Maika - Love.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Dois reviews O.O Legal, ja começou ganhando essa história ^^
É isso aí, leiam.
Pov Jannet:
_ Então, você é o que? — perguntou o garoto, o tal... Err... Kikyo... Ki... Kiyoshi, lembrei!
_ Eu sou um Maika. — falei, sorrindo.
_ O que é isso? — perguntou ele.
_ Vou explicar. Existe uma raça de pessoas diferente do comum. São pessoas que, geralmente, tem uma ligação com certo animal. Se matarmos o animal a pessoa sobrevive, mas se matarmos a pessoa o animal morre. Não há sexo entre eles, todos são macho e fêmea ao mesmo tempo. Só há algumas diferenças, e para se enquadrar junto com os humanos comuns, eles ressaltam essa diferença, mas sempre conseguem se reconhecer. Alguns nascem com os seios já crescidos, prontos para amamentar um bebê desde crianças. Essas são as fêmeas. Os que não nascem assim, quando engravidam, seu corpo muda drásticamente e depois que o bebê cresce eles voltam ao normal. Esses são os machos. E dentro disso, tem a família real, que são os que comandam todos os outros e criam as regras. Estes não podem acasalar com humanos, ou então a criança fica poderosa demais, ou deformada. Estes são os Maikas. Mas claro, eles tem que se disfarçar e cada um arranja o seu jeito... — murmurei, respirando e parando de sorrir, me lembrando de alguns disfarces muito ridículos.
_ Eu... — começou o garoto, Kiyoshi, tenho que lembrar sempre, mas eu o interrompi:
_ Já expliquei tudo, agora cale a boca e me deixe seguir. — falei, indo para a porta e pondo a placa de "aberto" nela. — Nossa galeria está pronta. — falei, todo orgulhoso.
_ Voltei com os balões! — berrou Milk.
Eu suspirei, cansado, me jogando na cadeira, me lembrando que eu tinha cauda e me levantando, massageando a mesma enquanto não chegava ninguém, e depois encolhendo ela de novo. Kiyoshi me olhava, maravilhado.
_ Nem comenta. — falei para Milk, que observava o garoto.
_ Eu nem falei nada... — resmungou... É, o nome dele era Melissa. Minha cabeça era meio maluca, fala sério.
_ Mel, posso te chamar de mel, né? — perguntei para Melissa.
_ Sim, pode. — respondeu Milk.
_ Então, mel, os balões você solta quando o povo chegar. — falei.
_ ME LARGAA... — ouvi um berro e vi Jim correndo para dentro da galeria, ficando atrás de mim. — Me pretege!
_ O que houve? — perguntei, confuso e só vi uma gatinha voando na minha direção. É, uma gatinha malhada.
_ Pega ele, Kel! — ouvi da porta e vi uma garota vermelha de raiva ali.
_ O que é isso... — murmurou Kiyoshi, me fitando. — Ela é uma...
_ É sim, cala a boca. — murmurei, notando que o Backy me olhava de esguelha, sentado na janela.
Aaah, Backy é o meu gato. Nasceu junto comigo, melhores amigos, irmãos, sabem como é. Em fim, ele me observava por causa da maluca. Ele achava mesmo que ela podia me machucar?
_ VOCÊ... — começou a garota na porta, já entrando.
_ Ele nada, você é uma sem educação por já entrar berrando na minha galeria, sem nem pedir licença. — falei, com uma cara de sono.
_ Oras, ele chega chutando a minha gatinha e eu tenho culpa? — perguntou a garota, indignada.
_ Isso foi ruim, Jim. — falei, com uma cara desapontada para ele, que estava sendo arranhado pela gatinha.
Eu tirei a gatinha de cima do namorado do Milk e joguei ela para a garota, que a pegou no ar e recuou.
_ Peça desculpas. — ordenou a garota, sem se dar por vencida.
_ Desculpa... — murmurou Jim, tremendo atrás de mim.
_ Eu não desculpo! Faça algo para se desculpar. — ordenou a garota.
_ Escuta, sau maluca, ele já se desculpou e se arrependeu, agora caia fora daqui, antes que eu te jogue para fora. — ordenei, dando um passo para frente. Vi que Backy também avançou para cima dela, chiando.
A garota arregalou os olhos e estremeceu.
_ Desculpa... Você é da realeza? — perguntou.
_ Por que? — perguntei de volta.
_ Porque você comanda muito bem... E dá medo... — resmungou a garota.
