Magia Do Destino
25 24. Corações partidos ao meio
Notas iniciais
Capítulo 24
Corações partidos ao meio
Neste momento, todo tipo de pensamento impróprio passou pela minha cabeça.
O que o Nimbus estava tentando fazer? Acabar com minha vida?
Ele me tirou a oportunidade de ter um resto de dignidade. Deveria ter sido eu a contar a verdade ao Quim.
Será que ele armou tudo isso para terminar meu namoro?
Ele não tinha esse direito.
Que coisas horríveis ele terá dito? Por que ele queria jogar o Quim contra mim?
O Nimbus me odiava tanto assim?
Eu queria bater nele. Não, eu queria matá-lo.
Possuída pela raiva, perguntei:
— O que ele te disse?
Quim pensou um pouco antes de responder:
— Ele disse que... Que vocês dois tinham bebido, que você estava fora de si, e que ele se aproveitou de você.
— Ele disse isso? — eu não queria acreditar.
— Disse. Ele me contou que você tá muito triste por estar longe de mim, e se sentindo sozinha, e que ele se aproveitou da sua fragilidade pra te beijar. Mas ele me falou que o beijo de vocês não significou absolutamente nada, e me implorou pra que eu não terminasse com você.
Eu estava em estado de choque.
Quim continuou:
— Ele me pediu que eu vá logo pra Nova York, pra que eu e você resolvamos nossa situação. Ele disse que você me ama muito, que sente minha falta, e que você tá arrasada com isso que aconteceu. E ele me pediu perdão. De joelhos.
— E o que você respondeu?
— Eu fiquei furioso, xinguei muito ele. Mas, quando ele se ajoelhou, eu vi que ele tava arrependido de verdade. Eu acredito nele. Ainda tô com raiva dele, claro, mas ele é um ser humano. E você é um ser humano, querida. Eu sei que você foi vítima de uma situação complicada. Eu sei que o Nimbus é um homem atraente, e que, com um estado alterado de consciência, você cedeu à pressão dele. Mas eu te perdoo.
— Eu... Eu preciso desligar. Não tô me sentindo muito bem. Posso falar com você mais tarde?
— Claro.
— Tchau.
— Tchau, querida.
Fechei o notebook, tentando absorver tudo que eu tinha ouvido.
O Nimbus me acobertou. Ele salvou o meu namoro.
O que isso significava?
Eu precisava conversar com ele. E eu faria isso agora.
Abri a porta do quarto, e ouvi a voz de Mônica. Ela estava brava:
— Você pediu pro Quim vir pra cá?! Você tá louco?! Você sabe que ele vai pedir a Magá em casamento, não sabe?
— Sei — a voz de Nimbus respondeu friamente.
— Você tá tentando arruinar o futuro?!
— O futuro que você viu num sonho? Grande coisa!
— Eu vi que a gente viria pra Nova York! E a gente tá aqui, não tá?
— Algumas coisas mudaram, não é? Você mesma disse isso. O futuro do Cebola, por exemplo. Pelo visto, o meu futuro e o da Magali também mudaram.
— Eu paguei um preço muito alto por ter mudado o destino do Cebola. Você tem certeza de que quer arriscar desafiar o destino?
— Eu tô cansado de ouvir você e o Do Contra me falarem com quem eu devo ficar. Eu não vou ficar com a Magali só porque você acha que eu tenho que ficar com ela. Minha vida quem decide sou eu. Você viu o futuro, eu não. Eu não tenho nada com isso.
Neste instante, decidi entrar na sala e interromper a conversa.
Os dois se calaram quando me notaram.
— Preciso conversar com você — disse, olhando para Nimbus. — A sós.
— Eu não tenho nada pra conversar com você — ele respondeu e entrou em seu quarto.
Antes que ele fechasse a porta, eu entrei também:
— Mas eu tenho o que conversar!
Evitando me olhar, ele suspirou, impaciente:
— Então fala logo, porque eu tenho mais o que fazer.
