Maipetto no Neko

34 Capítulo 34 - Chuveiro e Roda Gigante


Notas iniciais
Yey! A autora tá conseguindo postar a história em intervalos menores =D! 'palmas para a criança'
Gente, falando sério, me empolguei tanto com a volta da fanfic, que escrevi as primeiras páginas desse cap. no bloco de notas do meu celular no meio das aulas da faculdade (estudar q eh bom, nada).
Entendam: eu chego em casa todos os dias as 10 da noite, tendo pequenos intervalos de tempo durante o dia, então, tenho de arrumar um jeito de escrever sempre, para não perder o ritmo! Se tudo ser certo, continuarei postando em média, um capítulo por semana o/
Assim ninguém fica mais com saudades da história ;)
Nesse capítulo não teremos muita 'ação' quanto no último, mas já vou deixar todo mundo com um gostinho na boca... E com as confusões que virão ohohohho!!!!
Kissus, e boa leitura!

Maipetto no Neko

Capítulo 34 – Chuveiro e Roda Gigante

Ainda era cedo, quando Grimmjow acordou sentindo o perfume de Ichigo. Abriu os olhos com o brilho dos cabelos laranja invadindo a visão. Sorriu alegre, esfregando o nariz na nuca dele devagar, beijando a base do pescoço. O ruivo se remexeu um pouco, mas não despertou. Ele tinha o sono meio pesado às vezes. Claro, precisava dar crédito aos acontecimentos da última noite. Com isso, ah! Havia ficado mais do que satisfeito!


Espreguiçou-se, sentindo o lençol roçar em seu corpo. Ainda não tinha se vestido, assim como Ichigo, que reclamava do frio encolhendo os ombros. Tratou de cobri-lo, beijando-lhe a bochecha, pensando se seria prudente voltar a dormir. Por ele, ficaria ali o resto do dia. Mas, para falar a verdade, nem sabia ao certo em que dia estavam. Passou tanto tempo naquele quarto, que sua noção das horas se desnorteou.


Remexendo-se outra vez, ouviu o bocejar de Ichigo, e, antes do garoto se virar, abraçou-lhe as costas, enlaçando sua cintura, e apoiando a boca no seu ombro:


– Dia. – falou, beijando-o ali.


– Bom dia... – respondeu Ichigo, coçando os olhos – Sabe que horas são?


– Não faço idéia... – respondeu, enquanto beijava seu ombro.


Virando-se, Ichigo afagou os cabelos azulados de Grimmjow, deslizando os dedos por toda a extensão alongada deles, soltando-o na pontinha. Ele ficava muito bem assim, com os fios caindo no rosto.


– Temos de levantar. – disse o ruivo, repetindo o movimento com a mão, olhando o cabelo.


– Não to a fim. – respondeu o maior, puxando Ichigo para mais perto.


Impedindo um beijo de Grimmjow com uma das mãos, Ichigo o deixou terminar de resmungar por entre as frestas dos dedos, tornando a falar:


– A gente ta nesse quarto há mais de um dia. Temos que dar sinal de vida ao mundo lá fora. – deu uma pausa, fungando o nariz, e continuou – E precisamos tomar um banho.


Nisso Grimmjow sorriu, sadicamente, livrando-se da mão de Ichigo, dizendo:


– Podemos tomar banho juntos.


Franzindo a testa, o ruivo falou, sem convencer-se:


– Você não ficará apenas no banho, Grimmjow.


– Qual o problema? Ficou tímido de repente? – replicou.


– Não porra! Eu só não sou uma máquina, seu pervertido.


Baixando os olhos, Grimmjow pôs a mão debaixo do lençol, alcançando o meio das pernas do ruivo, apertando seu volume:


– Mas você ta a fim.


O rosto de Ichigo ficou em brasa, e, fechando o punho, socou a cabeça de Grimmjow, gritando:


– Isso é uma reação normal da manha, seu retardado!


– Ai! – grunhiu Grimmjow esfregando a cabeça – Deixa de ser sensível!


– Sensível?! – exclamou – Você que é um depravado!


– Ah! Para com essas paranóias!


Após resmungar, Grimmjow lutou contra o afastamento do ruivo, embrenhando-se num abraço, prendendo Ichigo na cintura e enfiando a cabeça em seu peito. Ele parecia uma criança teimosa, e sabia que não desistiria tão cedo, podendo continuar o segurando por toda a manhã.