_ Hum. Meu pai era um monstro. E eu sou normal. Fim da história. — falei, com um pouco de raiva.
A garota se encolheu e correu para longe. Eu apenas fechei com força a porta da galeria.
_ Não vamos abrir hoje? — perguntou Milk.
_ É, não vamos. — falei, com raiva, saindo dali batendo os pés.
_ Eii, espera! — exclamou o tal Kiyoshi, pondo uma mão no meu ombro.
_ O que foi? Eu não estou com paciência para lidar com você. — falei, com os olhos no chão.
_ Por que você está estressado? E o que foi aquela de que seu pai foi um monstro? — perguntou o garoto.
_ Avá, eu tenho que me acalmar antes de qualquer coisa, não gosto de falar da minha família, dá licença? — resmunguei e Backy chiou para o tal Kiyoshi.
_ Posso ir com você? — perguntou ele.
_ Claro que não, eu vou acabar te unhando todo. — falei, chutando uma pedra.
_ Você desconta na parede? — perguntou o Kiyoshi, contendo uma risada.
_ Preferia que fosse nas pessoas e eu saísse matando todo mundo? — perguntei, saindo dali com Backy me seguindo.
_ Puxa... — ouvi de trás mas nem me importei.
_ Fora! — ordenei para o cachorro que estava no beco atrás da galeria e ele saiu correndo.
Chutei uma lata de lixo e me sentei em cima da mesma, sentindo os meus olhos se encherem de água. Por que as pessoas teimavam em me machucar? Por que a vida tinha que ser tão cruel? Por que as pessoas gostam tanto de ver as outras por baixo?
Limpei as lágrimas, tentando me conter, sem sucesso. Caramba, aquilo já estava durando tempo demais. Eu não conseguia parar de chorar. E por isso eu chorei ainda mais.
O negócio é que meu pai ele gostava de matar as pessoas. Minha mãe gostava de ficar entre os humanos, cuidando dos ferimentos e ajudando as pessoas a se recuperarem. E eu meio que peguei um pouco dos dois. Eu gosto de machucar as pessoas, mas quando eu vejo que eu machuquei mesmo alguém, eu me ponho a chorar. Milk já viu várias dessas situações acontecendo, por isso que ele não se aproxima muito de mim. Sou imprevisível. Isso deveria ser bom.
Respirei fundo, tentando interromper as lágrimas e enfrentar a dor. Mas aquilo era impossível! Eu não tinha aquela força toda! Olha o pessimismo! Balancei a cabeça, limpando as lágrimas. De repente, senti uma mão me ajudando e me deparei com Kiyoshi.
_ Eu pedi para não me seguir. — murmurei, apertando os olhos com força, afastando as últimas lágrimas.
_ Por que você está chorando? — perguntou Kiyoshi.
_ Por nada. Por tudo. Ah, por conta da vida, do meu passado, por tudo. — resmunguei.
_ Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começou, mas qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. — disse Kiyoshi.
_ Frases de filme não me comovem. — falei, contendo as lágrimas novamente. Como começar agora? De onde eu arranjo toda essa força?
_ Ei, você não parece bem, calma. — disse Kiyoshi, fazendo com que eu parasse. — Se quer chorar, chore. Isso nos ajuda a seguir em frente. A vida é dura, sim, as escolhas são difíceis, sim, mas temos que aguentar. Não é só você, acredite.
Fechei as mãos em punhos, recuando um pouco, fitando o garoto de cabelos negros á minha frente.
_ Pare com isso, eu não quero chorar. Temos que ser fortes, demonstrar coragem para as pessoas. Para que elas consigam seguir em frente. E para que eu mesmo consiga seguir. Se eu ficar chorando que nem um idiota, me lamentando, aí é que a vida passa por mim e eu nem vejo, fico parado no tempo. — falei, com uma dor incrível assolando meu pobre coração. — Ai... — soltei, engolindo em seco.
_ Desabafar por alguns segundos é como esperar a vida chegar. Vem, eu te apóio. — disse o garoto, estendendo os braços. — Eu te aviso quando a vida for passar por você. E eu não vou te trair. Confie em mim. Eu confio em você.
_ Não me dê a sua mão. Eu não posso confiar em mim mesmo, então como você pode?- perguntei, negando com a cabeça, sentindo uma lágrima escapar e tentando conter as outras.
