Ma Chérie

27 Festival de Primavera - Terceiro dia Medida Certa


Notas iniciais
You could be my muuuuuuse oooh yeaaah ♫ hauhauhauhaua para quem escutou a música do capítulo passado, entenderá. Sei que muitos ficaram surpresos com a atitude da Liz, então aproveito para fazer uma rápida consideração. A Liz não é santa, no apartamento ela permitia aqueles momentos hots e teve um mesmo que se não fosse a Vic, teria acontecido contra a porta. Segundo, ela é uma dançarina, ela sabe se expressar usando o corpo como ninguém, por isso usou de sua melhor arma para fazer a sedução. E deu no que deu kkkkkkkk.

Pov Liz

Acordei sem realmente saber quando havia dormido. Minha última lembrança era de descansar nos braços de Victoria, pensar em como ela era tão especial e encarar o oceano azul que eram seus olhos. Eu sentia meu corpo todo diferente, dolorido e ao mesmo tempo bom. Estiquei meus braços para espreguiçar, os músculos prontamente reclamando e me fazendo soltar um gemido baixo de dor. Passei as mãos sobre os olhos antes de finalmente abri-los.

Eu não estava em meu quarto, muito menos no Rio de Janeiro. O cheiro de mar adentrava a janela que agora estava aberta, junto com uma brisa gostosa que não deixava o ambiente quente. As lembranças voltaram a minha mente como um estalo. O pedido de namoro, a sedução... A minha primeira vez. Ou seria melhor dizer as minhas primeiras vezes? Podia sentir meu rosto corar e minha respiração parar por alguns segundos. Deus, eu nunca imaginei que seria daquele jeito! Victoria me fizera sentir coisas tão além do que poderia ser narrado e explicado, me levou a patamares tão elevados de prazer que agora eu realmente podia compreender porque certas pessoas eram viciadas nisso.

Então franzi o cenho, onde estava Victoria? Olhei ao redor buscando a brasileira, sentando na cama e trazendo o lençol para cobrir meu colo, consequentemente exibindo mais as pernas. Estava confusa e sonolenta, levando um pequeno susto quando a porta do quarto se abriu. Porém lá estava ela, carregando uma bandeja cheia de comida. Victoria usava óculos escuros e tinha o cabelo malmente preso em um rabo-de-cavalo. Ela parou e olhou para mim, depois de alguns segundos mordeu o lábio inferior e suspirou.

–Você não devia ser tão sexy ao acordar – ela reclamou entrando finalmente no quarto – Eu me perco no propósito de concertar a falta de romantismo da noite anterior.

–Ontem foi perfeito – falei com a voz estranhamente rouca, provavelmente devido a tantos gemidos.

Victoria sorriu. Um sorriso convencido e lindo, ela sabia muito bem o quanto havia me causado na noite anterior. A morena sentou na cama, ajeitando a bandeja sobre o travesseiro que estava ao meu lado. Finalmente pude observar o que ela trouxera para mim. Suco, frutas, torradas, pãezinhos, queijo e presunto cortados para caberem dentro do pão.

–Imaginei que estaria com fome e que gostaria de café da manhã na cama – Victoria falou daquele meio acuado, como se esperasse uma aprovação minha.

–Oui, foi muito carinhoso, mon amour – concordei pegando o copo com suco e o bebendo, laranja natural – Mas você não está com fome? Eu não comeria isso tudo.

–Trouxe para nós.

Começamos a comer em silêncio, mas um gostoso e até mesmo preguiçoso. Encostei na cabeceira da cama e degustei daquele café da manhã. Às vezes, lembranças vinham a minha mente de repente, fazendo-me sorrir de lado ou então corar. Victoria percebia, pois seus olhos estavam grudados em mim, desviando apenas para pegar outra comida qualquer.

–O que aconteceu ontem? – Victoria perguntou, fazendo-me fita-la confusa – Digo, você nem ao menos conversou comigo sobre, ou deu indícios, eu fui completamente pega por você. Seduzida até perder a sanidade e... – ela mordeu o lábio e desviou o olhar – Eu deveria ter sido mais carinhosa, era a sua primeira vez.

–Quantas vezes terei de repetir que foi perfeito? – indaguei de maneira delicada, tocando o rosto dela com carinho – Perdon ter deixado você de fora dessa questão e ter agido sozinha. Mas nunca duvide que todos os seus atos sobre mim foram bons, foi maravilhoso eu... Eu não sabia que era possível sentir tantas coisas e... Eu ainda estou trabalhando nas palavras para conseguir adjetivos para descrever o que foi ontem à noite.

