MENTA: a face obscura de cada um
4 Fome,tormento e um pouco de sangue
Notas iniciais
Quando eu sair do banheiro a dupla de irmãs e Arietta já tinham saído do dormitório. Maravilha. Percebi o quanto a minha roupa era grossa . Tecido barato. Ouvi um monte de gritos e notei que todos corriam para o pátio, então sair pra fora, seguindo o fluxo de soldados e principalmente recrutas. Avistei Victoria ao lado de uma mulher com um brilhante cabelo cacheado ruivo. Cinza para líder, pois ela estava vestida desse forma. Uma das outras supervisoras me arrastou para a fila de recrutas ansiosos que fofocavam entre eles. Depois de minutos infinitos, a ruiva deu exatamente vinte passos para os mais de 400 recrutas e com apenas um movimento da mão provocou um silêncio extremo.
Eu poderia ouvir uma agulha sendo jogada no chão. Ela se fixou na multidão e proclamou como se fosse a rainha de sei lá o quê, irônico:
– A curiosidade matou o gato tsc tsc. Temos um breve de tempo para trabalhar a disciplina de vocês, novatos. A situação é bastante critíca, não tenho motivos para esconder, porém todas as outras sociedades que foram derrotadas eram inúteis. Tem medo da guerra? Se afunde com ela, pois o vírus é o pior dos seus pesadelos. Eu quero uma fila reta e meus cumprimentos, sou Nora, a líder que irá recrutar vocês. — seu discurso emanava veneno, assim como se olhar mortal.
– Ás ordens, senhora- todos mostraram sinal de respeito para a líder, entretanto, aquilo era puro medo mascarado.
– Estaremos preparados mais do que nunca e para isso vocês serão treinados pela primeira vez pelo o comandante. Sintam se honrado pelo o condecorado sr.Patch Cipriano e joguem pela as suas vidas.
Enquanto a multidão se mantinha em pleno terror, um homem caminha com porte e elegância atrás de alguns soldados. Ele aparece e com um olhar frio, de suas irís negras que davam uma surra na noite, observa os meros mortais a sua frente.
FICHA TÉCNICA: NOME: Patch Cipriano Idade: 24 anos Posição: comandante Ponto fraco: ainda não descoberto. Sem outras informações até hoje... Alvo em vista. A única coisa que eu poderia dizer que ele era muito jovem para esse cargo.
O cara mais novo nesse cargo tinha 49 anos.
Muita responsabilidade para uma idade como essa, porém o seu olhar era calculado e gelado.Ele tinha vivido, feito e visto muito mais do que muitas pessoas em uma vida inteira. PERVERSO, era tudo que me vinha na mente para definir esse rapaz na minha frente. Ele estava vestindo um uniforme preto que estava adornados por diversas medalhas douradas. Seu cabelo negro estava em uma bagunça, mas isso só o tornava mais perfeito. PERFEITO, já que ninguém conseguiu descubrir o seu ponto fraco. Mas eu vou, como vou... Patch caminhou entre os soldados e com uma expressão neutra, levantou a voz:
– Eu preciso de um voluntário, alguém se oferece?- Ele se aproximou mais de nós- Ninguém?
Todos se manteram calados olhando para qualquer outro lugar que não fosse o comandante. Depois de exato 15 segundos ele falou:
–Bando de fracotes, molengas que não sabe o que espera lá fora. E já que ninguém se ofereceu, eu mesmo vou escolher- sua voz era completamente sádica.
Caminhando lentamente com as mãos atrás das costas, o comandante achou uma garota de cabelos pretos com sardas na pele. Ela era muito pequena para a sua idade e tinha um ar de doente e um aspecto lamentável. Era uma presa muito fácil.
–Vocês querem uma demonstração. O vírus está consumindo a raça da humanidade, mas vocês tem que ter o poder de consumir o que está aguardando lá fora. Na mesma hora, Nora se aproximou da garota e a jogou no chão com o rosto para o concreto. A garota cuspiu a areia da boca, enquanto sangue respingava dos seus lábios. Mantendo um pé com os saltos agulhas encima das costas dela, comentou:
–Fiquem ligado em toda as direções, caso não queiram cair ou...serem derrubados- sorriu de um jeito macabro.
O silêncio no pátio permaneceu, até que um barulho repugnante e agressivo de algum animal tomou conta do ambiente. Mais de quatro guardas traziam uma gaiola imensa, enquanto chicotes balançavam no ar. Nora deu uma risada seca, enquanto caminhava em direção a gaiola. O comandante Cipriano mostrou um desdenho aparente, porém eu poderia jurar que vi um brilho diferente no olhar, atormentado ou até mesmo...sofrido. Nora se aproximou da gaiola e com a faca do seu cinto, cortou o dedo, avaliando o sangue com ironia:
–Está com fome? Hum, o que me diz?
Então ela deu mais um passo para o pior pesadelo de qualquer um...
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