Mai Hime: Summer Vacation
6 6. A Patrulha Terrestre de Busca à Haruka
- Vamos procurá-las! – ouvi Midori-chan berrar no corredor, com a voz amplificada. Ela estava usando um megafone.
Quando eu disse que “Midori-chan despertou”, eu quis dizer, literalmente. Eram seis e meia da manhã e ela estava gritando para o segundo andar inteiro. Nem preciso dizer que seis portas se abriram e cabeças se aglomeraram por elas.
- O quê? – Shiho-chan, Yuuichi e Keisuke-kun perguntaram ao mesmo tempo. Quando Midori-chan abriu a boca para responder, Youko-sensei a empurrou para dentro do quarto e fechou a porta.
- Ela acordou dizendo essas coisas malucas. Quer que nos embrenhemos no mato agora em busca de duas pessoas perdidas. – disse ela, revirando os olhos.
Como nenhum de nós respondesse, ela suspirou e declarou:
- Está bem. Voltem a dormir.
Seis portas se fecharam imediatamente.
Retomamos o assunto durante um turbulento café da manhã. Somente Natsuki estava ausente, em seu quarto.
- Então... – começou Midori-chan, controlada. – Deveríamos organizar uma patrulha de busca.
- Sim! Vamos acionar a PTBH! – exclamou Shiho-chan, entre preocupada e animada.
- S-sim, por favor. Achem a Haruka-chan! – Yukino-chan tirou os óculos e fez cara de que ia chorar. Shiho-chan lhe deu umas palmadinhas de consolo nas costas e todos nós olhamos para Midori-chan.
- O que realmente precisamos – disse Youko-sensei – é de pessoas dispostas a encarar a floresta. Quantos de nós devem ir? O que podem levar? São perguntas que nossa líder deve saber responder. – Essa última frase foi cheia de sarcasmo.
Midori-chan pigarreou e disse
- Está bem, Youko! Você está me testando, mas com minha liderança, tudo será rapidamente resolvido!
Ela deixou a frase pairar heroicamente no ar, mas como o silêncio se fez ouvir, ela deu outro pigarro. Fujino-san levantou a mão.
- Pois não? – disse Midori-chan numa voz esperançosa.
- Bem... andei reparando que temos um depósito atrás do estacionamento. Gostaria de saber o que está guardado lá. – Fujino-san olhou para Shiho-chan.
- Ah, são coisas do templo. – Shiho-chan fez uma pausa. – Mas... esperem, acho que tem algumas cordas e pás por lá. E ferramentas que...
- Que podem ser úteis. – completou Fujino-san com um aceno de cabeça.
- Por que nós simplesmente não chamamos a polícia? – perguntou Reito-san.
Shiho-chan riu sem graça e Yuuichi sorriu.
- Este lugar é muito afastado da cidade, senpai. Telefones não pegam aqui. – disse ele.
- Eu disse ao Jii-chan que isso não ia dar certo. – murmurou Keisuke-kun. Akane-chan disse-lhe que não se preocupasse.
- De fato, não temos um telefone. – comentou Rinji-san, manifestando-se pela primeira vez. Ele ajeitou os óculos no rosto. – Entretanto, como Fujino-san disse, podemos utilizar o que está guardado no depósito e realizar uma busca por terra. Eu trouxe uma bússola.
Olhamos para ele, admirados com sua eficiência. Shiho-chan e Keisuke-kun o encararam irritados e ele fingiu não ver.
- Muito bem! – gritou Midori-chan batendo a mão na mesa. Mikoto pulou de susto, pois seus ovos escorregaram do prato. – Todos concordamos que um grupo pequeno deve ir?
Acenamos com a cabeça e ela prosseguiu.
- Ótimo. Cinco pessoas?
- É muito! – discordei. – Precisamos de alguém que cozinhe, pelo menos três pessoas para cuidar das tarefas e uma líder. – olhei para Midori-chan.
- Com isso, todos concordam que Mai-chan e eu devemos ficar? – Midori-chan pareceu muito feliz com essa conclusão. Keisuke-kun abriu a boca para contestar, mas mudou de ideia.