Ponderando um pouco, Ichigo pensou que não era uma má idéia tomarem banho... Além do mais, convenceria Grimmjow a sair da cama, muito mais rápido. Só não tinha certeza se estava fisicamente apto a fazer algum ‘exercício’, pois conhecendo Grimmjow, sabia que não seria apenas um simples banho.


Respirou fundo, bufando em seguida – derrotado pela cara de pidão sem vergonha do maior – dizendo:


– Vamos logo então.


Beijando o garoto, Grimmjow sorriu, livrando os dois do lençol, levantando-se do colchão junto de Ichigo. Passaram por cima dos objetos quebrados, sem importar-se pelo fato de ainda estarem nus, e entraram numa porta ao lado do armário destruído. Havia um banheiro – bem grande por sinal – estranhamente intacto. Talvez ele nem tenha entrado ali esses dias. Arqueando uma das sobrancelhas, Ichigo observou aquilo intrigado, mas decidiu ignorar o fato, pois começara a sentir frio. Ouviu o barulho do chuveiro, e voltou-se para Grimmjow, que dizia:


– A água ta quente, vamos entrar?


As feições alegres e sugestivas de Grimmjow fizeram uma veia saltar na testa de Ichigo; ele estava agindo confortável demais. A contragosto, Juntou-se a ele no largo box, relaxando o corpo quando a pele sentiu a água quente.


Mas não demorou muito, e Grimmjow o abraçava pelas costas, passando as mãos em seu peito e abdômen. Beijava seu ombro e pescoço, alisando a barriga do ruivo que ficara quente por conta da água.


Bufando, Ichigo virou-se para o maior, beijando-o, sentindo a água entrar pelos lábios. Não tinha mais muitas razões para ir contra os avanços de Grimmjow, e verdade seja dita, ele mesmo não conseguiria resistir por muito tempo.


Mais do que satisfeito, Grimmjow aproximou-se do ruivo, o empurrando na parede de azulejos brancos. Queria dar uma continuação aos ânimos da noite passada, e Ichigo gostava – ao menos ele imaginava devido as suas experiências anteriores – de ser prensado pelo maior.


Erguendo o braço direito, Ichigo apoiou-se no ombro de Grimmjow, e rangeu os dentes, franzindo o cenho em dor, quando a água pelando bateu na ferida da mordida ainda aberta. Puxou-o, tirando as ataduras mal postas debaixo do jato do chuveiro, segurando com a mão o antebraço, afastando o outro de cima dele.


Estranhando as reações do corpo de Ichigo, Grimmjow começou a reparar os demais pontos na extensão da pele do ruivo. O vapor quente fazia as feridas em carne viva dos arranhões mais avermelhados, deixando-os visíveis.


Pode ver agora, marcas roxas e amareladas espalhadas pelas laterais e, de alguns locais – principalmente do braço – escorriam novos filetes de sangue. O ruivo estava bem maltratado, e pensando agora, devia estar cansado também. Ah, ele havia abusado bastante do garoto. Além do mais, ele passou por maus bocados por sua causa, e podia ser qualquer coisa, menos ingrato.


Fechando os olhos, Grimmjow bufou, mirando Ichigo ainda segurando o braço. Esticou o canto da boca num sorriso singelo, e afagou o rosto dele. Beijou-o tirando sua atenção do machucado, dizendo próximo ao seu ouvido, enquanto massageava a nuca do ruivo:


– Fique de costas.


O menor chegou a arquear uma das sobrancelhas, mas antes de protestar, fora forçado por Grimmjow a girar o corpo. As mãos grandes alisavam o meio da coluna, causando um arrepio gostoso. Ichigo imaginava qual seria o próximo passo de Grimmjow, com o rosto corado. No entanto, espantou-se, quando os cabelos foram bagunçados, e sentiu o cheiro de xampu.


– O que está fazendo? – indagou confuso.


– Ensaboando seu cabelo, ele já estava começando a feder.


– Como você é gentil... – falou sarcástico.


