Notas iniciais
Olá, leitores e leitoras! Estou cá eu de volta com um novo capítulo! YAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAY Da última vez eu disponibilizei todos os links das cartas e tal para referência, mas não farei mais isso por motivos de: A carta pode ser um spoiler, estragar a surpresa e tal. Todavia, vou deixar o link do Gatherer aqui, onde vocês podem conferir os cards e tal gatherer.wizards.com/Pages/Default.aspx

Éramos os atores, e o Maelstrom era a peça, o palco, a plateia, o teatro e o titereiro.

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Se você for entendido da situação, verá que eu não estava sendo muito inteligente naquele embate por algumas razões.
Primeiro: Eu era um planeswalker, mas estava fazendo o papel de criatura, ou seja, eu estava muito mais vulnerável que o necessário naquela situação.
Segundo: Eu tinha um belo de um dom que era a manipulação do éter, mas eu não estava usando-o.
E, terceiro: Eu estava me utilizando de criaturas alienígenas àquele plano.
Como assim? Ao invés de utilizar as criaturas vindas de Theros, eu trouxe um kraken da costa nefaliana e um elemental das montanhas de Tarkir. Não sei se me dei conta disso sozinho ou se o Maelstrom me ajudou, mas eu decidi ser esperto dali em diante.
Respirei fundo e lancei quatro manas (sendo um deles branco) ao Éter, convocando o Iconoclasta Leonino.
Cinco metros acima do solo ele surgiu, fechado como uma bola. De súbito, abriu os braços e se esticou com uma expressão decidida em suas feições felinas. Ele era, caso você nunca tenha visto um leonino, uma mistura de homem e leão.
Balançava uma cauda comprida, trajava vestes coloridas em tons de púrpura, vermelho e amarelo. A orelha direita estava ornada com brincos e eu também notei a ausência de uma juba, então poderia ser uma leoa, talvez.
O felino aterrissou nos dois pés e na mão esquerda, deixando a direita esticada e com as garras à mostra. A aura branca que aquele ser emanava restaurava a vida das flores mortas pelo Gigante do Rastro Funesto, como uma pequena ilha de vida em um oceano mórbido e deprimente.
Ele se aprumou e rugiu, e eu lhe digo, amigo, que rugido.
Minha respiração fugiu de mim com o rabo entre as pernas quando aquele trovão ecoou pelas planícies. Aquilo era um desafio aos nossos inimigos e aos nyxnatos que serviam aos deuses.
Os primeiros adversários que atenderam ao desafio foram um guerreiro e um sátiro, ambos com as máscaras douradas dos ressurgidos. Ambos, o Guardião Sinistro e o Festeiro Ressurgido, se aproximaram correndo, vindos da minha direita, mas pararam há dez metros de distância como se algo os impedisse.
Bem, eu não iria reclamar.
Um ponto interessante sobre a condição que eu me encontrava. As mágicas e efeitos que meus oponentes (ou aliados) conjuravam que visavam me atingir como planeswalker, ou seja, em minha vida, não me atingiam.
Curioso, não?
De qualquer forma, aqueles dois não representavam nenhuma ameaça para mim ou para minhas criaturas. Imediatamente, pelo menos.
Mas, na sequência, eu ouvi um som confuso, a mistura entre um mugido e o grito de uma águia e, vinda literalmente de lugar nenhum, a Quimera Caçadora de Tempestade sobrevoou as planícies, olhou para mim com ambas as cabeças (a de boi e a de águia) e mergulhou na minha direção, encolhendo as asas de forma aerodinâmica.
Aquilo foi uma surpresa, mas foi uma surpresa remediável.
Ordenei ao meu elemental que bloqueasse o ataque e ele flutuou para o espaço entre mim e a quimera, feliz pois sabia que aquela coisa não conseguiria passar por sua defesa. Ou era o que nós dois achávamos, até que uma imagem invadiu minha cabeça. Um homem de feições ocultas com um longo manto esvoaçante e uma sombra de nyx, no pescoço, trazia uma corrente repleta com as máscaras douradas dos ressurgidos.
