressaca. A noite passada... Se tivesse despertado sozinho naquela cama juraria ter tido um dos sonhos mais loucos e vívidos de sua existência. Contudo, entrelaçando sua cintura desnuda, estava Renji. Os cabelos longos enroscavam-se no seu braço feito uma teia de aranha carmesim. Mal conseguia acreditar no que havia feito. Num momento de fraqueza, quando o álcool agira por ele, deixou-se levar pelas vontades reprimidas. E quais vontades eram essas, se não nefastas, impuras? Quer dizer... Como conseguiria encarar Rukia se ela soubesse? Renji era amigo dela, desde a infância! Por Deus... O que havia feito? Como pôde deixar as circunstâncias chegarem a esse ponto? Como pôde permitir se apaixonar pelo rapaz?
Paixão era uma palavra forte. Talvez até mesmo exagerada. Sua personalidade gélida deveria repelir este tipo de sentimentos – desde a morte de Hisana. Porém, fora incapaz disso. O coração acelerava só de pensar nele. Lembrava-se das mãos grossas agarrando-o impetuosamente, o calor dos corpos resvalando, e o beijo. A troca entre as línguas, a carne molenga adentrando sua boca no ósculo selvagem, porque aquele ruivo tatuado tinha esse ar selvagem, indomável. E Byakuya queria domesticá-lo feito um bichinho de estimação...
Droga! Mais uma vez perdido em ideias tolas! Ter Renji bem ali do outro lado daquela porta apenas o instigando mais a sair, agarrá-lo no chão mesmo da sala, e repetir os cruéis atos da noite anterior.
Claro, ele jamais o faria. Tinha plena consciência agora, e não possuía a mínima coragem para sair daquele cubículo onde estava. Precisava aguentar um pouco mais. Logo Rukia poderia chegar o retirando dali, ou mesmo quando o estomago roncasse, atenderia a fome, esquivando-se novamente do ruivo. A que ponto havia chegado, precisando inventar escusas esfarrapadas a fim de evitar o contato com ele. Isso o matava aos poucos.
E no meio de cada morte, a respiração falhava só de imaginar os contornos do ruivo, a tatuagem descendo pelo corpo moreno, a tinta preta mesclando-se a ele feito uma marca, uma cicatriz, algo que sempre esteve ali. O desenho tribal combinava perfeitamente com as feições e o jeito ferino dele.
Respirando fundo o moreno saiu de trás da mesa vagando pelo cômodo apertado. Uma sala dentro de outra... Não era um design nem um pouco eficiente, no entanto, era o único refúgio que encontrara.
Os dedos coçavam, a garganta ardia, e os pés teimavam em mover-se para frente, aproximando-se da mesinha de canto ao lado da porta onde uma pequena garrafa de bebida estava disposta. O líquido marrom pela metade parecia ser um convite ao esquecimento, e a total liberação dos seus desejos. Não que fosse covarde; muito pelo contrário. Se o mundo fosse um lugar menos questionador, se o julgamento não fosse precipitado, ou se ainda sua importância não fosse tanta, poderia até mesmo cogitar a ideia. Mas nada é perfeito, e a vida não passa de uma destruidora de sonhos.
Mas a vontade, ah! Formigava no estomago, clamando por mais daquele homem! E se fosse algo carnal, algo apenas passageiro? Uma noite ou outra, que mal faria? Quem saberia de algumas escapadas? Se não havia amor, não havia perigo, e a cautela, poderia ser ignorada.
Bufando, apanhou a garrafa sem pensar duas vezes dando alguns goles. O líquido desceu rasgando, batendo na boca do estomago com força. Mal havia bebido, porém a pouca quantidade era o suficiente. Pôs a mão na maçaneta da porta e abriu-a numa voracidade sem igual.
Renji saltou do sofá sem entender nada. Tentou dizer alguma coisa, contudo, seus lábios foram envoltos pelo de Byakuya. A mão enroscou-se na sua blusa puxando-o, dominando-o. O moreno queria mostrar a ele: ‘sou eu quem mando’, pois só assim poderia se livrar desses sentimentos tão confusos e inapropriados.
– Sensei! – Renji gritou abafado em meio ao beijo.
Todavia, seu corpo fora arremessado contra a parede, pressionado pelo franzino Byakuya. A face vermelha ardia, sem entender, outra vez, como as coisas haviam chegado naquele ponto.
Já havia aproveitado alguns instantes em seu paraíso particular, podia continuar vivendo se fossem apenas lembranças, mas como conviver com a culpa? O remorso dessas ações involuntárias? Porque seu maior desejo era ter Byakuya, possuir seu corpo e sua alma... E ele sabia, a dor do conhecimento o impulsionava a não querer esse toque do professor; sabia, que aqueles beijos, os abraços, a luta dos corpos não passavam de impulsos momentâneos; ambições carnais. O peito doía por saber ser o mais próximos de Byakuya e no mesmo instante, a pessoas mais distante dele.
Unindo suas forças, segurou os ombros do homem o empurrando. Encarou o olhar de fúria dele quando o fez, no entanto, tinha de continuar, desatando a falar:
– Sensei não podemos... Eu não posso fazer isso de novo! Não seria justo, não seria certo!
