Notas iniciais
Guten Nacht, mein parças! Aqui está o capítulo, precisos dez dias após o último. Esse aqui introduz o arco de Ravnica, que vai ser bem grande. Todas as explicações referentes ao dito arco serão dadas no próximo capítulo, entãi não se preocupem Neste capítulo, alguns poucos recursos visuais das cartas foram usados, então, como são pouquinhos, eu vou deixar o link deles em ordem de aparecimento.; Lavínia do Décimo: http://gatherer.wizards.com/Pages/Card/Details.aspx?multiverseid=369912 Mago da Guilda de Nova Prahv: http://gatherer.wizards.com/Pages/Card/Details.aspx?multiverseid=357013 Justiciar Azorius: http://gatherer.wizards.com/Pages/Card/Details.aspx?multiverseid=356838 Justa Autoridade (primeiro como personagem e depois como feitiço) : http://gatherer.wizards.com/Pages/Card/Details.aspx?multiverseid=357021&part=Righteous+Authority Acho que é isso, aproveitem!

Os horrores mais espertos se escondem na luz.

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O mundo se abriu abaixo de mim. O ar novo, nocivo e estagnado invadiu meus pulmões sem ser convidado, infectando-me, impregnando-me.

Antes do chão colidir com minhas solas novas e duras Ravnica já me repelia, e eu repelia à Ravnica. Como um peixe guerreando com a água.

Atingi o chão, apesar que aquele lugar era tão horrível que o chão poderia ter me atingido, mesmo que meu desgosto por aquele universo já era tão latente que eu o teria atingido primeiro.

Mas isso não é importante.

O chão se estilhaçou aos meus pés, primeiro round para Stilace. Era um disco de vidro azul com um metro de diâmetro, muito bonito, mas invariavelmente destruído. Não era minha culpa, afinal de contas vidro tende a estilhaçar quando seres extraplanares caem sobre ele.

Olhei para cima e vi o sol incidindo diretamente sobre mim, absurdamente quente e tão claro que era difícil de raciocinar. Mas também vi o teto, bem, bem, bem para cima. Quando digo “bem para cima” eu quero dizer que uma família de dragões poderia brincar de esconde-esconde-esconde na abóbada daquele lugar, em seus nichos e formas triangulares e linhas retas. Cinco segundos olhando aquela arquitetura fariam qualquer um matar por uma curva que fosse.

Eu estava situado em pavilhão que parecia um anfiteatro de trezentos e sessenta graus. Degraus e mais degraus iniciavam-se nas paredes e desciam até atingirem uma área plana e, no centro dessa área plana, havia um grande círculo elevado, como palco.

E no centro deste palco, estava eu.

Olhei para frente e vi uma quatro pessoas me encarando ainda no palco, magos. Cajados erguidos, martelos levantados, feitiços preparados, cotas de malha oleadas. Eles estavam esperando por algo hostil com certeza, mas não precisavam se preocupar. Era apenas eu.

Dei um passo para fora do círculo de estilhaços, indo cumprimentá-los, mas quando meu pé estava pronto para passar a borda, eu chutei algo invisível. Uma barreira mágica.

— Com licença. — Tentei ser o mais cortês quanto a situação permitia, mas aquele sol estava me enlouquecendo. — Eu não tinha a intenção de destruir seu disco de vidro, mas acabei transplanando para cá...

— Senhor Stilace! — Uma mulher baixa e que exalava autoridade me interrompeu. Ela estava coberta por uma capa azul e vestia um capuz de mesma cor sobre a cabeça. — Em nome da guilda Azorius, eu, Lavinia do Décimo, declaro que o senhor está preso sob a acusação de violação direta do Novo Pacto das Guildas de Ravnica, estipulado pelo dragão Niv-Mizzet e realizado por Jace Beleren, cujo artigo primeiro, inciso um, torna terminal e invariavelmente proibida a existência, entrada, estadia (permanente ou temporária), ação e interferência de planeswalkers em toda a extensão do plano de Ravnica e sua punição está a critério de decisão do senado Azorius pelo fato deste ser a primeira autoridade vigente à administrar a situação. — Ela tomou um fôlego rápido. — Peço encarecidamente que entregue suas armas e aceite o veredito sem reagir.

Sempre fui colaborativo, mas aquela situação toda, aquela atmosfera hostil, aquele sol desgraçado e meu grande orgulho precisaram perguntar. — Ou?

— Sua conduta será considerada uma afronta à uma alta autoridade Azorius, o que acarretará no uso da força para subjugá-lo contra sua vontade.

