Magic Blood
37 Professora Trelawney
Notas iniciais
Eu não acredito nisso! Como ela aceita assim numa boa ir falar com aquele patife do Malfoy?! Não importa realmente por que antes do fim do dia aquele cretino não vai ter mais cabeça!
– Hey olha por onde anda! – Alguém que esbarrou em mim foi idiota de dizer isso.
– Olha aqui Goyle eu não estou com um humor muito bom hoje. – Eu disse segurando o colarinho da baleia levantando-o até meu queixo. – Então sai do meu caminho antes que eu mate você!
Atirei-o pro outro lado do corredor e continuei andando até a sala da Trelawney. Ainda faltava um pouco até o primeiro tempo começar, mas já havia alguns estudantes da Grifinória na sala que fedia a perfume extremamente doce, me sentei perto da porta e joguei minha mochila na cadeira para Effy me perguntando o porquê que ela aceitou ir com a Oxigenada.
– Podemos sentar aqui? – Levantei a cabeça dando de cara com Debi e Loide.
– Não. – Rolei os olhos voltando a minha atenção pro livro que fingia ler.
– Ah qual é cara! – O cabeça de tomate disse. – Não há ninguém aqui e essa é a última mesa do fundo. – Ele murmurou.
– Primeiro, o lugar já esta reservado. – Eu disse olhando para o cabeça de para raio e para o morangão. – Segundo, não estou a fim de sentar com bixanas da Grifinória como vocês... To esquecendo de alguma coisa? – Eu olhei pro nada fingindo pensar. – Ah sim! Terceiro foda-se que não tem mais lugar se queriam sentar no fundo que chegasse mais cedo! – O Wesley ficou mais vermelho que o próprio cabelo já que as meninas de sua casa agora nos encaravam. – Sumam da minha frente, idiotas.
– Vamos logo Rony. – Potter disse puxando o amigo pelo braço e sentando duas mesas à frente.
– O que aconteceu pro Super Babacão estar pior que o normal hoje? – Wesley murmurou e o Potter deu os ombros.
– O “Super Babacão” aqui tem audição sobrenatural Cabelo de Menstruação! – Eu disse jogando com força bolas de papel em suas cabeças fazendo as garotas darem risinhos.
– Hey Mikaelson! – Se eu não fosse um vampiro eu teria infartado.
– O que você quer Parkinson?! – Rolei os olhos. – Não vê que estou ocupado desejando a morte de todos vocês?
– Nossa que sincero. – Ela rolou os olhos e se sentou na cadeira do lado me ignorando.
– O que pensa que esta fazendo? – Eu ergui uma sobrancelha. – Sai daí!
– Nossa eu só queria ajudar! – Ela finge estar ofendia, sei lá por que. – Tenho umas noticias pra você.
– Seja lá o que você quer falar é melhor levantar do meu lugar antes que eu arranque seus olhos fora. – Uma voz fria, assustadora e melódica disse fazendo a garota ficar pálida e um tanto muda.
Effy não precisou se mover o seu olhar já assustava até a mim, mas talvez eu seja um sado masoquista porque achei seu olhar de ódio muito sexy. O sinal ainda não tinha tocado, mas a sala já estava parcialmente cheia e alunos ainda chegavam. Alunos como Effy e Malfoy que chegaram juntos e agora todos os alunos olhavam pra saber se a Effy iria nos fazer um favor e matar a Pansy de vez ou se eu iria voar no pescoço de Draco o que era exatamente o que eu queria fazer já que ele nos olhava com sua cara imbecil que pedia pra ser descolada de seu crânio. De qualquer forma ela não precisou repetir para que Pansy se levantasse e os murmúrios começarem.
– O que pensa que esta fazendo Malfoy? – Eu franzi a testa quando o loiro se sentou ao lado de Elizabeth.
– Bom dia alunos! – A professora maluca havia chegado antes que eu o destruísse.
– Por que demoraram tanto? – Eu perguntei em baixo francês esperando que ninguém entendesse. – O que o idiota queria?
– Hey, eu não sou idiota! – Draco murmurou de volta.
