Madness
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A pequena lagoa destacava-se no campo verde, a água translucida mostrava sua variedade de peixinhos coloridos e pequenas pombas brancas voavam por ali. Suas asas batiam muito mais forte que as das pombas, o vento gelado provocado por elas arrepiou-me e senti os olhos negros na minha nuca. Asas tão negras quanto os olhos e os cabelos vermelhos mais quentes que o fogo, o mal lhe caía bem, como se a beleza demoníaca perturbadora tivesse sido feita perfeitamente para ela.
Mesmo sendo um demônio, eu não tiraria nada dela, mesmo sua parte demoníaca, ou sua personalidade distorcida, porque era justamente essa combinação que tornava quem ela era, e eu, oh, estava perdidamente louco por ela, por cada pedacinho.
-Vim te agradecer, Raizel. Aquilo que você chama de defesa foi um bom treino para os meus novatos. – Ao mesmo tempo em que estava completamente louco por ela, sentia uma raiva extrema. Ela havia atacado a parte leste de meu domínio, derrubado minhas defesas como peças de domino.
-Heh, com raiva pela última vez Samantha? — Suprimi a raiva e dei uma resposta à altura. Referindo-me a vez que derrubei as defesas da parte sul de seus domínios. — Aqueles seus guardas não foram nem um treino para meus anjos.
-Certo, certo, aquela foi boa. Mas como está nosso placar mesmo¿ — Ela riu – Tem muito que aprender ainda Zel, não tem vocação pra batalha. Batalhas incluem mortes, está pronto pra ver seus anjinhos morrendo¿ É por isso que eu ganho e você perde, eu deixo que morram por mim, você quer morrer por eles.
Esse ponto sempre nos levava a discussão.
Ela se aproximou e passou as mãos pelo meu cabelo, seu toque era quente. ''Morreria por mim, Zel?'' sussurrou mordendo o lóbulo da minha orelha. A resposta era tão óbvia ''Eu não''. Seus lábios tomaram os meus furiosamente e tudo o que fiz foi corresponder.
Eu odeio tudo sobre ela. Sua falta de interesse sobre a vida dos seus subordinados, até sua falta de interesse em minha vida. Odeio principalmente, amá-la.
-Esteja mais atento as suas defesas – Ela alçou voo, deixando-me para trás atônito e querendo mais de seu gosto, mais de seu corpo. Atrás. Eu sempre estava atrás dela.
-Não dessa vez. — Sussurrei para mim mesmo, alçando voo e parando a sua frente rapidamente, deixando-a confusa. — Sempre fui mais rápido. — Agarrei seus ombros e a beijei. Recebi um sorriso de aprovação ao fim do beijo. Satisfeito e orgulhoso de mim mesmo voltei para casa.
-AS DEFESAS NORTE E SUL FORAM QUEBRADAS — Acordei com os gritos do meu general — SÃO MUITOS DELES, SENHOR.
-O que está fazendo agora, Samantha? — Restavam apenas restos de muros, muitos de meus anjos caídos no chão. Ela estava de longe, pairando sobre toda a confusão em suas asas negras apenas observando sua obra. Ela apenas me deu um sorriso, e eu fui pra cima dela, atacando-a com a espada que ela bloqueou. Forcei a arma até estar a centímetros do rosto dela.
Eu estava com raiva, magoado. Triste por meus companheiros sendo atacados e mortos, mas triste por causa dela. Mesmo estando de lados opostos e sabendo que esse tipo de coisa deveria acontecer, não consegui me evitar sentir a traição. E com esses sentimentos transbordando nas minhas ações, olhei para seus olhos negros, zombeteiros e deixei uma única lágrima solitária descer por meu rosto.
Ela pareceu não dar importância, aproveitou-se da minha guarda baixa e revidou, podia ter acertado meu braço com sua espada, mas evitou. ''O que é isso, Sam?'' supliquei por uma resposta em vão, ela apenas me atacava.
Um chute certeiro no peito mandou-me para baixo, ouvi sua voz gritando para que suas tropas voltassem e deixei meu corpo cair, ficando com visão de suas costas. Pude ver então os estragos provocados, meus anjos mortos, meus muros caídos, eu estava completamente vulnerável — Durmam, ela não vai voltar essa noite — Anunciei antes de voltar aos meus aposentos. Vi que meus generais queriam falar algo contra, mas estavam cansados demais e somente acataram minha ordem.
[...]
-Senhor, o que vamos fazer a respeito desses ataques? Nossas defesas são inúteis, a maneira como os demônios dela lutam é simplesmente...
-Demoníaca, eu sei. — Cortei, suspirando.
-E o que faremos?
-Eu tenho uma ideia... — Disse cautelosamente. — Mas é bem insana, e pode não dar certo. Mas antes precisamos reerguer nossas defesas, um contra ataque seria mais do que poderíamos aguentar. Alexiel reúna os melhores anjos que conseguir e deixe-os preparados. Miguel comece a trabalhar na nova defesa e na reconstrução dos muros.
-Sim! — Disseram e saíram, me deixando sozinho.
[...]
A noite caiu gélida, o céu ausente de estrelas com apenas a luz da lua em sua imensidão negra. Não fosse sua pele extremamente branca não a veria voando em minha direção naquele breu. Ela pousou com as asas negras abertas, a luz forte do meu quarto fazia com que sua pele parecesse brilhar os olhos maldosos fitando os meus. Sentado no parapeito da janela, ao vê-la quase me esqueci de onde estava, quem eu era. Saí dali e permiti sua passagem, logo a envolvendo em meus braços.
-O que faz aqui, Sam?
-Eu... — Ela parecia não saber o que dizer. – Me... — Suas mãos soltaram-se do meu abraço, abrindo os botões da túnica preta que cobria seu corpo e deixando-a cair, seu corpo nu era ainda mais perfeito que em meus pensamentos e a minha vontade de faze-la completamente minha era tão intensa... Mas era sacrilégio.
Perigoso, muito perigoso, todos sabiam que se um anjo e um demônio se unissem dessa forma, eles morreriam. E era exatamente o que eu queria.
-Sam, sabe das consequências não sabe?
-É o nosso destino, não? Morrer juntos.
Sorri melancolicamente e tomei seus lábios, guiando-a para a cama. Em um movimento rápido ela ficou por cima de mim, e então a senti finalmente minha. Toda vez que eu entrava e saía de dentro dela uma onda de prazer consumia meu corpo, ali, totalmente submisso a ela eu só queria nossos corpos juntos e nada além disso. Algo dentro de mim começava a queimar e pude perceber que nela também. Naquele momento, seus olhos demonstravam o que ela realmente sentia, dessa vez não havia alguém na frente, éramos um. E éramos dois loucos, loucos consumidos pelo amor proibido.
Nossos lábios tocaram-se uma vez mais, nossos corpos tomados pela luxúria selavam com o mais ardente dos atos nosso tratado de amor, nosso tratado de morte. E em nosso último momento, sendo consumidos pelo fogo, eu tinha certeza que não me arrependia de nada.
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