Aquilo foi um desafio? Provavelmente não, mas eu estava pronto para uma confusão. Ravnica mexe com sua cabeça.

Levei a mão esquerda lentamente até o cabo do Estilhaço, planejando meus movimentos. Vasculhei o espaço ao redor, analisando o chão de mármore, as colunas violentamente retilíneas, as armaduras comicamente grandes dos magos legistas, as luzes azuladas que se formavam em suas mãos. — Lavinia do Décimo, prepare-se para utilizar-se da força para me subjugar.

— Magos-legistas! —Lavinia ergueu a mão, deixando os magos à postos. — Preparem-se para detê-lo! — Os magos-legistas se separaram e se afastaram, de forma que me cercaram pelos pontos cardeais.

O que eu tinha à disposição? Éter, mana, um punhal, uma espada bem grande, uma armadura de couro leve que não faria bem nenhum contra mágicas e martelos e um manto branco que não oferecia muito em termos de camuflagem.

Era uma tarefa titânica pensar com aquele sol cozinhando seu cérebro como um ovo.

Manto branco, branco como o mármore, branco como o sol, branco como a luz, branco como mana, branco como meu manto.

Um plano já havia se formado com clareza em minha mente. Eu soltei o Estilhaço do Éter de suas correias e, com dificuldade por conta do espaço apertado, ergui-o sobre a cabeça e voltei a ponta afiada para o sol e absorvi aquele mana de luz que irradiava que, infundido a lâmina com seu poder.

Não tardou para que o Estilhaço começasse a imanar sua própria luz, como se fosse um fragmento do próprio do sol.

Não dei tempo para que assimilassem meu plano. Com a mão direita, absorvi o mana azul que compunha a barreira, deixando apenas o éter quebradiço no lugar, e, em seguida, fechei os olhos e golpeei a barreira com o Estilhaço do Sol, usando o mana azul em minha disposição para conjurar um feitiço de aceleração temporal em mim mesmo. A espada destruiu a barreira, mas não apenas isso, o éter infundido com mana branco de minha lâmina gerou uma reação em cadeia com aquele éter neutro, transferindo o mana, fazendo com que todos os estilhaços explodissem em clarões de luz intensa.

Livre, acelerado e de olhos fechados, eu avancei, guiando-me pela memória e pelo instinto.

Diretamente a minha frente, um homem de ombros largos segurava um grande cajado com um globo azul na ponta, o Mago de Guilda de Nova Prahv. Eu me lembrei da forma que ele estava postado e da altura que segurava o cabo, então golpeei em um arco curto e cortei seu bastão em dois. Como não tinha a intenção de mata-lo, segui o golpe com um soco de direita em seu queixo.

Sem tempo para averiguar o resultado, eu abri os olhos e constatei que as propriedades refletoras do mármore superaram minhas expectativas. O lugar todo brilhava de forma violenta o suficiente para ferir os olhos, então tratei de fechá-los novamente.

Recorrendo mais uma vez à minha memória, guinei para a direita e me abaixei, juntando impulso. Corri encurvado e com a ponta da espada riscando o chão, avancei em uma forma de meia-lua e, segurando com as duas mãos, atingi o estômago de uma mulher loira com a base do cabo. Antes da Justiciar Azorius sentir o golpe, eu girei para trás e decepei a cabeça em forma de rolo de pergaminho de seu bastão.

Senti o feitiço temporal se esvair, assim como o clarão, então abri os olhos e cobri a cabeça com o capuz do manto, tornando-me um vulto branco.

Á minha direita, um homem vestindo uma armadura e capacete com uma enorme espada às costas tentava se livrar do torpor e conjurar uma mágica. Eu avancei, dançando como um facho de luz que quica de espelho em espelho, fintando para a esquerda e para direita. Quando cheguei próximo o bastante, estiquei os braços e toquei a esfera de energia azul em sua mão com a ponta de minha lâmina, drenando o mana azul do feitiço e transformando-o em um globo de vidro; feito isso, saltei para frente, apanhei o globo e o espatifei em sua têmpora.

O efeito de distorção temporal passou por completo, então a luta com Lavinia seria uma luta do pior tipo, uma justa. Ela sacou a espada e segurou-a firme com as duas mãos na frente do corpo de maneira defensiva.

Subitamente, um anel de luz azul composto de glifos se formou ao redor dela na altura dos ombros, o anel começou a girar lentamente e se dividiu em dois, entrecruzando-se e formando um “X” na frente dela. Os anéis da Justa Autoridade definitivamente davam-na um ar mais imponente.

