Maipetto no Neko

48 Capítulo 48 - Desafogar


Notas iniciais
Eeeentão! DESCULPEM O SUMIÇOOOOO! >_

Mas dessa vez eu fiquei LITERALMENTE incapacitada de escrever!

Eu estava com dengue, e posso dizer É A PIOR DOENÇA QUE EXITE!! U_U

Sério, fiquei na cama, parecendo aquele pedaço de roupa suada q vc joga em qualquer lugar ao chegar em casa da rua! Foi horrível! Meu corpo doía tanto q eu n consegui dormir por 2 dias, e meus olhos ardiam, e parecia ter algo os empurrando para fora das órbitas, e eu ficava com medo de abrir os olhos e ver eles saltando! >__

aliás, vale ressaltar q a médica retardada não me diagnosticou com dengue na primeira semana, o que me fez retornar ao hospital dias depois quando piorei ¬¬.

Pois bem, depois de recuperada, eu tinha esquecido q meu namorado vinha me visitar por uma semana! (ele mora em outro estado xD) Então, já viram né? Saudades de um mês precisando ser cobradas em uma semana! hahah! Pelo menos uma coisa boa nesse fim de mes conturbado q foi Abril >_<

E para piorar a situação da sua humilde autora, eu tenho q começar a fazer estágio pela faculdade! Pelo menos é só uma vez por semana! Por isso, vou tentar retomar o ritmo de antes, e postar um capítulo por semana! (se os deuses argardianos me permitirem isso xD)

Enfim, nem sei se o povo vai ler essa mega nota inicial, mas eu precisava desabafar! xD

Espero que gostem do capítulo atrasado, deixei ele bem grandinho p compensar a ausência!

Boa leitura =D

Maipetto no Neko

Capítulo 48 – Desafogar

– De qualquer forma, nós precisamos ficar de olho aberto.


Neriell concluiu suas resoluções pondo as duas mãos sobre a mesa do seu apartamento. Grimmjow continuava sentado no sofá com o corpo afundado. As duas mãos cruzavam-se na frente do rosto, e mantinha os cotovelos apoiado em cada perna, pensativo. De fato, nunca se sentira completamente confortável ao lado de Aizen, mas nunca imaginou uma sabotagem desse tamanho, vinda dele. Ainda olhava os números e documentos espalhados à sua frente sem acreditar.


– Tem certeza disso Neriell?


– Está duvidando de mim?


– Não, não é isso! Só é... Tudo inacreditável demais!


A mulher respirou fundo cruzando os braços tornando a falar:


– Sei que é complicado conceber essas afirmações todas, afinal, o Aizen cuidou de você até hoje. Mas ainda assim não podemos negar a existência desse desfalque.


– Não estou negando a existência. Eu também não me dou tão bem assim com o Aizen. Só que num caso grande como esse, precisamos ter certeza.


– Ora, ora, veja quem está sendo o senhor cauteloso!


– Vai a merda! Você reclama quando eu sou explosivo e reclama quando eu faço o trabalho direito, que porra você quer, afinal?!


Neriell riu quase não se aguentando de pé.


– Seu humor deve estar muito bom, já que está tão empenhado! Por um acaso se encontrou com o Ichigo hoje?


Ela cutucou na ferida, e apesar de já saber a resposta, continuou a instigar Grimmjow, pois vê-lo perder a calma era uma das suas atividades favoritas.


– Eu me recuso a entrar no seu joguinho.


– Ha, ha! Querendo ou não você já entrou nele!


A cabeça do impaciente ser foi quase arremessada para trás do sofá, um movimento rápido que veio junto duma respiração alta e pesada. A vida estava perfeita demais, sabia que em algum momento acabaria tendo de enfrentar algum problema. Dos males o menos, ao menos não era uma briga com Ichigo. Os dois iam muito bem, obrigado. Contudo, qualquer assunto relacionado a empresa significaria menos tempo com o ruivo, pensamento este que o desagradou profundamente.


