Madz -

6 Capítulo 6 - o começo de uma nova vida


Notas iniciais
nossa, eu sei o quanto eu tenho vacilado com voces... estou a mais de um mes sem postar nada, mil perdões, é que minhas aulas começaram... pow to no último periodo da faculdade, mas ainda assim não desisti do projeto não. se puderem ter um pouco mais de paciencia comigo garanto que vou trazer uma das melhores fanfic shounen que algum brasileiro ja escreveu.

Madz

Capítulo 6 — O começo de uma nova vida.


Takuya não dormiu aquela noite.

E como poderia? Sua mente estava tomada por um turbilhão de fatos, tantos que mal conseguia pensar em um só.

Há alguns dias atrás era apenas um infeliz estudante num colégio recheado de desprezo e ignorância, agora ele entrou sem querer no meio de uma guerra e com ambos os lados tentando matá-lo, como poderia viver agora?

O sol já havia nascido naquele dia, Takuya sabia que já era hora de ir para o colégio, mas ficava pensando se essa seria a atitude correta, se deveria conviver em sociedade, mesmo sendo o que ele era. Mas pensou que também não poderia simplesmente sumir da sociedade mesmo sendo quem era. Talvez alguém percebesse sua ausência, esperava que talvez conseguisse controlar aquele demônio dentro de si o máximo que pudesse.

Caminhava para o colégio quando encontrou um caderno de capa preta caído no chão, pegou, mas não tinha nome escrito nele. Pensou “Parece que alguém perdeu um death note aqui... Mais tarde eu entrego aos achados e perdidos”.

Após a aula, procurou por algum lugar assim, mas não achou nada ate que lhe foi indicado que grupo do conselho de disciplina do colégio cuidava disso. Resolveu ir até lá então.

Bateu a porta e foi entrando.

– Com licença, aqui e o conselho de disci... Natsuyo-chan!?

– Oi?

Natsuyo estava sentada em uma escrivaninha de frente para a porta, alguns papéis estavam espalhados pela mesa.

– Oi Takeshi-kun! E aí, tudo bem?

– É Takuya...

– Desculpa a pressa, é que tô meio enrolada com os deveres de casa, mais a papelada do conselho e mais um monte de coisas, mas diga o que quer.

– Só vim entregar um caderno que achei caído e...

Natsuyo se levantou da cadeira e pegou o caderno.

– Nossa Takuya! Não acredito que você o achou! Pensei que tivesse perdido toda minha matéria, muito obrigada!

– Eh... Natsuyo-chan, você faz parte do conselho de disciplina?

– Sim, eu sou a presidente daqui. — Respondeu enquanto sorria para ele. – Aliás, eu faço parte do grupo de culinária e xadrez também, mas sou presidente só dessa aqui.

– Que... Legal...

Mas por dentro pensava “Ela não é só linda, sociável... Nossa! Também participa de tantos grupos extracurriculares... Existe um abismo social que nos separa, sou um idiota por gostar dessa garota... Como ela vai prestar atenção num cara como eu? Acho que eu devi--”.

Antes que terminasse seu raciocínio, Natsuyo o interrompeu.

– Takuya-kun, você já tem grupo pro trabalho de história?

– Não...

– Ótimo! Tem uma vaga no meu grupo, quer entrar?

Takuya não respondeu... Demorou alguns segundos ate que percebesse que aquilo era real.

– Eh...

– E então? Aceita?

Ele queria dizer sim mais que tudo na vida, mas as palavras não saiam.

– Eh... Não sei se o seu namorado vai gostar...

– Que namorado?

– Eh... O cara que te beijou aquele dia... Vocês não...?

– Ah, fala daquele cretino? Ele não é meu namorado e nunca será! Não gostei de ele ter me beijado a força daquela vez. Eu também soube que ele espancou um estudante no mesmo dia, o coitadinho até foi pra enfermaria do colégio, fiquei com tanta pena... Por isso nem tô mais falando com ele.

Takuya pensou em falar que ele era o estudante em questão, mas não quis passar a imagem de fraco e indefeso, não mais do que já sabia que passava.

– Eh... Eu posso pensar a respeito?

– Ah, claro que sim Takuma-kun! Sem pressa.

Takuya ia se retirando quando Natsuyo falou:

– Hey Takae-kun.

