Ma Chérie
33 Fazendo as pazes
Notas iniciais
Pov Liz
O meu sono já havia espalhado antes mesmo que o despertador anunciasse que era hora de acordar. Ao passar dos dias, isso vinha acontecendo com frequência, afinal eu mal conseguia manter meus olhos fechados por mais do que alguns pares de horas. Eu ousava culpar Victoria por tudo isso, afinal, ela estava mantendo-se tão distante e diferente que por muitas vezes eu não sabia como agir. A decepção se mesclava com a saudade gerando um sentimento tão desconhecido por mim que simplesmente não sabia lidar.
Um suspiro cansado escapou de meus lábios ao mesmo tempo em que meus olhos lacrimejavam. Eu odiava toda essa situação, sabia que poderia resolvê-la do modo errado, desistindo da história do desafio e voltando a ficar em harmonia com a minha namorada. Mas eu nunca iria me perdoar ou me reconhecer se fizesse isso. Eu poderia estar apaixonada, entretanto não deixaria de ser “eu” para me tornar o que ela desejava que eu fosse. Engoli o choro com a ajuda do orgulho que tinha, usando a coragem que não possuía para poder levantar da cama e começar a organizar as coisas para ter mais um dia de trabalho.
Era engraçado como uma situação implicava em todas as outras. Por mais que a dança fosse minha válvula de escape, a briga que se prorrogava por motivos tão fúteis invadia até mesmo o meu espaço sagrado de trabalho e deixava-me desconcentrada. Pensava em Victoria o tempo todo, meu coração tolo se preocupando com o estresse que ela estava tendo de suportar no trabalho e o temor de que ela descontasse mais uma vez na bebida.
Foi pensando nos problemas logo nos primeiros minutos do dia que eu sai do quarto disposta apenas a me arrastar para o banheiro e tomar um longo banho. Mas assim que eu ergui o meu olhar, meu coração disparou ao mesmo tempo em que meu corpo paralisava devido ao que vislumbrava a minha frente. Minha garganta parecia travar a passagem de ar enquanto mais uma vez meus olhos marejavam, mas dessa vez de um sentimento tão forte que eu não sabia identificar ainda qual era.
Ali a minha frente havia a parede branca do corredor. Que agora estava tomada por inúmeros post-it coloridos e que formavam um enorme coração. Pousando a mão sobre os lábios, aproximei a passos curtos daquela obra apenas para perceber que em cada um daqueles lembretes autoadesivos estavam escritos. Toquei um alaranjado no centro apenas para ler na caligrafia de Victoria:
“Eu sinto falta do seu sorriso”.
Meus dedos passearam para o que estava do lado, dessa vez um autoadesivo de cor vermelha. “Eu amo você tanto que me sinto sufocar e morrer aos poucos”; “Mas eu não me importo, morrerei feliz”. A cada post-it grudado na parede, uma frase que parecia destruir qualquer barreira de meu orgulho. Em cada mensagem, ela dizia que sentia falta de algo de mim, ou simplesmente pedia desculpas, ou dizia que me amava em várias línguas diferentes. “Quero voltar a acordar e antes mesmo de abrir meus olhos sentir seu cheiro”; “Eu sou uma idiota, por favor, me perdoa”; “Eu estive errada o tempo todo”; “Meu coração não bate direito longe do seu”; “Eu já disse que sou uma idiota?”; “Por favor, me abrace”; “Eu desmorono longe de você”...
Eu não conseguia parar de ler. Em cada um, ela admitia ou se redimia. Ali, estava todas as incertezas do coração de Victoria. Estava tão absorta em ler aquelas centenas de mensagens que mal escutei o barulho de porta fechado. Foi mais o som de chaves batendo contra o balcão que finalmente chamou a minha atenção. Victoria sempre jogava as chaves desse jeito, era o modo como sabia que ela estava em casa quando não gritava o famoso “Ma chérie, cheguei”. A passos largos e apressados, atravessei o corredor sentindo o meu coração batendo de maneira alucinada.