Os dedos passando pela cabeça apertavam o couro cabeludo de uma maneira gostosa. A espuma caindo pelos lados tampava um pouco os ouvidos e o som das gotas caindo no chão ficavam abafados. Grimmjow retirava o excesso com os dedões, tornando a esfregar as melenas ruivas. Era um carinho aconchegante, mas Ichigo não entendia muito bem porque Grimmjow não estava mais... Insinuante.


Pondo as mãos sobre a testa e o queixo do ruivo, o maior puxou-o para trás, fazendo seu rosto encontrar-se com a água, limpando o xampu, que escorria pescoço a baixo. Grimmjow ficou observando os olhos cerrados de Ichigo por cima; as testas quase se tocando pela pouca distância, e tudo que Grimmjow pensava era em como Ichigo era lindo... Perigosamente lindo. Deslizou as mãos do cabelo até sua garganta, envolvendo a pele alva. Abaixou os lábios passando-o neles, e ouviu um rápido gemido vindo do menor.


Antes de prosseguir – e ser impossível parar depois – alcançou com uma das mãos uma esponja, colocando sabão nela e esfregando os braços do ruivo, sem acertar a ferida. O toque da esponja era macio, passando sem irritar os machucados.


Ainda intrigado, Ichigo perguntou, sem querer parecer rude:


– Grimmjow, porque está fazendo isso?


– Porque eu quero, ué. – respondeu de imediato.


– Certo... E... Você vai ficar aí, só me dando banho?


– Porra, foi você quem disse que precisávamos de um, vê se para de reclamar e me deixa fazer isso!


Queria ter usado outras palavras. Queria ser capaz de dizer o que pensava sem ficar travado, mas como falar a Ichigo: ‘agora sou eu quem vai cuidar de você’, sem parecer um babaca apaixonado? Ah não, seu orgulho jamais permitiria isso. Contudo, de alguma forma, algo dentro dele o dizia que Ichigo era capaz de compreender as entrelinhas em suas palavras. Ele o compreendia mesmo com seu jeito grosso, e a personalidade difícil. E isso bastava.


Depois de ensaboar Ichigo, o menor virou-se para Grimmjow, pegando o pote de xampu, e, esfregou o cabelo azulado, espalhando a espuma por todos os fios. A ferida no braço parecia arder menos, porém ainda assim, precisava de um aval médico; claro, do seu pai.


Dentro do box, ambos terminaram de tomar o banho, fechando o fluxo da água, e, usando uma única toalha, enxugaram-se.


– Vou procurar algumas roupas. – falou Grimmjow saindo do banheiro ainda pingando.


Ichigo enrolou o pano na cintura rindo da falta de vergonha de Grimmjow por andar por aí pelado. Enfim, saiu do banheiro, que estava parecendo um nevoeiro, começando a procurar pelos restos de suas roupas no quarto. Achou a camiseta – rasgada – e a calça, ainda com alguns pedaços inteiros. Era uma das poucas roupas sociais que tinha, e agora precisaria fazer compras... Fuçando os bolsos da calça, ele encontrou sua carteira, e, por sorte, o celular ainda funcionando, apesar de ter novos arranhões, e um amassado na tela, deixando uma marca colorida no visor.


Apertou os botões tentando enxergar os números, até se dar conta da data aparecendo no canto do aparelho. Arregalando os olhos, ele voltou-se para Grimmjow que estava no armário puxando peças de roupas, e falou, num tom consternado:


– Hoje é dia vinte e cinco!


– Ah é? E daí? – perguntou o maior, parecendo não ter noção alguma da preocupação do ruivo.


– Vinte e cinco de dezembro, seu retardado! Hoje é natal! Ficamos nesse quarto por dois dias inteiros!


Coçando a lateral do rosto, Grimmjow encarou Ichigo, e o desespero em seu rosto, dizendo:


– E... Você tinha algum plano para hoje?


– Ta de sacanagem, né?! – exclamou.


– Não.


– Porra! Eu tenho que ir para casa, passar o natal com minha família!


– Oh! Isso! Verdade...


– Você tem esse habito ser desligado assim para tudo? – perguntou Ichigo, incrédulo.


– Não tenho o costume de comemorar o natal... A Neriell geralmente me arrasta para fazer alguma coisa, mas fora isso... Não é algo com o qual eu me importe muito.


Sentindo uma pontada de solidão nas palavras de Grimmjow, Ichigo acalmou-se, indo próximo a ele, apanhando uma camisa e uma calça do chão.