– Merda, você quer que eu faça o que, afinal de contas?! – exclamou sem mais ideias.


– Por enquanto nada. Precisamos ser discretos. Aizen; sendo ele realmente o único responsável, já tem muitas suspeitas em cima de mim. Se ele descobrir que você sabe, pode acabar armando para nós. Então, para todos os efeitos, você precisa trata-lo como de costume.


– Grosso, e sem paciência?


– Exato!


Os dois continuaram as discussões sobre o avanço das investigações – locais aonde ir, pessoas a interrogar, enfim, qualquer coisa que pudesse ser feita sem a necessidade da polícia ou pior, da imprensa. Seria horrível verem uma noticia escandalosa no jornal da manhã sobre a empresa, pois isso apenas tornaria a sucessão de Grimmjow mais complicada. Aliás, Neriell precisava tocar nesse assunto com ele, mas no momento tinha dificuldades maiores a tratar. Porém algo lhe dizia, quase um pensamento coçando atrás da orelha, que o futuro herdeiro arranjaria mais confusão sobre o novo cargo, do que com essa situação com Aizen. Bufou imersa em suas próprias indagações tornando-se a se sentar no sofá. Tinham de revisar os documentos outra vez por segurança. Até lá Grimmjow havia sido proibido de sair do apartamento pela mulher, levantando novos protestos, reclamações e palavrões, que não se tornaram agressões físicas simplesmente pelo fato de ter sido mandado por Neriell. Provavelmente, tirando apenas Ichigo, a mulher era a única capaz de dobrar o gênio dele.


Continuando sem entender nada, Ichigo viu a mão do homem estendida num gesto amistoso. Demorou alguns segundos antes de cumprimenta-lo formalmente, e fazer a pergunta martelando em seu cérebro:


– Nós nos conhecemos?


Aizen sorriu achando graça da ingenuidade do garoto, respondendo-lhe:


– Oh, não pessoalmente. O que acho um infortúnio. Mas tudo na vida tem uma hora exata para ocorrer.


A fala rebuscada confundia mais ainda o ruivo. Ele, com certeza, jamais se encontrar com alguém do porte dele. Muito menos, ainda, pelas roupas de marca que o quatro olhos usava.


– Certo... Então, da onde você me conhece?


O garoto sentiu um leve, ligeiro e doído pisão no pé. Quis gritar, mas conseguiu reter a voz. Depois mirou Rukia raivoso, ouvindo a repreensão dela em seguida:


– Ichigo, seja mais respeitoso! Ele é o atual presidente da empresa do seu namorado!


A expressão de surpresa misturou-se na de desconcerto. No entanto a boca aberta de Ichigo indo quase ao chão foi um sinal bastante sutil da sua total e completa lerdeza. E para completar a cena, proferiu um ‘QUE?!’ bem grande e alto, deixando Rukia sem graça, e Inoue a acompanhou com o rosto avermelhado. Observando os amigos em sua pequena rotina de brigas, Aizen parecia achar graça de tudo aquilo.


– Ah... Me desculpe outra vez! – Ichigo falou já sem jeito.


– Oh, não se preocupe com esses detalhes. Fico feliz em finalmente poder vê-lo cara a cara.


– É... O Grimmjow falou sobre você algumas vezes.


– Espero que só coisas boas! – brincou.


– Bem, não foram conversas muito profundas. Apenas soube do seu cargo na empresa, e que era o tutor dele.


– De fato, a minha vida pode parecer complicada, mas é bastante singela. Venho cuidando dos afazeres de Grimmjow desde sua infância.


– Feito uma babá?


Replicou erguendo uma das sobrancelhas, o que pareceu divertir Aizen ainda mais.


– Gostaria de não levar a esse extremo, mas tratando-se do Grimmjow-kun, não vejo melhor maneira de descrever a situação.


Ichigo concordou relembrando do gênio do namorado. Depois foi incapaz de pensar num novo tópico para conversar com Aizen, deixando-os imóveis no meio da loja em total silêncio.