— Por que você falou pro Quim que você se aproveitou de mim?
— Qual o problema nisso?
— Você disse pra ele que eu tava completamente bêbada. Eu tinha bebido um pouco, mas eu estava perfeitamente consciente do que eu tava fazendo.
— Eu sei.
— E você disse que você me beijou. Mas eu te beijei primeiro.
— Eu também sei disso, Magali. Mas não era isso que você queria? Que todo mundo pensasse que você foi mais uma pobre vítima de Nimbus, o pegador?
Engoli em seco.
Ele continuou:
— Eu não tô nem aí pro que os outros dizem de mim. O Quim vai me odiar pra sempre, e o resto da turma também. Mas você, você precisa da aprovação deles. Você sempre foi a santinha da turma, a meiguinha, a pessoa incapaz de fazer mal a uma mosca. Então, eu decidi te ajudar. Pra mim, não me custava nada fazer o papel de vilão nesse circo que você armou.
— Circo que eu armei?! Essa é boa!!
Nimbus me olhou nos olhos:
— Você, sim. Você me envolveu na sua teia de provocações, de insinuações.
— Rá! — ri sem humor. — Olha quem fala!!
— Você pode enganar a todos com essa sua pele de cordeiro, Magali, mas a mim você não engana. Não mais.
— Eu nunca tentei enganar ninguém!
— E esse é o problema. Você faz sem tentar.
— O quê?! — eu estava ficando confusa.
— Senta aí. Eu vou te explicar.
Sentei-me na cama, onde ele indicou. Ele pegou a cadeira que estava no canto do quarto e a colocou de frente a mim, sentando-se em seguida.
Ele cruzou as pernas e colocou a mão no queixo, analisando-me:
— Você já ouviu falar de inconsciente, certo?
— Já — respondi, revirando os olhos. Lá vinha mais uma aula de psicanálise.
— E você já ouviu falar do id. Você dominou perfeitamente o seu monstro interior, na batalha contra os monstros id. Eu me lembro disso.
— Sim.
— O que acontece, Magali, é que o seu monstro id resolveu colocar as asinhas de fora novamente. Vendo que a fome já não era mais um ponto fraco pra você, ele resolveu atacar em outro pecado capital: o da luxúria. Dentro de você, você estava gritando por mais fogo na sua vida. Porque você estava cansada do seu relacionamento frio, da sua vidinha sem graça. Você queria queimar de desejo. E aí você me encontrou. Um alvo perfeito. Um homem de personalidade dócil, mas atraente, e que não resiste a uma menina meiga.
— Você não resiste a meninas meigas?
Ele se inclinou para frente e falou, a centímetros do meu rosto:
— Elas me excitam.
Senti-me corar.
— Mas não é esse o ponto. Estávamos falando sobre eu ser o alvo perfeito da sua luxúria. Quando você chega perto de mim, o seu fogo se acende. Você se sente viva.
Ele se aproximou ainda mais, acariciando minha nuca com uma mão e sussurrando em meu ouvido:
— Você queima de desejo por mim, não é?
Fechei os olhos, prendi a respiração e mordi os lábios, tentando me impedir de agarrá-lo ali mesmo.
Mas Nimbus logo se afastou, recostando-se na cadeira novamente:
— E eu fui envolvido em seu jogo. Você me enlouqueceu com suas provocações. Mas, quando viu que a coisa escapou do seu controle, você quis fugir. E foi exatamente isso que você fez ontem. Você saiu correndo. Literalmente.
— Você diz isso como se fosse completamente inocente. Como se não me provocasse também.
— Eu não disse que sou inocente. Esse jogo da sedução é jogado a dois. E eu joguei. Mas não tão bem quanto você.
— Por que não?
— Porque eu acabei me apaixonando.
Respirei fundo:
— E... E se eu dissesse que não joguei tão bem assim?
Ele me olhou demoradamente:
— Então eu diria que você se apaixonou pela pessoa errada.
— Por quê?