Natsuyo jogava uma jaqueta sobre os ombros e dizendo:

– Se comporte.

Lançou um olhar medonho para Takuya e disse:

– Ou eu te espanco até a morte...

Takuya só fez uma cara de quem não entendeu nada. Natsuyo se aproximou dele e falou:

– Rs rs rs rs rs rs. Tô brincando com você Takuya-kun. Até amanhã.

– Até am..

–NI-CHAAAAAAN!

– Val-san!?!?

Valkyria entrava de novo no colégio.

– Bom dia aneki... O que veio fazer aqui no colégio?

– Oras, uma irmã não pode mais vir buscar seu irmãozinho no colégio?

– Quem é ela Takashi-kun?

– Não é Takashi, é Takuya. — Disse Valkyria.

– Natsuyo-chan, essa é minha irmã.

– Meu nome é Valkyria, prazer em conhecer! Então você é a Natsuyo que ele vive falando?

Takuya olhava seu pulso nu e disse:

– Oooooolha só que horas são! Bem, vamos indo aneki!

– Mas eu ainda não...

Takuya lançava um olhar sinistro enquanto falava:

– Vamos... Aneki...

– He he he. Bem, outro dia conversamos mais Natsuyo-chan.

– Tá bom Val-senpai!

Já estavam do lado de fora do colégio, Takuya segurava o pulso de Valkyria e a puxava pela rua.

– Calma aí Takuya-kun, não precisa me puxar com força não!

– O que você pensa que tá fazendo hein? Aparecendo no meu colégio e puxando conversa com a Natsuyo-chan!?!?!

– Aquela garota até que é bem legal hein? Você fez uma ótima escolha, sabia?

Takuya, vermelho de vergonha diz: — Mas o que você veio fazer aqui mesmo?

– Ora Takuya-kun, terminar nossa conversa, já que ontem não terminamos. Do que falta falar mesmo?

– Daquele papo estranho que você e aquele maluco estavam tendo antes dele tentar me matar...

– Ah sim, falávamos da minha missão.

– E qual seria?

– Era pra matar você, mais alguma pergunta?

Após alguns segundos de silêncio, Takuya disse:

– Só pode tá brincando...

– Tô falando sério e tô sendo sincera com você.

– E por que não me matou logo?

– Impossível pra mim Takuya-kun. Olha, eu não posso fazer isso com você, sabe que gostei de você? Sei lá Takuya-kun, gosto dos adolescentes, gosto desse espírito jovem que vocês têm.

– Repito minha pergunta, por que não me matou? Acho que já notou que não sou o cara mais animado do mundo pra minha idade.

– Pois é isso que me incentiva a te ajudar, sei que você não é lá muito feliz, e quero te ajudar com isso! Quero te ajudar com sua vida social, com a Natsuyo, com a maldição...

– A propósito, o que disse sobre isso não ter cura...

– Vou corrigir minha frase de ontem: não foi descoberta nenhuma cura nem tratamento para a maldição.

– Isso dá na mesma Val-chan...

– Não é não, não disse que não tem, disse que não foi descoberto. Como você notou os arcanjos não se preocupam muito em curar a maldição né?

– Ah, isso eu notei mesmo.

– Então, quem sabe nós não conseguimos achar essa cura? É claro que teremos que pesquisar muito antes, mas acredito mesmo que nós conseguiremos!


***


Takuya e Valkyria foram para o consultório de novo, dessa vez a conversa foi bem mais estendida do que da última vez. Takuya pode contar mais sobre sua vida, sobre como foi crescer sem os pais, criado pelos tios, de como era frustrante ser o cara diferente do colégio, do que sentia pela Natsuyo, de como isso nasceu e cresceu.

Já estava quase anoitecendo, o céu da cidade era tingido de vermelho, com o sol se escondendo atrás do horizonte. A cidade continuava pulsante como sempre. Takuya e Valkyria saiam andando pela rua, já havia passado, e muito, da hora de fechar a consultório. Takuya se sentia leve, tranquilo. Ele havia descarregado toda frustração e mágoa que havia carregado até aquele dia. Por alguns instantes havia até esquecido de que carregava uma maldição poderosa consigo.