– Vamos para minha casa. – falou o ruivo enquanto analisava as peças de roupa – Minha irmã deve ter feito algo para comer, e podemos almoçar em família.


– Hmm... Okay.


Ele não parecia muito animado, provavelmente pela falta de costume mesmo, mas também ele não parecia descontente com a idéia. Talvez fosse apenas algo com o qual tinha dificuldade em lidar, sendo tão independente. E, pensando agora, provavelmente esse seria o primeiro natal em ‘família’ de Grimmjow...


Bem, tentaria fazê-lo ficar mais confortável quando chegasse em casa, pois agora preocupava-se com suas irmãs e seu pai. Vestiu uma blusa verde, um pouco larga, mas nada muito chamativo. Ainda bem que tinham o porte parecido, ou as roupas teriam ficado estranhas. Terminou de por a calça jeans, e, na entrada da casa, calçou os sapatos, mesmo sem meia. Grimmjow o seguiu, trajando uma camisa roxa abotoada, e uma calça escura. Pegaram os casacos de um aparador próximo a porta e já estavam de saída, quando, num estalo, Ichigo segurou Grimmjow pelo braço:


– Você vai sair assim? – perguntou ao maior.


– Assim como?


Puxando os fios longos dos cabelos de Grimmjow, Ichigo o viu baixar a cabeça, reclamando da dor incômoda:


– Se as pessoas virem quem em menos de uma semana seu cabelo cresceu desse jeito, vão ficar fazendo perguntas e mais perguntas. – falou o ruivo, soltando-o.


– E qual é a sua sugestão?! Não deve ter nenhum cabeleireiro aberto hoje.


– Prenda-o com alguma coisa, e põe dentro da blusa, pelo menos até chegarmos a minha casa. Lá eu arrumo uma tesoura e corto.


– Desde quando você é cabeleireiro? – indagou, arqueando a sobrancelha.


– Melhor do que ficar andando com essa juba; para de ficar falando, e entra logo no carro!


Nesse instante, Grimmjow reconheceu o veículo preto estacionado de maneira torna na entrada do templo. Era o carro de Neriell. Uma pontada de preocupação achegou-se dele, fazendo-o segurar Ichigo no ombro, perguntando numa voz séria:


– Porque tu ta com esse carro?


Notando a preocupação nele, Ichigo segurou seus dedos, respirando fundo, e respondendo ao maior, com o máximo de calma que pode, a fim de tentar não alarmá-lo:


– A Neriell foi a minha casa, pedindo minha ajuda. Não se preocupe com isso, minhas irmãs ficaram com ela. Ela deve estar sendo entupida de comida e perguntas indiscretas, melhor tratamento do que esse, não há.


Concordando, apesar de ainda parecer incomodado, Grimmjow entrou no carro, deixando o menor dirigir. Em alguns minutos chegariam à casa do ruivo na hora do almoço.


Num hotel, bem distante da cidade, próximo a um aglomerado de montanhas, Renji observava a vista da janela de seu quarto. Era um lugar lindo. Podia ver as cachoeiras que levavam a água às fontes termais ao lado do hotel. Descendo a montanha da onde elas nasciam, havia uma floresta muito densa, onde os mais ousados podiam fazer uma trilha, acampar ou escalar. Mas nessa época do ano, havia apenas os esquiadores, e crianças descendo pela neve a extensão da colina, tornando a subi-la num bondinho.


Nunca imaginou, em sua vida, estar num lugar feito esse. Ou ainda, não imaginava estar ali junto de Byakuya.


De pé, segurando as cortinas da janela, pensava se tinha sido uma boa idéia aceitar o convite do professor para essa conferência. Quer dizer, quando conversaram sobre isso no restaurante dois dias atrás, não tinha nenhum motivo para negar o pedido dele.


Porém, Rukia conseguiu fazer toda aquela viagem se tornar um pesadelo...



Vinte e três de dezembro, dois dias atrás, no restaurante...

– Onde o Kurozaki está indo? – perguntou Ishida, vendo-o sair porta à fora do restaurante feito um louco.

– Deve ter acontecido algo na casa dele. – comentou Chad.

– Como sempre, ele sai sem dizer nada... Típico.

– Né, já que estamos aqui mesmo, vamos lá em cima falar com a Rukia-chan. – disse Inoue, alegre.

