Magia Do Destino

31 30. O livro mágico


Notas iniciais
Oi, queridos... Estou aos poucos fazendo as pazes com a inspiração, mas este é um processo lento quando a gente perde a pessoa que era a inspiração da nossa vida. Só consegui fazer uma cena - de novo -, mas o próximo capítulo já deve ser maior... Vou tentar... Quero agradecer a todos vocês as palavras de carinho que recebi. Significa muito pra mim. Obrigada por toda a compreensão, por não me pressionarem, por me entenderem. De verdade. Ainda não consegui responder aos reviews, mas li - e amei - todos eles. Vamos ao mini-capítulo? Boa leitura.

Capítulo 30

O livro mágico



Era véspera da véspera de Natal, e estávamos ajeitando a casa para a Ceia, nosso primeiro Natal no nosso país novo e longe de nossas famílias. Mônica e eu ficamos encarregadas de comprar a comida, e os meninos ficaram responsáveis por encontrar uma árvore de Natal — não, ainda não tínhamos uma. Ninguém teve tempo para olhar isso antes, e só agora, com o recesso da faculdade, paramos para pensar nisso.

Chegamos em casa e encontramos, no meio da sala, um lindo pinheiro vivo, plantado num vaso enorme, e sacolas de enfeites.

— Até que enfim chegaram! Vamos decorar a árvore? — Nimbus chamou.

— Só se for agora! — Mônica e eu respondemos em uníssono e corremos para o pinheiro.

Passamos cerca de meia hora colocando enfeites por toda a árvore — enquanto o DC tirava para colocar de cabeça para baixo.

— Tá faltando uma estrela na ponta... — Mônica reparou.

— Eu tenho uma estrela perfeita! — anunciei. — Uma Estrelinha Mágica! Alguém me ajuda a procurar no meu quarto?

Nimbus se voluntariou para a tarefa, e nos dirigimos ao meu quarto. Lá, começamos a revirar o meu baú de coisas guardadas. Abrimos uma por uma das caixas, até que Nimbus se espantou com algo que havia encontrado.

Oh não. Droga.

— Onde você arrumou isso? — ele perguntou, os olhos fixos no medalhão que segurava com a mão direita.

— Ganhei da minha tia Nena quando fiz 15 anos.

Olhando cada minúcia do objeto, ele parecia maravilhado.

— Você não tinha dado esse medalhão mágico pra Penha?

— Aquele era uma réplica. Esse é o verdadeiro — falei baixinho. Eu não queria conversar sobre aquele assunto.

Mas Nimbus queria. Ele se apressou em pegar o livro que estava junto ao medalhão e o abriu.

— Este é um livro de feitiços em português arcaico! Isso é incrível! — ele olhava para mim e para as páginas alternadamente.

— Nimbus, por favor guarde isso...

Suas mãos hábeis abriram numa página cuja metade de baixo faltava. Ele arregalou os olhos com o título da página.

O Supremo Sacrifício.

— Por que esta página foi arrancada?

— É um feitiço proibido — tomei o livro das mãos dele.

— Por quê?

— É muito perigoso. Traz a maldição pra quem o usa.

— E o que ele faz?

Mergulhei nas lembranças do dia em que tia Nena me deu o medalhão e o livro. Ela havia me explicado de que se tratava o Supremo Sacrifício e porque aquela página havia desaparecido há 500 anos.

Expliquei:

— Ele pode trazer uma criatura morta de volta à vida, em troca de uma vida de igual valor.

— Nossa. Isso é... Mórbido.

— Sim. E por isso foi proibido. Os feiticeiros na Idade Média usavam esse feitiço pra trazer de volta à vida seus animais de estimação e às vezes até pessoas. Mas tinham que carregar pelo resto da vida a culpa de ter matado a criatura sacrificada. Por isso foi proibido e a página foi arrancada do livro.

— E ninguém nunca usou um feitiço pra encontrar essa página?

— A feiticeira que sumiu com ela colocou um encanto nessa página. Ela só pode ser resgatada por algum feiticeiro que, além de pertencer à nossa dinastia, tenha coração puro. Algumas centenas de pessoas tentaram encontrar, e ninguém conseguiu.

— Você é descendente da dinastia de feiticeiros portugueses? É por isso que você tem essa preciosidade?

Assenti com a cabeça.

Nimbus parecia não acreditar.

— Você nunca me contou isso.

— Você nunca perguntou.

— Você precisa preservar esse livro! As páginas dele logo vão se desfazer no tempo. Já pensou em digitalizar isso?

— É impossível. Tente — entreguei a ele o livro novamente.

Nimbus me olhou com desconfiança e sacou o celular do bolso para tirar uma foto do livro.

Nimbus fez umas vinte tentativas vãs de fotografar as páginas, sem sucesso. As fotos mostravam apenas um borrão de luz.

— Gente, isso é... Mágico — ele estava embevecido. — Olha só, aqui tem um feitiço de encontrar coisas perdidas. A gente pode usar pra encontrar sua estrelinha.

— Eu já encontrei — mostrei a caixa que eu havia acabado de abrir.

— Então a gente pode usar pra tentar encontrar essa página perdida.

— Nimbus, não vai rolar. Nós não somos puros de coração.

— Você já tentou?

— Já.

Ele fez uma expressão desolada.

— Vamos terminar de montar nossa árvore?

Ele deu de ombros:

— Se não tem outro remédio...

— Por que você quer tanto essa página? Você nunca usaria esse feitiço, né?

— Não, claro que não... Mas acho legal conhecer essas coisas proibidas. Tudo que é proibido é mais gostoso, você sabe — ele me lançou um olhar safado.

— Toma jeito, Nimbus! — dei-lhe um tapa de brincadeira no ombro.

Passamos o resto da tarde cuidando dos preparativos. Felizmente, Nimbus pareceu se esquecer do assunto.

Felizmente, porque eu só havia contado meia verdade a ele.

Notas finais
Por hoje é isso... Não parece grande coisa agora, mas essa cena foi importante pros acontecimentos futuros. Sobre as referências: Magali mostra seu lado feiticeira e seu medalhão mágico em TMJ 63, e a Estrelinha Mágica é um personagem famoso de Maurício de Sousa que fez muito sucesso nos anos 80 e virou brinquedo - por isso a Magali tem uma :) Um último recado: durante o hiato da fic, Kyle aceitou um desafio meu e escreveu uma one-shot do POV do Nimbus, inspirado em Magia do Destino. O resultado ficou incrível, Kyle realmente conseguiu entender a alma do Nimbus. Quem gosta desta fic vai amar "Lírios". O link: http://fanfiction.com.br/historia/507039/Lirios/ Também tenho planos para one-shots e uma fic longa. Fiquem ligados na fanpage do Facebook, logo trarei novidades! Aguardo os reviews de vocês. Beijo grande a todos =*