Magia Do Destino
9 8. Único no mundo
Notas iniciais
Conforme prometido, aqui está um capítulo extra! Eu queria postar mais rápido, mas só posto um capítulo quando realmente gosto dele... Por isso me perdoem por não conseguir ser mais rápida...
Obrigada às leitoras SabrinaChan e Sofia Pollefrone pelas recomendações!! Amei de ♥ !!
Vamos ao capítulo, né!
Boa leitura!
Capítulo 8
Único no mundo
— Ir com você... pra Nova York? — perguntei. — Como assim? Pra te visitar? Passar uns dias lá com você?
— Não. Eu tô chamando vocês duas pra ir morar lá.
Eu estava chocada demais para responder.
Ele explicou:
— É o seguinte: eu vou, e tenho que levar meu empresário comigo, que no caso é meu irmão. Meu irmão não vive sem a Mônica, então ela tem que ir junto. E a Mônica não fica sem você, então você vai também.
Sentei-me no sofá, zonza pela surpresa.
— Mas... o que eu vou fazer lá?
— Estudar! Você já passou no vestibular, agora é só conseguir uma transferência pra uma universidade de lá.
— Isso tudo é repentino demais pra mim — suspirei. — Acho que não é boa ideia, Nimbus.
A campainha tocou, e dona Luísa foi atender. Em choque, eu nem consegui prestar atenção em quem era.
Nimbus se ajoelhou ao meu lado e segurou minha mão:
— Promete, pelo menos, que vai pensar?
— Caham — um pigarro chama a atenção de todos. É o Quim, que olha, nada feliz, para o Nimbus de joelhos com minha mão entre as dele.
— Eu venho aqui pra saber qual foi o resultado do vestibular da Magá e me deparo com essa cena. Cara, você tem que parar de dar em cima da minha namorada. Assim não dá.
Sem largar minha mão, Nimbus me olhou nos olhos e perguntou:
— Eu estou dando em cima de você?
— N-não... de jeito nenhum. — Virei-me para meu namorado. — Ele não tá dando em cima de mim, fofo.
Nimbus se levantou e olhou desafiadoramente para Quim:
— Viu só? No dia em que eu der em cima dela, ela não vai ter a menor dúvida disso.
Quim deu um passo à frente, com os punhos cerrados:
— Então você admite que, um dia, pretende dar em cima dela?
— Ei, meninos! Nada de briga aqui — dona Luísa se colocou no meio dos dois. — Eu vou subir pra olhar se o bebê acordou, mas não quero saber de confusão, estão entendendo?
Ambos se acalmaram, mas continuaram se encarando animosamente.
— Em defesa do meu irmão, ele realmente não estava dando em cima da Magali — Do Contra interveio.
— Viu?! — Nimbus apontou o irmão caçula, sem tirar os olhos de Quim.
— Ele só estava chamando ela pra ir pra Nova York — DC completou.
— O quê?!? — Quim me olhou, indignado.
Nimbus segurou as têmporas, irritando-se com o irmão.
— DC, seu nó cego!! Você tá do lado de quem?
— Eu tô mentindo? — DC cruzou os braços.
— Vamos começar tudo do começo. Com licença — Quim olhou para Cascão, que se levantou do sofá e abriu espaço para que meu namorado se sentasse ao meu lado. Ele me abraçou e colocou a mão livre sobre minha perna, visivelmente marcando território. — Me explica isso aí, pode ser? — ele virou-se para Nimbus.
— Seguinte, Quinzão — Cascão pediu a palavra. — O Nimbus vai assinar um contrato milionário pra ir pra Nova York, e...
— Eu não disse que era um contrato milionário — o mágico interrompeu.
Cascão pareceu confuso.
— Não? Mas enfim, ele recebeu esse convite pra ir trabalhar lá, mas pra isso ele precisa que a Magali transfira a faculdade dela pra lá. Não é isso?
— Isso não faz nenhum sentido — Quim estava perdido.
— Explica dileito, Cascão! — Cebola interrompeu. — Digo, direito!! O que acontece é que o empresário do Nimbus é o DC, que vai querer levar a Mônica, e a Mô vai querer levar a Magá. Ficou mais claro?
— Ah, melhorou. Mas vocês se esqueceram de um detalhe nessa história.
— Qual? — todos perguntaram.
— Eu. O namorado da Magali. Vocês simplesmente estão decidindo o futuro dela sem me envolver no processo.
— E sem me envolver no processo — eu falei.