– Depois eu converso melhor com você, Ok? – Ela respondeu na língua que nem eu falava direito, japonês.
– Hay! – Eu respondi franzindo o cenho. Ela estava estranha mesmo que ainda estivesse com raiva muito clara de Pansy ai tinha algo estranho e dava pra ver pelo seu olhar cansado.
– Alunos na aula de hoje faremos a tão esperada... – Ela fez uma pausa dramática esperando que alguém se interessasse. – Interpretação de sonhos! E no final da aula uma surpresa!
Minha vontade era de levantar e ir embora. Interpretar sonhos nunca é bom especialmente se você convive com eles há mil anos e sabe exatamente o que eles significam porque muitas vezes eles te mostram exatamente o que vai acontecer, mas claro que uma charlatã como a minha professora não sabe como é isso. Provável que nem metade da turma soubesse o que é isso. Tinha um ar de tensão no ar e não vinha só de mim o Para-raios também estava estático em sua cadeira.
– Effy. – Murmurei, mas quando olhei pra ela não vi o semblante de alguém que faria alguma piada. – Você esta bem?
– Hã? – Ela me olhou e depois virou o rosto rapidamente para frente. – Sim, estou.
– Digam seus sonhos mais profundos e recentes, depois procurem em seus livros no capitulo 32 seus significados. – A professora chamou minha atenção depois ter ficado vidrado com os olhos levemente vermelhos de Elizabeth. – Trabalhem em duplas e quero me entreguem relatórios ao final da aula. Comessem.
– Vaza! – Eu disse para o loiro que teve audácia de rolar os olhos e se sentar ao lado de Pansy. – O que houve?
– Já disse que foi nada. – Ela respondeu baixo sabendo que agora eu não me referia ao seja lá o que Draco queria.
– Não minta pra mim Elizabeth, me diga o que aconteceu. – Era complicado lidar com ela, mas não sou o tipo que desiste fácil.
– Esquece isso! – Ela finalmente me olhou tentando disfarçar os olhos sem sucesso. – Arg! Eu odeio essa aula!
– Eu também. – Apenas bufei e abri o livro no capitulo 32, nem sempre esses livros eram de todo inútil. – Acho que fazer bonecas Voodoo muito mais divertido. – Consegui a fazer rir o que era bom. – Saudades de New Orleans, lá eu fazia bonecas voodoo e ninguém me julgava por isso. – Dessa vez ela não riu, o que era estranho. – Ok, me conte. – Tentei ignorar. – O que sonhou hoje?
– Nada e você? – Eu a conhecia o suficiente pra saber quando mentia.
– Caramelos assassinos. – Fingi ter um arrepio falando alto. – O que acha que isso significa?
– Oh! Não! – Ela colocou a mão na boca fingindo pânico. – Isso significa que teremos um arrepiante dia das bruxas esse ano!
– Professora o que iremos fazer?! – Eu disse fingindo desespero enquanto os outros alunos tentavam prender o riso.
– Mantenham a calma, crianças! – A professora disse. – Me conte com o que sonhou querido!
– Foi horrível professora Trelawney! – Eu disse tentando não rir do ciúme de Elizabeth. – Os caramelos eram tão laranjas... Tão doces e tão... Sanguinários. – Effy engasgou no próprio riso. – Eles me juraram de morte...
– Não que fossem os primeiros... – Effy comentou baixo e eu a ignorei pra não estragar minha atuação.
– O que mais? – A professora como sempre nos levava a sério.
– Eles disseram... – Eu fingi estar envergonhado olhando pro outro lado vendo um dos alunos cair de tanto rir.
– Pode falar... – A professora parecia estar com pena.
– Disseram que se não pararmos de comer o seu povo eles começariam a nos comer. – Fiz a minha melhor cara de dor e sofrimento enquanto escuto a gostosa risada de Effy que na verdade chorava de rir. – O que isso significa professora?
– Que é melhor nos preparamos para o melhor, mas não se preocupem! – Ela era uma piada ambulante.
– Significa que você tem que parar com a maconha. – Effy murmurou enquanto secava as lágrimas de tanto rir.
