Madz -
2 Capítulo 2 - enter Hide
Notas iniciais
Era a seguinte cena: Valkyria caída, mas lúcida, e aqueles homens que observavam um jovem que agia de forma muito estranha.
Takuya tinha feições medonhas, um sorriso macabro, olhos também macabros e a fala dele não era mais aquela fala tímida, era algo meio confuso, meio difícil de distinguir em meio às gargalhadas dele.
–Hihihihihi! Já faz dias que não saio pra brincar... He hehe!
Os homens conversavam a respeito daquela cena:
– Que porra é essa? Esse moleque surtou?
–Sei lá... Vai ver ele ficou maluco de desespero...
Entretanto Valkyria ficava observando tudo, admirada com aquilo e pensava“Meu Deus! O que é isso?! Então era disso que Raziel falava quando disse que esse ritual era mais poderoso? O que é isso que ta acontecendo com esse garoto?!”.
– Hey pirralho, então você quer brincar né?
Dizia um dos homens, empunhando uma barra de ferro. O homem começou a desferir vários golpes, a maioria mirava a cabeça de Takuya, mas nenhum o acertava, ele desviava de todos os golpes com grande velocidade sem nem mexer o pé e sempre gargalhando.Até que um dos golpes não fora desviado, foi bloqueado pelo antebraço esquerdo dele, o impacto foi tão forte que a barra se dobrou um pouco.
– O quê?! Mas como?
– Hmmm... É só isso...? Que chato...
– Vamos pegar esse pirralho!
Todos os homens partiram par atacar Takuya ao mesmo tempo.
– Hehehehe! Será que agora ficará divertido?
Takuya se movia muito rápido, malse conseguia ver seus membros se moverem.Nisso, muitas lâmpadas fluorescentes começaram a estourar escurecendo a garagem. Em alguns pontos era sombra pura, não se via nada.
– Alguém sabe onde que o moleque tá?
Valkyria continuava a observar todo o comportamento de Takuya“Não da pra acreditar, aquilo é totalmente diferente do rapaz tímido que me acompanhou essa tarde! Como foi que ele mudou tanto?”.
Então se ouve o grito dele sem nem saber ao certo da sua localização.
– Quer saber? Vocês são chatos... Tão chatos quantos os últimos que apareceram. Não têm a menor graça brincar com vocês...
– Vem desgraçado! Vem aqui acabar com a brincadeira!
– Tá bom...
Ouve-se um barulho bem alto como algo arrebentando, um alarme de carro começa a tocar.Do escuro, então, o capô de um carro aparece voando em alta velocidade na direção de um dos homens.Tal peça fora lançada com tanta força que voava como uma shuriken, e como tal, partiu o homem ao meio ao atingi-lo.
– Que porra é essa cara? Como que esse moleque fez isso?!?!
E novamente se ouve suas gargalhadas.
– NYAAAAAHAHAHAHAHA, AGORA SIM TA FICANDO DIVERTIDO!
– LIGA LOGO PRA CENTRAL, MANDA CHAMAR REFO- -.
Antes que outro dos homens pudesse terminar de falar, um carro caiu sobre ele.
–Minha nossa! Deem-me cobertura enquanto eu ligo pra central!
Dos seis homens que apareceram, dois estavam mortos, um tentava ligar para a central e os outros três tentavam enfrentar aquela coisa.Um dos que tentavam enfrenta-lo usava a mesma barra ainda torta que usou para golpeá-lo.
Agora Takuya segurava a barra ao invés de bloqueá-la como antes. Era um golpe muito bem dado, o homem tinha um bom físico, mas mesmo assimTakuya não demonstrava sentir nenhuma dor.
– Hihihihihihihihi!Ainda quer tentar me golpear com isso?
Aquele homem tentava puxar a barra das mãos dele, mas toda sua força não conseguia fazer o Takuya se mexer nem um milímetro, ele continuava com o braço estendido segurando aquela barra.
– Solta desgraçado! SOLTA!
–... Você nem sabe usar essa coisa direito...
– Solta isso que eu vou esmagar sua cabeça!
–... Deixa eu te mostrar como se usa isso...
Em um movimento ele puxou a barra das mãos do homem e em seguida golpeou o ombro dele, a força era tanta que o golpe cortou o braço dele.
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH MEU BRAÇO!
– E AI, APRENDEU AGORA?!
