Magic - Restarting

1 Um novo Inicio


Notas iniciais
Já parou para pensar, o quanto você é forte?
Que depois de certo tempo, você começa a criar algo para se proteger?
Bem, se pergunte, até aonde você é capaz de aguentar.

As gotas de chuva batiam furiosamente contra o vidro da janela, raios caiam por todos os lados, lançando lampejos luminosos, por entre as frestas das cortinas. O som do galho batendo contra o telhado, pareceu não incomoda-lo. O garoto dormia calmamente, seu cabelo loiro cortado curto, a pele pálida, repleta de pintas, os lábios rosados, fechados.

Ele sentiu algo se deitar ao seu lado, mas continuou de olhos fechados.

— Medo da tempestade, de novo, Max? – sua voz, uma mistura de agudos que indicavam o fim da puberdade, ecoou pelo quarto.

Não ouve resposta, mas isso não o fez ligar para saber quem estava ali.

Alguns minutos se passaram, e a pessoa deitada ao seu lado, se mexeu. Sua respiração ofegante.

— Você deveria se certificar de que seu irmão realmente estava deitado ao seu lado. – disse a pessoa. Sua voz masculina transmitia certo tom debochado.

O garoto abriu os olhos bruscamente. Suas pernas o impulsionaram pra longe.

— Quem é você? Perguntou ele tentando se soltar das cobertas.

— Ah, qual é Stil, não reconhece um velho amigo? Perguntou o garoto rindo.

Mãos frias agarraram os pulsos de Stil, o prendendo contra a cama, enquanto o corpo do outro garoto ficava por cima. Os olhos do outro, emitiam um brilho prateado em meio ao escuro.

— Não precisa ter medo. – disse ele rindo – Não vai doer.

— Me solta. – grunhiu Stil se debatendo. Sua cabeça se chocou contra a do outro, que apenas emitiu um gemido.

— Idéia errada. – suas mãos seguraram a cabeça de Stil, fazendo uma leve pressão para a esquerda.

Stil levantou os braços, agarrando o outro pelo pescoço, o forçando a solta-lo. Seu joelho se chocou contra as costas do outro garoto, que rolou para o lado, emitindo gemidos.

— Péssimo dia pra tentar me matar, idiota. – gritou Stil se levantando. – Não estamos em um filme de terror. – disse ele agarrando a maçaneta da porta, mas esta não abriu nem um milímetro. – Mas que merda.

— Pensou que ia escapar de mim? Perguntou o garoto se levantando.

Stil girou ao redor de si mesmo, e encarou a janela. Sua mente trabalhava em um plano, seriam quase dois metros e meio de queda até o chão. Ele correu. Seus olhos se fechando, enquanto seu corpo se chocava contra o vidro. O vento frio atingiu seu rosto, as gotas de chuva o atingiram com ferocidade, seus braços arderam, devido aos cortes causados pelo vidro. A gravidade o puxou para baixo, seu corpo caindo sobre algo macio. Ele sorriu, ao lembrar-se da cerca viva que ficava logo a frente da sua janela.

— Valeu pai, por plantar isso. – sussurrou ele, se pondo de pé.

Stil olhou na direção da janela de seu quarto. O garoto estava lá, seu rosto em uma expressão de ódio. O cabelo preto grudando na testa, devido às gotas de chuva, seus olhos passando de um prateado para um castanho escuro.

— Você. – disse Stil, reconhecendo o garoto, enquanto começava a correr. Ele não se importou com o frio. Suas mãos tremiam demais, enquanto ele parava no telefone publico mais perto.

— 911. Qual a sua emergência? Perguntou a moça do outro lado da linha.

— Por favor, tem um cara na minha casa, ele tentou me matar, e acho que ele vai matar minha família também. Ele é o... – o som do trovão abafou sua voz. O queixo de Stil tremia, enquanto ele pronunciava cada palavra. – Mandem ajuda, por favor.

— Diga seu endereço e numero da residência.

— É na rua Dry Oak, numero 470. – respondeu ele.

— Estamos enviando uma viatura. Espere do lado de fora, ou o mais longe possível da casa.

Um raio cruzou o céu, revelando a pessoa parada no fim da srua. Ele segurava algum tipo de machado, o sangue escorrendo por entre seus dedos.

— Mas que merda. – disse Stil. Seu coração acelerando dentro do peito, enquanto a pessoa corria em sua direção. Ele se virou e correu para o outro lado. Seus gritos pedindo ajuda, pareciam encobertos pelo som da chuva, que caia cada vez com mais força.

Ele sentiu a dor se alastrar por suas costas, enquanto o gosto de sangue parecia lhe invadir a boca. Seus joelhos cederam, o fazendo cair em meio à rua. Aquele que o perseguia parou ao seu lado. Outra onda de dor emanou pelas costas do garoto, enquanto o machado era puxado.

