M o t h e r
1 Trezentos e sessenta e cinco dias.
"Estou sozinho agora. Escombros dos prédios e o os carros retorcidos embaixo deles se acumulam pelas ruas dificultando a passagem. Daqui a algumas horas vai escurecer. Estou sem comida, sem água e ninguém por perto. Não vejo ninguém há dias. As cidades se tornaram escuras sem a iluminação. Hoje faz um ano desde a primeira queda geral e ainda não
conseguimos descobrir quem ou o que fez isso."
Andando pelas ruas desertas da cidade, Alan se via perdido, com fome e desesperado. Quase três semanas sem ver nenhuma pessoa, ele seguia em busca de alimento e abrigo. Já eram quatro horas da tarde. Pelo menos os relógios e aparelhos eletrônicos funcionavam muito bem. Mesmo com o Sol no céu, as ruas já pareciam escuras. Iluminação não existia mais, os computadores das hidrelétricas foram desativados depois de 136 dias da primeira queda até
agora. Alan estava com um casaco que achara outra vez jogado pela rua, estava
sujo com pó dos escombros dos prédios derrubados. As cidades do mundo inteiro
viraram ruínas, até mesmo as que nem tinham muita rede de internet. As pessoas
começaram a procurar os recursos que sobraram, muitos foram paras florestas
pelas frutas, os rios e seus peixes, outros saquearam os poucos alimentos que
sobrou nos mercados, outros eram guiados por boatos de um lugar seguro feito
por sobreviventes em vários pontos do mundo. Algumas cidades haviam ficado
desertas por extinção de recursos, outras pela extinção humana.
"Já está escurecendo e não vejo nenhuma casa em pé
somente escombros, por que tudo isso? Quem será que fez isso? Não agüento mais
viver assim. Tudo escuro, sem vida, alimento e água escassos e sem ver uma
pessoa se quer. Minha família e meus amigos, onde será que vocês estão?
Continuarei a caminhar. Qualquer coisa entrarei em uma dessas ruínas de casas e
dormirei sobre a luz do luar, mesmo sobre o frio cortante das noites atuais."
Alan continuava a andar com os braços dentro do
casaco, que continha na parte da frente bolsos. Ele deixava sempre seus braços
colados ao corpo para não congelar. Seis horas e a escuridão já havia tomado as
ruas. Pouco se via há um palmo de distância. Alan já estava ficando desesperado
por não estar enxergando muita coisa e ainda não ter achado um local para
passar a noite. Ele estava tenso, começava a ofegar e tentava enxergar algo a
sua frente. Olhava para todos os lados, mas não conseguia enxergar nada. De
repente, um som de passos começou a rodeá-lo. Ele tentava ver o que era, porém
não conseguia. À medida que os passos os cercavam, uma respiração forte também
se aproximava. Em terror, Alan saiu em disparada para o nada. Ao
correr, sentiu uma forte pancada no seu tórax, fazendo-o cair e desmaiar.
Fale com o autor