Imponência não meu assustava. Em um lampejo, nossas espadas colidiram.

Encaramo-nos, truncados. Nossas lâminas estavam travadas e não estávamos dispostos à ceder. Ela era forte e fria, sua expressão não se alterou e sua lâmina não tremeu com esforço nem uma única vez. Era como travar lâminas com um iceberg, ela não avançava, apenas resistia.

Me aproveitei disso, estiquei minha perna para frente e trouxe minha espada mais para perto, para que eu não precisasse de tanta força para sustentar a retenção. Mais rápido do que um pensamento, soltei a mão direita do cabo e segurei apenas com a esquerda, levei a mão livre a meu cinto e apanhei meu punhal, voltando-o como uma ferroada contra o lado de Lavinia.

Ela foi ágil para se esquivar. Rechaçou minha espada para o lado rodando sua própria e rodou para trás, escapando do punhal. Aquilo foi uma dança, metódica e calculada.

Aproveitei seu recuo e avancei, arrebentando sobre ela como uma onda. Dei dois passos curtos, ergui o estilhaço e baixei-o feito um relâmpago em sua guarda. Ela bloqueou voltando sua espada para baixo, fazendo meu golpe ser desviado de encontro com a sua lâmina. Aproveitei a descida diagonal e girei, descrevendo um arco na altura de seus olhos, mas meu golpe passou reto quando ela abaixou a cabeça. Seu desvio foi parte da minha estratégia, lancei o braço do punhal no ponto que seu ouvido estaria ao desviar da espada.

Para esquivar, ela girou na mesma direção que eu. Eu não estava esperando por esse movimento e, como recompensa, fui atingido pelo botão de sua espada no nariz. Recuei trôpego e não consegui esquivar de seu próximo ataque, um golpe girado desferido com a parte plana da espada no meu estômago.

Senti minhas costelas se esmigalharem e minhas entranhas se liquefazerem. Cuspi sangue no chão e no meu manto, maculando aquela placidez branca.

Se eu não era culpado do crime de ser um Planeswalker em Ravnica, eu era culpado por manchar aquele mármore e, em meu reino, isso seria passível de morte.

Lavinia me agarrou pelo pescoço e me deu uma rasteira por trás, fazendo a parte de trás de meu crânio colidir contra a pedra. Minha visão apagou e eu mordi a língua com força, mas Lavina foi rápida e me virou de bruços com a sola do pé, para que eu não engasgasse com meu próprio sangue. Me perguntei quantas vezes ela já havia feito aquilo e quantas pessoas havia subjugado dessa mesma maneira e, secretamente, senti certos ciúmes por saber que não fui o único.

Ela chutou minhas armas para longe e montou em minhas costas, prendendo minhas mãos com um feitiço. Ela se certificou que eu estava bem preso e foi conferir o estado de seus companheiros.

Eu esperei ela se afastar e, com um toque, vitrifiquei meus grilhões. Não foi preciso muita força para quebrá-los.

O que demandou força foi bolar algum plano de ataque. Um golpe bem aplicado tem o poder de quebrar muito mais do que ossos.

Eu não dispunha do mana, da técnica e nem da tecnologia necessária para vencer. Infelizmente, também não dispunha da condescendência necessária para me entregar e nem da humildade necessária para fugir.

Algo que eu dispunha em abundância, entretanto, era a praticidade para abnegar de certas coisas em prol de mim mesmo. Eu sempre fui muito esperto e muito inteligente, mas optar por abnegar de meu orgulho não demandou nem mesmo um por cento das minhas capacidades.

Mentalizei uma imagem vívida de Theías, acendendo minha centelha para me tirar daquela caixa de mármore.

Mas minha centelha não estava ali.

Senti um frio glacial em meu peito, expulsando o ar de meus pulmões.

Desespero é um sentimento estranho aos planeswalkers. Nossa centelha é como se fosse um plano B eterno, pois independente da situação, podemos sempre fugir, saltando à deriva das Eternidades Cegas e aterrissando em algum plano qualquer.

Mas, sem minha centelha, eu não tinha nada para me apoiar. Eu estava por conta.

Silenciosamente, eu refiz minhas algemas e continuei deitado, quieto.

— Que seja o que deus quiser. — Murmurei para depois perceber quão sem significado essas palavras eram.

Notas finais
E aí, que tal? Gostaram da surra que o Stilace levou? rsrsrsrsr Até a próxima!