— Se você chegou a se apaixonar, não foi por mim. Foi por uma imagem que você criou de mim. A imagem de um Nimbus vil, de um homem que trai, e que por isso é indigno de amar genuinamente. Mas, se você procurasse saber antes de julgar, você saberia que eu jamais traí na minha vida. Eu posso te dar os telefones de todas as minhas ex-namoradas, e elas vão te confirmar isso.
— Mas você sempre fica com várias garotas, e...
— Eu sou um homem solteiro. Eu gosto de estar com mulheres, há algum crime nisso? Que eu saiba, não. E elas gostam de estar comigo. Mas eu posso te dizer que nunca traí nenhuma namorada minha. E você, pode dizer que nunca traiu o Quim? Não, não pode. Porque, ontem, você traiu. E daí, isso me faz uma pessoa melhor do que você?
Deixei escapar uma lágrima:
— Mas o que você fez ontem, aquilo me machucou muito. Você foi muito cruel trazendo aquelas garotas pra cá, pra debaixo do meu teto.
— Você tem a mais remota ideia de como eu me senti ontem? Não, não tem, porque você não faz a menor ideia do que se passa comigo. Mas eu vou te dizer: eu nunca me senti tão humilhado, tão desprezado em toda a minha vida. Eu estava abrindo meu coração, eu estava sendo tão sincero!... E com aquele beijo, meu Deus! Eu estava tão feliz! Então, quando você me apunhalou com suas palavras, eu queria te ferir de volta. Não estou orgulhoso do que fiz. Especialmente por aquelas duas garotas. Eu as usei, e disso eu me arrependo. Mas você, você me enlouquece. Me desperta os meus mais profundos instintos. Inclusive de raiva. Você me faz perder o controle do monstro que existe em mim. E eu fiz o que fiz, por raiva.
Olhei para ele através de minhas lágrimas, apenas ouvindo.
— Você diz que eu fui cruel, Magali, mas você foi muito mais. Você esperou que eu abrisse meu coração, que eu tivesse o momento mais mágico da minha vida com aquele beijo, e então você disse que eu estava mentindo. Que eu estava tentando te usar. Você poderia ter dito que não estava pronta, que não queria trair seu namorado, até mesmo que não me queria, que não me correspondia. Eu teria entendido. Mas você simplesmente me julgou por um passado que eu nem tenho.
Perguntei, com um nó na garganta:
— Você disse que nosso beijo foi o momento mais mágico da sua vida, mas disse ao Quim que não significou nada.
— Não significou nada pra você.
— E como você pode saber disso?
— Porque, como eu disse, você não gosta de mim. Você nem mesmo me conhece. Como você pode se apaixonar por alguém que não conhece?
— Eu te conheço! — afirmei, mas minha voz tinha tom de súplica.
— Não. Não conhece. Porque, se você me conhecesse, você saberia que tudo o que eu disse ontem era do fundo do meu coração, e não uma cantada pra levar alguém pra cama.
— Então me deixe te conhecer. Me dê outra oportunidade.
— De nada adiantaria. Você não é solteira. E eu não vou ser a desculpa que você precisa pra se livrar do seu namorado. Você vai ter que resolver tudo sozinha. Você vai ter que dizer na cara dele que não gosta mais dele. Seria mais fácil se livrar dele jogando a culpa em mim, não é? Dizer a ele “Ah, o Nimbus me seduziu”, mas eu não vou mais ser uma marionete nas suas mãos, ouviu? Eu cansei desse jogo, e tô caindo fora.
— Me perdoa. Vamos ser amigos — implorei.
— Eu não quero ser só seu amigo.
— Mas eu preciso da sua amizade. Eu não quero que você me odeie.
Ele se inclinou em minha direção novamente, e levou uma mão até meu rosto, enxugando minhas lágrimas:
— Seja sincera comigo: você acha mesmo que nós conseguimos ser só amigos?
Soluçando, balancei a cabeça em negativa.