– Não vejo porque não. – complementou Chad.

– Mas ela está no meio do almoço, com outras pessoas, seria falta de educação.

– Mas Ishida-kun, talvez não tenhamos outra oportunidade!

Vendo as feições de tristeza de Inoue, Ishida bufou incapaz de dizer ‘não’ a garota. Feliz, Orihime arrastou os dois até o andar de cima, onde foram à mesa da antiga amiga. Chegando devagar, ela pigarreou, pondo as mãos na frente na cintura, chamando a atenção dos demais sentados:

– Rukia-chan? – indagou.

Virando-se, Rukia encontrou-se com o sorriso de Inoue, arregalando os olhos, e erguendo-se apressadamente:

– Inoue! – exclamou atônita – Quanto tempo! Como me achou aqui?!

– Estávamos almoçando, e vimos você!

As duas se abraçaram, ainda sem acreditar que estavam se vendo. Fazia quase dois anos desde a última vez que se encontraram. Mirando atrás de Orihime, Rukia avistou Chad e Ishida, um tanto quanto sem jeito. Foi até eles, abraçando os dois, o que fez Ishida corar.

– Meu deus, eu nem acredito! – falou a morena – Parece que foi ontem que estávamos na escola!

– Ficamos tão tristes quando você teve de ir embora, Rukia-chan. – falou Inoue, segurando as mãos dela.

– Ah, eu tive de me mudar com meu irmão! À propósito, esse é meu irmão, Kuchiki Byakuya.

Apontando para ele, Inoue curvou seu corpo, junto de Ishida e Chad. Byakuya ergueu-se fazendo o mesmo, apesar de estar incomodado com a situação. Detestava ser aborrecido na hora do almoço.

– É um prazer conhecê-lo, Kuchiki-san. – disse Ishida, educado como sempre.

– Igualmente.

– Ah! É mesmo! – exclamou Rukia – E aquele ali é um grande amigo meu o...

– Renji-kun?! – exclamou Inoue, surpresa.

Rukia arqueou uma das sobrancelhas, sem entender como Orihime sabia o nome de Renji. Byakuya exaltou-se um pouco, mas nada muito perceptível.

– O-olá, Inoue... – respondeu Renji, sem graça.

– Vocês se conhecem? – perguntou Rukia.

– Nós estudamos na mesma faculdade. – respondeu Inoue.

– Puxa! Que mundo pequeno!

Ter de encontrar-se com Byakuya naquele restaurante, fora uma coisa difícil. Entrar no pequeno plano sórdido de Rukia, pior ainda. Mas nesse momento, Renji queria uma arma para dar um tiro na cabeça. Era só o que faltava: os amigos de Ichigo ali, deixando-o completamente sem graça na frente de seu professor e Rukia. Aliás, quem iria imaginar que eles se conheciam... E quando o tatuado achou que nada mais poderia piorar; seu coração saltou à garganta, quando ouviu a frase seguinte da morena:

– E onde está aquele palhaço do Ichigo?

Engolindo seco, Renji quis pegar o menu e esconder a cara atrás dele. Não podia estar mais vermelho, e Byakuya havia percebido isso, ficando intrigado.

– Kurozaki teve de sair há pouco. – respondeu Ishida.

– Ah! Mas que pena! Queria falar com ele também...

– Podemos combinar outro dia para nos vermos e sair juntos! – comentou Inoue – Vai ser divertido!

– Concordo! – falou Rukia.

Ficando mais aliviado, Renji esperava que a conversa se encerra-se por ali, todos se despedissem, e nunca mais precisaria lidar com uma situação tão desconfortável como essa. Contudo, Rukia conseguia despertar seus piores pesadelos com sua boca grande:

– Já sei Inoue! – disse a morena – Porque vocês não vêm conosco ao parque de diversões? Estávamos de saída para lá!

Os olhos da ruivinha brilharam, enquanto Chad e Ishida não puderam negar um pedido de Rukia, devido ao tempo pelo qual ficaram afastados. Byakuya não se opôs, pois imaginou que assim a irmã o deixaria em paz durante o passeio, sendo apenas um simples espectador.