Victoria estava colocando uma sacola da padaria perto de nosso apartamento sobre o balcão. Em sua outra mão, segurava um punhado de flores que eu poderia apostar minhas fichas de maneira confiante de que ela as tinha pegado dos jardins alheios. Como se soubesse que estava sendo observada, a morena ergueu o olhar em minha direção e deu um pequeno pulo de susto ao me encontrar.
–Cristo, Liz! – Vic pousou a mão sobre o peito e respirou fundo, recuperando-se do susto... Apenas para ficar mais pálida ainda – Que horas são? Você deveria estar dormindo! Merda!
Não conseguiria responder ao menos o meu nome completo naquele momento. Comecei a me aproximar ao compasso que Victoria ia recuando até encostar na pia. Os olhos azuis continha traços vermelhos e olheiras logo abaixo, sinais claros de que ela não havia dormido durante a noite enquanto preparava aquela linda surpresa para mim. Assim que fiquei próxima o suficiente, praticamente joguei-me aos braços da brasileira, a envolvendo e a apertando contra mim com todas as forças que eu tinha. Meu corpo estremeceu cheio de saudades, o meu nariz logo captava a fragrância natural que eu tanto amava. Então as lágrimas que eu tanto havia segurado desde que acordara finalmente deslizavam por meu rosto.
–Liz? Você está tremendo, você está chorando? – Victoria perguntou como se não soubesse o que fazer – Ai puta merda, não chora! Eu... Eu só estava tentando concertar as coisas, não era para você chorar – e isso só me fez chorar mais ainda e ela entrar em desespero – Ai meu pai! Olha, eu trouxe até flores, eu mesma as peguei porque sei que garotas românticas como você adoram flores, não é? Eu sei que deveria ter escrito coisas mais românticas ali nos post-its... Merda eu sabia que deveria ter pesquisado alguns poemas!... Mas eu juro que fui tudo de coração. Eu faço qualquer coisa, mas não chora, por favor, por favor, não chora!
Pousei dois dedos sobre os lábios da brasileira, a silenciando assim que toquei aquela boca tão macia e tentadora. A saudade por mais incrível que pareça vinha ainda mais esmagadora agora que a tinha tão perto. E, mesmo que ainda sentisse minhas lágrimas escorrendo por meu rosto, eu fitei Victoria com uma intensidade desconhecida até mesmo por mim ao ponto de faze-la prender a respiração.
–Vic... Apenas cale a boca e me beije logo – foi a ordem murmurada e firme que eu dei.
Dessa vez Victoria gemeu contra meus dedos, segurou o meu pulso afastando a minha mão e finalmente encaixando nossas bocas de uma maneira forte e nada delicada. Ela me agarrou firme contra o seu corpo, os braços prontamente me circulando e puxando contra si esmagando cada pedaço que nos fazia tocar. Minhas mãos foram de encontro ao cabelo castanho, os dedos se perdendo entre os fios de cabelo e o segurando de maneira firme enquanto eu transformava o beijo em tudo o que eu mais necessitava. Descontava nele toda a frustração, toda a saudade, toda a minha necessidade da minha mulher. Isso deixava aquele beijo cheio de movimentos rápidos e fortes, um encontro de línguas impetuoso e sem comandos, apenas uma urgência de mais e mais. Quando o contato teve fim, meus lábios formigavam e minha respiração estava totalmente irregular.
–Nunca mais fique tanto tempo sendo idiota desse jeito – exigi dela mal afastando nossos rostos.
–Eu não aguentaria passar mais um dia brigada com você, é a pior das torturas – Victoria admitiu e enterrou o rosto em meu pescoço, inspirando forte e estremecendo – Deus, como eu senti a sua falta! Podemos conversar depois? Estou morrendo por mais um beijo seu.
Minha resposta foi uma espécie de gemido mesclado a um suspiro. Logo os lábios dela deslizavam pela pele de meu pescoço parecendo deixar uma trilha de fogo até encontrar a minha boca. O beijo não foi tão voraz quanto o primeiro, mas tão intenso e longo que deixou minhas pernas trêmulas e totalmente entregue a outra mulher. Vic sabia exatamente como me beijar, como me enlouquecer, o momento certo de chupar a minha língua ou morder meus lábios. Eu estava fora de órbita, sentindo meu corpo virar fogo e desejo.