_ Nós todos fizemos, de um modo egoísta, más decisões. Nós todos tentamos sumir com a culpa, convencidos por nossas próprias ações. Mas agora, o passado, o futuro, nada importa... Nós agimos por conta própria e nós somos os culpados. Todos vivemos em um sonho cruel, com angústia liberada erradamente. Nós somos tão fracos, não importa o quão fortes. Então, não tente parecer ser mais forte do que você realmente é. — disse Kiyoshi. — Nós todos somos mentirosos, ridículos... — começou e eu o interrompi:
_ Eu não gosto que você me chame de mentiroso... Eu não quero que você descubra que eu sou imprevisível... Porque se não você vai se afastar... Mas esse é o melhor para você é para todos... Vai embora. — falei, fitando meus pés e minhas mãos. — Se não, eu vou.
_ Não fuja. Você precisa de ajuda. — disse Kiyoshi, se aproximando um passo. Eu recuei dois.
_ Estive andando sorrateiramente por todo esse tempo e não vai ser agora que vou mudar. Além disso, eu não gosto do quão rápido minhas intenções somem perto de você. O carma me derrotou, mas o pior ainda está por vir... Muitos erros e eu ainda sou tão jovem... — murmurei, me interrompendo e recuando.
_ Aproveite que eu estou tentando te ajudar ou morra lamentando o tempo que você perdeu, tantas pessoas sofrem o tempo inteiro, não fuja do sofrimento. Sei que não estamos mais tão novos. Eu vejo minha visão queimando... Eu sinto minhas memórias desaparecendo com o tempo. Eu encontrei você aqui, agora, por favor, fique por um tempo. Eu te asseguro minha vida mortal, mas isto será para sempre? Nós dois sabemos que o dia da solidão novamente irá chegar, mas eu não quero te deixar. Não é mais necessário ir, mas para aonde você iria? Trilhas na vida, perguntas sobre a nossa existência, por favor não me deixe sozinho no meio disso tudo... Eu imploro não me deixe. — murmurava aquele moreno sem parar.
Senti as lágrimas virem sem a minha permissão e meus joelhos cederem. Abaixei a cabeça, vendo a peruca cair junto.
_ Por que as pessoas teimam em nos machucar? — soltei, engolindo em seco.
_ Eu estou te machucando? — perguntou Kiyoshi, levantando o meu rosto e me abraçando.
Acabei retribuindo o abraço, apertando o garoto contra mim.
_ Isso dói demais. — murmurei, tentando afastar aquela dor de mim.
_ Mesmo que você me abrace até que isso se torne sufocante, nós jamais nos tornaremos um só... Nos tocarmos é apenas dor. Sempre é. Mas é bom dividir isso com alguém... Vamos ficar abraçados seguindo o caminho em direção ao cruel amanhecer... Encontrarmos um ao outro é pedir para conhecermos a solidão... Nós não saberemos até trocarmos um beijo... — eu ouvia ele cantando em japonês, mas eu entendia muita coisa como se fosse em português.
_ Como você consegue fazer com que eu entenda isso como se fosse em português? — perguntei.
_ Você deve saber japonês, aí sai desse jeito ás vezes. — disse Kiyoshi, me soltando lentamente.
_ Não me solta... — murmurei, apertando ele contra mim e sentindo mais lágrimas descerem.
_ Assim você vai acabar se machucando... — murmurou Kiyoshi, me afastando dele.
Procurei ao menos os braços dele, em busca de algum apoio e fechei os olhos quando ele se levantou e eu caí no chão.
_ Ei, se levante. — murmurou ele.
Aquilo era impossível naquele momento. Eu sentia as lágrimas descerem sem parar. Kiyoshi me levantou e eu acabei caindo no seu ombro.
_ Não me solta... — murmurei e ele foi me carregando até dentre da galeria — que a propósito era a minha casa também — passando as mãos por entre as minhas orelhas.
_ Jan? — ouvi a voz de Milk, mas nem dei atenção.
_ Tem alguma cama para eu deixar ele? — perguntou Kiyoshi.
_ Não... — eu estava meio desesperado pela companhia dele naquela hora.
_ Calma... — murmurou Kiyoshi, olhando para Milk.
_ Vem. — disse Melissa.
Senti o andar dele e fechei os olhos, caindo no sono sem querer. E até amanhã, sol do dia...
Notas finais
É sim, ele é de verdade ^.^... Mas aí me avisem que querem falar com o Jan-chan que eu passo, ok? Ele ta sempre comigo!
É isso, beijos!
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