Renji, por outro lado, ficava cada vez mais nervoso, suando frio, pois a última coisa que queria era um espetáculo, enquanto saía junto com Rukia e Byakuya. Além do mais, aproximar-se dos amigos de Ichigo, enquanto ele mesmo nem mais sabia a que pé se encontravam... Bem, não era uma situação muito agradável.

Quando deu por si, já se encontravam na frente do parque, com Rukia e Inoue indo de um quiosque a outro, querendo praticar cada um dos jogos, ganhar todos os prêmios, e, depois, comer todas as guloseimas das barraquinhas.

Volta e meia, Inoue pedia a Ishida que acertasse o alvo de algum jogo, afinal, ele tinha uma ótima pontaria, já que participou do clube de arco e flecha no colégio. Enquanto isso, Rukia puxou Chad para o outro lado, onde o fez segurar um enorme martelo, acertando uma bolinha preta no gongo ao alto de uma régua de cinco metros. Depois de terem mais ursinhos de pelúcia que podiam carregar, decidiram comer algo.

Renji observava os quatro à distância junto de Byakuya. Nenhum dos dois conseguia se integrar ao grupo alegre de amigos, o que o deixou um pouco inconformado, já que, Rukia havia o convencido a coagir Byakuya a ir com eles. O mais estranho, era ficar andando ao lado dele naquele silêncio infernal.

Assim que as meninas terminaram o lanche, resolveram andar nos brinquedos. E a partir daí, Renji começou a achar tudo muito engraçado.

Andaram num carrossel gigantesco, e Byakuya fora junto – a contragosto, claro. Rukia ficava o puxando pelo braço, sabendo que ele iria a fim de evitar um escândalo em público. A morena era uma pequena sociopata, conhecendo todos os truques para convencer o irmão.

Por dentro, Renji gargalhava, vendo a expressão nula de seu professor em meio a tantos cavalos coloridos, pôneis e unicórnios. Rukia ria alto, junto de Inoue. Chad e Ishida até se divertiam também, mas a expressão de Byakuya era impagável.

Ele continuou observando Byakuya enquanto Rukia o levava até outro brinquedo. Jamais acreditou viver o bastante para um dia como esse.

Rukia continuava a amolar seu irmão, mesmo depois de duas horas no parque. Ele não transparecia, mas ficara sem paciência para os pedidos da irmã. Nada contra parques de diversão, apenas não faziam seu estilo. O pior de tudo era ter de andar ao lado de Renji com as dúvidas ainda na cabeça... Ele havia agido de forma suspeita quando falaram do outro garoto... Kurozaki? Era esse o nome do ruivo que estava no restaurante? Afinal de contas, quem era ele? E qual sua relação com Renji? Ou ainda: porque ele se importava tanto com isso?!

No fim da tarde, próximo do horário de fechamento do parque, todos – isso, excluindo-se Byakuya e Renji – resolveram terminar o dia no mais clássico dos brinquedos: a roda gigante. E nessa hora, o tatuado sentiu o coração parar de bater. As pernas ficaram bambas, o rosto empalideceu, e um suor gelado escorria coluna abaixo. Tudo isso, porque em cada cabine, o número máximo de pessoas permitido, era quatro. Ou seja: Rukia iria com seus amigos, enquanto ele deveria ficar sozinho com Byakuya.

Torcia para outras pessoas se juntarem à eles, mas tudo parecia conspirar para o seu completo desespero. Mal havia sentado na cabine verde-claro, e o brinquedo começou a funcionar, girando devagarzinho, indo para cima.

Tentou desviar sua atenção olhando o tempo todo à janela, vendo o parque diminuir de tamanho, mas a visão de Byakuya sentado à sua frente, com a expressão nula de sempre na face, o distraía por completo. A luz do sol se pondo iluminava os cabelos cor de ébano dela, causando um brilho magnífico, sem contar nas sombras sutis que contornavam o formato de seu rosto. Os olhos cerrados dele, calmos e serenos, pareciam um convite a qualquer um que gostasse de admirar uma obra de arte.

Quando os olhos acinzentados se abriram, Renji deixou de respirar, pois ele o encarava profundamente. Não tinha nenhuma desculpa para explicar seu comportamento, então, apenas tornou a mirar a janela, se reparar no quanto suas bochechas haviam ficado vermelhas.

– Seus amigos são pessoas bastantes... Animadas. – comentou Byakuya, num tom sério.