Mas de maneira quase brusca, Victoria separou nossos lábios e segurou forte em meu quadril. Ela me empurrou até o balcão em passos largos e mais rápido ainda segurou minhas pernas me impulsionando para o alto, me colocando sentada no balcão para logo depois pousar as mãos sobre minhas nádegas e puxar de uma vez só para a beirada, me deixando colada ao seu corpo que se encontrava entre minhas pernas. A sequência foi tão firme e determinada me fez arfar, mas antes que qualquer coisa escapasse de minha garganta por meus lábios, esses foram tomado com ímpeto e tamanha vontade que nada me restava além de retribuir com o mesmo ardor.
–Vic... – chamei assim que nossos lábios se separaram – Por favor!
Eu não sabia pelo que estava implorando, apenas sentia uma necessidade esmagadora de algo que precisava ser sanado. Eu estava tão quente e desnorteada! Perdida no calor que vinha dela, dos beijos fortes e deliciosos, do corpo tão perto do meu exalando um cheiro que parecia me inebriar mais ainda. Mas nada superava a sensação que derretia o meu centro e se fechava como uma força torturadora. Victoria ergueu o olhar para o meu, seus olhos azuis quase sempre claros estavam tão escuros como um dia de tempestade. Mas eles me olhavam com a certeza de que sabia do que eu precisava e isso apenas me agitava mais ainda! Com certa pressa, Victoria segurou a camisola de seda que eu usava e a tirou de meu corpo, assim como também se livrava da blusa que usava e descia o próprio short, ficando com um conjunto branco de calcinha e sutiã. Vê-la seminua daquele jeito foi como uma verdadeira destruição, fazendo-me gemer só com a visão.
Sem dizer nenhuma palavra, minha morena tornou a me beijar como se não conseguisse passar tanto tempo longe sem esse toque. E dessa vez ela estava ocupada terminando de tirar minha lingerie, deixando que eu comandasse o beijo. Almejando transmitir tudo o que estava sentindo, eu a beijei de maneira languida e demorada, minha língua fazendo os mesmo movimentos ousados que ela fazia na minha quando queria me provocar. Chupava o lábio inferior, puxava-lhe o cabelo, mudava o encaixe de nossas bocas de maneira lenta. Quando o beijo teve fim, nós estávamos de alguma forma nuas e a brasileira parecia tirar um segundo ou dois para se recuperar.
–Você me enlouquece tanto – Victoria grunhiu baixinho – Vai pagar por isso, minha Aimeé.
A promessa combinada com o olhar lascivo apenas deixou-me ainda mais molhada. Estava tão absorta naquele desejo desenfreado que mal processava o fato de que estava sentada na bancada da cozinha, fazendo sexo com a brasileira depois do que pareciam ser semanas. Longas e terríveis semanas. Assim, quando Victoria segurou em meus joelhos e de maneira descarada começou a empurrá-los para abrir minhas pernas, eu estava quase agradecendo e implorando para que ela fizesse logo qualquer coisa que amenizasse aquela tormenta em meu interior.
Victoria sabia que aquele momento não pedia por preliminares ou enrolações. Eu esperava quase sufocando de luxuria que algo acontecesse, mas eu não esperava que fosse aquilo. Sem hesitar ou demorar-se em qualquer preparativa, Vic foi descendo beijos por meu corpo, sugou demoradamente o meu seio esquerdo e encheu minha barriga de pequenos chupões. Estava sentindo meu corpo começando a se contorcer por finalmente ter a boca da brasileira sobre ele, obrigando-me a apoiar as mãos no balcão e inclinar um pouco para trás, mantendo o meu corpo totalmente oferecido para ela. Mas então ela abaixou ainda mais o corpo e de maneira mais rápida do que eu poderia processar, segurou firme em minhas coxas e inclinou a cabeça em direção ao meu sexo. Meus olhos se abriram com o choque, meu corpo curvou para frente enquanto o gemido surpreso e cheio de prazer escapava quando Victoria pós sua boca sobre meu sexo e começou a lambê-lo sem parar. O olhar azulado ergueram-se e eu podia sentir o sorriso dela, minhas mãos foram para o cabelo castanho, a vergonha vindo cheia de pudores e causando o instinto de tirá-la dali... Mas aquela maldita boca encontrou o meu clitóris e o sugou de uma maneira tão gostosa que ao invés de puxá-la, eu estava empurrando a cabeça de Victoria de encontro ao meu ponto de prazer.
