Magick Gates
3 Um Novo Mundo
Notas iniciais
Cecil ali dormia em sua primeira noite calma em cinco anos, sem preocupação com o que poderia acontecer consigo. Podendo enfim sonhar, via que não eram o que ele esperava, neles, ele se via dilacerando com as mãos toda a sua família, assim como aqueles que haviam o feito mal. Via o sangue correr e se empolgava, como quem deseja mais ele continuava a matar. Ao acordar ele se sentia assustado, não pelo que havia sonhado, porém por acordar eufórico com aquilo, o que seria um dia seu pesadelo, naquela noite foi seu jubilo.
Essa cena vinha a sua cabeça até em momentos de felicidade, como aquele que estava tendo, havia achado na torre leste seu conforto, de lá conseguia observar toda a academia, e como era bela, semelhante as construções élficas citadas em seus livros de rpg, junto a um toque futurístico, porém com uma maior graça, que as acompanhava envolta, seria aquilo que captava sua fascinação a magia? .
Se dependesse de Cecil ele ficaria envolto a seus pensamentos que o atingiam como vento que soprava na torre, fortes e livres. Diante de todo aquele cenário, algo o havia chamado atenção, mas afastado viu Raul perto do lago e isso o animou.
Tentou gritar lá de cima para chamar a atenção dele, mas logo viu que não conseguiria. Como alternativa pensou em usar o seu ID. Com um pouco de engenhosidade e 30 minutos gastos, Cecil conseguiu achar uma forma de enviar uma mensagem para Raul usando o aparelho, logo bateu uma foto dele e enviou para Raul, com a legenda “Adivinha quem te achou ?”
Diferente do que imaginava a reação do amigo não fora agradável, pareceu mais desesperadora, quando olhou para todos os lados para cima e saiu correndo. Logo Cecil recebeu outra mensagem, “Quem é você e o que quer comigo? ” .
A partir daí podia se ouvir as gargalhadas de Cecil ecoando pela torre, enquanto esclarecia o mal entendido com Raul pelas mensagens e marcando um ponto de encontro na lanchonete da academia.
No caminho Cecil ainda continuava maravilhado com toda a diversidade dos alunos, “Bem que o mundo normal poderia ser assim” pensava, enquanto admirava os traços diferentes nos estudantes. Nesse momento algo também maculava a pureza de seu olhar e um pensamento alienígena e estranhamente familiar brotava na mente de Cecil, “ Porque eles têm traços tão legais, eu só ganhei olheiras e cansaço”
Ao chegar na cafeteria foi uma surpresa para ambos, tanto Raul quanto Cecil estavam mudados, olhar Raul parecia observar alguém após anos sem se vê, era impossível acreditar o quão diferente ele estava, por mais que algumas ainda fossem sutis.
– Nunca mais me dê um susto daqueles – Falava Raul encarando Cecil com um sorriso.
– Isso não posso prometer, vim rindo o caminho todo pensando na sua cara, sério você devia relaxar mais – Falava Cecil com um sorriso e dando um aperto de mão no amigo.
– Vou lembrar dessa Cecil, mas não te culpo, devo ter ficado tão belo que ganhei até um stalker – Falava Raul enquanto pegavam a refeição.
– É, e enquanto você acorda assim eu pareço que tive uma noite de pesadelos – falava apontando para suas olheiras.
Cada um com sua bandeja em mãos agora restava somente escolher o lugar, o que pareceu fácil para os dois, foram em direção a mesa que os veteranos estavam sentados. As mesas variavam de estilo, como parecendo que quem fez o refeitório não acertasse um local e fizesse um baseado em cada lugar do mundo. Aquela mesa em especial tinha um caráter mais futurístico, sendo bem prateada, onde as luzes do local a faziam parecer uma espécie de lugar sagrado, era simplesmente mágica, assim como aqueles que riam e faziam brincadeiras entre si.
Se aproximaram sem chamar a atenção dos que estavam lá, com distraídos em conversas internas, onde uma garota com um sorriso malicioso, parecia estar contando a mais nova fofoca, enquanto a garota ao lado esquerdo dela sorria entretida, enquanto a frente parecia ter uma guerra de olhares com um garoto. Aquele era o exemplo de Caos, mas de alguma forma divertido, onde cada um ali alternava entre risadas e disputas.
Quando Raul fora logo a frente de Cecil sentar na mesa, ele sentiu uma mão em seu ombro o impedindo.