Dando uma risada sem graça, Renji pensou em alguma resposta, mas nada lhe veio à mente, tendo de mudar de assunto, antes de piorar sua situação:

– Estamos quase no topo da roda gigante.

Falou, imaginando que teria sido melhor ficar de boca fechada...

Nisso Byakuya esticou os globos até a janela, depois, tornou a fechá-los, ficando na pose de antes, dizendo:

– De fato. A cidade toda parece muito menos agora.

Na verdade, essa não era a frase presa na garganta do moreno. Quando soube que teria de entrar naquela cabine apenas com Renji, sentiu uma pontada no peito, sem saber se havia sido algo bom ou ruim. Claro, ficaria sem jeito algum na presença do ruivo, sendo melhor abster-se de qualquer comentário durante todo o trajeto da roda gigante. Porém, não pode deixar de reparar o quanto Renji o encarava. No que ele estaria pensando? Quer dizer, deveria ter um motivo para ele o observar dessa forma. Tinha vontade de perguntar, mas o orgulho falava mais alto, e, assim, mascarou suas reais dúvidas, com um comentário qualquer. Por deus, talvez assim Renji falasse sobre o tal Kurozaki, e saberia mais da relação dos dois, acabando de vez com essa sua infantilidade, ao querer saber tanto da vida de seu aluno.

– Kuchiki-sensei, a faculdade está bem ali! – exaltou-se Renji, sorrindo sem nem perceber.

No entanto, a expressão alegre no rosto do tatuado chamou a atenção de Byakuya, mais ainda do que a vista da faculdade. Vê-lo de maneira tão despreocupada era raro. E o sorriso ficava tão bem nele... Ah! Que droga! Havia se perdido em pensamentos impróprios novamente!

Sacudindo de leve a cabeça, voltou sua visão para o mesmo lado de Renji, observando o vazio da faculdade naquela época do ano. Nisso, falou, querendo confirmar a ida de Renji à conferência:

– O avião partirá amanhã bem cedo, Renji, tem certeza de que poderá estar nele?

Arqueando a sobrancelha, Renji voltou-se à ele, que nem desviou o olhar para vê-lo. Respondeu, depois de ponderar um pouco:

– Não tenho o costume de comemorar o natal, sensei. Para mim não fará nenhuma diferença.

Pensando um pouco, levantou uma questão ao professor:

– E quanto à Rukia, Kuchiki-sensei? Vocês não vão passar o natal com sua família?

– Infelizmente não. Os negócios interferiram esse ano, e eles compreendem muito bem a minha posição na faculdade.

– Então... Rukia vai ficar com eles.

– Oh não, ela insistiu em vir junto.

Por um instante, Renji ficou mais aliviado. Ter Rukia por perto aliviaria a tensão da viagem, e, ao menos teria com quem conversar, evitando momentos constrangedores ao lado de Byakuya.

– Espero que ela não fique entediada no meio de tantos congressistas. – comentou Renji.

– De fato. – respondeu – Mas ela sabe se portar em eventos desse tipo; ficará tudo bem.

A cabine chegou ao ponto mais alto do brinquedo, segundos depois. Balançava um pouco por conta do vento, indicando uma possível tempestade de neve à noite. Os dois se seguravam nas barras de segurança na lateral dos bancos, mas mesmo assim, os corpos mexiam-se contra a vontade, de um lado a outro. Ouviram o metal ranger, e em seguida, algumas vozes mais altas vindas de outras cabines.

No instante seguinte, veio outro balançar e um desequilíbrio. As mãos de Renji vacilaram, e, seu corpo foi para frente, tendo que se apoiar na janela, a fim de não cair em cima de Byakuya.

Contudo, talvez tivesse sido melhor...

As faces quase se tocaram, e os olhos arregalados de ambos miravam um ao outro. Renji sentiu as maçãs do rosto esquentarem, e antes que um impulso mais forte tomasse conta de suas ações, forçou-a para trás, tornando a se sentar no banco. Apoiou uma das mãos na boca, tampando-a, querendo se jogar da cabine.

Byakuya continuou incrédulo, parado feito uma estátua. Pode sentir a respiração quente de Renji batendo em seus lábios, e um calor achegou-se do seu peito no mesmo instante. Se ele não tivesse recuado, ah! Talvez tivesse feito uma besteira!