Enquanto isso, o homem que tinha ido pedir reforços ligava para a central dos renovadores.
– Central? Urgente! Alguém na linha?
– Pode falar soldado.
–Estamos sendo atacados! Tem um monstro atacando vários soldados renovadores. Dois já estão mortos. Precisamos de reforço urgente!
– Sim soldado, estaremos enviando reforços, aguardem. Ah!Mais uma coisa: não desligue a ligação ok? Precisamos para manter contato. Entendido soldado?
– Sim... Sim, senhor?
Do outro lado da linha outro homem usava um manto negro, longo. Caminhava em direção a outro homem tão misterioso quanto ele.
– Lord Vox, recebemos uma comunicação de que estamos sofrendo ataque em nossas tropas, ao que parece, nosso demônio saiu para brincar de novo.
O homem que ele chamou de Vox era alto, usava vestes negras.Não se via nada da pele dele, nem dos cabelos, usava uma mascara, parecia mascara de gás e tinha uma fala muito suave.
– Nosso demônio foi brincar justamente com algum general humano?
– Hum... General? Não... Nem humano, nem demônio... Só alguns soldados...
–Certo... Pensei que fosse gente importante que estivesse morrendo... Está gravando o desempenho do garoto?
– Sim, já contatei o setor de comunicação. Já rastrearam as coordenadas e estão acessando as câmeras de vigilância do prédio.
– Bom... Envie o material para o setor de pesquisa e desenvolvimento.
– Certo Lord Vox. E enquanto aos reforços que eles solicitaram?
– Hum... Acho que já temos material suficiente ao gravarmos as mortes daqueles seis homens, não precisamos de mais. Não envie os reforços.
–Sim senhor.
De volta aquela garagem, dois homens haviamsido brutalmente mortos, outro se contorcia de dor ao ter o braço mutilado.Ao fundo se ouve o barulho de pneu cantando. Um carro aparece guiado por mais um dos que tentaram matar Takuya e Valkyria. Não era um carro pequeno, parecia uma pick-up e ia a toda velocidade em direção ao garoto.
Takuya por sua vez se abaixou, agarrou a perna daquele homem caído, girou seu corpo e o lançou em direção ao carro, acertando o motorista. Ao joga-lo contra o motorista, o impacto matou os dois, mas o carro continuava correndo.
Sem sair do lugar, Takuya deu uma tapa na lateral do carro no instante que esse se aproximara dele, um milissegundo deve ter sido suficiente para ele agir. O golpe mudou o curso do carro, que se chocou contra uma das pilastras da garagem.
Agora Takuya caminhava dentro daquele cenário de morte e dizia enquanto contava nos dedos.
– Hehehehehehe... Um porquinho eu parti no meio... Outro porquinho virou patê... E mais dois porquinhos viraram presunto... Ainda sobrou dois pra eu brincar... Mas cadê eles hein?
Então ele notou que um dos homens estava de pé. Fazia Valkyria de refém, agarrava um caco de vidro e encostava a ponta dele contra o pescoço de Val.
– Se afasta criatura maldita! Se você chegar perto eu mato essa mulher!
Takuya respondeu:
–Hmhmhmhmhmhm... E?
– Como assim “e”? Não se importa com a vida dessa vadia?
– Você quer morrer primeiro ou depois do outro cara, porque pra mim tanto faz...
– DIZ SEU NOME SEU DESGRAÇADO!
Dizia ele imaginando que se gritasse o nome dele, os seus superiores poderiam ouvir pelo celular e depois caçar aquele monstro. Val não imaginou isso, apenas tentou dizer o nome dele.
– O nome dele é Taku — -
– Meu nome é Hide. É esse o nome do demônio que vai te mandar pro inferno!
Então Val conseguiu começar a entender como a maldição de Takuya funcionava.Ela pensava: “Meu Deus! Parece síndrome de personalidade dissociativa, personalidade alternativa, nunca tinha visto isso em nenhum ritual antes! Esse é mesmo muito mais poderoso que os outros já realizados! Não é a força e a agilidade dele que vieram com o ritual, mas também essa personalidade, por isso ele mudou tanto!”.
Então Takuya começou a se aproximar dos dois lentamente.
– Se afasta coisa! Eu juro que mato ela!
Então Valkyria disse ao homem que a ameaçava:
–Sinceramente, eu peço desculpas se por algum acaso permiti que fizesse um conceito errado sobre mim...