– Bem – Aizen falou – infelizmente meu horário é apertado, Preciso cuidar de outros assuntos. Mas foi realmente um prazer conhece-lo. Poderíamos marcar um almoço, quem sabe?


– C-claro! Seria ótimo.


– Certo. Eu deixarei Grimmjow sobre aviso. Se me der licença.


Ele continuou caminhando pela loja, até chegar à saída, finalmente, deixando os ombros do ruivo relaxados. Naquela altura Ichigo respirou fundo agradecendo mentalmente pelo fim do inesperado encontro. Apesar da visível calma e da aparência requintada, algo nele não parecia certo.


– Ichigo você é mesmo um tapado. – comentou Rukia – Como não o reconheceu?


– Sei lá! Só o vi uma vez na vida!


– Você é mesmo esquecido.


O celular do ruivo tocou antes de poder dar uma resposta bem dada a baixinha. Mal pôs o ouvido no aparelho o afastou do rosto quando a voz alta e grossa veio berrando do outro lado da linha. Ficou parado apenas escutando o sermão, e sem paciência desligou o celular voltando-se as faces assustadas e curiosas das meninas:


– Esqueci que era para ter ido trabalhar hoje.


Rukia apenas riu seguida de Inoue. Ichigo tinha uma fraca memória mesmo. Saiu da loja emburrado devido às risadas da morena.


– Nunca mais eu saio com vocês... – falou pondo as mãos no bolso.


Decidindo continuar o dia de compras – que na verdade deveria ser uma ajuda ao indeciso garoto à busca do presente de aniversário – as amigas deixaram-no seguir para apanhar o ônibus, e chegar ao emprego de meio período antes de ser trucidado pela chefa. Mal pôs os pés dentro da loja de utilidades e já recebeu uma torrente de palavrões e ordens: ‘limpe aquilo, arrume isso, tire o lixo!’ Que belo relacionamento eles tinham! A mulher só não agia assim quando estava na frente do filho pequeno, que, aliás, detestava Ichigo. Criança estranha.


As horas foram correndo sem nem perceber. Nenhum sinal de Grimmjow pelo telefone e sua cabeça continuava trabalhando à procura do ‘presente perfeito.’ Não queria admitir mas a ideia de Karin parecia ser o mais viável já que nem Inoue nem Rukia conseguiram o ajudar em nada.


Perdido nos pensamentos enquanto varria sentiu as costas baterem em alguém. ‘De novo não’ Pensou consigo mesmo, aliviando-se ao ouvir a voz de Renji o cumprimentando:


– O que está fazendo aqui? – perguntou o ruivo.


– Estou de folga hoje.


– Folga? Do tirano? – brincou fazendo o outro sorrir.


– Ele teve uma reunião na faculdade. Algo sobre o retorno das aulas ou algo assim. Então fui liberado à tarde.


– Sorte sua, eu preciso ficar aqui varrendo um chão que nunca fica limpo!


– Eu ouvi isso Ichigo! – a chefa berrou do outro lado da loja.


O tatuado riu da pequena discussão bolada pelos dois em seguida, tornando a conversar com Ichigo – durante a execução das tarefas, claro.


– Estou completamente esgotado! – Renji comentou.


– Porque?


– Byakuya-sensei me entrega mais de uma tonelada de exercícios por dia! Depois tem os estudos sobre administração, depois sobre regras de etiqueta!


– Porque regras de etiqueta?


– Porque ele diz que eu sou ‘bruto’ demais, e preciso saber me portar melhor nas reuniões futuras...


– Ah, nisso eu concordo com ele!


– Babaca.


– Enfim! Mas... Fora isso, com anda seus outros... Problemas?


Perguntou vendo as expressões tranquilas ficarem consternadas no rosto de Renji. Bufando, respondeu:


– Continua na mesma... A gente nunca fala nem conversa depois, apenas... Acontece!


