Notas iniciais
Após três anos com bloqueio de escrita e muita procrastinação, decidi retomar esta fic que não podia ter um final assim, sem respostas. Minds haverá 12 capítulos, até o final de janeiro. Me comprometo em dar um final bombástico que esta fic merece. Muita coisa mudou, mas o enredo continua o mesmo, assim como o imaginei no final de 2012. Boa leitura, e protejam suas mentes :P

No capítulo anterior: “... e por favor, não me chame de David de novo, prefiro o apelido, este nome me traz lembranças ruins da minha infância, você sabe né. ”

"Quando Dave era criança, costumava brincar sozinho em casa.... Os outros não gostavam dele.... Digamos, o achavam esquisito e diferente. Mas algo inesperado aconteceu.... Não se via mais sozinho... a presença de outro era inexplicável... alguém passou a fazê-lo companhia, e isso incomodou muito seus pais, sua alma se tornara ligada agora a seu novo melhor amigo, mas não sabia se era real…. Bem... seu nome era Robbie."

21 de Dezembro de 2001

O pequeno Dave acabara de se levantar, um novo dia o aguardava... o brilho do sol em seus olhos o acordou. As manhãs eram sempre frias mas notava-se alguns raios luminosos entre as arvores da casa onde morava. Seus pais ainda dormiam, mas ele já estava de pé, escovando seus dentes, preparado para ir à escola.... Só faltava-lhe tomar café, porém após uma briga cansativa, sua mãe nem se lembrou. Martha Winters dormia no quarto e seu pai Tobey Winters, na sala... outra vez. Era quase uma briga rotineira, seu pai chegava bêbado de madrugada em casa enquanto sua mãe o esperava preocupada. Muitas vezes Dave era o culpado, por nada.

Dave estava ansioso com o último dia na escola... na verdade, um passeio escolar de despedida seria realizado nesse dia, e nada melhor para ele do que ir ao Zoológico do Central Park, onde costumava ir com o vovô John, antes de seu falecimento.

Seu avô era seu único melhor amigo, Dave sofreu muito com sua perda em 1999. Sendo um "velhinho aventureiro", o avô materno o levava para fugir das brigas e preocupações em casa, o Zoo do Central Park era o principal ponto de encontro deles dois.... Mas naquele inverno sombrio, uma triste ligação mudou a vida do garotinho... ele perdera o seu querido velhinho.

Dave era bonito e inteligente..., mas com uma terrível dificuldade em fazer amigos, era sempre o rejeitado da turma. Claro, sempre havia umas colegas aqui e ali, mas nunca teve um amigo de verdade em quem confiar, e brincar... fugir da sua vida caótica, seu avô era o único, mas depois do ocorrido se viu sozinho novamente.

A animação de Dave acabara quando viu que ficaria sozinho novamente no passeio. Porém, em vez de dramatizar, respirou fundo e pensou em encontrar o seu querido velhinho no passeio da sua vida. Ele não se importaria com os outros.

Então desceu as escadas, comeu seu cereal e foi em direção à escola primária de Crowdsburn, uma cidadezinha que quase não se notava no mapa, em meio a outras metrópoles, tais como Nova Iorque.

[...]

Faltavam menos de 5 minutos para o ônibus partir, O pequeno Dave estava tentando correr o mais rápido possível para chegar ao ponto do ônibus.

Os alunos estavam todos ansiosos e revoltados, A Senhorita Khalil pedia para todos se acalmarem, todos esperavam por Dave, o único aluno que ainda não havia chegado.

Até que as portas se abriram e ele entrou no ônibus, olhares raivosos voltaram- se contra ele. O coitado nessa hora quis um buraco para esconder a sua cabeça. O clima era tenso e vergonhoso.

Mas Dave respirou fundo, e ignorou os olhares, sentando-se nos últimos bancos... sozinho.

Um garoto ruivo e de personalidade encrenqueira virou-se para o banco de trás, a fim de implicar com Dave...

— Ei estranho, por tua culpa vamos chegar atrasado no zoológico!

Mas, como havia prometido não se preocupar com nada, apenas o encarou e o ignorou olhando para a janela adiante.

Uma neblina intensa se aproximara, causando dificuldades no trajeto do ônibus. Pensativo, Dave não parava de olhar pela janela, inquieto com a demora para chegar ao tão esperado destino.

Mas a um piscar de olhos.... Percebeu a silhueta de um menino, parado em pé em meio aos arbustos e arvores na beira da estrada. Seu coração acelerou, esfregou os olhos e olhou novamente para o horizonte, nada havia lá além das árvores. A "assombração" que viu, desapareceu.

O ônibus parou, a Senhora Khalil tentava organizar os alunos para descerem do ônibus de uma forma mais cautelosa. Estavam todos agitados.

— Crianças, silêncio! Chegamos e está na hora de todos descerem. Vou dizer os seus nomes em ordem alfabética para não haver tumulto. Sentem-se e esperem a sua vez.

Alguns deram um berro, de inconformidade. Outros apenas seguiram a regra sem hesitar. No fim, todos sentaram, e foram se calando.

Mas o garoto Dave percebeu alguns cochichos e murmurinhos onde o ruivo e seus parceiros de briga estavam sentados, então logo concluiu que estavam falando algo de ruim dele.

Ele tentou não se importar, se segurou com todas as suas forças. Estava cansado disso tudo, estava cansado de não ser compreendido, de ser o único garoto sozinho da turma. E para piorar, quando a Sra. Khalil terminou de chamar os nomes e todos desceram do ônibus, ela decidiu que os alunos deveriam formar duplas para não se perderem no meio do caminho. Eram 29 alunos. Dave novamente, se viu sozinho. Ele segurou as lágrimas, mas não havia mais como. Estava exausto. Desde que foi matriculado na escola, não arranjou nenhum amigo.