Eu entendi na hora.
Meu oponente ativou a habilidade de sua quimera, revelando uma mágica que tinha em mãos e, com isso, o poder de sua quimera triplicou.
Um arco de eletricidade faiscou nos chifres da cabeça taurina foi disparado em meu elemental, atingindo-o em cheio e excitando suas moléculas aglomeradas, fazendo-o se iluminar como plasma antes de desaparecer, deixando uma massa indistinta de éter que foi carregada como uma bruma leve.
Foi um belo de um arrepio, o que eu senti. Pelo menos, era minha vez e eu poderia dar a volta nisso.
Não recebi nenhum mana dessa vez, mas já possuía seis, excelente.
Lancei três manas e, deles, nasceram um par de ninfas nyxnatas, cinzentas como trigo encharcado. Onde seus pézinhos delicados tocaram, feixes de trigo começaram a germinar instantemente, fervilhantes e cheios de vida.
As Alseídes da colheita dançavam de forma cerimoniosa, agitando os braços e erguendo nuvens de grãos.
Eu fiquei admirando até aquilo ficar monótono, sentindo que deveria haver algo mais. Uma delas pigarreou.
— Hey, Planeswalker! — Ela chamou enquanto saracoteava com a irmã.
Tive um sobressalto. — Quem? Eu? — Perguntei da forma mais estúpida que eu era capaz.
— É óbvio que é você. — A outra respondeu. — Eu sei que somos lindas e tudo mais, mas se você não escolher ninguém para que protejamos, vamos ter que ficar dançando aqui para sempre.
— Ah, sim, pois bem. Protejam... — Levei a mão ao queixo, pensando em quem escolher.
— Estamos enjoadas da invocação, pelos deuses, escolhe alguém logo antes que eu vomite mingau de aveia em você!
— OK, OK! Me protejam!
Ouvi elas suspirarem de alívio quando lançaram aquela nuvem de cereais em mim.
Aquele turbilhão rico em fibras e ômega 3 me envolveu com forma força, fazendo meu cabelo chicotear para trás.
Oh, então aquilo era a minha proteção? Ótimo, não precisava me preocupar que uma prisão de ventre frustrasse meus planos naquele turno.
Feito, eu ainda poderia invocar mais uma mágica com aquele mana remanescente então, decidi fazer isso. Lancei-o para cima, formando a imagem de uma bela espada em minha mente.
Enquanto meu mana moldava o éter, eu tive uma ideia.
Apontei para a quimera que sobrevoava o campo, mugindo e gritando com suas duas cabeças.
Para a desgraça dela, minha ideia funcionou.
Um feixe de luz surgiu do céu e dele, como uma estrela cadente, minha mágica irrompeu, atingindo a quimera em cheio, como uma mosca sendo atingida por uma pedra de granizo.
A quimera e minha espada colidiram com o solo, causando uma explosão que fez o chão tremer, arremessando lascas de pedra e farrapos de éter por todo lado.
O mais destrutivo, entretanto, foi o som. Algo como um sino de bronze bem pesado esmagando uma gaita de fole com um pato dos grandes dentro.
Quando a poeira baixou, uma grande espada se encontrava cravada fundo no chão, era a Mensageira dos Deuses, a espada utilizada pela própria Elspeth para combater o deus sátiro, Xenagos.
Aquilo viria a ser útil, eu esperava.
Ah, sim, e pra você que não entendeu o que acabou de acontecer, eu conjurei um artefato, normal, mas eu decidi conjurar ele "em cima" da quimera, só precisei de um pouco de cálculo, mas matemática sempre foi meu forte, junto com física, história geografia, biologia e o resto.
Deixando minha capacidade acadêmica de lado, foi só fazer uns cálculos e deixar a gravidade fazer o resto.
Feito isso, terminei minha vez.