–Ok, aceito que eu fui incrível com minha namorada – ela riu me fazendo revirar os olhos – Mas você estava diferente... Um diferente bom.

–Eu sinceramente não sei explicar isto também – franzi o cenho – Apenas me deixei levar, eu estava gostando e sabia o que fazer, o seu olhar para mim era como chamas bastante claras, queimando por uma excitação que eu estava provocando. E estava dançando. Dançar é a melhor forma de me expressar, eu me senti... Mulher, poderosa.

–E você estava. Nunca fui dominada daquele jeito.

Dessa vez foi a minha vez de sorrir de uma maneira um quanto tanto convencida. Victoria riu e inclinou para me beijar. Eu sabia que sua intensão era apenas um selinho, mas quando seus lábios com sabor de morango, fruta a qual tinha acabado de comer, tocaram os meus foi impossível ser só um selinho. Nos beijamos por longos minutos, sem pressa alguma, lábios e línguas sincronizados como se dançassem juntos a anos. Arrepios percorriam todo o meu corpo, uma sensação tão boa e abrasadora aquecia-me. Era um beijo apaixonado, um beijo carinhoso.

Nos separamos um pouco, com sorrisos bobos e doces. Terminamos de tomar o café e Victoria me puxou para o banho. Eu hesitei prontamente, mas ela já estava tirando a roupa! E quando ela o fez, eu soltei um gritinho de pavor. Suas costas estavam arranhadas, no seu ombro tinha uma marca tão roxa que parecia um hematoma. Até mesmo sua coxa tinha marcas.

–Mon Dieu! – exclamei assustada – Eu que machuquei você!

–Não se preocupe – Victoria começou a rir – Não estava reclamando, só teremos de aguentar um pouco a zoação da galera, porque infelizmente estamos em uma praia, uma hora eles vão ver. Você não está também tão inteira assim.

Levantei da cama levando o lençol comigo. Foi naquele momento que descobri que estava doendo um pouco andar. Victoria pareceu perceber, pois logo veio me pegar no colo e levar até o banheiro. Ela me colocou no chão, de frente a um espelho preso a parede, mostrando o nosso corpo da cintura para cima. Então ela tirou o lençol que me cobria, deixando-me também nua. Fiquei surpresa e corada ao mesmo tempo, totalmente tímida. Era a primeira vez que eu tinha consciência de outra pessoa vendo meu corpo nu tão claramente. Ontem à noite havia protegido e me dado mais confiança.

Mas Vic estava certa, meu corpo também estava marcado. Pequenas manchas pela barriga, uma mais forte em meu seio esquerdo, outra no pescoço. Alguns arranhões e mordidas. Era completamente compreensível o motivo de meu corpo estar dolorido daquela forma.

–Eu não vou pedir desculpas por isso – Victoria afirmou descaradamente, abraçando-me por trás com um sorriso estonteante – Você é linda, Liz – aquilo me fez ficar ainda mais vermelha e desviar o olhar – Sabe o que eu vejo nesse espelho? – voltei a olhar o espelho, encarando os olhos azuis – Uma garota que não queria nada da vida, abraçando uma mulher incrível e podendo chama-la de namorada.

–Vic...

–Deixe-me ser uma idiota romântica pela manhã ok? Eu preciso deixar claro para você algumas coisas, pois não sou de ficar repetindo melosamente como é de se esperar – Ela apoiou o queixo em meu ombro e manteve firme o olhar para o espelho – Eu tenho a sensação de que você é o amor de minha vida. Nunca disse isso antes a outra pessoa, porque não acreditava nessas coisas. Você me fez mudar de opinião da melhor forma possível. Hoje eu amo uma mulher gentil, delicada, educada e agora sexy, determinada, cheias de atitudes que me dão um puta tesão. Eu não sei o que eu fiz para merecer você, mas não vou questionar e ficar cheios de mimimi por causa disso. Eu vou fazer valer a pena, todos os dias, para que você não se afaste de mim. Porque eu não posso perder você Elizabeth Aimeé. E eu não vou.

Ela não tinha as palavras mais rebuscadas, ou o discurso mais eloquentes pelo qual se esperava de um romance. Ela tinha palavras baixas para se expressar e um jeito direto de dizer as coisas. Mas a sinceridade daquele olhar travado no meu, a determinação em cada palavra dita fazia meu coração bater assustadoramente rápido. Naquele momento eu não tinha dúvidas, apenas a certeza de que a amava, com todas as minhas forças e para mais além. Eu não percebi que estava chorando até Victoria me virar e fitar preocupada.