Então ele ficou para trás do grupo quando começaram a dispersar-se e correu para um outro caminho. Sozinho. E ninguém havia notado.

Foi então que as lágrimas começaram a rolar. E ele deixou, não as impediu, afinal, ninguém o notaria.

Mas alguém notou. Ele sentiu o peso de uma mão em suas costas, era um garotinho loiro. Sorridente, ele começou a falar:

— Meu nome é Robbie, e meu pai diz que chorar é coisa de menina. Mas... eu acho que ele está errado, quando eu choro as coisas melhoram, então, se quiser chorar comigo, tudo bem, eu acabei de enterrar meu cachorro.

E o garotinho Robbie estendeu a mão, mas Dave recusou, ao invés de um simples aperto de mão, ele o abraçou. E foi aí que ele chorou mais e mais.

— Tá tudo bem, ele deve estar em um lugar melhor agora – Robbie falou, rindo um pouco.

Enquanto eles se abraçavam, Dave sentiu algo que nunca havia sentido na vida. Ou em pelo menos seus 8 anos de vida.

Ele sentiu-se notado, amado, e não mais invisível.

Robbie era um pouco mais alto, e mais magro, o que fez ele sufocar um pouco, pois Dave havia apertado demais, não tinha o costume de abraçar as pessoas, a não ser a sua mãe, que era bem maior que ele.

— Desculpa, eu te machuquei? – Perguntou Dave, assustado.

— Não, está tudo bem.

Eles sentaram e observaram a grama que havia sido cavada para o enterro do cachorrinho.

— Ele só tinha 3 meses. Meu tio me ajudou a enterrar. Ele foi comprar sorvete pra mim, você quer? – Robbie abriu um sorriso.

— Não.. nãa.... quer dizer, não precisa. Eu já tomei café.

— Tudo bem, amigo. Eu vou lá buscar pra mim, ele está demorando demais.

“Ele acabou de me chamar de amigo.” – Dave sussurrou animado e paralisado enquanto via seu primeiro amigo indo buscar o sorvete, desaparecendo em meio à trilha.

No mesmo momento, ele foi empurrado e caiu em cima da terra no túmulo. Ele ficou sem entender o que tinha acontecido, mas ao revirar-se, deu de cara com o garoto ruivo e seus parceiros de briga.

— Olha ai, o garoto estranho caiu de boca na lama, hahahaha.

Eles começaram a fazer comentários maldosos e rirem na cara dele.

Eles eram uns 3 anos mais velhos.

Eles eram enormes.

Eles eram caras maus.

Dave ficou enfurecido. Não aguentava mais este tipo de coisa, desde que chegou na escola. Então levantou correndo e agarrou-se na barriga do ruivo e ambos foram para o chão.

— Tira ele de mim, Tira ele de mim!!! VOCÊ VAI VER, AAAH.

Eram três garotos, contra um. Os outros dois agarraram Dave e o jogaram para o outro lado. Dave caiu sentado, e com alguns cortes um pouco acima do cotovelo. Ele gemia de dor. E suas mãos estavam vermelhas. O sangue havia subido à cabeça.

— TU É IDIOTA? SEU FODIDO E FILHO DE VAGABUNDA. EU VOU TE MOSTRAR QUE NÃO SE PODE MEXER COMIGO.

— Mas vocês mexeram comigo primeiro. – Dave tentou defender-se, e começou a chorar. Estava assustado, não suportava a pressão.

— Olhem, olhem. A Bichinha tá começando a chorar. Aaaaawn, que bonitinho. – O outro garoto tentava zoar para acalmar a situação, assim evitando mais conflitos.

— Não há.... nada... errado em chorar... – Dave retrucou.

— Qual o seu nome mesmo? David? Tu é fã daquele cara... David Bowie?

— É pessoal, parece que temos mesmo uma bichinha aqui.

Os dois começaram uma zoeira que acalmava o ruivo e enfurecia Dave.

— Já que ele é uma bichinha, que tal o David “Blowme” chupar meu pau?

O ruivo se aproximou e os dois pegaram Dave e o seguraram tão forte que quebraram seus punhos.

Dave gritava, ele estava muito mais assustado do que antes. Ele queria escapar. Mas não podia. Ele não podia fazer nada, a não ser enfrentar aquilo sem hesitar.

O garoto ruivo abaixou as calças e forçou seu órgão na boca de Dave, e gritava pra ele: “SE VOCÊ MORDER EU ARRANCO O SEU”.

Os outros dois enquanto o seguravam, abaixaram as suas calças e ficaram por cima de Dave.

Foi o pior momento da vida dele.

...

Enquanto estava sendo molestado, Dave perdia as esperanças... Ele sangrava, e havia desistido de lutar.

Ele se entregou.

...

Os três garotos caíram no chão, se contorcendo, e vomitando. Eles sufocavam-se com seu próprio sangue. Até que pararam de respirar.

Eles caíram mortos, mortos em cima de Dave, que não acreditava no que estava vendo.

Robbie parado à sua frente. Comendo seu sorvete.

— Eu deveria ter chegado antes, me desculpa meu amigo. Isso não vai acontecer novamente.

Ele abaixou-se, tomou a roupa que estava jogada no chão e vestiu Dave.

Os dois seguiram caminhando, Robbie tomou Dave em seus ombros.

Os dois seguiram caminhando, Robbie suportando Dave. Sem hesitar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.