Takuya pensava como seria sua vida de agora em diante, estava querendo viver simplesmente tentando não se envolver, tentar guardar esse demônio dentro de si, sem lhe dar chance de sair, assim talvez pudesse levar uma vida próxima da normal. Estavam chegando perto do estacionamento onde estava a moto de Valkyria. E então se despediram, só por aquele dia. Ainda haveriam de se encontrar muito ainda.

Takuya caminhava pela rua, pensando nas palavras de Valkyria, estava se sentindo bem, mas ainda havia coisas que queria conversar com ela, pensou em voltar para perguntar se ela poderia conversar com ele novamente amanhã. Nem pensava muito na maldição, pensava mesmo em todos os aspectos da vida dele.

Voltava para o estacionamento onde se despediram, procurava pela moto de Valkyria e a encontrou, mas Valkyria não estava nela. Pensou em esperar um pouco, imaginou que ela havia

ido tratar de algum outro assunto. Caminhava pelo estacionamento, como quem faz uma hora esperando por algo, quando então viu algo meio estranho: alguns homens colocavam algo bem grande dentro de um porta-malas, estava longe por isso não pode ver direito, então se aproximou para ver melhor, mas não muito, pois achava que eles poderiam brigar com ele por ser tão intrometido.

Quanto mais se aproximava, mais notava que era algo muito estranho, e até meio suspeito, a alguma distancia deles, notou que o tal pacote poderia muito bem se tratar de um corpo. Afastou-se deles, foi chamar a polícia, mas notou algumas manchas de sangue no chão. Ouviu o som do motor do carro ligando e andando, se escondeu atrás de uma pilastra. Enquanto estava lá ele ligou os pontos imediatamente “Mas... onde diabo está Valkyria?”.

Entrou em um conflito imediatamente.

“Com certeza eram os revolucionários, ou sei lá como se chamam aqueles malucos! Foram eles quem sequestrou a Val! Oh, droga... O que eu faço?”.

E outra voz falava dentro de sua cabeça

“E ai Takuya-kun? O que você pensa em fazer?”.

“Eu não sei Hide! Eu... Eu vou chamar a polícia, ela vai cuidar disso com certeza!”.

“Aham... Vai sim... Daqui a uma ou duas semanas, a polícia não vai salvá-la, vão esperar ela ser morta e ai sim vão procurar o assassino”.

“Então sei lá... Eu procuro a sociedade dela e...”.

“A ideia da polícia foi menos estúpida do que essa sabia? Você não sabe onde fica a base deles, e considerando que você seja um detetive melhor que o L pra achar a base deles em vinte minutos, eles não vão deixar você entrar sem tentar te matar antes”.

“Droga Hide, então me diz ai o que eu faço!”

“Não faça nada... Deixa que eu faço...”.


Valkyria estava amarrada, inconsciente no chão de uma oficina mal arrumada e empoeirada. Três homens, que usavam ternos de tons marrons, todos aparentavam ter certa idade, uns 40 anos por ai, estavam em torno dela, quando ela foi acordada com um chute no estômago.

– Hey vadia, acorda logo!

– É assim que você costuma acordar suas namoradas? Se for, você deve gastar muito dinheiro comprando creme hidratante né?

– Que bonitinho, a vagabunda sabe fazer piadinhas assim mesmo. Anda, fala logo o telefone do seu chefe.

– Não leu o meu nome na placa do escritório não? Não tenho chefe, sou sócia daquele escritório, quer o número da minha sócia?

– falei o nome do seu capitão arcanjo, por favor, não me faça perder a pouca paciência que ainda tenho.

– Parece mal de corno, o último a ficar sabendo... Fui expulsa da sociedade ontem... Quer ligar pra ele ainda assim? Tá se sentindo carente e quer conversar com alguém?

– Isso é brincadeira é?

– Parece que tô brincando?

Os homens se reuniam em um canto afastado e discutiam a situação.

– E agora? É inútil, os arcanjos não vão pagar resgate algum e levá-la para algum superior também não serve de nada.

Um dos homens caminhava pela oficina.

– Senhores, por favor... Vocês não têm mesmo nenhuma visão de oportunidade.

Ele pegou um cilindro de gás, e o colocou nas costas.

– Ela não disse que saiu dos arcanjos há um dia?

Pegou a ponta do maçarico e acendeu o fogo.

– Não acha que é muito pouco tempo? Suas informações ainda devem ser bem atuais...

