Magic the Gathering: Tales of the Ætherbreaker

11 Infelizmente, o mesmo não se aplicava a Irov ou aos guardas, que cumpriram sua missão até o fim


Notas iniciais
Esse foi beeeeem rápido Não ficou muito longo, mas acredito que é o capítulo com mais tensão até então. Quero muito saber o que vocês acharam, então não esqueçam de comentar.

E pensar que minha morte foi a experiência menos traumática daquela noite.

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Olhei pela janela da carruagem e vi que a vizinhança estava totalmente iluminada por tochas e uma grande balbúrdia se alastrava. Pessoas corriam em desespero para na direção da confusão, bêbados, ensandecidos.

Agradeci pelo fato de azorius terem um pingo de bom senso ao fazerem suas carruagens iguais às populares, de madeira suja, sem ornamentos e discretas. Os condutores eram similares, sujeitos vestidos com uma capa puída e suja que escondia a armadura que usavam.

De outra forma, é certo que seríamos trucidados pelos locais ou por qualquer um que não gostasse dos azorius, o que seria cerca de nove décimos de Ravnica.

Irov ainda me encarava, mas eu estava absorto em meus próprios pensamentos, tentando entender o que os selesnyas de Aguabrasa queriam com aço negro malfeito e por que as compras de selêsnio aumentaram de uma hora para a outra.

Algo em mim dizia que ambas as coisas estavam intimamente ligadas, ambas compartilhavam similaridades demais para que fossem casos isolados. Além disso, o nome daquela elfa, Lhamiz, também atormentava meus pensamentos, ela estava visivelmente ligada aos assassinatos, encobrindo algo importante.

E esse algo importante estava em Aguabrasa, eu precisava ir até lá o mais rápido quanto possível, mas primeiro eu precisava comunicar o que eu descobrira à Lavinia.

Fui sacudido para fora de meu torpor com um sacolejar da carruagem que parou abruptamente. Olhei pela janela e vi que estávamos em uma rua totalmente deserta com uma pequena praça e uma fonte simples e seca, onde a única iluminação vinha da lua cheia, que prateava tudo em uma matiz fantasmagórica.

Todas as pessoas que viviam ali devem ter ido atrás daquela confusão, seja lá o que era, deixando uma quietude inquietante em seu rastro.

Ouvi o som de armaduras tilintando quando os soldados saltaram da carruagem à frente. Segundos depois, ouvi um baque seco e alto e escutei os cavalos da frente gritarem. Outro som alto, agora de madeira estourando, ecoou, e foi possível ouvir o galope dos cavalos que corriam para longe.

Olhei para Irov desconfiado, mas ele ainda me encarava de forma doentia e ininterrupta.

Algo claramente estava errado.

— O que está havendo? — Ouvi o condutor perguntar, claramente assustado. — O que aconteceu lá na frente? Por que vocês... — Ele se interrompeu com um grito de pânico quando foi jogado no chão e, antes de qualquer outra palavra, um som de estalo úmido e horrível me gelou a espinha.

Os cavalos relinchavam enlouquecidamente quando um golpe partiu seu arado e os pois para correr.

— Menos os cavalos. — Irov murmurou. Continuava estático, vidrado.

Subitamente a porta foi aberta e uma mão se lançou em minha direção, agarrando minha gola e me jogando na rua.

Caí de costas, rolando para a direita para me levantar e, inadvertidamente, esquivando-me de um pisão que almejava esmagar meu crânio. Rolei para o lado e, mal me pus em pé, desviei me abaixando de um golpe de espada que fez o ar assobiar sobre minha cabeça.

Recuei vários passos e observei meu atacantes. Bandidos, fora meu primeiro pensamento, mas eu consegui ver o luar refletido em suas armaduras azorius. Os soldados estavam atacando.

Aquilo não fazia sentido. Eu não descartei totalmente a possibilidade de que eles se voltassem contra mim ou me pressionassem para que eu contasse o que sabia, mas eles mataram ambos os condutores e libertaram os cavalos e, mesmo que os condutores podiam ser testemunhas de qualquer coisa que fosse feita a mim, aquela carnificina não era compatível com os supostos guardiões da lei.

Todo pelotão vinha em minha direção, inclusive Irov. Todos andavam sinistramente devagar e de forma cambaleante com o olhar fixo em mim. Eles estavam sendo controlados, eu supus, por alguma manipulação mental. Expandi minha consciência, procurando por algum indício de controle da mente, mas não achei nada, estávamos sozinhos ali.

Alguém os influenciou de outra forma, e eu precisava descobrir como ao mesmo tempo que tentava não ser morto pelos soldados possuídos.

Dei alguns passos para a esquerda e eles também mudaram a direção, vindo até mim como um rebanho de extermínio, sem tentarem me flanquear ou cercar, atados à estratégia de marcha zumbi.

Eu não tinha muita chance contra cinco soldados de armadura completa apenas com uma adaga, e nem tinha mana suficiente para acabar com todos de uma vez, então eu precisava separá-los para conseguir fazer algo.

Concentrei um pouco de mana azul e criei cinco cópias de mim mesmo, apenas imagens incorpóreas e fantasmais, e as mandei correndo em direções diferentes enquanto eu me escondia em um beco para ver o que aconteceria.