Ela riu baixo, mas até mesmo as vibrações de seu riso deixavam-me mais sensíveis ainda. Sem aguentar me sustentar de forma alguma, deixei que meu corpo deitasse sobre o balcão. Uma de minhas mãos ainda estava enroscada no cabelo de Victoria, como que para ter certeza de que ela não pararia de forma alguma de me dar aquele prazer absurdo. Vic gemeu perante a minha entrega e voltou a trabalha a língua por todo o meu sexo. Explorando. Provocando. Devorando. Deus, eu não sabia que aquilo poderia ser assim! Era tão bom, tão certo, tão gostoso! Eu só queria que ela continuasse e que fizesse mais e mais, que atingisse e quebrasse aquele ponto que eu tanto precisava ser partido. E por tudo o que era mais sagrado, Victoria sabia como mover aquela língua! Ela estava em todos os lados, ora serpenteando lentamente, ora com movimentos rápidos e precisos que logo eram completados com longas sugadas. Eu tentava controlar os gemidos ao menos em seu volume, já que eles escapavam em sequência a cada vez que uma nova sensação era causada.
O jogo mudou completamente quando eu senti a invasão da língua de Victoria dentro de mim. A sensação tão diferente pareceu me partir e lançar um prazer absurdo por todo o meu corpo, a começar pelas pontas de meus dedos dos pés que se dobravam até o resto de meu corpo. Eu estava tão perto da beirada que já não me importava em gemer alto. Porém foi quando comecei a falar em francês que Victoria pareceu perder o controle que tinha. Eu não me importava de estar falando obscenidades em minha língua, tão mais fácil de ser pronunciada por mal conseguir pensar direito para falar em português. Eu estava desesperada pelo ápice e se aquilo deixava Victoria com mais energia, usaria e abusaria. O melhor? Deu terrivelmente certo. Ela passou a me chupar de uma forma tão forte e intensa que logo minhas costas arqueavam e um grito que chamava pelo nome dela era ecoado por todo o apartamento. Eu gozava vergonhosamente em sua boca enquanto meu corpo se fragmentava no mais louco prazer.
Estava arfando, suando e tão perdida no prazer que minha mente parecia turva e satisfeita por estar assim. Victoria teve de me puxar para cima para que eu pudesse sentar de maneira mole sobre o balcão, ela me abraçou e eu suspirei perdidamente apaixonada.
–Já está bem? – ela questionava como se não quisesse nada.
–Oui – ronronei.
–Ótimo, porque o sexo das pazes não acabou ainda!
Como se ainda estivesse queimando em combustão e não tivesse perdido energia nenhuma, Victoria pegou-me da bancada e nos girou me fazendo segurar forte nela. Com um gritinho de surpresa, no momento seguinte eu sentia algo sólido contra minhas costas, demorando alguns segundos para processar que Vic tinha me jogado contra a geladeira. Mas logo a minha mente já encontrava-se confusa, pois minha namorada estava devorando meu pescoço, deixando marcas facilmente sobre minha pele branca. Uma de suas mãos foram para a minha perna esquerda, erguendo minha coxa até a altura de seu quadril enquanto a outra ia direto para meu sexo, provocando a área que estava terrivelmente sensível.
–Oh Vic, Vic... Victoria! – gemia rendida mais uma vez, meu acento francês acompanhando cada palavra.