–Foi demais para você? Eu... Eu só queria deixar claro que eu não vou desistir de te conquistar todos os dias se for preciso. Desculpa se não foi um discurso bonito e...

–Idiota – xinguei e limpei as lágrimas – Cala essa maldita boca e me beija.

Victoria me fitou surpresa, riu brevemente e me beijou. Um beijo que eu deixei intenso, cheios de significados, um que eu tentava demonstrar como estava entregue a ela. Aquela mulher era a coisa mais incrível que tinha acontecido em minha vida e não seria a única a lutar por esse relacionamento. Eu a teria sempre comigo, não importando o que tivesse de enfrentar.

Depois do beijo tomamos um banho. Não fizemos amor ali, mas Victoria deixou-me tocá-la, conhece-la e finalmente compreender o significado de “mulher gostosa”. Ela fez o mesmo comigo, dando beijos em cada machucado que deixou em mim no ápice de nossas loucuras noturnas. Rimos, brincamos, nos olhamos apaixonadamente. Já estávamos nos vestindo quando Anne bateu a nossa porta.

–É bom vocês estarem acordadas e vestidas! – ela gritava.

–Não, estamos transando ainda, pare de ser empata foda! – Victoria respondeu.

–Victoria! – exclamei envergonhada.

–Andem logo, só faltam vocês duas para irmos para Boipeba, estão todos esperando lá embaixo.

Terminei de calçar minha sandália rasteirinha, fui colocar um pouco de perfume e alguns acessórios. Estava usando um vestido leve e branco, que exibia o contorno do biquíni estampado que usava. Ele cobria praticamente todas as minhas marcas por mal ter decote. Já Victoria usava um shortinho e uma blusa de mangas curtas azul, cobrindo também suas marcas. Quando eu me aproximei, ela me puxou e inclinou para cheirar meu pescoço fazendo-me arrepiar.

–Adoro seus perfumes, sempre delicados – ela murmurou e deu um beijo ali – Agora vamos antes que eu desista de deixar você sair desse quarto.

Ri baixo compreendendo muito bem aquela colocação, afinal se ela me beijasse do jeito certo eu mesma não deixaria que saíssemos daquele lugar. Porém seria um pecado não aproveitar daquele paraíso, sendo que era o nosso último dia. Quando saímos do quarto nos deparamos com Anne conversando com Arthur e Ian. Eles nos olharam, fizeram cinco segundos de silêncio e começaram a rir.

–Vocês exalam sexo – Anne tentou explicar e implicar.

–Agora entendo muito dos barulhos de ontem – Arthur riu mais ainda.

–Tem certeza de que não era a Anne se consolando por estar sozinha? – Victoria provocou prontamente – Sabe como é, ela não tinha nenhuma loira na cama e ai teve de se contentar com um trabalho manual...

–VIC! – Anne praticamente gritou.

Eu estava completamente sem jeito, corada, mas sorrindo. Eu não conseguiria parar de sorrir mesmo que o mundo estivesse acabando. Victoria respondia a todas as provocações na esportiva, não deixando que eles me atormentassem diretamente. Seguimos para a saída da pousada encontrando o resto do pessoal. Claro que as implicações apenas aumentaram, mas não se basearam apenas em mim e Victoria, pois todos os casais pareciam ter aproveitado muito bem o embalo romântico de Nando Reis pela madrugada.

Seguimos naquele clima de provocações por toda a vila até chegar ao cais, onde pegaríamos a lancha que nos levaria até a ilha de Boipeba. Enquanto estávamos na embarcação, fiquei um pouco mais observando o mar e o dia maravilhoso que fazia enquanto os outros já começavam a beber cerveja. Em verdade, minha mente vagava por todas as outras festividades que já fui, quando ainda assumia o papel de uma nobre dama da sociedade europeia. Banquetes luxuosos, valsas e danças clássicas, vestidos caros, sorrisos falsos. E eu nunca fui tão feliz quanto estava sendo ali, rodeada de pessoas tão diferentes, que falavam alto, bebiam o tempo todo, riam de qualquer besteira. Em uma embarcação simples, indo para uma ilha pequena e paradisíaca em plena América do Sul. Não se precisava de tanto para ser tão feliz. Não se precisava de tanta etiqueta para se comunicar devidamente certo com o próximo. Ali, no Brasil, bastava um sorriso, uma conversa simpática e tudo parecia se acertar de alguma forma.

–Está tão pensativa – Anne se jogou ao meu lado e ofereceu a latinha de cerveja – Quer um gole?