– Queria saber como algo assim ‘acontece’ sem que os dois se deem conta.


– Como se você e o Grimmjow não tivessem passado pelo mesmo!


A brincadeira rendou um soco bem dado na nuca, depois, o ruivo continuou:


– Nem me fale do Grimmjow!


– Ih... Tempestade no paraíso?


– Nada disso! – e Ichigo bufou ainda preso no mesmo dilema – Eu não consigo pensar em nada para dar de presente de aniversário ao Grimmjow.


– Você poderia se enrolar num papel de presente e se entregar a ele!


Outro soco, bem merecido. Ouvir a mesma ideia de Karin apenas o deixara mais furioso... E ainda mais sem opções!


– E para piorar, as duas que deveriam me ajudar ficaram mais preocupadas em procurar roupas e sapatos do que com o meu problema.


– Claro, você decidiu sair com uma cabeça de vento feito a Rukia! Aquela menina nunca conseguiu se concentrar em nada por muito tempo, isso desde que a conheço!


Ficando desesperado novamente, Ichigo chegou a varrer a loja com mais afinco, tirando até mesmo o pó das prateleiras mais altas. Renji achou graça e um pouco de pena do garoto. Ele ficava complexado demais num assunto quando não conseguia o resolver.


– Olha, porque não fazemos assim: depois que terminar aqui eu vou com você em alguma loja procurar um presente.


E Ichigo chegou a brilhar com aquela frase! Finalmente alguém simples e prático que poderia resolver o problema!


– Te devo uma cara! – exclamou querendo terminar o serviço mais rápido.


Renji sorriu pondo as mãos nos bolsos, pensando ele mesmo no que poderia sugerir. Roupas? Cd’s? Sapatos? Que tipo de coisas Grimmjow gostava? Ah! Precisaria extorquir as informações do ruivo, o garoto mais fechado e confuso que já conheceu! Riu do próprio infortúnio, e, uma hora depois, Ichigo entregou a vassoura e avental à chefa despedindo-se dela, conseguindo escapar antes de ter que trabalhar além do horário.


Foram andando sem rumo algum, olhando algumas vitrines, mas sem nada lhes chamando a atenção:


– Fome?


– Sim.


– Café?


– Agora.


Na rápida e definitiva troca de palavras soltas, os dois foram à cafeteria já conhecida perto da faculdade fugindo assim do tédio. Na última vez ali estavam envoltos pelos cadernos, livros, e o cérebro nerd de Ichigo tentando ensinar alguma coisa a Renji.


– Talvez você pudesse trazer o Byakuya aqui. – falou o ruivo.


– Ele não me parece do tipo que gosta desses lugares.


– Eu diria que ele não é do tipo de se divertir.


Infelizmente, o tatuado precisou concordar. Somente quando os dois ficavam juntos, a sós, dentro de quatro paredes, e bem longe de qualquer olhar curioso, é que o professor demonstrava algum tipo de reação – e que reação!


A pequena xícara de café girava no pires em meio ao silêncio. Antes era Ichigo quem pedia conselhos sobre relacionamentos a Renji. Engraçado como as coisas simplesmente acontecem e mudam de figura num piscar de olhos.


– Já não sei mais o que fazer.


O tatuado desabafou, por fim, ainda mirando o café frio no fundo da xícara. Ichigo apenas calou-se, deixando-o falar tudo preso na garganta:


– Gosto demais do Byakuya... Gosto da Rukia também, e não quero magoá-la com isso... Nem sei como ela não descobriu nada ainda! E com o Byakuya... Sinceramente, não vejo nenhum tipo de futuro reluzente.


– Sabe... – Ichigo disse – Há um tempo, foi você quem me disse que eu deveria ficar com alguém que se importava comigo ao invés de sofrer tanto.


– E no final das contas deu tudo certo. – completou vendo Ichigo sorrir com o pensamento de Grimmjow.


Quem diria, um homem tão egoísta como ele acabou se tornando a pessoa mais importante em sua vida.