–Meu nome fica tão gostoso quando você geme assim – ela grunhiu e sem aviso nenhum, penetrou-me com dois dedos, fazendo meu corpo arquear e minhas pernas bambearem – Liz, você está tão molhada e apertada!
Eu não consegui responder de maneira decente, pois logo aquela boca deslizava por meu corpo até encontrar meus seios. Então parte da loucura apenas piorou ao ponto de me deixar perto do clímax mais uma vez. Ela mordia, sugava, brincava com a língua ao redor de meus mamilos enquanto seus dedos investiam cada vez mais rápido. Eu me segurava nela, apertava a minha perna ao redor de seu quadril temendo simplesmente desabar. O mundo parecia girar ao meu redor e meu corpo simplesmente a obedecia, meu quadril rebolando e indo de encontro a cada investida da melhor forma que podia. Quando tudo explodiu pela segunda vez, o grito ficou preso em minha garganta. Meu corpo curvou-se perante o prazer, meus lábios abertos em um perfeito “o” enquanto meus olhos se fechavam com força. Dessa vez Victoria teve de me amparar, pois eu literalmente havia perdido minhas forças tornando-me submissa daquelas sensações.
De maneira surpreendente, Victoria ainda tinha forças para me pegar no colo estilo recém-casados. Meus braços a envolveram no pescoço e minha cabeça deitou em seu ombro, mal notando que ela estava me levando para o seu quarto. Senti apenas o colchão macio sobre minhas costas e eu quase suspirei ao notar o quanto aquilo era tão mais confortável do que o balcão da cozinha ou a porta da geladeira. Não que isso tenha sido um detalhe percebido no momento. Quando consegui compreender as coisas, percebi que estava deitada na cama olhando para cima com um ar perdido, enquanto Victoria estava deitada ao meu lado, observando-me de uma maneira tão intensa que me desarmava por completo. Os olhos ainda escuros, os fios de cabelo molhados na raiz denunciando o esforço que ela tinha tido para me dar aquele prazer louco. Foi quando percebi que ela ainda deveria estar excitada e carregada, sem ter tido o alivio que merecia.
–Mon amour – chamei rouca, mas por conta dos gemidos seguidos e gritos contidos – Você não---
–Shh, isso não importa, eu estou bem – Victoria me cortou de maneira delicada.
–Não – neguei virando o corpo em direção ao dela – Eu quero tocar minha mulher – eu disse cada palavra com uma calma determinada e os olhos azulados pareciam brilhar a mais, porém ainda existia uma pequena barreira que me fazia corar ao pedir – Você me ensinaria?
Longos segundos passaram enquanto os olhos azuis permaneciam a me fitar daquele jeito intenso. Até que um longo suspiro escapou dos lábios vermelhos de tantos beijos. Victoria pegou a minha mão e beijou a palma, mas logo um sorriso malicioso a tomava enquanto colocava de maneira lenta o meu dedo do meio e anelar dentro de sua boca, lambendo e os sugando de um jeito tão lascivo que eu sentia o meu corpo esquentar mais uma vez. Sem desviar os olhos dos meus, Vic levou minha mão deslizando pelo seu corpo, me fazendo tocar entre seus seios, descer pela barriga, passar pelo ventre... E finalmente tocar aquele local tão íntimo. Deus! Ela estava tão molhada!
–Você me deixa assim – Victoria falava de maneira arrastada, segurou melhor em minha mão e fez meus dedos encontrarem seu clitóris – Eu sinto tanto, tanto tesão por você, Liz! Eu enlouqueço tão fácil perto de você e é tão ruim ter de me controlar na maioria das vezes.
