– Kol Mikaelson em uma dieta de sangue gelado! – Eu disse andando pelos corredores. – Quem diria que você pudesse ser tão controlado!

– Você é muito chata. – Ele resmungou.

– Ainda não estraçalhou nenhuma garganta inocente e esta bebendo sangue que provavelmente é de hospital... – Ele rolou os olhos. – Ou de animais.

– Você definitivamente é filha de Niklaus. – Ele disse rangendo os dentes. – Aposto que sente tanta falta de uma garganta quanto eu.

– AHN AHN! – Eu balancei o dedo indicador na frente dele. – Seja bonzinho ou vai ficar sem jantar mocinho!

– Acho que você se esqueceu que só esta aqui por que eu estou aqui. – Ele tocou na ferida.

– Touché. – Eu disse erguendo uma sobrancelha. – Vejo você no almoço. – Eu disse entrando na minha sala de aula.

– Ou talvez você seja meu almoço! – Ele gritou sumindo pelo corredor.

Eu entrei sala de aula que era nas masmorras e vi uma sala vasta com diversas prateleiras com os mais divergentes ingredientes para poções que faria qualquer um ter inveja. Sentei-me em uma mesa vazia, mas logo Draco e Goyle se sentaram nela pra o meu desprazer. Geralmente eu me sentava sozinha porque Kol tinha razão, eu sentia tanta falta de uma garganta quanto ele. O professor narigudo de cabelos pretos oleosos e pele macilenta entrou na sala e me encarou e depois encarou Potter.

– Elizabeth Mikaelson. – Ele me olhou. – A nova celebridade. – Eu ergui uma sobrancelha. – Vocês estão aqui para aprender a ciência sutil e a arte exata do preparo de poções. – Ele disse um tom mais alto que o sussurro, mas todos ouviam atentamente. – Como aqui não fazemos gestos tolos muitos de vocês podem pensar que não é mágica. – Ele disse mais um monte de coisas que eu ignorei. – Mikaelson! – Ele chamou a minha atenção. – O que eu obteria se adicionasse raiz de asfódelo em pó a uma infusão de losna?

– Asfódelo e losna produzem uma poção para adormecer tão forte que é conhecida como a poção do Morto-Vivo. – Eu respondi a ele que obviamente não esperava que eu soubesse a resposta e ignorou a mão erguida de Hermione.

– Pelo visto você folheou o livro de poções. – Ele disse pretensioso. – Vamos tentar outra vez. Se eu lhe pedisse, onde iria buscar um bezoar?

A mão de Hermione novamente foi ao ar e eu tive vontade de responder que iria até uma farmácia, mas me contive e somente dei um sorrisinho.

– O bezoar é uma pedra tirada do estomago de cabra e pode salvar-lo da maioria dos venenos. – Era tão bom esfregar o meu conhecimento em sua cara.

– Qual é a diferença entre acônito licoctono e acônito lapelo? – Ele ainda não estava satisfeito e a mão de Hermione ainda estava no ar.

– Quanto aos dois acônitos são plantas do mesmo gênero botânico. – Respondi com um pequeno sorriso pretensioso. – Alguma outra pergunta professor?

– Sim. – Ele respondeu. – Quanto tempo leu os livros para memorizar as perguntas?

– Nenhuma. – Eu respondi sincera. – Preparo poções desde os seis anos de idade não esperei a carta de uma coruja para aprender algo.

– 3 pontos para Sonserina, pela “sabedoria wicca”. – Ele me deu um sorriso petulante fazendo Parkison soltar uma risadinha de desdém.

Depois disso fizemos uma poção para curar furúnculos que era ridiculamente fácil. Em menos de cinco minutos eu e Draco, que foi meu parceiro, fomos elogiados pelo professor pela forma perfeita que cozinhávamos as lesmas e nos deu mais cinco pontos por isso.