– Fato, mas no meu caso, o Grimmjow sempre ‘lutou’ por mim. O Byakuya, pelo o que você me contou, só quer saber de usar seu ‘corpinho’.


Renji teria rido, mas a verdade doía.


– Eu sei...


– Ainda não terminei. – Ichigo o interrompeu – Apesar dessa parte nem um pouco agradável dele, acredito ter algum motivo há mais para ele agir dessa forma. Afinal, ninguém surge com uma relação desse tipo do nada.


Esticando uma das sobrancelhas, Renji, de repente, achou o assunto interessante, mudando de ares:


– Como assim? – indagou.


– Bem, sei lá! Eu pelo menos não dormiria com alguém apenas por diversão, ou necessidade. Do jeito como ele se aproximou... Não sei! Eu só sinto que tem alguma coisa nisso que não cheira bem.


Renji tornou a olhar para a xícara, talvez com uma ponta de esperança renovada. O sexto sentido de Ichigo era bom. O garoto podia ser um poço de lerdeza, mas ele sabia quando algo não estava certo; quase como uma espécie de dom ‘sobrenatural’.


O sorriso fraco tomou conta de seu rosto outra vez, ainda mirando a xícara, quando replicou:


– Eu sinceramente espero que sim.


Ichigo apenas devolveu o sorriso, mudando completamente o assunto. Nisso, as piadas de sempre vieram à tona, enchendo a pequena cafeteria com as risadas altas dos dois.


A sutil garoa caindo do lado de fora na rua nem foi percebida por eles, Estavam distraídos demais para ver a chuva tranquila batendo no vidro, conversavam tão alegremente e sem mais preocupações lhes tomando os pensamentos, que a figura pálida e sem expressão alguma do outro lado da calçada também lhes passou como apenas mais um vulto em meio os demais correndo, fugindo dos rápidos pingos d’água, e abrindo os guarda-chuvas acinzentados.


O cabelo batendo nos ombros encharcava o paletó escuro, destacando a parte molhada apesar da tonalidade negra.


Ele sabia que deveria ter ficado mais tempo naquela sala embolorada repleta de professores solitários, assim como ele. Queria ter passado por seu escritório, quem sabe, adiantar os materiais para as próximas aulas, checar seus e-mails, fazer qualquer outra coisa que levasse mais tempo, que o prendesse dentro dos muros da faculdade, o protegendo assim daquela visão.


Eram risos, trocas de olhares, as quais somente ele enxergava – as quais só existiam em sua mente. E incomodava vê-lo tão á vontade, incomodava vê-lo tão feliz ao lado daquele ruivo magricela, pois aquela felicidade tão vibrante não era direcionada a ele. Todas as noites, ouvia apenas a voz trêmula e os gemidos, mas não havia nenhum sorriso, apenas uma face carregada com remorsos.


Um remorso que ele mesmo tinha agora, pois já estava cansado de negar-se tanto. Ainda amava Renji, ainda tinha guardado esses sentimentos impuros; de um professor que deseja tanto um aluno, um homem que deseja outro; alguém tão velho como ele procurando consolo nos braços da jovialidade do tatuado. Byakuya havia se perdido nele mesmo, traído, por fim, em sua negação. De uma vez por todas, precisava acabar com aquilo...


Foram passos largos até sua casa. Abriu a fechadura percebendo o bilhete grudado na porta: Rukia havia saído. Ainda bem. Não ia querer ninguém ali agora. Trancou a porta jogando os sapatos de qualquer jeito na entrada. Depois, no quarto, largou o paletó, a pasta de documentos, e assim foi largando cada pedaço de roupa, cada peso excessivo o sufocando, pois necessitava dum banho, queria ficar limpo, enevoar a imagem sorridente de Renji. O sorriso que jamais seria dirigido a ele.