Victoria deitou melhor na cama e sem nenhum sinal de pudor abriu as pernas facilitando e muito o meu toque. Eu estava fascinada. O modo como ela mordia os lábios tentando conter os gemidos, fechava os olhos e inclinava a cabeça para trás... Era absurdamente lindo. Encantada e curiosa com o que eu estava fazendo, prestei atenção a todos os movimentos que Victoria me fazia realizar em seu sexo, até então começar a tomar iniciativa própria. Quando se tratava dela, nenhum pudor segurava a minha curiosidade e vontade de tê-la. Prova disso foi tudo o que eu fiz na minha primeira vez. Em um sutil movimento, balancei minha mão de modo a tirar a dela de cima. Victoria olhou para mim confusa e interessada, mas logo eu estava deslizando meus dedos pelos lábios internos, fazendo os movimentos que ela tinha me mostrado pouco antes ao mesmo tempo em que meu polegar subia para o clitóris e o provocava simultaneamente. Vic gemeu mais alto, levando a mão agora livre para cima agarrando o travesseiro em que sua cabeça repousava.
–Porra, você aprende rápido – ela grunhiu e o seu quadril moveu-se em direção a minha mão – Não pare, ok? Por Deus, não pare!
Um sorriso que beirava a diversão se formou em meu rosto, ela estava tão entregue e cada vez mais molhada por minha causa! O meu ego, até então desconhecido para esse tipo de coisa, inflava a ponto de me tornar mais ousada. Deslizei meus dedos até a entrada dela e os mesmos dedos que outrora ela havia chupado adentraram o lugar quente e apertado. Victoria grunhiu e empurrou o corpo para baixo, os olhos se fechando com força enquanto os dedos seguravam o travesseiro tão firme que os nós estava brancos. A sensação era completamente diferente do que eu esperava. Era estranhamente gostoso sentir o interior dela me apertando e engolindo, de como era molhado e fácil de deslizar. Fui experimentando aos poucos, fazendo devagar apesar de sentir a impaciência dela no movimentar de seu quadril.
–Amor, coloca um pouco mais – ela instruiu com a voz entrecortada – e curva um poucos os dedos – eu obedecia ao mesmo tempo em que ela falava – Faz isso até encontrar o... PUTA MERDA ENCONTROU!
Era tão devastador a emoção e a percepção de que ela estava se contorcendo por minha culpa que eu já passava a agir por puro instinto, almejando apenas dar mais ainda daquilo para ela. Mantive os movimentos não tão rápidos como ela costumava fazer, afinal ainda era a minha primeira vez naquilo. Mas sempre que possível, atingia aquele ponto mágico que a fazia se contorcer toda e gemer sem controle nenhum. Em determinado ponto, Victoria segurou em meu cabelo e me puxou quase rudemente em sua direção, dando-me um beijo afoito e cheio de desejo até gritar contra minha boca tendo um lindo orgasmo, a sensação que eu tinha era a de capturar todo o desejo e prazer dela com aquele grito abafado por meus lábios. Senti algo quente escorrendo por minhas mãos e talvez até rápido demais eu retirei os dedos, a fazendo gemer em descontentamento. Meus dedos molhados brilhavam com o prazer dela e sem conseguir resistir, os lambi bem lentamente. Gemi ao mesmo tempo que Victoria que observava a cena vidrada.
–Bom? – ela questionou com um sorriso de canto.
–Magnifique – disse entre um suspiro, desabando contra a cama.
Victoria riu gravemente. Aquele som pareceu repercutir por todo o meu ser, pois não o escutava a muito tempo e era uma das coisas que eu mais sentia falta. Porque Victoria era espontânea e ria das coisas mais bobas, me divertindo e mostrando o seu bom humor carioca. Virei em sua direção, meus olhos castanhos repousando já saudosos de olhar o azul intenso dos dela. Vic sorriu e também ficou deitada de lado, passou um braço por sobre a minha cintura e me puxou para mais perto enquanto nossas pernas entrelaçavam. Ficamos assim deitadas uma perto da outra, nos admirando, olhando e relaxando depois de um tempo tão cheio de confusões, saudades e conflitos.
Eu logo adormeci, cansada tanto física quanto emocionalmente, pois saber que estava bem entre mim e ela era como receber finalmente toda a calmaria do mundo.
(...)
O meu despertar foi ainda mais maravilhoso, pois eu sentia beijos molhados e demorados sendo depositados delicadamente sobre meu ombro. Em algum momento durante o meu sono, eu havia virado e deitado de costas contra a cama. Agora eu tinha uma brasileira sobre mim, brincando de beijar a minha pele como se tivesse todo o tempo do mundo.