– Deixe de agir como o dono da razão aqui Renji – replicou com a voz rouca e grave – eu sei muito bem que você não é um dos seres mais inteligentes do mundo, mas ainda assim já deveria ter percebido que isso é apenas a resposta natural do corpo humano. Ou o seu problema por um acaso é com homens? Porque isso não pareceu o incomodar noite passada.
Parecia ter levado um tiro no meio do orgulho. Não, seu problema não era com homens, muito pelo contrário! Seu maior problema era lutar contra a vontade louca de beijar, agarrar o moreno, jogá-lo no tapete, e abusar dele de todas as formas possíveis! Eram estes pensamentos que o condenavam, o marcavam como uma pessoa desprezível. Porque Byakuya não era apenas seu querido professor, mas também o amor inatingível de sua vida. Como, então, poderia conciliar o desejo fulminante de seu instinto com esses sentimentos?! Como o faria, sem machuca-lo, sem ferir os outros á sua volta? Ele havia assumido a responsabilidade de seus atos? Byakuya queria mesmo uma relação sem restrições, sem compromissos? Se ele mesmo oferecia isso à Renji... Então como poderia resistir?
No minuto seguinte, o moreno fora lançado ao chão. As costas doeram com o impacto e o peito pesou ao ter as pernas do ruivo apoiadas em cima dele. Ele desceu encaixando as coxas na lateral de seu dorso. Puxou a ponta da gravata aproximando seu rosto do dele. A língua de Renji saiu da boca, lhe lambendo o pescoço. O grunhido fora inevitável, e as maçãs do rosto coraram devido ao movimento repentino do tatuado. Mirando-o, agora, determinado, Renji falou, desafiando o homem:
– Impulso do corpo humano... Certo... Vamos ver o quanto você aguenta então... Sensei...
Quando deu por si, suas mãos já estavam amarradas sobre sua cabeça; o próprio cinto envolvia os punhos presos na maçaneta da porta. Byakuya não gritava nem gemia: berrava. Renji explorava cada canto de seu corpo. Começou lambendo o peito após desabotoar a blusa social. Sugava os mamilos do homem fazendo-o contorcer-se no chão. Ao dar-se por satisfeito, desceu a língua ainda úmida pelo meio do abdômen. Mordiscou cada um dos gomos dele, dando leves beijos em seguida. No baixo ventre do moreno, desabotoou a calça baixando o zíper num só assalto. As nádegas batiam na madeira do piso, mas isso não era importante. No meio de suas coxas, Renji apertava a carne, mordendo próximo a virilha do professor. Passava as mãos por sua pele clara, marcando-a em vermelho. As reações em resposta do moreno o levavam as carícias mais profundas, vontades ocultas, e que há tanto, foram reprimidas.
A face do ruivo esquentou. Não sabia ao certo o que estava fazendo, mas tinha certeza de uma coisa: não gostava de ser duvidado. E aguentaria, ah! Se fosse para ter aquele homem, aguentaria o vazio no peito, preenchendo-o com luxúria, acabando aos poucos com a paixão de infância, a cada beijo, a cada toque, suicidava-se.
E no suicídio, encontrava a paz, o descanso merecido, depois de tanta luta tanto desespero em busca pela atenção do homem, de um gesto afetuoso dele. Não mais importava. Byakuya o queria, mesmo que apenas por esses instantes, mesmo que para saciar a fome um do outro. Em seu mundo cheio de desesperança, aquilo bastava. Teria de bastar...
E nesse pequeno e perigoso jogo, ficará a pergunta, de qual dos dois aguentará por mais tempo...
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Depois do ‘refrescante’ banho, Ichigo e Grimmjow puderam voltar ao quarto pouco antes do almoço. Dessa vez pararam para guardar seus pertences corretamente, verificando que as camas dos quartos eram do estilo tradicional: dois colchões leves no chão do cômodo. Estranhamente, o ruivo se perguntava porque justamente os dois ficaram no mesmo quarto... Quer dizer... Rukia não sabia de nada... Não é? Por Deus! Será que Inoue havia comentado alguma coisa?! Aquela baixinha sabia ser implicante quando queria! Com certeza ficaria no pé dele! E Grimmjow, como sempre, daria as gargalhadas insanas dele. Como gostava de vê-lo irritado.
Pois bem, ficar ali fazendo essas perguntas a si mesmo não resultaria em nada. Precisava aprontar-se, pois o calor da água – dentre outras coisas – começava a se dissipar do corpo, fazendo o frio retornar. Procurou por suas roupas na mala, no entanto, sentiu os braços largos de Grimmjow envolverem sua cintura:
– Ei, nós não temos tempo para...
Antes de continuar suas reivindicações, Ichigo teve o corpo jogado no colchão. Os cabelos azulados resvalavam em seu peito, enquanto a boca de Grimmjow beijava-lhe na altura do abdômen.
– Só... Me deixe quieto aqui alguns minutos...