- Acho que duas pessoas são o suficiente. – opinou Takumi.
- Eu irei! – declarou Akira-san levantando-se. – Tenho as habilidades... – ele parou no meio da frase.
- Sinto muito, Akira-kun. – disse Takumi. – Mas você não é mais o ninja secreto.
Keisuke-kun fez cara de quem não entendera. Fizemos silêncio, como se o grande ninja tivesse morrido. Na verdade, era como nós, garotas, nos sentíamos. Como se uma parte de nós estivesse morta para sempre. Uma parte poderosa e perigosa.
- Não. – disse Rinji-san de repente. – Não sejam precipitados. Eu conheço o local e sei como lidar com as feras. Além disso, vocês vieram se divertir. Eu cuidarei de tudo.
À menção da palavra “feras”, a maioria de nós desabou. Midori-chan concordou vigorosamente com a cabeça.
- Certo! – exclamou ela. – E já que temos um protetor, guarda-costas, homem forte, quem mais se habilita? – ela encarou os garotos. Shiho-chan se agarrou ao braço de Yuuichi, deixando claro que ele não iria, Takumi nem foi cogitado e Reito-san se fez de desentendido. Takeda-san estava traumatizado. Mikoto considerou a ideia com interesse, depois olhou para o prato e sacudiu os ombros, desistindo.
- Vamos lá, gente! Preciso de alguém corajoso, determinado, que pense rápido e com frieza, sem medo da floresta!
Assim que Midori-chan disse isso, tenho a impressão de que algumas pessoas que tinham me visto lutando com Kagutsuchi olharam para mim, mas eu estava fora de cogitação.
Acho que todos pensamos mais ou menos a mesma coisa. A pessoa de que precisávamos não estava ali. Ela estava deitada em sua cama, com a perna enfaixada e subindo e descendo escadas com um par de muletas, desajeitada.
E foi quando pensei nisso que ouvi um riso alegre lá fora. Todos nos debruçamos para ver pela porta de vidro da sala ao lado que dava para o jardim.
Natsuki estava tirando as faixas da perna e correndo como nunca em volta da piscina. Ela parecia muito feliz. Sem pensar que estava de roupa, deu um mergulho na piscina. E ergueu a cabeça, majestosa, os cabelos molhados se sacudindo. Parecia uma criança.
- K-Kuga...! – conseguiu dizer Takeda-san. – Ele estava tão vermelho que parecia prestes a explodir.
- Ah, Natsuki! Sempre tão bela! – Os olhos de Fujino-san brilharam quando ela disse isso. Ninguém achou estranho, primeiro porque nos acostumáramos a esse tipo de comentário e segundo porque estávamos fascinados com o fato de uma pessoa ter uma queda de mais de dois metros de altura e três dias depois estar completamente curada.
Penso que foi nesse momento que ela nos viu observando, boquiabertos. O sorriso desapareceu e ela corou um pouco.
- Ah. Vocês estão aí. – ela disse e saiu da piscina, entrando pela outra porta e subindo rapidamente as escadas.
- VOLTE AQUI! – berrou Midori-chan. E virou-se para nós. –Ela vai!
Natsuki parou na escada.
- Hã?
Natsuki riu quando lhe contamos sobre como Suzushiro-san e Nao-san simplesmente haviam desaparecido.
- Provavelmente deve ter uma razão idiota por trás disso tudo. Afinal, estamos falando da Suzushiro. – disse ela.
Alguém riu e Yukino-chan derramou uma lágrima. Natsuki viu e calou-se imediatamente.
- Voltando ao que interessa – disse Midori-chan – Você vai com Rinji-san!
- Midori-chan... ela acabou de se recuperar. – tentei argumentar.
- Ah, Natsuki! Agora que Yuuki-san não está aqui, eu poderia me mudar para o quarto de vocês, e nós...
- S-Shizuru!
