Madness - Orphanage
2 Newcomer
Notas iniciais
Era dia, mas as nuvens cobriam completamente os céus. Esse era um dia nada feliz, o silêncio reinava por toda Manhattan.
Mas ali, um pouco afastado do Central Park, estava o Orfanato Broken Dreams onde Annalise estava prestes a chegar.
Era um lugar enorme, parecia uma mansão. Um jardim lindo cheio de flores e árvores de espécies variadas e um lago com alguns peixes. O jardim estava bem cuidado, diferente da casa, que possuía paredes riscadas e descascadas pelo lado de fora e algumas janelas quebradas.
—Crianças, por favor — Uma velha mulher dizia — Preciso de um voluntário para me ajudar com a chegada de sua mais nova coleguinha
—Não se preocupe senhorita Curie — Uma jovem moça dizia — Eu lhe ajudarei
As crianças estavam espalhadas pela casa, apesar do tamanho da mesma, não eram muitas crianças que estavam morando ali no momento. A taxa etária das crianças era de seis à doze anos.
A velha mulher se chamava Marie, mas muitas pessoas se referiam a ela como senhorita Curie, ela tinha várias rugas em seu rosto e seus olhos eram negros como fuligem e ela possuía cabelos completamente brancos. Usava um vestido florido azul e ela parecia ter cerca de setenta e cinco anos.
A jovem moça se chamava Rose, era completamente quieta e evitava ao máximo interagir com as crianças, mas quando necessário, ela o fazia. Seus cabelos eram louros, seus olhos eram castanhos-escuro e ela era branca como a neve. Sempre usava roupas brancas independente da situação e parecia não ter mais que vinte e seis anos.
—Pensei que não gostasse de crianças — Marie ria, pondo a mão na boca
Rose lançava um olhar sério para Marie, um olhar completamente tenebroso e cruel, se preparava para abrir a boca e então a fechava lançando um breve sorriso.
—Ouvi dizer que não contaram para a garota que o pai morreu, as crianças são muito curiosas e podem acabar falando demais — Rose pegava um livro de uma estante do lado
—Certo então... — Marie dava uma leve ajeitada em seus óculos vermelhos — Preciso sair pra comprar algumas coisas, ela deve chegar em breve.
—Tudo bem... — Rose dava um leve pulo de alegria — Em que quarto eu deveria deixá-la?
—Os quartos livres estão sujos e os limpos estão cheios, seria maldade deixá-la sozinha. Não teria como ficar com ela em seu quarto por um tempo? — Marie questionava
Rose olhava para o teto por um momento e começava a pensar, seus olhos brilhavam como os olhos de alguém que está prestes a chorar, mas ela não o fizera.
—Tudo bem, ficarei com ela em meu quarto — Rose estava sorrindo, como se tivesse acabado de ganhar um doce
A velha Marie dava um breve sorriso e se virava, pegava sua bolsa e abria a porta, mas antes de sair...
—Que bom ver que você mudou Rose...
Marie saía da casa e a porta se fechava com a força do vento, algumas lâmpadas estavam balançando por causa do impacto.
O tempo passava, cerca de duas horas depois a campainha tocava.
Rose corria para a porta, as crianças se assustaram pois com aquele longo vestido branco e cabelo loiro ela mais parecia um fantasma.
Rose abria a porta e ficava encantada com a criança no exato momento em que a via.
Seus cabelos eram enormes e castanhos, seus olhos verdes brilhavam como uma esmeralda bem polida e apesar de ter oito anos, sua altura era de uma criança de doze, mas o que mais chamava a atenção era...
—Céus, você tem um sabre de luz — Rose ficava hipnotizada pelo brilho do brinquedo
—Papai me deu quando eu terminei de ler os livros de O Senhor dos Anéis. — Annalise inflava um pouco seu ego
—Tudo bem, entre... — Rose estava com um largo e assustador sorriso em seu rosto
—Hum? Onde está o papai? — Perguntava Annalise
Rose botava a mão nos ombros de Annalise e dizia então...
—Depois falamos sobre isso, ok? — Rose fazia um gesto com as mãos para que Annalise fosse atrás dela
As crianças estavam fazendo muito barulho, o que despertava a curiosidade de Annalise.
—Existem mais crianças aqui esperando seus familiares? — Annalise questionava — Se sim, onde eles se meteram?
Rose sequer virava para observar Annalise, estava preocupada demais com a imprudência em não terem contado para a pequena garota o que aconteceu.
—Eu e a senhorita Curie iremos lhe contar amanhã, está bem? — Rose passava a mão na cabeça de Annalise — Olhe, é aqui onde você vai ficar...
Rose abria a porta de madeira do quarto.
—Você vai ter que ficar aqui até que eu arrume um quarto pra você, tudo bem?
Annalise observava o quarto, ele era grande, maior do que a sala de seu tio. As paredes eram brancas assim como todos os móveis, o quarto estava transmitindo uma ''energia positiva''.
—Eu gostei daqui... — Retrucava Annalise
—Arrume suas coisas como bem quiser, apenas não entre nos últimos três quartos do corredor
—Certo, obrigada... — Annalise abria sua mochila — Aliás, qual é o seu nome moça?
—Eu sou Rose... Eu... Acho...
Annalise estava curiosa, não iria sair daquele lugar sem entrar nos últimos três quartos do corredor de forma alguma. Mas como dizem... A curiosidade mata...
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