— Pensou que seria fácil fugir de mim? Perguntou o garoto, seus lábios quentes roçando a orelha direita de Stil.

O barulho do machado se chocando contra o crânio de Stil, pareceu ecoar por todos os lados.

...

Abri os olhos e encarei o teto. O cheiro de pinho inundava o ar. Respirei fundo, enquanto jogava as pernas pra fora da cama. Senti um leve arrepio, enquanto meus dedos tocavam o piso frio. Caminhei até o banheiro e me enfiei embaixo do chuveiro, a água quente proporcionando uma sensação agradável.

Faziam apenas duas semanas, deste que Daungher renasceu e Vini morreu. E deste então, coisas estranhas haviam começado a acontecer. O tempo havia enlouquecido, chovia mais do que tudo. As pessoas na rua pareciam sempre de mau humor, e ficavam nos lançando olhares, ora assustados ora irritados, ta, alguns eram de admiração, algumas pessoas até nos agradeceram. É difícil saber se eles nos amam ou nos odeiam. Ah, quase esqueci, para uma cidade pequena, Collen até que se reconstruiu rápido demais.

Terminei de me arrumar. Vesti uma camiseta, que caia até um pouco acima dos joelhos, uma calça escura e minhas botas de lenhador, isso é só um modo de falar tá? Peguei minha mochila, jogada no canto do quarto e sai porta a fora. Para uma segunda feira, até que a casa estava silenciosa demais.

Desci a escada de dois em dois degraus. Caminhei pra cozinha. Marck estava sentado ao lado de Beatrice. Ele vestia uma camiseta preta, escrita “ Eu não preciso disso Baby. Eu sou um Jedi”. Seu cabelo preto continuava grande demais. Esse garoto precisa cortar o cabelo logo. Ele levantou a cabeça e sorriu para mim.

— Ta de bom humor ou só quis colocar esse sorriso de idiota na cara? Perguntou ele, tomando um gole, de eu sei lá o que, na minha caneca do Flash.

— Por que não os dois? – dei de ombro, enquanto abria o armário e pegava uma caixa de sucrilhos.

— Bom dia, Paul. – disse Beatrice sorrindo. Seu cabelo ondulado caia pesadamente sobre os ombros, cobrindo a parte que ficava pra fora da regata azul. O brinco dourado emitiu um brilho, enquanto alguns raios de sol batiam neles. Sua mão escrevia freneticamente em um caderno surrado.

— Bom Dia, Trice. – sorri de volta, me sentando de frente pra ela.

— Pronto pra voltar à escola? Perguntou Marck se levantando.

Sim gente, eu passei duas semanas sem por os pés na minha linda escola.

— Claro. – respondi com a boca cheia de sucrilhos de chocolate. Enfiei a mão dentro da caixa, e peguei outro punhado de bolinhas de chocolate.

— Ótimo, termina logo, que estamos quase atrasados. – disse ele, se inclinando um pouco e puxando a mochila do chão.

— Vou comendo no caminho mesmo. – me levantei, e me dirigi até a porta, segurando a caixa de sucrilhos, como se ela dependesse da minha vida.

Marck riu baixinho, enquanto saímos pro lado de fora.

O dia estava agradável, juro. Meu deus, não ta chovendo, vamos comemorar? O sol se escondia atrás de poucas nuvens, o céu estava azul. Alguns pássaros cantavam nas arvores da rua. O vento frio da manha, fazendo as folhas balançar, algumas se desprendendo dos galhos e caindo em meio à calçada.

— Que legal ta sem chuva. – disse Marck sorrindo.

— Pois é. – murmurei ainda de boca cheia.

Caminhamos em silencio, pela cidade silenciosa, nossa isso foi horrível. Ta, tinha algumas pessoas sentadas na frente das casas. Algumas acenaram para nós, outras se levantaram e bateram a porta com força, ao entrarem. Povo louco. Meio que salvamos a vida deles, e eles nos tratam assim? Na próxima juro que deixo... Calma gente, to brincando.

...

Ele caminhou pelo corredor, quase cheio da escola, deixando um rastro de perfume pelo ar. Seus passos eram firmes. A mochila pendurada no ombro esquerdo. Seus lábios se abriram em um pequeno sorriso, enquanto ele ignorava todos aqueles que o encaravam. Seu cabelo castanho estava cortado curto dos lados, mas um pouco grande em cima. Seus olhos azuis percorriam os números nos armários, a procura do número 267. Tocava For a Pessimist , I’m Pretty Optimistic, em seu fone de ouvido. Ele estava na metade do corredor, quando achou seu armário, a combinação já decorada.

