Magic Blood
35 Cherry Lips
Notas iniciais
Não posso negar que gostei de ter seu corpo imprensado contra o meu, mas tentei ignorar o fato e corri o mais rápido que consegui com ela nos braços para o ponto habitual em que matávamos aula. Ela tinha que se acalmar e o que aconteceu na sala de aula foi preocupante porque nunca a vi desse jeito a ponto de fazer as próprias mãos sangrarem. Não era só o ódio que falava por ela, era a fome também.
– Merda. – Ela se sentou no chão de pedra apoiando as costas na parede. – Mas que merda. – Seus olhos voltaram ao normal, mas suas presas pularam pra fora.
– Esta tudo bem, Effy. – Eu me ajoelhei em sua frente e segurei suas mãos sangrentas já saradas.
– Isso dói. – Ela disse colocando os dedos trêmulos nos lábios carnudos.
– É a fome. – Ela me olhou com aqueles olhos azuis como safiras brilhantes. – Você não esta acostuma a ter pouco sangue então até que se acostume com ela vai ter que se controlar.
– E estou tentando, mas é difícil. – Ela disse baixo em tom exasperado. – E se eu tivesse... – Ela olhou nervosamente pros lados antes de que a fizesse olhar pra mim segurando seu delicado queixo. – Matado ela.
– Estaria tudo uma bagunça, mas você não matou ela. – Eu respondi baixo o suficiente pros alunos não nos ouvirem. – Você se manteve forte...
– Foi você que me impediu. – Ela disse. – Eu não consigo pensar direito, Kol é horrível. – Ela disse e seus olhos caíram rapidamente e depois voltaram pro meus olhos.
Eu não aguentava vê-la sofrer, ter os olhos azuis brilhando por lagrimas de agonia, ver ela se machucar para não machucar outra pessoa porque ela era boa de mais pra fazer outro ser sofrer, odiava sentir sua alma clamar por ajuda. Meu rosto estava muito próximo ao dela, nossas respirações eram uma só e mesmo com as quatro letais presas que combinavam perfeitamente com seus lábios vermelhos cereja eu ainda queria beijar ela, tomar seus lábios contra os meus. Talvez beijar ela não fosse o certo a se fazer e Elizabeth vale muito para que eu me de o luxo de perde-la, mas uma coisa eu ainda podia fazer por ela. Me afastei alguns centímetros dela, o que não era muito já que a sala em que estávamos era minúscula, tirei o meu suéter preto e afrouxei a gravata verde e prata. Não pude deixar de dar um sorriso quando percebi que ela tentava não olhar pro meu corpo com o rosto levemente rosado.
– O que esta fazendo? – Ela perguntou enquanto eu desabotoava a camisa branca.
– Alimentando você. – Respondi fazendo ela finalmente voltar a me olhar. – Você esta com fome e só a quantidade ridícula que nos dão não é o suficiente, e eu também sou a única pessoa que pode doar sangue pra você.
– Não precisa fazer isso. – Ela disse de um jeito fofo e quase inocente.
– Eu preciso e eu vou fazer. – Eu respondi pegando em suas mãos. – E você vai aceitar.
– Porque esta fazendo isso? – Ela perguntou olhando em meus olhos olhando cada confim da minha alma corompida.
– Por que eu amo você. – Eu respondi a verdade por mais que chocasse. – E como eu amo você, odeio ver você sofrendo, então é melhor que crave logo seus dentinhos no meu pescoço. – Eu ri quando ela sorriu, ela não parecia que iria fazer isso então eu pousei suas mãos pequenas e delicadas no meu pescoço.
– Não posso fazer isso. – Ela balançou a cabeça e encarou a parede ao nosso lado deixando suas mãos escorregarem pelos meus ombros.
– Sim você pode e vai, Effy. – Eu aproximei mais nossos corpos dentro da sala minúscula. – Confie em mim, Effy, você sabe que não vou me machucar e que não vai ter nenhum problema.
Seus olhos corriam do meu pescoço, para meus olhos e de meus olhos para meus lábios. É claro que tínhamos uma tensão insuportável um com o outro e a todo o momento desde que voltei eu não aguentava ficar um segundo ao lado de Effy sem querer beijá-la ou fazer algo muito mais impróprio. Vai ver é culpa da ligação ou vai ver foi porque ela cresceu e a visão sobre ambos mudaram, mas o que importava era que queríamos um ao outro.
– Só uma mordida. – Sussurrei seu ouvido.
Senti sua respiração pesada em meu pescoço e suas mãos macias e delicadas percorrem pelo meu corpo de volta para o meu pescoço, senti seus lábios carnudos beijarem bem em baixo da minha orelha me deixando louco de desejo enquanto seus lábios desciam meu pescoço antes dela cravar delicadamente as presas em meu pescoço sugando meu sangue. Não doeu pelo ao contrario foi bom, suas presas deviam soltar algum tipo de feromônio que deixavam as pessoas anestesiadas. Mas eu tinha resistência ao suposto veneno o que só me fazia querer sentir mais não do veneno e sim da dona dele.
Ela tirou sua boca de meu pescoço e olhou pra mim com aqueles olhos azuis que eu tanto amava que acompanhavam os lábios vermelhos agora pelo meu sangue, mas ainda assim não conseguiam tirar sua beleza imortal. Um filete de sangue escorria por seu queixo delicado me fazendo querer ainda mais seus lábios.
– Amo você... – Ela sussurrou enquanto eu limpava o sangue que escoria pelo seu queixo com o dedão.
Dessa vez quem beijou foi ela. Suas mãos que ainda estavam em meu pescoço me puxaram para seus lábios com gosto de cereja e sangue que me fazia ter pensamentos absurdos. Pousei minhas mãos em sua fina cintura e a puxei delicadamente pra que não houvesse mais nenhum espaço entre nós. Sua mão puxava meu pescoço aprofundando o beijo enquanto a outra se apoiava em meu peito, minhas mãos foram permitidas uma explorar a suavidade e a maciez de sua pele por baixo da blusa branca do uniforme enquanto eu percorria um caminho delicadamente com a outra mão de sua cintura até sua coxa firme.
Nossos lábios se separaram e pude olhar nos belos olhos que eu tanto sonhava e não foi preciso dizer nada. Aproximei novamente meu rosto em direção de seus lábios vermelhos como a mais desejosa cereja e parei poucos centímetros pedindo sua permissão, que foi concedido com um leve sorriso, incerto, doce e amoroso que me fez soltar um largo sorriso. Por que a coisa que eu mais gostava de fazer era vê-la sorrir.
Selei nossos lábios enquanto ela descia suas costas pela parede e se deitava no chão de pedra fria. Meus lábios quentes contra os seus frívolos e doces e suculentos. Foi um beijo calmo e terno, sincero, doce com paixão, cumplicidade e desejo reprimido por anos, só revelado a ambos.
Eu poderia passar o resto da minha eternidade naquele minúsculo armário. Desistiria facilmente de toda a minha miserável vida por ela e somente por ela e nada mais. Trocaria todos os mil anos que vivi, trocaria meus poderes, trocaria minha historia tudo só pra que ela ainda me amasse, só para que eu pudesse passar todo o tempo que eu pudesse com a mulher mais linda do universo, só pra que pudesse recomeçar toda a minha vida ao seu lado.
– Eu amo você... – Sussurrei olhando em seus olhos.
– Eu te amo também... – Ela me correspondeu.
Fale com o autor