–Non, merci – neguei educadamente e sorri – Estava apenas pensando na vida, de como eu prefiro tudo o que eu tenho agora do que eu já tive antes.

–Você é uma garota de sorte – Anne riu alto e bebeu um pouco da cerveja – Conseguiu um bom emprego, apesar de não pagar essas coisas todas. Tem uma namorada idiota, mas que lambe o chão que você passa. Amigos estranhos e porra louca, mas que estão lá para te ajudar. E claro, uma vizinha diva, perfeita, simpática e gostosa. O que você quer mais da vida?

–Nada – respondi facilmente, rindo verdadeiramente feliz – Eu não poderia pedir por mais.

–Então vem, deixe pra sonhar quando estivermos em Santa Mônica, porque aqui é o paraíso!

Anne praticamente me arrastou para o meio da galera que cantava alguma música popular que eu não conhecia. Mas logo eu e a pequena japonesa estávamos dançando no ritmo, tentando manter o equilíbrio de acordo com o movimento da lancha cortando o mar. Não demoramos demais para chegar até Boipeba. Marco havia contratado um guia para que pudéssemos aproveitar tudo o que poderíamos sem perder tempo. Eu já estive em praias do Caribe, nas ricas areias de Mônaco... Mas nada se comparava a esse dia. Era tão fácil rir, se divertir, ser... Simplesmente eu de uma forma que eu não sabia que era capaz. Sem me preocupar com aparências, sem me preocupar em fazer a coisa certa para não causar a impressão errada. Sem medir minhas palavras. Na verdade, qualquer coisa poderia ser dita, por mais idiota ou séria que fosse.

Fizemos uma pequena trilha até uma cachoeira logo de cara. A maioria tomou um banho, mas logo retornávamos para um restaurante a beira-mar comendo o prato de marisco local. Éramos de longe o grupo mais diversificado e barulhento, mas o que evidentemente estava mais se divertindo. Depois do longo almoço, passamos o resto do dia fazendo mergulho. Durante a volta, eu e Victoria sentamos na parte mais à frente da lancha, para podermos olhar o pôr-do-sol abraçadas, ela me envolvendo por trás agarrando apertado minha cintura enquanto eu apoiava praticamente todo o meu peso em seu corpo.

–Foram dias realmente incríveis – a brasileira disse de repente.

–Os melhores de minha vida – murmurei sorrindo.

–Os primeiros melhores dias de sua vida – Victoria me concertou e deu um beijo em meu ombro – Porra, eu estou tão melosa que eu não consigo controlar.

–Você é fofa.

–Não sou fofa, sou safada, cafajeste apesar de ser agora de uma pessoa só e muito feliz por isso.

–Viu? Fofa!

A escutei grunhir baixinho e morder meu ombro como punição, me fazendo rir mais ainda. Não discutimos mais, não era necessário. Aproveitamos o crepúsculo enquanto pudemos, pois logo depois seria quase uma corrida contra o tempo para conseguirmos pegar as embarcações e o ônibus para o aeroporto em Salvador. A despedida dos nossos novos amigos foi realmente ruim. Mel chegou a chorar e prometer que iria nos visitar. Iago já fazia planos em conjunto com o Pierre para o carnaval, que seria lá para fevereiro ou março.

Eu não tinha dúvidas de que o Festival de Primavera havia marcado a minha vida eternamente, por diversos motivos, desde os mais físicos ao mais profundos emocionalmente. Foi ali, naqueles dias, que eu descobri que eu poderia ser mesmo feliz com a nova vida que tinha escolhido.

(...)

–Lar doce lar! – Victoria exclamou assim que abriu a porta de nosso apartamento.

–Não me importava de ficar um pouco mais na Bahia. Poderíamos ter descido pelo litoral – Anne resmungou abrindo a porta a frente da nossa.

–Somos escravas, amanhã mesmo voltamos a rotina – Vic reclamou prontamente.

–De certa forma, sinto falta da Escola de Dança...

–Você não conta – Anne me interrompeu – Você praticamente respira dança.

Ela revirou os olhos e se despediu entrando no próprio apartamento. Vic já tinha adentrado o nosso e puxava as nossas malas. Entrei logo depois, a observando abandonar os itens no meio da sala e se jogar no sofá cansada. Pendurei minha bolsa e fui caminhando devagar até ir sentar no mesmo sofá que ela, na beirada já que ela estava deitada de um jeito torto.

–Que tal eu ir preparar um café gostoso e uns sanduiches enquanto você toma um banho? – propus enquanto acariciava os fios negros do cabelo dela.