Ao contrário da galera, que estava tensa, Do Contra parecia calmo:
— Gente, não precisa dessa dor de cabeça toda. Tem um jeito de saber o que a gente precisa fazer.
— Qual? — todos falaram em uníssono novamente.
— Perguntar pra Mônica — ele disse, orgulhoso.
— Puxa-saco — Quim cochichou.
— Eu tô falando sério. Ela sabe de tudo. Não é, linda?
Todos os olhares se voltaram para Mônica, que tinha um olhar angustiado.
— Na verdade, amor, eu não sei o que fazer.
— Não sabe?! — Do Contra espantou-se.
— Esqueceu que o futuro que eu vi não existe mais? Você mesmo falou isso.
De novo essa história de futuro. Às vezes eu acho que Mô e DC vivem num mundo paralelo, só deles. Ninguém entende o que eles falam.
— O que você viu? — Cebola parecia estar mais por dentro do assunto.
— Eu... não quero falar sobre isso agora. Acho que tá todo mundo de cabeça quente aqui, a gente não tá conseguindo pensar direito.
— Eu concordo — DC afirmou.
— Você devia mudar seu nome pra “A Favor”. Agora, concorda com tudo que a Mônica diz — Cascão riu da própria piada sem graça.
— Retira isso que você falou! — Do Contra ficou furioso.
— Pessoal, vão pra casa esfriar a cabeça — Mônica nos convidou a nos retirar. — Você também — ela olhou pro namorado.
— Boa ideia — Nimbus arrastou o irmão pelo braço. — Tchau, galera.
— Vamos nessa também, Magá? — Quim se levantou, me puxando pela mão.
— Vamos... — eu estava com dor de cabeça de tão confusa. Ou talvez fosse fome. Não sei bem.
Quim me acompanhou até em casa, em silêncio. Quando chegamos, ele finalmente falou:
— O que você tá achando disso tudo? Você não falou nada.
— Eu nem sei o que achar. Só acho que essa ideia do Nimbus é maluca.
— Eu acho que ele quer te levar pra longe de mim, pra ficar com você só pra ele.
— Joaquim, não começa. Eu já tô nervosa o suficiente com essa bomba que caiu na minha cabeça, então não piora tudo.
— Você tá querendo ir, não é? — ele se irritou.
— Eu não sei!! — gritei.
— Eu sabia que ele ia conseguir! Que ele ia te afastar de mim! Pois vá! Vá pra Nova York viver a vida de celebridade que o Nimbus vai te dar! Daí você mata a saudade do tempo das Star Stars!
— Quer saber?! Talvez eu deva ir mesmo!! Se você quer tanto me ver longe, eu vou fazer esse favor pra você!!
Antes de bater a porta na cara dele, falei baixinho:
— A propósito, eu passei no vestibular.
— Você passou?!? — Quim foi pego de surpresa.
— Passei. Obrigada por perguntar.
Não querendo ouvir a voz dele, bati a porta, sem conseguir conter as lágrimas de raiva.
Eu estava com raiva não só do Quim, mas do Nimbus também. Que diabos de proposta é essa?! Como ele bagunça a minha vida assim?!
Peguei o celular e disquei o número dele.
— Alô? — Nimbus atendeu.
— Eu preciso falar com você — sussurrei. — Sem o Quim, sem a turma. Só você e eu.
— Passo na sua casa em cinco minutos — ele disse e desligou.
De fato, cinco minutos depois escuto um carro buzinar. Era o carro dele.
Entro no carro, em silêncio. Ele também não diz uma palavra.
O céu já está quase escuro. Os postes da rua já estão acesos.
Ele estaciona o carro no parque, desliga a ignição e desce do veículo, abrindo a porta para mim.
Andamos, ainda em silêncio, até um banco debaixo de uma árvore.
Olhando a lua crescente, num céu ainda sem estrelas, ele quebra o silêncio:
— Você queria conversar?
— Queria — eu nem sabia exatamente o que dizer.
— Pois diga.
— Por que você me chamou pra ir com você, Nimbus?
— Eu já expliquei. Porque eu preciso que a Mônica vá, e se você for, vai ser melhor pra ela.
— Não foi por causa da Mônica. Se fosse assim, por que você não chamou qualquer outra amiga? A Denise? A Marina?
— Você é a melhor amiga dela, não é?
— Isso não é motivo suficiente. Por que você me chamou, Nimbus? — repeti a pergunta.
— Eu... não sei — um pouco de nervosismo transpareceu em sua voz.
— Como não sabe?!
— Eu... não tenho certeza. Eu acho que...
E ele ficou em silêncio.