– Hogwarts é segura e nenhum caramelo irá comê-los! – Ela disse abrindo os braços. – Vamos esquecer a tragédia e agora se preparem. – Ela fez um ridículo ar de suspense como se fosse dizer que o Harry esta com o “Sinistro”. – Nesta aula, o DESTINO irá escolher alguns alunos desta turma hoje para terem fragmentos de visões ou o que conseguirem e interpreta-las em uma pintura ou desenho. – Ela tinha um sorriso insano de quem esperava que nós gostássemos da noticia. – Algum voluntario? — Ela nos olhou com seus grandes olhos fazendo matérias de pintura aparecer do nada. – Lilá querida, pode vir. – A loirinha da Grifinória parecia ser a única a gostar da aula e andou em direção à professora. – Mas alguém? – Ela estava notando o quanto sua aula era estúpida. – Não? – Ninguém respondeu. – Então vamos deixar o destinhoooo escolheeer! – Ela fez uma pose dramática conjurando uma bolsinha transparente com pedacinhos de papel. – Vamos Lilá! Tire cinco papeis e leia os nomes neles. – A professora abriu um largo sorriso.
– Como um sorteio pode ser considerado destino?! – Rolei os olhos.
– Ronald Weasley. – O cabeça de tomate podre ficou rosa e se levantou enquanto riamos de sua cara. — Draco Malfoy. – A loirinha leu o primeiro papel sorteando a outra loira.
– Cuidado para não tirar o Sinistro, hein Malfoy! – Eu disse tentando controlar o riso.
– Kol Mikaelson. – Ela disse meu nome me fazendo parar de rir e Elizabeth rir da minha cara. – Harry Potter. – Pelo menos não vou passar vergonha. – Elizabeth Mikaelson.
– É o que? – A morena parou de rir quando chamaram seu nome.
– Não vai vir senhorita Mikaelson? – Ergui uma sobrancelha a desafiando.
– Idiota. – Ela rolou os brilhantes olhos azuis andando com suas belas pernas até o centro da sala onde eu e os derrotados já estávamos.
– Ótimo! – A professora bateu palmas animadas. – Agora venham aqui crianças. – Era realmente chato ser chamado de criança tendo mais de mil anos. – Vocês iram se deixar influenciar por suas visões e por seus corações, por isso não vão olhar o que estão pintando.
– Como faremos isso? – O Cabelo de pentelho loiro franziu a testa.
– Vocês serão vendados e levados por suas almas. – Ela definitivamente era louca. – Fiquem em frente de seus quadros e ponham as vendas que estão acima da tela.
Olhei para Effy que só deu os ombros e pegou a venda que em cima de seu quadro a estendendo pra mim. Não precisei perguntar se ela queria que eu a colocasse porque estava obvio, não queria deixar muito explicito o que acontecia entre nós então amarrei a venda sentido o seu cheiro o mais rápido que pude e a guiei pelos ombros até seu quadro, embora eu tenha certeza de que ela faria isso sozinha, e coloquei seus dedos envoltos do pincel médio que era o tamanho que geralmente usava em suas pinturas. Tentei ignorar os olhares sobre mim e os murmúrios segurando lápis de desenho com a boca e me vedando sozinho.
– Ótimo agora que todos estão prontos, sintam suas memórias fluírem... – A professora falou de um jeito calmo que não era comum vindo dela. – Sintam a energia fluírem entre vocês... – Tentei me controlar e a cada segundo parecia impossível e eu praticamente já não ouvia mais o que acontecia a minha volta.
Era realmente chato ser um bruxo Wicca às vezes, todas essas visões do passado e do futuro vinham rapidamente a todo o momento sem que quiséssemos, seja dormindo ou fazendo um feitiço, elas sempre vinham tomando conta de nossos corpos e mentes. E dessa vez não foi diferente.
Constantemente eu me pergunto se enlouqueci. Toda vez que acordo, toda vez que como, fecho os olhos, vou dormir, absolutamente qualquer coisa que eu faço eu penso nela e nada consegue tira-la da de lá. Era bom e ao mesmo tempo frustrante saber que mesmo que ela me ame eu não possa ficar com ela. Mesmo que eu tente de tudo não sou eu com quem ela esta prometida, não sou eu que vou poder segurar sua mão para todos verem que a amo, não sou eu que vou poder fazer coisas estúpidas como gritar pra todos ouvirem que eu a amo mais que a mim mesmo. Não sou eu que vou me casar com ela.
