Magia Do Destino
23 22. À beira da glória
Notas iniciais
Capítulo 22
À beira da glória
— Você acredita nisso? Que existe exatamente a pessoa certa pra você? — perguntei a Nimbus.
— Eu não costumava acreditar. Mas, depois de ver aqueles dois — ele apontou Mô e DC com a cabeça, que também estavam dançando a música brega — é difícil não acreditar, não é?
— E você ainda tem esperança de encontrar a sua “prometida”?
— Claro que sim.
— E como você acha que vai ser? Acha que um dia vai vê-la andando na rua, e de cara vai reconhecer e dizer: “Ela é o amor da minha vida”?
— Não sei bem. Talvez seja assim. Ou talvez eu descubra que é alguém que esteve debaixo do meu nariz esse tempo todo.
Senti-me corar com o comentário, não sei bem por quê.
Ele continuou:
— O fato é que, quando eu estiver com ela, eu vou fazer com que seja mágico. Cada momento.
A música mudou. Começou a tocar “The Edge Of Glory”, da Lady Gaga. Eu adoro essa música. Mas não dancei. Não me mexi. Eu já estava completamente hipnotizada pelo olhar de Nimbus.
— E você, Magali? Você acredita na magia do amor?
Não consegui responder.
Ele continuou a perguntar, mas dessa vez pertinho do meu ouvido:
— Você acredita na magia do destino?
— M-magia do destino?
Não há motivo para que você e eu fiquemos sozinhos esta noite, baby
Mas tenho um motivo para você me levar para casa esta noite
Preciso de um homem que pense que isso é certo quando é tão errado
Esta noite, baby
Bem no limite, que é onde é o nosso lugar esta noite
Nimbus olhou bem no fundo dos meus olhos:
— Neste pequenino momento perdido no meio da vastidão da eternidade, nós temos o incomparável privilégio de existirmos na mesma época, no mesmo lugar. Juntos. Não vamos desperdiçá-lo.
É quente sentir a adrenalina
De tocar o perigo
Eu vou correr direto para o limite com você
Onde podemos nos apaixonar
Sem conseguir desviar o olhar, respondi:
— Eu não sei se acredito, mas... Eu quero acreditar. Eu quero acreditar na magia do destino.
Nimbus sorriu e encostou o nariz no meu. Segurou meu rosto com as duas mãos, e, com a boca a milímetros da minha, ele parou. Parou e esperou.
Ele estava esperando que eu avançasse o resto da distância que nos separava. Essa manobra, de avançar noventa por cento e me deixar ainda livre para dizer não, era uma mistura absolutamente irresistível de atrevimento e respeito, de atitude e cavalheirismo.
E eu não resisti.
Fechei os olhos e o beijei.
Estou à beira da glória
E estou me agarrando a um momento de verdade
Estou à beira da glória
E estou me agarrando a um momento com você
Estou no limite, no limite
Estou à beira da glória
E estou me agarrando a um momento com você
Estou no limite com você
A sensação dos lábios dele nos meus era deliciosa. Sua língua na minha era de dar água na boca. O beijo de Nimbus era melhor do que qualquer coisa que eu já provei. Melhor até mesmo do que a mais sofisticada sobremesa.
Só havia uma palavra em que eu conseguia pensar para descrever aquele beijo. Era... Mágico.
Era muito mais incrível do que qualquer sonho que eu já possa ter tido com ele. Ou com qualquer outro homem.
O gosto, o cheiro, o toque dele, tudo era perfeito. Ele se encaixava em mim com primor. Era como se eu... Se eu tivesse encontrado a minha metade. Era como se tudo fizesse sentido de repente.
Eu estava me apaixonando por Nimbus, e era irreversível.
Mas esse era um caminho muito perigoso de se seguir.
Para ele, eu seria só mais uma. Ele me usaria e me jogaria fora, como algo descartável. E eu seria destruída.
Um envolvimento entre nós dois só poderia terminar em tragédia. Se eu me deixasse apaixonar por ele, não poderia haver um final feliz para mim.
Eu tinha medo. Muito medo de me deixar envolver, e de sair machucada. Eu estava apavorada com o tamanho do meu desejo.
Esse desejo que fez com que eu cometesse um erro desprezível: eu havia traído. E essa não era eu. Essa era a pior parte de mim. A sombra que eu tento sufocar tão arduamente. Nimbus fazia com que eu libertasse minha sombra, meus mais profundos instintos. E por isso eu tinha que me afastar dele. Para salvar a dignidade do Joaquim, meu namorado. Ele merecia mais de mim.
Eu tinha que fugir enquanto meu medo ainda era maior do que meu desejo.
Com dificuldade, separei minha boca da dele.
Quando olhei em seus olhos, quase sucumbi. Ele me enfeitiçava, tal qual a serpente hipnotiza sua presa com o olhar antes de dar o bote.
Eu tinha que usar o pouco de forças que me restava para fugir dali. O quanto antes.
Cada segundo perto dele era um passo em direção ao meu próprio abismo.
De um impulso, saí correndo. Sem olhar para trás.
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