Incentivei-o:
— Acha que...?
Apesar do escuro, eu pude ver seu rosto enrubescendo de leve.
— Acho que... eu tô assustado com o que vem por aí, sabe? Essa proposta de trabalho, de me apresentar num teatro que fica em plena Broadway, isso é muito melhor do que eu poderia ter sonhado. Mas pra mim não vai ser fácil deixar tudo pra trás. Deixar aqui no Limoeiro todas as pessoas de quem eu gosto.
— Seu irmão vai com você, não é? E a Mônica também deve ir junto.
— Você já viu como são aqueles dois? Eu não quero segurar vela deles pra sempre.
— E você quer que eu vá segurar vela junto com você.
Ele sorriu timidamente:
— Mais ou menos isso.
— Ainda não entendi onde eu entro nessa história, Nimbus. Por que eu, e não outra amiga? Que diferença faz se for outra pessoa no meu lugar?
Uma estrela apareceu no céu. Sem tirar os olhos dela, ele respondeu:
— “Se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim a única no mundo. E eu serei para ti único no mundo... ”.
Reconhecendo a citação de O Pequeno Príncipe, completei:
— “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”
Ele sorriu em resposta:
— Exato. Você acha mesmo que o DC, a Mônica e eu vamos conseguir ir sem você?
— A Mônica sim, o DC eu até entendo, mas você...
— Você tá me pedindo uma explicação, Magali, mas a verdade é que eu não tenho uma boa pra te dar. Eu só sei que... que a vida vai ser muito chata lá em Nova York sem você.
Chocada pelo comentário, deixei escapar uma pergunta em voz alta:
— Então o que o Quim disse é verdade?
— O quê? Que eu pretendo dar em cima de você algum dia? — ele leu meu pensamento.
— Você pretende?
Ele segurou meu queixo e olhou em meus olhos:
— Se algum dia eu fizer isso, você vai me dar uma chance?
Senti meu rosto queimar, mas eu sabia como jogar esse jogo com o Nimbus:
— Se eu te der chance, você vai dar em cima de mim?
— Depende. Se eu der em cima de você, você vai me dar chance?
— Se eu te der chance, você vai se aproveitar disso?
— Se eu me aproveitar disso, o que você vai fazer?
— Meu Deus, como você é chato!! — fechei os olhos para quebrar o contato visual. — Nós vamos ficar nisso até amanhã?
— Podemos continuar durante o jantar — ele me puxou pela mão até o carro.
— Jantar? Que jantar?
— Eu vou te levar pra jantar, ué. Que tal um kebab?
— Hummmmm... Kebab... — comecei a salivar. — Mas acho que não é boa ideia você me levar pra jantar, Nimbus. O Quim já tá furioso com a gente.
— Ah, qual é? Nada a ver ele ficar com ciúmes de nós dois. Ele vai ter que se acostumar com a ideia, afinal você vai comigo pra Nova York.
— E quem disse que eu vou?
— Porque eu sei que, da mesma forma que a vida lá vai ser chata sem você, eu sei que a vida aqui no Limoeiro sem mim vai ser pior ainda.
Pus-me a pensar a respeito, e entrei em conflito quando percebi o quanto ele tinha razão.
Lembro-me dos momentos que passamos juntos: das briguinhas bobas que tivemos; de quando ele me defendeu quando discutiu com a namorada; de como ele me apoiou quando o senhor Sousa morreu; do jeito que dançamos na festa de aniversário da Mônica; e, principalmente, de como ele estava ao meu lado quando soube que passei no vestibular. Ele fez com que aquele momento tão importante fosse mágico. Todos os momentos pareciam mágicos com ele.
Não é uma questão de não poder viver sem o Nimbus. Poder, eu poderia. Mas eu acho que não quero.
Quando penso que nunca mais vou vê-lo, ou pelo menos não todos os dias, meu coração se aperta.
Ele era para mim único no mundo.
Notas finais
Vou tentar postar mais um capítulo extra antes da quarta-feira, mas não vou prometer, porque sempre que prometo uma data não cumpro =P
O que acharam? Comentem!!
No próximo capítulo: Mônica coloca a viagem em xeque; Magali e Quim decidem que rumo seguir; e Magali toma uma decisão! Qual será? (ah, vcs já sabem qual é desde a primeira fic hauehaueheaeuaehau)
Por falar nisso, se houver algum leitor que esteja lendo esta fic sem ter lido as anteriores, por favor comente! Eu quero saber se esta fic faz algum sentido sozinha rsrs
Beijo grande a todos =*
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