Assim que aula de poções acabou eu sai da sala e fui para a aula mais chata que era Historia da Magia. Era a primeira vez que eu duvidava que fosse a pessoa mais velha do mundo quando vi o professor. Ele era um fantasma de um professor que dormiu em frente à lareira e quando se levantou para dar aula e esqueceu o corpo, literalmente fora o fato de não saber que estava morto. Ele era tão velho que eu constantemente tinha que o recordar das datas e dos nomes certos dos acontecimentos quando eu mesma não caia no sono como os demais. Tive aula de Transfiguração o que foi onde eu tive um pouco de dificuldades, mas logo peguei o jeito ganho 2 pontos para Sonserina quando fui a única que consegui transformar um palito de fósforo em um alfinete. Herbologia foi ainda mais simples porque não era nada além das ervas que eu encontrava no meu jardim. O professor Flitwick um bruxo super baixinho que ensinava feitiços quase teve um enfarto quando leu o meu nome na lista de chamadas e caiu de sua pilha de livros desaparecendo de vista. A aula que realmente me decepcionou foi Defesa Contra as Artes das Trevas. O tal professor Quirrell era um cara magrelo e pateta que usava um turbante ridículo na cabeça que fedia a alho, inclusive toda a sua sala fedia ao tempero.

– Sim senhorita. – Ele sorriu pateticamente quando eu levantei a mão.

– Por que a sua sala fede a alho? – Eu perguntei.

– Porque senhorita, todos sabem que alho é muito potente contra vampiros. – Ele me respondeu e eu o olhei como o louco que ele era.

– É se ele tiver má indigestão. – Eu ri realmente achando graça e todos me olharam sem entender. — Sem querer ofender professor, mas essa é a maior bobagem que eu já ouvi. Realmente acha que alho vai impedir um vampiro?!

– Tenho certeza... Senhorita...

– Mikaelson. – Eu respondi.

– Ah é claro. – Ele disse dando uma leve tremida. – E com que fundamento a senhorita acha que o alho não é eficaz?

– Acho que o simples fato de eu estar nessa sala e morar com os quatro vampiros originais é suficiente, não é professor? – Eu ergui uma sobrancelha. – Vai por mim essa do alho... Não funciona.

– Mas o alho... – Ele gaguejou.

– Acredite, erva errada. – Eu digo. – A única coisa em que o alho vai impedir de um vampiro rasgar a sua garganta seria o mau odor, mas acho que o turbante faça isso melhor que o alho. – Eu digo fazendo os outros alunos rirem.

– E como a senhorita tem provas sobre isso? – O professor patético que eu aposto que comprou o diploma perguntou.

– Se o alho funcionasse eu não estaria aqui, mas traga dois dente de alho e meu tio até esta sala. – Eu dei os ombros.

Em poucos minutos tínhamos Kol e uma tigela cheia de alho na frente da turma e só o simples fato de ele estar dentro da sala já provava a minha teoria, mas isso não era o bastante eu enfiaria uma horta inteira de alho pela garganta de Kol só pra provar que eu estava certa.

– Ele realmente disse que alho funciona contra vampiros? – Kol disse rindo apontando com o polegar pro professor as suas costas.

– Disse. – Eu ri junto com ele estendendo a tigela.

Kol e eu pegamos três dentes de alho e colocamos na boca como se fosse pipoca o que fez todos os descrentes abrirem a boca em um perfeito O, mas logo alguns começaram a rir da cara de boco do cara que usava um turbante. Eu olhei mais atentamente para o turbante horrivelmente roxo e um tanto fétido que me parecia familiar.

– Se alho não funciona. – O idiota disse desapontado. – O que funciona?

– Acha mesmo que vai ser eu que vou dizer?! – Eu ergui a sobrancelha não acreditando no que ouvia. – Até onde eu sei o professor é você, descubra sozinho!

– Contratam qualquer um hoje em dia. – Kol disse balançando a cabeça deixando o cara de turbante com cara de taxo.

No mesmo segundo o sinal bateu pro almoço e eu segui Kol pra fora da sala, ele não tinha mais a expressão relaxada e sim seria que era como a minha. Só olhávamos para frente observando os outros alunos saírem de nossa frente.

– Sentiu o cheiro? – Eu perguntei sabendo que ele me entenderia.

– Enxofre. – Ele respondeu ainda olhando pra frente. – Tenho quase certeza que ouvi uma voz dentro daquela coisa.

– O que você acha que é? – Eu o olhei.

– Nada que precisamos nos preocupar. – Ele finalmente me olhou como se me assegurasse. – Seja o que for não é pra nós.