Jogou-se no chuveiro deixando a água quente espantar o frio da chuva de seu corpo. O temporal começava a piorar; podia ouvir do lado de fora. E mesmo assim os dedos coçavam querendo chamar por Renji. Não, ele não iria ceder as vontades outra vez, ele iria apenas dizer basta ao aluno.


Os olhos doíam como se fossem dois pedaços de vidros pesados querendo cair pelo buraco do crânio. Massageou as têmporas jogando, depois, o cabelo para trás. A cabeça foi junto acompanhando a queda da água do banho. Limpo, queria estar limpo e de mente tranquila, precisava recuperar a sua costumeira calma se queria mesmo manter-se firme diante de Renji.


Os pés deixaram as marcas no tapete de algodão ao sair do box ensopado. Amarrou uma toalha qualquer a cintura apanhando o celular num pulo. O número do tatuado era um dos primeiros. Falou rispidamente que precisava vê-lo agora, e como um bom cachorrinho, Renji logo se despedia de Ichigo na correria, indo de encontro ao professor – mesmo que precisasse estragar as roupas no meio da forte chuva.


Bom, em pouco mais de vinte minutos ele chegaria. Bastava esperar. Procurou por uma blusa azul claro no armário, cheia de botões. Colocou-a achando tranquilizante o ato de encaixar cada botão em seus devidos buracos. Depois tateou uma calça escura, e por fim pôs um sapato mais confortável, de andar em casa; apesar de poder sair daquele jeito mesmo se quisesse.


A campainha tocou – era ele. “Entre”. Disse alto, porém não num tom gritante. Renji chegou a saleta de visitas pingando, óbvio, mas tentou retirar o excesso de água ao se limpar na entrada antes de se apresentar ao professor. Byakuya apareceu segundos depois aparentando a indiferença tão natural a ele.


– Aconteceu alguma coisa, sensei? – perguntou confuso.


– Nada em particular, só gostaria de discutir sobre a reunião de hoje na faculdade.


Afinal, precisava começar com alguma desculpa antes de jogar na mesa o principal assunto.


– Certo...


Respondeu parecendo meio desapontado. Nem quis se sentar, pois queria logo trocar de roupa. Aliás, a blusa colada no corpo musculoso não escapou da atenção de Byakuya – justamente agora ele precisava ficar assim, tão provocativo? Ou era apenas ele mesmo enchendo Renji de olhares luxuriosos, cheios de desejo. Ah! Estava ficando insuportável!


– Quero que saiba, que seu nome foi indicado para a monitoria na faculdade. – disse o moreno.


Renji sorriu, como antes, como mais cedo com Ichigo, uma felicidade bastante visível:


– Verdade sensei?! – exaltou-se.


– Sim. – respondeu seco.


– Muito obrigado!


E um alívio achegou-se do tatuado. Menos um problema em sua mente!


– Isso é tudo sensei? – perguntou, pois queria se livrar das roupas molhadas.


Estranhando a pressa do aluno, Byakuya tentou continuar aquela conversa, pois ainda havia muito o que falar:


– Na verdade sim. Por um acaso tem algum compromisso?


Indagou-lhe querendo saber se conseguiria arrancar alguma coisa dele:


– Bem, nada muito sério; apenas combinei de ver um amigo meu sensei.


“Amigo?” Byakuya pensava, remoendo a palavra.


– Peço desculpas. Não sabia que tinha marcado algo hoje; afinal, estamos ainda com muitos trabalhos para resolver.


– Oh! Eu sei disso sensei! Mas como ganhei essa tarde de folga, quis aproveitar para espairecer um bocado.


– Hmmm... Acho que isso também faz parte do aprendizado... Vai demorar muito sua saída com esse ‘amigo?’


Talvez ele estivesse arriscando demais. As palavras já começavam a se formar num tom mais intimidador, e Renji pode notar isso:


– Sinceramente sensei, não faço ideia! Estou a procura de um presente de aniversário com o Ichigo.