Valkyria disse:

– Por favor... Tortura com maçarico? As pessoas hoje em dia tão usando uma lixadeira elétrica, quem não é atual aqui é você né?

– Mas e daí? Pelo menos funciona muito bem.

Valkyria olhou sutilmente para a porta e esboçou um sorriso, e então disse:

– Essa até me surpreendeu... Parece que veio alguém para me salvar.

– Mas você não disse que não é mais arcanjo?

– Quem disse que ele é arcanjo?

O ambiente pode então ser notado em amplitude. A oficina ficava dentro de um galpão na zona portuária, era noite, apenas a luz da lua iluminava alguma coisa naquele galpão escuro. Fora da oficina, outros homens armados, soldados renovadores, guardavam o galpão.

De dentro da oficina, só se pode ver, de fora do galpão, o vulto de algo grande no ar, e então, um ou dois segundos depois, houve a explosão: um caminhão baú entrou voando, literalmente por dentro do galpão. Dentre as chamas do incêndio, uma inusitada figura, uma sombra com olhos que brilhavam um azul intenso surgiu e gritou.

–NYYYYYYYYYYYYYYYYYYYAAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHA! LEEEETS PLAY!

Não importava que aqueles homens estivessem armados, todos foram pegos de surpresa. Hide começou a massacrar todos eles, ele pegou uma corrente caída no chão e começou a girar com tanta velocidade que cortava qualquer um que se aproximava, outros morreram baleados pelos tiros dados as cegas por outros soldados, alguns poucos soldados feridos conseguiram fugir.

Dos homes dentro da oficina, dois levaram a Val para outro canto da oficina, mas um se aproximou da janela para saber o que estava acontecendo. Morreu esmagado quando Hide arremessou uma empilhadeira contra a oficina.

– Hey Valkyria, o Takuya tá aqui perguntando se você esta bem. — Disse Hide enquanto entrava pelo buraco que abriu na parede.

– Ah sim, tô ótima.

– Não posso dizer o mesmo de você moleque! — Disse o homem com o maçarico.

Ele começou a desferir vários golpes contra Hide, mas ele se esquivou de todos, até que Hide saltou por cima do homem e rapidamente agarrou uma chave de fenda em uma prateleira próxima. Ao cair, golpeou o cilindro, que não explodiu, mas abriu um rasgo e começou a vazar gás. Hide deu um salto pra trás.

Quando o homem notou que Hide estava atrás dele, se virou para acertá-lo com as chamas, mas elas acenderam o gás que estava no ambiente, que se estendeu até chegar ao cilindro e explodi-lo. O homem morreu na hora.

Só havia sobrado mais um homem, que apontava uma arma para Hide.

– Hey garoto demônio, já vi que você é bem rápido, mas consegue ser mais rápido que uma bala?

Hide se virou e disse: — Não preciso ser mais rápido que uma bala. — E se moveu tão rápido que parecia desaparecer.

O homem disparou assim que notou que Hide havia sumido, mas já era tarde, Hide apareceu por trás dele e disse – Só do que seus olhos.

O homem se virou, mas Hide havia cravado os dedos no seu abdômen, e o arremessou contra uma parede ao fundo, ao longe, só se pode ver uma grande mancha de sangue na parede.


Takuya já havia recobrado a consciência, ainda estavam naquele cenário horrível, mas Val já estava desamarrada.

–Takuya-kun, você está bem?

– Eh... Eu... Aonde estamos hein?

– Espera Takuya, melhor não se levantar agora, eh... Bem... Preciso falar uma coisa.

– Val eu não me lembro de nada, só que o Hide tomou conta de mim e...

– É... Bem...

Takuya se levantou e viu o cenário de carnificina que havia naquele galpão.

– Fui eu quem fez isso né?

– Bem...

– Val-chan, você parece estar bem né? Eu vou voltar pra casa e tentar... Olha, não sei se vou conseguir conviver com isso dentro de mim.

– Takuya, eu vou te ajudar, você não tá sozinho nessa.

Takuya olhou para o outro lado, ficou em silêncio por alguns minutos e disse:

– Mas talvez fosse melhor pra você que eu estivesse só mesmo...

E novamente se moveu mais rápido que pudessem notar. Val saiu pelo galpão, tentava ver se o encontrava, mas era tarde, ele já havia desaparecido.