– D-desculpe! – disse Renji, envergonhado demais para encará-lo.

– Sim... – respondeu Byakuya, atônito.

Depois disso, o caminho de volta ao chão tornou a ser tranqüilo. Ambos ficaram num silêncio inquietante, e, caminharam para fora da cabine evitando o olhar um do outro. Queriam focar a atenção em outra coisa que não fosse a memória das bocas quase se tocando. Quando Rukia chegou ao lado deles, sentiram um grande alívio, como se apenas agora, voltasse a respirar.

– Ni-sama, você não vai adivinhar o que acabamos de decidir na cabine! – falou Rukia, com um sorriso suspeito.

Numa expressão de dúvida, Byakuya ousou perguntar à irmã do que se tratava, e, ouviu a explicação da irmã:

– Como eu sempre fico sozinha nesses seus eventos, e, o hotel da conferência tem um resort bem ao lado, convidei Inoue, Chad e Ishida, para se encontrarem comigo lá! Assim você pode ir às suas palestras, sossegado, enquanto nós ficamos nas fontes termais! E ainda: podemos aproveitar para fazer uma pequena comemoração de ano novo!

Byakuya bufou, apertando as têmporas. Seria complicado ter de lidar com Rukia o tempo todo na viagem, ainda mais com a personalidade elétrica da irmã caçula. Se pudesse deixá-la em segurança, com outras pessoas, sentir-se-ia muito melhor, e bem mais confortável, podendo tratar dos negócios sem interrupções. Respirando fundo, respondeu ao então ‘pedido’ da irmã:

– Está bem, não vejo mal algum nisso. Mas deverá se apresentar comigo na noite do evento, antes de mais nada. Suas responsabilidades vêm em primeiro lugar. Depois, pode ir se encontrar com seus amigos.

Num pulo de Alegria, Rukia e Inoue se abraçaram, combinando o dia da viagem deles, afinal, ela teria de ir primeiro, junto de Byakuya e Renji.

Foi nesse momento, que a espinha de Renji gelou, e os ouvidos de Byakuya arderam:

– Não se esqueça de chamar o Ichigo! – falou Rukia.

– Claro! Passaremos na casa dele! Com certeza ele virá! – respondeu Inoue.

Renji engoliu seco, perguntando-se onde estava aquela maldita arma com a qual iria atirar na sua cabeça no restaurante... Precisava urgentemente dela.

Oh... Pelos céus! Aquela viagem ia ficar extremamente perigosa...

Vinte e cinco de dezembro, dias atuais, quarto do hotel...


Renji bufava ainda de pé na janela. Os amigos de Rukia chegariam no dia seguinte, ao resort das fontes termais. O jantar da conferência acontecerá dali a algumas horas, e ainda nem havia começado a estudar os temas das palestras. O avião chegou à noite do dia vinte e quatro, quando tiveram de participar duma pequena recepção. Depois disso, recebeu alguns conselhos de Byakuya, ficando confuso com tantos termos técnicos. Mas o pior disso tudo, era a mente que não parava de pensar se Ichigo iria ou não àquela viagem, ou ainda: se por obra do destino, Grimmjow também viria...


À uma da tarde, noutro ponto do país, Ichigo estacionava o carro na frente da sua casa. Saiu de lá de dentro com Grimmjow, esperando não ter de explicar muita coisa á sua família.


Quando abriu a porta, deu de cara com Chad e Ishida, sentados na sala. Ao lado deles, Inoue estava empanturrando-se com as guloseimas de Yuzu.


– Kurozaki-kun! – exclamou de boca cheia, engolindo rapidamente a comida – Você não vai imaginar a novidade que temos para te contar!



E de fato, ele nem fazia idéia...



Continua


Notas finais
Wee!!!! Adoro deixar personagens sem graça hahahaha!
Tenho que admitir que a Inoue é uma das minhas personagens favoritas de bleach, e acho que a combinação dela com a Rukia, forma alguns dos melhores momentos da fanfic!
Essas duas ainda vão conseguir fazer muito mais confusão juntas xD
Anyway, Byakuya se derretendo pelo ruivinho tatuado, e boladinho com o Ichigo, haha! A recepção no hotel será calorosa!
Kissus, até o próximo capítulo! o/