Ah! O maldito nome que ele queria tanto ouvir, confirmando assim as razões do tão reprimido ódio aquele garoto, aquele ruivo metido se interpondo entre ele e Renjia... Mas, na verdade, não havia nada entre eles, certo? Quer dizer, nada além do físico. O que esperar de Renji? Nada, exatamente isso! Ele era um nada comparado a Ichigo...


– Tem passado bastante tempo com esse garoto. – falou sem nem ao menos ponderar.


Esticando uma das sobrancelhas, Renji continuou a estranhar o teor que aquela conversa ganhava:


– Bem, nós somos amigos! – replicou.


– Amigos? – o moreno quis rir – Ao meu ver, vocês estão num nível muito além da amizade.


Nesse instante Renji quase deixou o queixo cair no chão. Byakuya sendo sarcástico? Seu professor falando dum jeito tão desprendido? ELE, querendo saber sobre sua vida particular?! Quem era esse alienígena no lugar de Byakuya?!


– Sensei, eu... Te disse no ano novo... – e repetiu com o rosto corado devido a vergonha em lembrar da embaraçosa noite – Nós dois saímos um tempo, mas não foi nada sério! Nós dois somos apenas amigos.


Os lábios de Byakuya se esticaram. Meu deus! Um sorriso de desprezo vindo daquele homem! O que diabos estava acontecendo ali?!


– Coisas assim não somem do dia para a noite, Renji. – comentou.


– Isso já foi há muito tempo sensei! – quase gritou achando-se uma vítima depois de tantas acusações.


– Diga-me Renji: é nele que você pensa quando está comigo?


– O que?!


Pronto, tudo havia sido jogado na beirada de um precipício. Byakuya não mais conseguia aguentar, e Renji ainda custava a creditar nas palavras do moreno. O que era aquilo?! Ciúme? Do senhor gelo? Do tão calmo e controlado Kuchiki Byakuya? Não, impossível! No máximo, tratava-se de um sentimento possessivo...


Sim, só podia ser isso! O brinquedinho que não podia ser dividido com ninguém! Como fora ingênuo! E pensar que tinha mesmo retomado um pingo de esperança após a conversa mais cedo com Ichigo. Mas se Byakuya sentia alguma coisa por ele, não passava de um egoísmo absurdo!


E com isso, o coração doía, o peito se carregava, como se os pulmões se enchessem de água, afogando-se devagar e dolorosamente.


Tanta dor, por tanto tempo... Tantas mentiras, tantas negações. Ah! Não conseguia mais! Parecia que as palavras não ditas preenchiam-no, carregando os músculos, os ossos, a alma com um peso inimaginável, o tragando para dentro da terra... Basta!


– Do que o senhor está falando? – perguntou ao recobrar a ciência da sua fala.


– Sejamos francos Renji: você não se deitaria comigo apenas por capricho, apenas por sua pura e simples vontade...


E o moreno sabia disso, pois conhecia muito bem a personalidade fiel de Renji... Ah, conheci tão bem aquele homem que até mesmo machucava! Provável que ninguém mais além dele soubesse tão bem as peculiaridades do tatuado.


– Quando você me toca – continuou – Quando você me beija, quando você... Bem, você entendeu onde quero chegar; Tudo isso, você o faz com esse garoto em sua mente, não é mesmo?


A fúria no olhar castanho foi imediata. Mesmo sendo alguém tão importante quanto Byakuya, ele não tinha o direito de insultá-lo! O professor abriu a boca, pronto a uma nova correnteza de ofensas, porém fora impedido pela onda arrebatadora da raiva de Renji:


– Eu nunca pensei em mais ninguém além do senhor enquanto o fazíamos.


E a bica aberta de Byakuya assim continuou, dessa vez, num tom de surpresa:


– Quem deveria fazer essa pergunta era eu! – vociferou – Eu sei que nunca pensei, nem quis ninguém além do senhor, mas e você?! Qual é o seu motivo?! Porque brincar com um aluno insignificante como eu desse jeito?! Por capricho?! Por diversão?! Esses são os seus únicos motivos mesquinhos! Mas que merda!