Após essas palavras, o homem começou a sangrar muito pela boca... Recuou alguns passos, e então se via uma perfuração em seu abdômen. E Val disse:
–... Mas eu não sou donzela indefesa!
Ao se virar, via-se que mesmo algemada, tinha uma aura que rodeava suas mãos. O formato daquela aura lembrava muito uma lamina.
Enquanto isso, Vox falava diante a alguns homens, que usavam as mesmas roupas pretas.
– Senhoras e senhores, que bom que puderam comparecer, é bom que a alta cúpula compareça para testemunhar novamente nossa glória!
Um dos homens, que era muito forte, falou:
– Para que isso de novo Vox? Uma sessão extra para quê?
– Ora... Sinceramente não foi planejado, foi mais um grupo de soldados baixos... No mínimo pensaram que se sequestrassem a regente arcanjo, conseguiriam uma promoção...
Outro homem, esse pálido e careca, disse:
– Então esse não foi planejado né?
Vox disse aos presentes:
– Senhoras e senhores, nada disso foi planejado. De fato não seria necessário outro massacre como o de alguns dias atrás, isso é verdade, mas já que esse está ocorrendo, por que não apreciar uma dose extra da nossa glória?
Uma mulher, com uma aparência de gótica, disse:
– Está certo Vox, devemos mesmo apreciar mais da nossa experiência, até porque seria bom se realmente ele funciona como deveria NE?
–Sendo assim, apreciemos uma parte do show.
Em um telão aparecia cenas das câmeras de vigilância que mostravam o cenário de horror que era aquela garagem, com sangue e corpos mutilados por todos os cantos. Embora tivessem imagem, não tinham som. Um dos homens disse:
– Há háháhá ha. Isso é filme mudo Vox? Podia ter pelo menos colocado alguém tocando piano não é?
– Queira perdoar, já teremos som.
Ele pegou um walkie-talkie, e disse:
– Liberem o áudio, por favor.
O áudio em questão era justamente o som da ligação do ultimo soldado que ainda gritava por reforços.
– SENHOR, PRECISAMOS DE REFORÇOS!REPITO: ELE TA MATANDO TODOS OS OUTROS SOLDADOS! PRECISAMOS DE REFORÇOS!
Vox se virou para os presentes e disse:
- Bem senhores, esse é o único áudio disponível, espero que seja suficiente.
Enquanto o ultimo soldado gritava no celular por socorro, Hide lançou sua investida contra ele.Em um golpe, acabou lançando muito sangue em várias direções, uma das gotas caiu na lente de uma das câmeras, a melhor posicionada. Logo, eles não tinham mais imagem, mas o áudio continuava, mostrando os gritos de dor daquele homem.
Após aquela sessão horripilante de gritos de agonia, Vox se virou para os presentes e disse.
– Irmãos, embora pareça que estamos já com nossos objetivos em mãos, digo que ainda precisamos de estudos, alcançamos um estágio do batismo das trevas nunca antes conquistado, mas acontece que estamos lidando com forças ainda não muito bem conhecidas por nós. Precisamos ainda de estuda-lo, não digo que fracassamos, digo apenas para que aguardemos o resultado de mais alguns estudos para que possamos ver a viabilidade desse ritual.
Hide ria compulsivamente, seu rosto manchado de sangue, suas mãos inteiras sujas de sangue.Valkyria observava tudo de longe, já havia se soltado das algemas, mas não se aproximava de Hide.Aos poucos notava que a risada dele diminuía, e que ele ia se acalmando um pouco, Hide havia se ajoelhado no chão, como quem descansa.
Valkyria se aproximou devagar pela frente dele, quando ele levantou o rosto, aquele olhar e sorriso macabro haviam sumido, era aquele mesmo garoto que havia passado à tarde com ela que estava presente...
Takuya observou suas mãos, olhou ao redor. Seus olhos demonstravam pânico, ele murmurou somente:
–... De novo não... DE NOVO NÃO!
Takuya saiu correndo pela rua enquanto Val pegava um telefone e ligava.
–Raziel-san, preciso que mande uma equipe de limpeza para cá! Rastreie essa ligação. Mais tarde eu te mando meu relatório.
E Val corria em direção a Takuya, gritando:
– TAKUYAAAAAA, ESPERA!
E esse só gritava.
– DE NOVO NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO !
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