Ele prosseguiu:
— E não precisa se preocupar, pois eu não te odeio. Quisera eu conseguir te odiar! Seria tudo tão mais fácil pra mim!... Vamos fazer o seguinte: vai viver sua vida, resolver seus problemas, e eu vou viver minha vida. Vou tentar conhecer alguém que me faça te esquecer. E, talvez, depois disso, nós possamos ser amigos novamente. Mas agora eu não consigo.
Ele se levantou e saiu do quarto, me deixando lá sozinha.
A caminho do meu quarto, vi que ele estava sentado no sofá, com o Tofu no colo, acariciando as orelhas dele. Era uma cena tão linda de se ver. Sem perceber minha presença, Nimbus pôs-se a conversar com o coelho:
— Tá triste assim por quê, amigão? Tá querendo uma namorada, aposto. Mas, ah, se você soubesse a dor de cabeça que são as mulheres!...
Entrei no meu quarto e me atirei na cama.
Abraçada ao travesseiro, chorei até dormir.
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Abri os olhos. Estava entardecendo. O café da manhã que Mônica trouxe para mim ainda estava intocado. Levantei-me, peguei a bandeja e voltei para a cama. Eu estava faminta.
Ouço uma batida na porta.
— Pode entrar — afirmei.
Do Contra entrou no quarto e se sentou ao meu lado, colocando o braço sobre meu ombro:
— Como você tá?
— Arrasada. O seu irmão não quer me ver nem pintada de ouro.
— Ele só precisa de um tempo. Ele é muito sensível, e se machucou pra valer. Mas eu tenho certeza de que o que vocês sentem um pelo outro é mais forte do que as brigas de vocês. Você só precisa ter calma.
— Eu não sei... Ele já tá planejando conhecer outra pessoa pra me esquecer.
— Eu tive uma namorada no Japão, mas quem disse que consegui esquecer a Mônica? De jeito nenhum. E olha que eu tava com muita raiva dela. Muita mesmo.
— É mesmo? — perguntei, curiosa.
— Eu fui embora pro Japão só pra ficar do lado do mundo oposto ao dela. O mais longe possível dela. Mas nada me fez esquecê-la. Se ela não tivesse mandado o Cebola me buscar, eu estaria lá até hoje, esperando por uma chance com ela. Eu podia me casar, ter filhos, mas eu ainda estaria pensando nela.
— Mas o seu irmão é diferente de você.
— Eu discordo. Sou eu que sou diferente dele.
Ri:
— Ah, sim, claro.
— Eu vim te chamar pra jogar Rock Band comigo e a Mô. Anima?
— Não, hoje não. Não tô no clima pra jogar, nem cantar.
— Tudo bem, então. Eu nem queria que você jogasse mesmo — ele disse, sorrindo.
— Bobo — dei um tapinha em seu ombro. — Vai lá jogar. Treina bastante, pois na próxima eu vou ganhar de você.
— Você sabe que, se precisar de um amigo, eu tô aqui, né?
— Sei, sim — abracei-o. — Obrigada.
Ele deu uma piscadela e saiu do quarto.
Peguei minha toalha e fui ao banheiro. Eu precisava de um longo banho.
Quando desliguei o chuveiro, escutei o DC cantando uma música. Uma do Bon Jovi. Essa eu conhecia. Acho que era Hearts Breaking Even.
It's a cold, cold, cold, cold, cold night tonight
Esta noite está fria, fria, fria
And I can't get you off my mind
E eu não consigo te tirar da cabeça
God knows I've tried
Deus sabe que eu tentei
Did I throw away the best part of my life
Será que eu joguei fora a melhor parte da minha vida?
When I cut you off, did I cut myself with the same damn knife
Quando eu te cortei fora, será que eu cortei a mim mesmo com a mesma faca?