Funcionou. Os soldados zumbis se separaram e começaram a correr atrás das ilusões. Um deles passou correndo pela entrada do beco e eu o segui, derrubando-o com uma investida de ombro.

Reuni mais mana na mão esquerda e subi em suas costas, arrancando seu capacete com a mão direita e, com a outra, agarrei seu crânio e entrei em sua mente.

Não havia nenhum indício de manipulação mental ali, apenas um desejo forte e justificado de me matar. Justificado pelo quê? Fui mais a fundo e encontrei a resposta.

De volta à mina, uma mulher encantadora vestida com um belo gibão de veludo verde, elegantemente tachado com botões brancos de marfim no formato de cabeças de lobo entrou pela porta principal. Neste momento, os guardas estavam reunidos em um canto, tomando água e conversando.

“Vocês estão com o planeswalker?” ela perguntou.

“Sim” Todos responderam sem hesitar e sem nem ao menos pensarem no assunto.

“Ótimo.” Ela disse sorrindo. “Digam aos seus condutores para tomarem o caminho contrário ao da festança e, quando chegarem na fonte da rua do cobre, parem e matem o planeswalker.”

"Sim.” Todos responderam de forma estúpida.

“E” Ela acrescentou. “Não deixem que ninguém saia de lá com vida. Tudo bem rapazes?”

“Sim.”

“Muito bom, adoro meninos inteligentes.” Ela ajeitou o cabelo liso e amadeirado atrás da orelha pontuda. “Menos os cavalos, eles não possuem culpa pela imundice de sua guilda.”

Saí da mente do guarda.

— Lhamiz... — Proferi. Aquela elfa manipulou os soldados sem esforço nenhum, desprovendo-os de qualquer vontade própria apenas com as palavras.

O guarda embaixo de mim começou a se debater.

— Qual seu objetivo? — Perguntei para ele.

— Matar o planeswalker, não deixar que ninguém saia com vida, menos os cavalos. — Ele disse lentamente.

— Por que? — Eu perguntei.

— Porque me foi dito. — Ele respondeu.

Então a manipulação se baseou em sugestibilidade?

— Lamba o chão. — Eu arrisquei e assim foi feito. Ele lambeu o chão sem hesitar.

— Desista de matar o planeswalker. — Ordenei, e ele voltou a se debater.

— Não! Matar o planeswalker, não deixar que ninguém saia com vida, menos os cavalos. — Ele começou a se debater violentamente e não escutava mais o que eu dizia.

Eu não tive escolha. — Desculpe. — Ergui seu rosto do chão, saquei minha faca e cravei-a entre seu queixo e o gorjal, forçando à entrada até que separei sua cervical do resto da coluna, matando-o.

Eu não pude apenas cortar a garganta ou furar a traqueia, pois ele iria continuar tentando me matar até que seu cérebro não funcionasse mais.

Ele foi minha primeira vítima, o primeiro ser não-invocado que eu matava e eu nem ao menos sabia seu nome, mas aquele não era o lugar para o luto.

Eu não podia dar ordens contraditórias aos guardas ou eles entravam em frenesi, anulando qualquer chance que eu tinha de controlá-los.

Tive uma ideia. Desalojei a faca do pescoço do morto e molhei o indicador em seu sangue, traçando um risco em meu próprio pescoço.

— Venham aqui! — Eu gritei, fazendo com que minhas ilusões e os guardas voltassem até mim. Agora eu estava cercado, mas isso não seria um problema caso meu plano funcionasse.

Fiquei surpreso ao ver que Irov estava diretamente à minha frente, andando até mim lentamente.

Eu baixei o capuz e mostrei a linha de sangue em meu pescoço. — O planeswalker está morto.

Sem mudar a expressão, todos os guardas murmuraram. — O planeswalker está morto. — Todos pararam de andar, mas ergueram as espadas.

Só faltava uma ordem para ser cumprida.

Irov segurou a espada com ambas as mãos e voltou-a para si mesmo.

Quando eu compreendi, já era tarde.

Eu corri na direção dele, mas não pude impedi-lo quando ele enfiou a espada curta até o cabo no próprio rosto, fazendo a ponta sair pela parte de trás de seu crânio.

Ele caiu para trás, com a cabeça suspensa pela lâmina enquanto seu corpo espasmava.

Olhei ao meu redor. Um dos guardas removeu a armadura e abriu as próprias entranhas com a lâmina, um dos dois remanescentes arrancou a cabeça de seu parceiro com um martelo de guerra antes de usá-lo para esmigalhar seu próprio crânio.

Me ajoelhei e vomitei, lembrando que não havia comido nada o dia todo. Levantei apavorado e corri daquela cena macabra, vendo os dois condutores mortos no caminho, um teve seu peito esmagado pelo martelo e o outro teve seu crânio pisoteado.

Os cavalos estavam livres, o planeswalker estava morto, e ninguém saíra com vida dali.

Missão cumprida.

Notas finais
Gorjal é uma peça de armadura feita para proteger o pescoço (choker, em inglês) Vocês vêm que essa conspiração do aço negro é coisa séria, mal posso esperar pra escrever o resto.