Um dos rapazes pigarreou e Natsuki ficou duas vezes mais vermelha. Ela avaliou Rinji-san como se o visse pela primeira vez e disse, com desinteresse:
- É, eu vou sim.
Rinji-san replicou:
- Sim, parece uma companhia bem aceitável.
Ela o observou azeda, virou as costas e foi dormir.
- Quanta personalidade! – observou Yuuichi. Shiho-chan ergueu uma sobrancelha e lhe deu uma cotovelada.
- Está interessado, onii-chan?
Eu ri e Yuuichi corou.
- N-não, quê isso! Fala sério! A Kuga é tipo... – Takeda-san cruzou os braços e Fujino-san sorriu de um jeito medonho. — ... território proibido. – completou ele em voz baixa.
Eu abafei o riso dessa vez. Não tinha a menor chance dele sentir alguma coisa por Natsuki. Mas fiquei feliz por Shiho-chan perguntar. Só pra garantir.
Reito-san sorriu e disse:
- Acho que devemos preparar as coisas para nossos exploradores. Tate-kun, me ajude a tirar alguns itens do depósito, sim?
- Claro, senpai.
- Eu mostro o caminho – disse Rinji-san. E os três se retiraram.
- Vocês partem amanhã! – gritou Midori-chan para ele.
- Vou avisar Natsuki. – disse eu. E subi com Mikoto.
Mais tarde, encontrei Midori-chan com Rinji-san, Shiho-chan e Keisuke-kun no jardim, contabilizando os itens. Eles haviam pego desde cordas à facas de caça. Midori-chan parecia insistir que Rinji-san levasse uma foice, enquanto Shiho-chan tentava convencê-la de que eles não precisariam daquilo.
No fim, foram separados menos da metade dos instrumentos. Rinji-san carregaria sua bússola, uma faca, uma corda e um lança-chamas. Foram deixados para Natsuki uma rede para capturar animais e fazer armadilhas, uma faca maior que a de seu parceiro, uma espada de kendô e um mapa da região. Cada um deles levaria sua porção de comida, suas trocas de roupas, protetor solar e repelente.
- Metade disso aqui são árvores! – comentou ela exasperada, examinando o mapa.
- Oriente-se pelo sol. – respondeu Midori-chan, no auge de sua sabedoria. – É bem confiável.
Natsuki disse algo como “Primitiva” e eu a afastei dali para impedir que ela sofresse um novo acidente.
Às oito horas da manhã seguinte, estávamos reunidos perto da piscina, de onde nossos aventureiros partiriam para nordeste e procurariam uma entrada para a floresta densa seguindo o curso do riozinho que corria por ali.
Midori-chan teimara em vesti-los numa roupa camuflada verde. Rinji-san não disse nada e nem expressou reação a isso. Natsuki pirou.
- Isso é ridículo! – exclamou ela vermelha.
- Ah, Natsuki-chan! Você está tão bem! – encorajou-a Akira-san.
- Adorável como sempre. – suspirou Akane-chan com inveja.
O que só a fez corar mais ainda.
- OK! Nossos aventureiros estão partindo! – anunciou Midori-chan.
- Boa sorte, Rinji-san, Natsuki-san! – gritou alguém.
- Tragam elas de volta. Por favor! – suplicou Yukino-chan.
- Até mais, cuidem-se. E espero que gostem da comida! – disse eu. Mikoto assentiu com a cabeça.
- Natsuki. Não me deixe esperando muito tempo! – disse Fujino-san com emoção.
- V-vai lá, Kuga! – gritou Takeda-san sem jeito.
- C-calem-se! – replicou ela.
- Vê se não se perde, Rinji. – disse Shiho-chan (agarrada a Yuuichi) com veneno.
- Volte logo, Rinji. – completou Keisuke-kun (com Akane-chan agarrada a ele) com ironia.
Rinji-san apenas olhou para Natsuki.
- Vamos logo! – disse ela com impaciência.
E muitos outros adeus foram ditos, enquanto observávamos os dois caminhando lado a lado com as mochilas nas costas.
Fale com o autor