Hide my tears in the pouring rain
Escondo minhas lágrimas na chuva
Had my share of hurt and pain
Tive minha cota de feridas e dor
Don't say my name, run away, cause it's all in vain
Não diga meu nome, fuja, porque é tudo em vão
My heart’s breaking even
Meu coração está se partindo ao meio
Now there's no use we even try
Agora não adianta nem tentarmos
Hey I cried, yeah I lied, hell I almost died
Ei, eu chorei; sim, eu menti; inferno, quase morri
Don't got a reason, let's just fold the cards and say good-bye
Não há razão, vamos apenas fechar as cartas e dizer adeus
It's all right, just two hearts breaking even tonight
Está tudo bem, são só dois corações se partindo ao meio esta noite
It's been a long, long, long, long, long time
Faz muito, muito, muito tempo
Since I've had your love here in my hands
Desde que tive seu amor aqui em minhas mãos
We didn't understand it, we couldn't understand it
Nós não entendíamos, nós não podíamos entender
But, nothing's fair in love and hate
Mas nada é justo no amor e no ódio
You lay it all down and walk away, before it's too late
Você mostra o jogo e vai embora, antes que seja tarde
We danced all night as the music played
Nós dançamos a noite toda enquanto a música tocava
The sheets got tangled in the mess we made
Os lençóis se enrolaram na bagunça que fizemos
There in the stains we remain
Lá nas manchas nós permanecemos
No one left to blame
E não há ninguém para culpar
My heart’s breaking even
Meu coração está se partindo ao meio
Now there's no use we even try
Agora não adianta nem tentarmos
Hey I cried, yeah I lied, hell I almost died
Ei, eu chorei; sim, eu menti; inferno, quase morri
Don't got a reason, let's just fold the cards and say good-bye
Não há razão, vamos apenas fechar as cartas e dizer adeus
It's all right, just two hearts breaking even tonight
Está tudo bem, são só dois corações se partindo ao meio esta noite
Go on, get on with your life
Vá, siga sua vida
Yeah and I'll get on with mine
E eu seguirei com a minha
Broken hearts can't call the cops, yeah it's the perfect crime
Corações partidos não podem chamar a polícia, é o crime perfeito
Twisting and turning, the night keeps me yearning
Me contorço, a noite mantém meu desejo
I'm burning alive
Estou queimando vivo
I'm paying the price again
Estou pagando o preço de novo
But I'll see the light again
Mas eu vou ver a luz novamente
My heart’s breaking even
Meu coração está se partindo ao meio
Now there's no use we even try
Agora não adianta nem tentarmos
Hey I cried, yeah I lied, hell I almost died
Ei, eu chorei; sim, eu menti; inferno, quase morri
Don't got a reason, let's just fold the cards and say good-bye
Não há razão, vamos apenas fechar as cartas e dizer adeus
It's all right, just two hearts breaking even tonight
Está tudo bem, são só dois corações se partindo ao meio esta noite
Essa música era mais do que eu podia suportar.
Quando abri a porta do banheiro para pedir que DC parasse, vi Nimbus sair do quarto dele como um foguete.
Ele tomou o microfone do irmão e atirou na televisão, o que destruiu o aparelho e, obviamente, acabou com o jogo.
Nimbus, ainda enfurecido, empurrou DC, que caiu no chão, apenas escutando os gritos:
— Você tem que cantar essa droga de música?!
O mais velho, ofegante, olhou para o caçula estatelado no chão e boquiaberto.
Nimbus estendeu a mão ao irmão, que aceitou o gesto de ajuda e levantou-se.
— Me desculpa, cara — Nimbus abraçou DC.
— Tudo bem. Eu nem queria mais jogar mesmo. Quem precisa de tevê?
— Eu tô enlouquecendo, DC.
Nimbus desfez-se em prantos e caiu ajoelhado no chão.
Era a primeira vez que eu o via chorar.
Mônica, que assistiu atônita à cena, veio correndo para me abraçar.
Minha amiga me arrastou até meu quarto e me deitou na cama. Eu não tinha forças para andar sozinha.
Eu só conseguia chorar de dor. A pior dor que eu já senti.
A dor de um coração partido ao meio.
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