O garoto encarou a garota que vinha em sua direção. O cabelo loiro balançando, enquanto ela praticamente desfilava em sua direção. Seus olhos verdes esmeralda brilhavam, como se ela tivesse acabado de ver um novo premio para sua estante. Seus lábios, pintados de batom vermelho, se curvaram em um sorriso, enquanto ela se aproximava.

— Nem adianta vir falar comigo. – disse o garoto sem tirar os fones. – Não seremos amigos, muito menos teremos um caso, e murche esse sorriso, porque você nem é tão gostosa assim.

Ele bateu a porta do armário com força, enquanto todos ao redor riam da cara da garota. O garoto segurava o livro de história com força demais, enquanto caminhava pro lado de fora.

...

Mordi os lábios, enquanto cruzávamos o estacionamento. Literalmente, todos olhavam para mim, e isso era um saco, porque eu não quero ser o centro das atenções. Algumas pessoas me aplaudiram, outras gritaram: — Vai embora aberração. Apenas dei de ombro e joguei algumas bolinhas de sucrilhos nesses, porque sou desses.

— Oi. – disse Mael sorrindo. Ele caminhou em nossa direção. Seus olhos brilhando, enquanto ele abria os braços e me abraçava. Ele usava uma calça jeans clara e uma camisa escrita “ Fuck Me Golden Dolphin”. Me perguntei porque esse garoto estava usando essa camiseta. – Senti sua falta nas aulas.

— Nossa ainda bem que foi só nas aulas. – ri, enquanto ele me soltava. – Já pensou se fosse enquanto você usava o banheiro? Ou brincava com o Andrew?

— Por que você tem que ser tão retardado? Perguntou ele sorrindo.

— Sei lá, se eu não for, tudo fica chato e sem graça. – dei de ombro.

— Vejo vocês no almoço. – disse Marck, caminhando até sua rodinha de amigos.

Acenei de volta.

— Por que diabos você ta usando uma camisa que diz "Me foda golfinho dourado"? Perguntei enquanto caminhávamos em direção as portas de entrada.

— Ah, qual é? Golfinhos são legais tá.

— Você sabe que eles iam te...

— Paul, cala a boca ta. – Mael me encarou. – Cara, você não sabe da ultima.

— E qual seria a fofoca do dia? Perguntei, encarando o corredor lotado.

— Tem um garoto novo, e ele meio que humilhou a Sarah Gillens.

— Como é? Perguntei, quase engasgando com um sucrilho.

— Sério, ele tava parado no armário dele, e ela veio pronta pra dar em cima dele, ai ele olhou pra ela e falou: — Nem adianta vir falar comigo. Não seremos amigos, muito menos teremos um caso, e murche esse sorriso, porque você nem é tão gostosa assim.

— Cara, por que eu perco esse tipo de coisa? Perguntei segurando o riso.

— Quem manda vir tarde. – disse Mael rindo. – Foi a melhor cena do ano.

Paramos em frente ao meu armário, encarei a porta de metal, pintada de um cinza triste. Abri o cadeado e peguei meu livro de história.

— Te vejo no almoço? Perguntei enquanto voltávamos a caminhar,

— Claro.

— Ah Mael. Cadê a Stelar e o Mitchel? Perguntei antes dele se afastar.

— Em algum lugar do segundo andar.

— Valeu. — sorri, enquanto me afastava.

Caminhei lentamente até a sala de história, praticamente cheia. Sentei no meu lugar de costume. Primeira carteira da fileira. Tentei não pensar em Vini.

Senti o perfume, antes mesmo do garoto passar pela porta. Seu cabelo castanho cortado curto dos lados e alto em cima , os olhos de um azul gélido, os músculos se destacando na camiseta vinho e na calça skinny azul escura, seu sapato Vans preto, parecia novinho em folha. Ele me encarou, o que me fez perder o ar por alguns segundos.

— Não senta atrás de mim. – fiquei repetindo até que o garoto sentou atrás de mim. – Droga!

O professor entrou na sala, fazendo o garoto se apresentar. Seu nome era Eduardo Guillard e ele contou que veio de New Orleans, se mudando após a morte da mãe, tinha dezessete anos. Parece que o pai dele era escritor, e queria um lugar mais tranquilo para eles morar. Sua voz era grave e ao mesmo tempo, sensual demais.

Coitados, mal sabem das coisas que os esperam nessa cidade.

Notas finais
Olha só quem te de volta. Isso mesmo, Paul.. Parei
Bem gente, eu espero que vocês gostem dessa temporada, vou tentar agradar a todos vocês, de novo.
Obrigado por todo o carinho na primeira temporada, foi bem importante pra eu continuar.
Comentem ai, quem você acham que é o Assassino de Collen. O que esperam do Edu.
Recomendem, e favoritem, vai ajudar muito.
Amo vocês.