ME AME. Isto é uma ordem!
4 Tudo passa, menos a saudade
Doeu, mas naquela hora senti que tudo o que eu poderia fazer já havia sido feito, e infelizmente não havia sido o suficiente... era hora de deixa-lo ir.
–Meu diário
A partir do dia seguinte tentei me afastar de Matias, estava claro que ele não sentia o mesmo que eu e apesar de ser difícil e doloroso era o melhor a se fazer. Mas cada dia que passava doía mais a falta que ele fazia, recusei todas as ligações, eu ainda estava com raiva e me sentindo mal por ter tentado me declarar e ele não ter entendido. Minha vida voltou a ser vazia mas minha mente continuava cheia dele, na segunda-feira faltei a aula só para não ter que vê-lo mas na terça decidi encarar a realidade. Fui arrumada para a aula e estava confiante e ansiosa, porem quando o vi entrando pela porta minha confiança se foi, ele não sentou perto de mim e sim do outro lado da sala, conversava com uma garota e aquilo me incomodou tanto que não consegui suportar, sai da sala e fui para o banheiro aonde não precisava conter minhas lagrimas de raiva e tristeza. Percebi que alguém caminhava em minha direção mas isso não me importava, meus olhos cheios de lagrimas não me permitiam enxergar direito.
–Olha só quem resolveu aparecer na escola, então é verdade? Você e o Matias terminaram? –Quando ela falou pude reconhecer sua voz, era Clarisse, uma garota da minha sala. Eu nunca havia prestado atenção nela mas fiquei com medo que ela saísse espalhando por aí que me viu chorando no banheiro por causa do Matias.
–Sai daqui, você não tem nada haver com a minha vida.
–Vai com calma garota, hehe.
–Me deixe em paz!
–Eu não estou aqui pra te deixar pior e nem pra fazer fofoca, só quero te ajudar.
–Eu não preciso de ajuda.
–Luciana, homem nenhum merece as lágrimas de uma mulher, somos superiores a isto. Você está sofrendo agora mas aposto que ele está se divertindo por aí sem nem se importar- A imagem de Matias conversando com aquela garota me veio a mente neste momento.- Você tem que dar a volta por cima e mostrar que também não precisa dele para ser feliz, e eu posso te ajudar nisso.
Ela me estendeu a mão e eu a segurei. Ela tinha razão. A partir daquele dia tentei não pensar mais nele, comecei a andar com Clarisse e suas amigas e logo já estava enturmada, elas não sabiam exatamente o que tinha acontecido entre mim e Matias mas evitavam tocar no assunto, sempre me distraiam quando eu estava pra baixo. Agíamos como verdadeiras feministas mas eu ainda me perguntava porque Matias tinha deixado de me procurar. Clarisse sempre me aconselhava a esquece-lo.
Mais ou menos um mês depois eu estava em casa de noite escrevendo no meu diário quando ouvi a campainha tocar, fui ver quem era e para minha surpresa era ele, antes de abrir a porta soltei o cabelo e respinguei um pouco do meu perfume só para não parecer tão relaxada.
Ao abrir tentei segurar a emoção, ele me olhou de baixo para cima com uma expressão de tristeza. Tirou do bolso uma margarida, era minha flor favorita. Ele me entregou, não contive o sorriso.
–Preciso saber, se você ainda vai comigo ao baile. – Será que ele estava correspondendo finalmente ao meu sentimento? O que eu deveria fazer? Minha vontade era pular encima dele com um abraço de dizer “claro que sim” mas eu senti que ele não estava ali só por isso, então convidei-o para entrar.
Antes mesmo de sentar-mos no sofá ele perguntou:
–Por que você nunca me disse que era lésbica?-Eu não sabia como reagir a essa questão.
–De onde você tirou isso menino?
–Eu não tenho preconceitos sabe, mas não precisava deixar de falar comigo só porque começou a namorar com a Clarisse.
Meu coração estava partido, alem de não me amar ele ainda achava que eu estava namorando com outra garota.
–Eu não acredito que estou ouvindo isso. –Senti vontade de expusa-lo da minha casa mas precisava saber o que levou ele a tirar essa conclusão.
–Foi por que ela tinha ciúmes de nós dois? No começo achei que você estivesse fazendo isso pra me proteger, mas depois que a Clarisse veio falar comigo dizendo pra eu me afastar entendi o que estava acontecendo. Achei que você era diferente, mas me abandonou como todos sempre fazem. –ele disse com um tom de amargura e desprezo, percebi que estava havendo um mal entendido.
–A Clarisse te disse que estávamos namorando?
–Sim, fez questão de dizer isso pessoalmente.
–Então foi por isso que você não veio mais atrás de mim?
–Foi, decidi respeitar sua escolha. Mas não aguentei, tinha que vir aqui pra ouvir da sua boca. Você foi a maior decepção da minha vida, agora entendo o que você estava tentando me dizer naquele dia, aquele papo de gostar sem interesses, como eu fui idiota, achei realmente que você também gostasse de mim, que eu também fosse especial pra você mas percebo que me iludi NE? A minha vida já era uma droga, obrigado por me mostrar que poderia ficar ainda pior. Valeu mesmo.
Eu achei fofa cada palavra, sua revolta acalmava meu coração. Eu não sabia de qual tipo de gostar ele estava falando mas pra mim aquilo era o suficiente por enquanto, eu sentia que estava perto de te-lo de volta.
–Eu não estou namorando com a Clarisse.
–Não?
–Acho que ela armou tudo isso pra me ajudar.
–Ou por que queria te ter.
–Eu fiquei um pouco chateada e ela sempre envenenava minha mente contra você, me perdoa por ter me afastado e te magoado. Eu senti muito a sua falta,a pior coisa que fiz foi ter acreditado nas mentiras da Clarisse. Agora mesmo eu estava escrevendo no meu diário sobre como os meus dias são vazios sem você...
–Eu quero matar essa Clarisse .
–Podemos ser amigos de novo?
Ele me olhou, sorriu, me abraçou forte e me levantou do chão. Era tão bom sentir aquele abraço de novo, e aquele cheiro forte do perfume dele. Era como se eu estivesse em casa outra vez.
–Como eu estava com saudade da minha baixinha.- Adorei, ele nunca tinha usado isso, “minha”, era assim que eu me sentia naquele momento, dele. Para ficar mais perfeito só se tivéssemos nos beijado, mas ai já seria querer de mais.
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