O soco atingiu a parede ao lado. As juntas doeram, mas a dor não se achegou dele. OS olhos continuavam fixos na expressão surpresa de Byakuya, nos globos cinza arregalados frente à tremenda imponência de Renji. O professor continuou incapaz de interrompê-lo... Quer dizer, do que ele falava?! O queria? Pensava nele?! Como assim?!


Respirando fundo, apressado, feito um animal enfurecido, Renji mirava o cerne de Byakuya, gostando de vê-lo acuado, sentindo o grande alívio por finalmente ser capaz de dizer essas palavras; de se livrar desse sofrimento guardado por anos! Pois finalmente, poderia se livrar da infelicidade causada por eles:


– Eu não sou tão superficial assim, Kuchiki Byakuya. – prosseguiu – Eu tenho meus valores e minha própria conduta, e uma coisa que eu jamais admitirei é que o senhor pense ou fale mal dos meus amigos por conta das suas suposições mal formadas! Eu não preciso pensar em mais ninguém quando estou com o senhor, pelo simples fato de que eu SEMPRE quis estar com você!


“Sempre?” Byakuya repetiu mentalmente querendo balbuciar a palavra. Mas a língua ficara presa no meio da boca, e mesmo sem notar, as mãos tremiam:


– Foram tantos anos me imaginando ao seu lado... Como seria ter você em meus braços! E agora eu tenho; mas é apenas a carne; o toque frio que se esquenta na troca de falsas carícias! Eu te amo; sempre te amei, e agora estou preso nessa gaiola entre o meu desejo e meu orgulho! Não... Eu jamais pensaria em outra pessoa, porque você, sensei, é único para mim. Mas ficar aqui, correndo atrás do vazio, apenas esperando sua aprovação, ouvindo essas ofensas... Não é o que eu quis, não é pelo que eu tanto esperei!


Os pés molhados se viraram num rompante inesperado. A porta. Precisava sair dali, do ar pesado impregnando a saleta. Precisava sair de perto do homem ambíguo, causando-lhe anseio e amargura. Precisava se afastar desses sentimentos de uma vez por todas!


Parado no contorno da porta aberta, a rua ainda mostrava uma forte tempestade; mas Renji nem importava-se com ela; lá ficou de pé, de costas ao moreno que ainda o olhava espantado:


– E o pior nisso tudo... – falou com a voz mais tristonha – É que eu sempre vou amar o senhor. Mesmo o deixando agora.


Depois disso, ficou apenas o som da chuva, crepitando no solo feito pedras quebrando o silêncio deixando por Renji. Byakuya continuou mirando a rua vazia, e então veio a queda dos joelhos fracos, da vontade roubada pelas palavras de Renji. Ah! Irônico pensar nisso... Quem queria o abandonar era ele, quem queria por um fim nesse desejo impulsivo de ambos era ele; o certo, o superior, o homem repleto de moralidade e uma imagem a zelar. O sereno, calmo e calculista professor... Tornara-se um nada abandonado no meio da sala da própria casa. E o mais irônico em toda essa cena, era perceber apenas nessa pequena fração de segundos, que era ele quem mais ansiava pela presença, pelo toque, pela carência de Renji, do aluno... Que o amava... Que ele também amava! No entanto, não teve o mínimo de coragem para se confessar... Não tinha a audácia de Renji... No fim de tudo, ele não tinha nada além do remorso onde se afogar.



Continua



Notas finais
OHHHHHHHH!!!!!!!!!!! DESSA VEZ O RENJI SAIU POR CIMAAAAA!!!
FINALMENTE!!!! SAIU DA ONDA DE DOR E SOFRIMENTO!!! (EM PARTE)

hahahaah! Byakuya sofredor = coração na mão T_T tadinho dele!!! Soube da pior maneira q o Renji o ama!!! Eu sou mesmo a rainha do drama xD

Até o próximo capítulo gt!! ( q eu espero q n demore >__<)