–Pode fingir que estar dormindo pra que eu continue te beijando – Victoria brincou sem nem erguer a cabeça.
Eu ri ainda sonolenta e tentei me esticar. Parte de meus músculos doíam por conta das horas de amor e sexo que tivemos. Mas estava tão feliz e completa que isso era o menor dos males. Victoria ergueu o rosto, o cabelo castanho mais rebeldes do que nunca moldavam a face de uma maneira espetacular, me fazendo sorrir ao constatar o quanto ela era linda mesmo daquele jeito.
–Espera – meu corpo travou quando um pensamento atravessou a minha mente – Oh mon Dieu, eu estou atrasada para o trabalho e...!
–Calma – Victoria riu e se apoiou sobre os cotovelos para deitar ao meu lado, mas mantendo a proximidade – Liguei para Anne e ela disse que imaginava que estávamos fazendo as pazes, então disse para a diretora da academia que você estava um pouco mal e só iria para as aulas da tarde.
–Oh – eu disse processando a informação.
–E eu liguei para a minha chefinha e exigi uma folga depois de tanto trabalho seguido. Ela foi incrivelmente compreensiva e me liberou – Victoria acrescentou e começou a fazer desenhos abstratos em minha barriga por debaixo do lençol que me cobria – E são apenas dez horas da manhã, temos algumas horas só para nós antes de você ir.
–Eu preciso de um banho – comentei um pouco corada ao perceber que meu corpo ainda estava um pouco grudento devido aos movimentos de algumas horas atrás.
–Como estou tentando me redimir e ser a boa namorada que você merece – Victoria falava de modo sereno, apesar de ver certa culpa em seus olhos – Você vai tomar o banho enquanto eu cuido do café da manhã e encomendo o nosso almoço.
Concordei com um aceno de cabeça e Victoria deu um sorriso amarelo antes de depositar um beijo sobre minha testa e levantar, finalmente me fazendo notar que ela usava apenas uma blusona xadrez com os botões abertos o suficiente para formar um decote. Por baixo, parecia evidente que ela não usava sutiã e sim apenas uma calcinha vermelha, já que uma parte lateral do tecido ficou embolada no elástico da calcinha. Mordi o lábio enquanto meus olhos captavam cada detalhe daquela mulher brasileira tão provocadora ao lado da cama.
–Ou eu posso me jogar nessa cama e te aprisionar pelo resto do dia – Victoria sugeriu como se fosse nada demais.
–Vic...
–Eu sei, precisamos conversa, mas eu tinha de tentar – ela deu de ombros e começou a se afastar – Só não demore muito ou eu vou começar a pensar um monte de besteiras e ficar bem nervosa, ok?
Minha namorada era um pequeno desastre enquanto aprendia como era uma verdadeira relação a dois. Mas eu sorri de maneira suave e concordei, esperando que ela saísse do quarto para só então levantar nua da cama e ir tomar um banho mais rápido do que eu tomava costumeiramente. Ao sair, não me intimidei em pegar uma das calcinhas box que Vic por vezes usava, por cima vesti apenas uma blusona que tinha a gola folgada e que ficava caindo, deixando um ombro meu quase sempre exposto. Penteei rapidamente o cabelo e fiz a minha higiene, ansiando por estar logo ao lado de minha morena e nos acertarmos de uma vez por todas.
Foi impossível não sorrir ao passar pelo corredor e ver o coração feito de post-its. Parando para ler mais algumas frases antes de voltar a procurar pela morena. Victoria estava ajeitando as coisas sobre a mesinha de centro na sala, franzi o cenho estranhando a escolha, mas não pude evitar sorrir ao perceber que ela havia decorado a mesa com as flores que tinha recolhido mais cedo e arrumado tudo conforme a etiqueta. No chão, as almofadas para que ficasse mais confortável, mas ao invés de estarem uma de frente para a outra, estavam posicionadas uma na ponta da mesa e outra ao lado. Ficaríamos mais perto desse jeito e era tudo o que eu mais almejava depois de dias tendo de ignorá-la.