A voz manhosa que só Grimmjow sabia fazer. Criança mimada... Abusava da boa vontade do garoto. Com a face corada, o ruivo afagou as madeixas coloridas dele, dizendo em seguida:
– Abusado.
Grimmjow sorriu, achando graça, voltando a fechar os olhos. Quando o abraçava assim podia sentir seu cheiro, o perfume intoxicante de Ichigo. Nem se importava em ficar ali por horas a fio com o ruivo, apenas ao seu lado, em silêncio.
E isso o assustava mais do que tudo. Saber que poderia ser influenciado por apenas um gesto, uma palavra daquele garoto, o deixava com mais medo do que qualquer outra coisa... Ou melhor: apenas o medo de perdê-lo superava essa sensação angustiante.
Queria gritar, arrancar da goela esse desconforto cruciante, contudo, faltava-lhe o tato para fazê-lo. As palavras de Neriell ressoavam na cabeça feito um zumbindo irritante. Gostar, paixão, amor... Qual era o poder desses sentimentos? Dessa... ‘coisa’ que nos torna tão estúpidos? O cérebro humano é realmente fascinante... Até que se apaixone por alguém e comece a falhar!
Desde pequeno sempre esteve sozinho. A morte dos pais nem lhe preocupava tanto, afinal, mal teve tempo de conhecê-los. Depois disso, ficava sendo jogado de um lado a outro na sua ‘família’, ou melhor ainda, dos abutres tentando sugar a atenção do garoto em retorno da eterna gratidão do garotinho herdeiro milionário.
Até os quatorze anos era obrigado a viver entre esses malditos sanguessugas. Foi graças a Aizen que pudera se livrar deles. O tutor conseguiu a guarda dele depois de muitos processos e audiências. Apesar da liberdade garantida pelo homem, algo o incomodava nele, apesar de não saber bem o que.
Nesse mesmo ano começou a frequentar os bares onde os alunos mais velhos da escola de encontravam. Foi num desses que lhe pagaram uma puta para desvirginar o novato. Dali em diante, foram brigas atrás de brigas, ressacas, e nem mesmo se dava conta de quantos maços de cigarro tragava por dia. Nas noites em que se cansava desse pequeno grupo de arruaceiros, perambulava pelos muros, trajado da forma animalesca. Divertia-se observando o quão o patético o mundo era. Mendigos, sem tetos, mulheres vendendo o corpo em cada esquina, crianças roubando lojas, carros atravessando as ruas feito jatos. Tanta coisa fútil, em vidas fúteis... E com os abutres era a mesma coisa. A família preocupava-se mais em aumentar o capital da empresa do que cuidar dos seus. O mundo era uma desgraça. Não havia ninguém que cuidasse desses vagabundos de ruas, um pai ou uma mãe que lhes estendesse a mão os erguendo da imundice das cidades. Todos não passavam de insetos, formigas a serem pisadas. Nada importava.
E no meio do caos, no meio da desesperança, tudo que ele conhecia, simplesmente, desmoronou diante de seus olhos. Foi o brilho âmbar dos globos daquele garoto. O sorriso que ele pouco mostrava, a face acanhada em cada um dos seus avanços, a sinceridade e inocência das suas palavras, o carinho, a querência, todo o ser dele. Aquele brilho era raro, um dos poucos resquícios da humanidade remanescentes nesse mundo louco, depravado. Um brilho que por mais que tentassem, jamais seria apagado...
Ichigo não sabia, mas ele fora a melhor coisa que podia acontecer na vida de Grimmjow...
Saber disso, o assustava. Por que respirar longe dele, era impossível. O simples ato de viver perdia todo o sentido. O coração parava de pulsar, o peito se calava, e a solidão de antes retornava. Então ele queria aproveitar ao máximo, o sentir tão perto, e confirmar que aquilo era real, que ele havia encontrado um pequeno faixo de esperança dentro da podridão.
Pois ele tinha medo, de se perder dentro da lama escura e deturpada desse mundo outra vez...
– Já é tarde, temos de ir.
A vos de Ichigo despertou Grimmjow do transe. Erguendo-se, esticou os braços se espreguiçando. Depois, num sorriso de desdém, implicou com o ruivo, jogando o travesseiro no meio da cara dele:
– Deixa de ser molenga você está nos atrasando! – falou esticando os lábios.
– Seu babaca!
Ichigo socou o ombro dele, como fazia quando com irritado. Noutro sorriso Grimmjow viu-o se trancar no banheiro, deixando-o no meio do quarto.
Os lábios cerraram, e, girando a cabeça, Grimmjow olhou ao seu redor. Silêncio...
Ele tinha medo...
Continua
Notas finais
hahah! ele tem sentimentos muito conflitantes, e n faz a minima ideia de como lidar com eles... T^T
Ichigo, cuida do seu gato!
Peaple, época de carnaval eh uma loucura, e eu ainda estou em semana de aulas. Como podem ver, to postando o cap. de madrugada, que eh quando eu tenho tempo de fazer alguma coisa, então, aguardem mais uns 10 dias por outro capitulo (ou não, quem sabe o Deus da criatividade n me faz uma visita? =D)
Kissus e até o próximo
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