– Eu cara você não quer fazer isso, sério – Ao olhar para trás via um estudante de uniforme pequeno e de barba e cabelo preto longo, similar ao anão, ele o encarava com uma expressão de mais velho, como se tivesse dando um conselho.
Com sorte isso pareceu bem a tempo de ambos darem meia volta, junto ao garoto, foram até uma mesa mais afastada, onde o brasão no centro tinha um cão negro e uma lanças. Cecil via Raul estranhar aquilo, mas ele rapidamente sentou na mesa, onde estavam somente eles e umas três bandejas de comida.
Tentando descontrair todos, Cecil começou:
– Então, ainda tem mais gente apontava para as outras bandejas – tentando sem simpático.
– São todas minhas, quer um pouco? – falava de forma generosa. – A propósito meu nome é Jack, sou da Austrália — Dizia enquanto devorava uma asa de frango.
– Então porque você nos tirou de lá ? sabia que era um má ideia, mas deve ter uma razão – Raul dizia enquanto o encarava.
– Chapa, vocês seriam humilhados, olhem bem, vocês estão usando roupas normais, eles são secundaristas de Rank B , é só olhar a insígnia do uniforme que da pra sacar – falava Jack, encarando normal a rispidez de Raul.
– Valeu então, a propósito, eu sou Cecil, vim da Itália e esse é Raul do Brasil, obrigado por ter nos ajudado – Cecil por um momento esquecia seu bem estar enquanto falava.
Foi entre essas conversas e outras com Jack, que eles descobriram sobre os ranks da academia, assim como o exame que aguardava no final do primeiro ano lá, parece que a graduação seria complicada, uma vez que segundo Jack, tinham teste de magia prática.
Tudo isso ainda era fantasia para Cecil, que imaginava cada teste como uma prova iniciática de uma ordem, onde era vendado e empurrado por entre labirintos intermináveis, conhecia tais em filmes e só de considerar a possibilidade se empolgava.
Após a refeição continuaram a ir pela academia, agora com o Jack como guia, puderam conhecer todo o lugar, assim como sua nova companhia. Ao que parecia ele era do segundo ano rank C, havia se especializado em artes marciais. Quando Cecil perguntou a ele os resultados da operação Vril, o semblante dele logo mudava.
– Aqui só idiotas revelam isso, meio que se mapeado é fácil descobrir fraquezas de tal – falava ele com um sorriso no rosto. – Sabe, uma vez eu encontrei no primeiro ano no primeiro ano uma garota que falava aos quatro ventos ser vampira puro sangue, uma raça sombria extremamente rara, isso enchia o saco claro, mas ela avançava rapidamente na magia então deixavam ela continuar. Um pouco antes do exame eu pesquisei as fraquezas das raças da academia e vi que eles eram fracos a golpes a metal solar– Com um sorriso completava a história. – Foi por isso que antes do exame, entre minhas armas carreguei uma faca dessas comigo, quando passei por ela bastou dois golpes para derrubar ela, hoje ela tá no rank C, perdi pontos pela violência, mas valeu a pena – Ao terminar pareceu se sentir mais orgulhoso.
Com a narrativa o rosto de Cecil se iluminava ao conto, se emaciando com tal pequena história. Enquanto isso Raul ainda permanecia sem acreditar. “ Esse cara esfaqueou uma colega de turma!” ,ele olhava para Jack ainda como se ele fosse criminoso.
Notando a face de ambos, Jack logo adicionou:
– Encare isso com mais realidade cara, a magia não é tão bonitinha, acredite muitos de nós se traumatizam muitos, assim como não aceitar essa realidade deu muitos choques aos outros, acreditem, o quanto antes se adaptarem ao jogo, mais vão sobreviver – Pronunciava a última frase sério.
Enquanto deixava ambos pensativos, ouviu de longe uma garota chamando ele, tão pequena quanto ele, gritava ao chamado de tal, repetindo “ Vem aqui Jack, preciso de sua ajuda”
– Então até mais garotos, o dever me chama – falava ele apertando o passo.
Cecil ainda o fitava pensativo sobre a frase, conhecia milhares de referências a ela, mas nunca esperava ouvi-la, nunca pensou que seu King Mob, fosse ser aquele pequeno ser. Enquanto isso Raul ainda o encarava, tanto havia sido dito e este não havia conseguido nem uma chance de aprender qualquer magia com o Jack, todas as noções dela que ele havia citado pareciam abstratas.
Quando estavam voltando para o dormitório, viram pregado por parte dele todo uma série de panfletos, ao olhar de perto, tanto Cecil quanto Raul sentiram uma euforia....
Fale com o autor