Mal pensei isso, ouvi um sonoro estrondo vindo da garganta do vale, olhei naquela direção e vi um ser enorme se aproximando. Um ciclope colossal trazendo uma árvore como porrete, com uma longa e desgrenhada cabeleira que sacudia com os trovões de seus passos, seu único olho estava injetado de fúria. Na sobra do Ciclope da Fúria Eterna girava não uma constelação, mas uma galáxia de nyx.
Ok, aquilo já era uma tragédia, mas não era só isso.
Uma grande poça, ou melhor, um pequeno lago, se abriu como um portal Fo solo, abrindo passagem para um ser feito da carcaça de um barco de madeira, enorme, destruído e apodrecido pelas águas. A enorme criatura esmagou a terra firme com seus punhos espinhosos. Ele voltou seus olhos verdes para mim e urrou com uma voz gutural enquanto o portal se fechava atrás dele. Ambos se posicionaram lado à lado, esperando que seu enjôo passasse para que pudessem acabar com minha raça.
Em vista disso, eu comecei a calcular e cheguei à seguinte conclusão, meu adversário havia precisado de dez manas para tal.
Dez manas! Era uma quantidade mais do que representativa, e aquilo estava começando à me preocupar. Não necessariamente pelo mana que ele tinha acesso, mas sim pelo fato que esse mana não existia.
Veja bem, planeswalkers têm uma consciência plena do tamanho das reservas de nossos oponentes, são massas de mana enormes e poderosíssimas, é algo visível caso você saiba o que ver. Pode parecer complexo e subjetivo, para nós é tão simples quanto contar cartas em uma mesa.
Enfim, eu havia contado cinco manas apenas em sua posse, então, como seria possível que ele gastasse dez? Eu me perguntava isso enquanto o odor de madeira infestada do Brutamontes Apodrecido me atingiu.
Digam o que quiserem sobre as criaturas pretas e sua crueldade, mas a pior parte é o cheiro. Cobri o nariz, bolando uma forma de burlar aquela defesa implacável e pensei muito, muito mesmo, mas não cheguei há conclusão nenhuma. Aquela luta estava se complicando muito.
Minha vez chegou e eu somei sete manas, mas minha situação não mudava em nada. Eu continuava perdido.
— O que você vai fazer agora? — Ela me perguntou.
— Não sei, não posso fazer nada. — Respondi, quando me dei conta de algo. — Quem perguntou isso?
Olhei para minhas criaturas, mas nenhuma delas havia dito nada.
— Aqui. — Ela disse. — O ciclope.
Que surpresa, não esperava uma voz feminina vinda de um monstro com uma tanga tão grande que poderia esconder um plano de existência. Mas era óbvio que não foi o gigante, mas a pessoinha que estava em seu ombro esquerdo.
E foi a primeira vez que eu a vi, a pessoa que seria praticamente um ponto constante em minhas andanças pelo multiverso. A pessoa com quem eu cruzaria espadas e bandeiras, trocaria flechas e segredos, dirigiria palavras de amor e ódio.
Ali estava ela, distante, mas próxima. Tão pequena eu tinha a impressão que poderia esmagá-la entre meu polegar e meu indicador.
Em nosso último encontro, ela me perguntou o que eu faria caso tivesse esse poder e eu não soube responder.
Você deve estar se perguntando quem ela era, ou, pelo menos, se ela era merecedora de tanto mistério. Novamente, não sei responder isso, mas farei mistério mesmo assim, pois tenho uma veia dramática e tenho um pé na dramaturgia. Digo, quando não estou correndo pelos planos ou sendo caçado por gangues de goblins, me dedico à poesia.
Mas não é relevante no momento.
Enfim, direto ao assunto, ali estava em toda sua existência.
TAN TAN TAAAAAAAAN!
Ishka!

Notas finais
Adendozinho, a habilidade da Quimera Caçadora de Tempestade permite que vc revele o primeiro card de seu grimório e ela ganha +X/+0 sendo que X equivale ao custo de mana do card revelado. O Agente de Érebo custa 4, e o ataque basico da quimera é 2, então, foi triplicado Não esqueçam de comentar!