–Acho uma ideia muito perfeita – Victoria sorriu e se espreguiçou preguiçosamente – Mas acho que você deveria tomar banho comigo.

–Iriamos demorar demais, mon amour – neguei corando.

–Vamos, eu adoro olhar o seu corpo – Victoria disparou com um sorriso – Prometo fazer nada demais, eu estou amando dar banho em você.

Eu ia negar, mas em um movimento rápido a brasileira sentou no sofá e começou a aplicar uma sequência de selinhos sobre meus lábios, pedindo entre eles para que eu tomasse banho com ela. Ri baixo e acabei cedendo. Eu queria dizer que não sentia mais timidez em ficar nua perto dela. Mas tinha. Ainda mais quando ela me olhava daquela forma tão intensa, como se descobrisse cada parte de meu corpo. Porém Victoria manteve a promessa, apenas banhou-me de uma maneira carinhosa, brincando de fazer desenhos em minhas costas com os dedos ensaboados e pedindo para que eu adivinhasse. As vezes ela era uma verdadeira criança, mas uma que me fazia rir de suas palhaçadas.

Também cumpri a minha promessa de fazer um bom café e sanduiches com as coisas da geladeira. Fiz uma nota mental de que precisávamos fazer uma boa feira de comidas urgentemente. Comemos sentadas no sofá, com a televisão ligada sem realmente prestar atenção. Eu estava sentada entre as pernas de Victoria, encostada em seu corpo enquanto o dela estava apoiado no braço do sofá.

–Eu tenho uma proposta a fazer – Victoria falou assim que terminou o sanduiche.

–Devo temer essa colocação? – indaguei também terminando o meu.

–Claro que não – ela revirou os olhos e começou a mexer distraidamente em meu cabelo – Eu quero que passe a dormir comigo, em meu quarto.

Meu coração disparou prontamente. Tudo bem, tivemos nossa noite – incrível – de amor. Mas eu ainda não tinha parado para pensar em como isso iria mudar o nosso cotidiano no apartamento. Vic segurou o meu queixo e gentilmente me fez fita-la, ajeitando o corpo para sentar melhor e me obrigando a endireitar a minha postura.

–Seu quarto ainda permanece o seu santuário – Victoria argumentou – Não entrarei lá a não ser que me convide. É uma forma de poder fugir mesmo me tendo tão perto constantemente. Acredite, iremos brigar, você irá ficar chateada por alguma coisa idiota minha e vamos fazer um belo sexo das pazes no fim. Mas nesse meio tempo, poderá usar o seu quarto como refúgio.

–Eu... não sei – disse incerta, soltando a respiração que eu tinha segurado – É um passo ainda mais íntimo.

–Então faremos aos poucos – Victoria mordeu o lábio inferior meio incerta – Devagar, até que se acostume. Mas eu quero mesmo que durma comigo... Eu gosto, gosto muito de acordar ao seu lado. Não me importo de ir aos poucos se no fim você for estar em meus braços todos os dias pela manhã, um dia.

–Devagar – repetir ponderando a ideia e sorri – É algo que podemos fazer. Mas não ficará chateada se eu escolher dormir em meu quarto as vezes, certo?

–Posso fazer nada – Vic deu de ombros e beijou minha testa – Eu respeito você mais que tudo, meu amor. Leve o tempo que você precisar, está bem?

Aquilo me destruiu de uma forma tão boa que eu soltei um suspiro apaixonado. Ergui meu rosto apenas para encaixar nossas bocas antes que ela se afastasse. A princípio apenas queria um beijo, mas este se tornou profundo, longo, sincronizado de todas as formas. Nossas línguas se enlaçavam sem pressa, mordidas eram distribuídas, lábios dançavam em um ritmo perfeito. Foi um beijo que tirou todo o meu folego e fez meu corpo todo estremecer. Não de uma forma excitante, mas pelo contrário, uma que balançava meu coração e alma.

–Mas hoje você dorme comigo – Victoria decretou em um fio de voz – Porque eu vou beijar você dessa forma até adormecer.

Apenas sorrir, sem conseguir negar algo como aquilo ou ao menos querer realizar tal ato. Era engraçado como nossa relação era rápida em determinadas coisas e devagar em outras. Eu poderia afirmar que tal detalhe deixava apenas uma certeza: tudo era na medida certa.

Notas finais
Preguiça de grifar as partes em francês ZZZzzzZZzz então, próximo cap será POV DA ANNE! Só pra deixar aqui formas de entrar em contato comigo, pra quem quiser: Twitter: @keycimerces Wpp: manda mensagem que eu mando huahauhauhauah