Diversas imagens. Uma atrás da outra da mulher mais linda que já vi em meu um milênio de vida. Visões de quando ela era apenas uma criança, de quando nos conhecemos, de como ficou estonteantemente bela enquanto estive no caixão e imagens que talvez eu não quisesse ver ou que só aconteceria se tivéssemos outra vida. Imagens com seu enorme sorriso no rosto tão brilhante que ofuscava o resto do mundo, não havia duvidas de que ela brincava com crianças que só de ver os olhos eu já sabia que eram suas e por mais que ela estivesse feliz isso doía. Doía em mim mais do que qualquer adaga que eu já havia levado ao peito. O fato de saber que um dia eu a perderia para outro me dava raiva e era frustrante porque eu queria acabar com qualquer um que sequer olhasse pra ela, mas eu não queria que ela me visse como o monstro que sou, dentre todas as pessoas ela é a única que realmente me importo e não quero magoa-la. Eu morreria por ela e trocarias todos os meus anos já vividos pra um ano com ela. Não era pra mim difícil dizer que eu a amava. Porque de fato eu amava Elizabeth Mikaelson. Minha melhor e única amiga, minha confidente e minha sobrinha.
– Senhor Mikaelson! – Ouvi alguém gritar meu nome depois de provavelmente ter chamado algumas vezes me fazendo largar o lápis.
Deixei-o cair no chão e me apoiei nos joelhos e retirei a maldita venda tentando conseguir ar pro meus pulmões e me senti patético por estar soando daquele jeito. Olhei para frente para ver que tinha feito um belo trabalho que ferraria com minha vida se os outros prestassem mais atenção nele. Era muito claro entre meus esboços e traços que a figura maravilhosa no quadro era Elizabeth, seu rosto estava um pouco mais maduro como se tivesse envelhecido uns três anos pelo menos, o mais surpreendente era que ela trajava um vestido de noiva, o desenho podia não ter cores, mas isso era obvio.
– Incendia. – Eu disse colocando o melhor trabalho da minha vida em cinzas.
Olhei para as outras pinturas que estavam um lixo provavelmente por que seus donos além de sem talento não tinham realmente visões que torturavam seus cérebros. Por alguma razão eles alternavam seus olhares de mim para a minha direita.
– Elizabeth... – Murmurei o doce nome que me torturava.
Era incrível o jeito rápido e frenético no qual ela pintava sem nem olhar o que estava fazendo. Ela tinha o pulso firme e delicado como se o pincel fizesse parte de seu braço e era óbvio que ela não estava errando as tintas que usava. Assim como eu ela estava tendo uma visão de verdade e provável que ainda mais frustrante que a minha. Em sua tela tínhamos uma espécie de pátio iluminado por uma grande lua cheia brilhante, o interessante é que na lua tinha manchas de sangue assim como o chão e as paredes do pátio, o que era obvio pra mim que já havia feito atrocidades. A pintura era macabra e bela em seu próprio modo. Eu queria olhar mais para a pintura assim como queria olha para a minha que acabei de queimar, mas a própria pintora me interessava mais.
– Elizabeth. – Eu chamei por seu nome dessa vez mais alto. Ela estava extremamente pálida e mal parecia respirar. – Effy! – Chamei mais uma vez por seu nome andando até ela e pude ver suas lágrimas escorrendo silenciosamente. – Acorda! – Chacoalhei seus ombros chamando por seu nome. – Acorde Effy!
– Kol? – Ela finalmente desceu o pincel virou seu rosto delicado em minha direção.
– Você esta bem? – Perguntei soltando a venda e secando suas lágrimas sem que ninguém visse.
– Mikaelsons... – Ouvi alguém nos chamar.
– Vamos, Elizabeth. – Eu disse pegando seu quadro e sua mão andando para fará da sala sufocante.
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