Adeline Swann correu por entre as árvores aos tropeços, o sangue escorreu do arranhão em seu peito, deixando a a parte superior de seu vestido ensopada de sangue. Logo atrás da moça, uma criatura monstruosa correu pela mata, se orientando pelo forte cheiro de sangue. A criatura bateu a pata com toda a sua força em uma árvore, que despencou, prendendo as pernas de Adeline, os olhos brilhantes do monstro ficaram visíveis no meio da escuridão que as sombras das árvores fazia. A criatura ergueu a enorme pata, descendo o enorme membro no ar e deixando a garganta da garota em pedaços.

Marie despertou de seu sono leve quando ouviu três leves batidas na porta. A moça se levantou da cama, tirando um cacho do rosto e se enrolando em um roupão grosso, o frio francês não dava trégua. Ela desceu as escadas, dando um curto bocejo e girou a maçaneta, dando de cara com Sebastian Blanchett, que parecia mais do que impaciente.

— O rei requisita sua presença, senhora.- Blanchett tirou o gorro da capa, deixando o filete de sangue que escorria de sua sobrancelha visível.

— Creio que não seria de bom gosto uma viuva sair a essa hora acompanhada de um estranho, senhor Blanchett.- Valet respondeu, contragosto por ter que pagar de dama educada.

— A Besta atacou outra vez, Marie.- as feições de Sebastian se tornaram quase desesperadas, iluminas pelas velas que ladeavam a porta da casa de Valet.- E a vítima foi a filha da prima do rei, Adeline Swann.

— Estarei no Palácio antes do sol nascer.- Marie fechou a porta antes de Blanchett lhe responder. A moça subiu as escadas as pressas, indo atrás de seu uniforme de criada do rei.

Cinco meses antes...

Marie e sua irmã mais nova, Angeline, caminhavam por uma apertada trilha que rodeava um lago que terminava no rio Desges.

— Há um duque, Marie, eu acho que ele realmente gosta de mim, sabe?- Angeline contou, com uma leve expressão sonhadora.- Acho que finalmente me casarei.

— Você diz como se estivesse no fim da vida, minha irmã. — Marie riu baixo, sua irmã lhe olhou ofendida.- Não se esqueça que só tem 15 anos, Angeline.

— Você tinha minha idade quando se casou com Aldric.- Angeline franziu a testa, levantando a saia do vestido para passar por cima de um tronco de árvore caido. A noite caía rapidamente. — Sente falta dele, Marie?

— Não tenho tempo para sentir falta de meu falecido marido trabalhando na casa de nosso rei.- Marie arremessou uma pedrinha no lago, que quicou três vezes e afundou na água. — Aldric está em um lugar melhor, junto de Deus nosso Senhor. Lá nenhuma febre poderá abate-lo.

Angeline apertou carinhosamente o ombro da irmã mais velha, sentindo os saltos da bota afundar na lama seca da trilha.

— O rei é um bom senhor?- Angeline desviou do assunto do falecido Aldric. — Trata bem seus criados?

— Rei Louis é um bom senhor.- Marie, olhou para frente, mirando uma grande sombra entre as árvores mais a frente.- Quem não trata os criados com dignidade alguma é a rainha Genevieve. Não gosto de fofocas mas nossa rai...

Marie se calou quando viu duas coisas brilharem no meio da sombra, pareciam um par de olhos de fogo. Como uma dupla de faróis. Aquilo estava vivo.

— Angeline?- chamou Marie, baixinho, a coisa se mexeu, mostrando o tamanho monstruoso que tinha. — Corra!

Marie empurrou a irmã por entre as árvores, correndo em direção a clareira em que o rei usava para treinar seus soldados. Quando olhou brevemente para trás, viu o monstro ainda correndo em sua direção, derrubando árvores por onde passava. Aquilo não podia de jeito nenhum ser um simples animal. Angeline caiu no chão da clareira, Marie a puxou para o lado, rolando na neve com a irmã, saindo da mira de ataque do monstro.

— Se esconda, Angeline!- mandou Marie, engatinhando no chão até um pedaço quebrado da ponta de uma lança. Aquilo serviria para defendar ela e a irmã. Valet manejou o pedaço de lança como se fosse uma faca, a criatura rugiu, fazendo seus cabelos voarem com o halito de podridão. A criatura atacou, correndo na direção de Marie, que habilmente lançou o pedaço de lança na criatura, fazendo a lâmina se afundar no que seria seu ombro. A coisa parou abruptamente, correndo pelo caminho que viera, Marie correu atrás a tempo de ver a monstruosidade se jogar no lago e sumir entre a água, escapando.

—Marie? — Angeline apareceu logo atrás da Valet mais velha.- Está ferida, minha irmã?