–Comprei pão de queijo, sua geleia favorita, pãozinho com recheio, fiz suco de acerola e cortei frutas – Victoria mostrou todos os seus feitos enquanto sentava sobre a almofada na cabeceira e me olhava em expectativa – Esqueci algo?
–Non, mon amour – disse calma e quase a vi suspirar de alívio.
Sentei sobre a outra almofada e um silêncio cheio de expectativas se formou enquanto nos servíamos. Eu esperava que ela começasse por simplesmente não saber como lidar com aquela situação. Era a primeira vez que brigava a sério com alguém dessa forma e agora aprendia como reconciliar.
–Aimeé – Victoria chamou hesitante e segurou minha mão – Eu vou estar lá na primeira fileira para ver você dançando e mostrando que quando se ama o que faz, se pode provar qualquer coisa. Vou virar para qualquer desconhecido que estiver ao meu lado e dizer feito uma fã lunática que aquela ruiva linda é minha mulher.
–Mon ange... – eu pronunciei emocionada, sabendo o que aquela frase queria dizer.
–Deixe-me terminar, eu fiquei ensaiando isso o tempo todo – Victoria pediu nervosa, apertando um pouco mais a minha mão – Eu sinto ciúme porque eu sou insegura. Sei que você me ama, mas temo que um dia seja apenas o seu primeiro amor quando quero que você seja o meu último. Não digo isso da boca para fora, já me envolvi, já sofri e já tive situações que me deixam ter a clareza que com você é totalmente diferente. Mas existem tantos outros e outras melhores e que podem---
–Eu não quero mais ninguém – disse de maneira firme – Victoria, eu amo você!
Dizer que a amava parece ter desconcertado e atingido, pois ela logo desviava o olhar com um sorriso aliviado. Apesar de toda aquela imagem de garota decidida e determinada, Victoria era bastante insegura e, o que parecia pior, não parecia se achar suficiente.
–Você é incrível do jeito que você é – murmurei segurando o rosto dela e a obrigando aqueles olhos azuis me encararem mais uma vez – E vai ser mais incrível ainda, porque nós não permanecemos os mesmos, mudaremos e amadureceremos juntas Vic. Uma tendo a outra assim como deve ser.
–Você merece um príncipe encantado – ela disse hesitante.
–Posso confessar um segredo? – inclinei na direção dela, capturando o lábio inferior da morena em uma lenta mordida – Eu acho que prefiro os lobos maus, ou uma loba em específico.
Príncipes eram quase sinônimos de enfadonhos e clichês. Sempre comportados, sempre educados e com um discurso pronto. Ou então eram mimados e se achavam donos do mundo e das pessoas. Victoria? Estava longe da educação nobre, mas era tão sincera e intensa em seus sentimentos que era capaz de amar com tudo o que tinha, assim como sofrer e ser insegura em igual intensidade.
–Me perdoa por ter sido idiota? – Victoria pediu em um fio de voz.
–Já tinha perdoado desde que vi aquele coração enorme assim que acordei – admiti rindo baixo.
–Coloquei tudo o que eu estava sentindo – ela admitiu com um sorriso crescente – E teria colocado mais, porque tem algumas coisas que mereciam ser repetidas de tão importantes que eram.
Sorri toda boba enquanto recebia vários selinhos. Minha barriga roncou denunciando a fome que mostrou-se enorme depois de tantos acontecimentos. Victoria riu contra meus lábios e me mimou nas horas que se seguiram. Roubava-me beijos, apertava-me de surpresa contra seu corpo, prendia-me com olhares intensos e fazia qualquer coisa pequena apenas para me agradar. Sabia que isso era apenas ela tentando recuperar o tempo perdido, tentando arrancar sorrisos e fazer pequenos agrados. Mas isso não queria dizer que eu não iria apreciar cada pequena atitude enquanto elas acontecerem, afinal também precisava daquela dose de carinho extra para compensar tudo o que passamos e finalmente superado.
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