Método Eficaz
1 MÉTODO EFICAZ
Notas iniciais
MÉTODO EFICAZ
Petit Ange
Round 1:
Emilie Rochefort gostava de lutas como abelhas gostam de mel. Se bem que abelhas não comem o próprio mel (em teoria), até porque poucos sabem que, na verdade, o mel não passa do “vômito” das mesmas, e é doce porque não passa de restos de pólen e flores. Então essa não era a melhor das comparações...
Ah, no momento, entretanto, ela servia.
Desde aquele dia onde fora seqüestrada e conseguira ela própria dar cabo em todos seus raptores. Desde aquele dia, cada vez que a violência corria como veneno por suas veias, era quase como uma libertação. O único momento em que a poderosa herdeira de uma herança petrolífera era verdadeiramente “Lili”.
Mas uma coisa não se encaixava, e nisso ela pensava sempre que fugia em algum jato particular, alegando à seu pai ser apenas uma viagem enfadonha qualquer para se livrar do tédio.
Todo lutador precisa de um oposto. De seu próprio nêmesis.
Uma palavra tão bonita aquela, não?...
O que seria de uma bela jovem sem alguém a quem chamar de arquiinimigo? Todos tinham o seu!
Não que estivesse de fato procurando um. Problemas em sua busca por vingança à seu pai e aos seus negócios eram o que ela menos precisava. Mas, admitia, não seria nada ruim ter alguém com quem pudesse medir forças o tempo todo, e odiar com gosto.
Foi com pensamentos sempre oscilando para aquela direção que Lili Rochefort encontrou-se com ela.
Asuka Kazama. A jovem com olhos decididos e temperamento de fogo.
E foi ela que, com um único golpe daquele surpreendente estilo de artes marciais que só sua família conhecia, acabou com todas as suas chances de vencer e vingar seu pai.
...E com um único golpe, Kazama e Rochefort tornaram-se arquiinimigas.
Round 2:
Era com uma sensação de euforia que Lili perseguia Asuka.
Um aperto prazeroso no peito. A sensação de que podia enfrentar, literalmente, o mundo inteiro.
E quando a japonesa revirava os olhos, gracejando sobre o fato da loira ter saído de Mônaco só para apanhar de novo, Lili sentia vontade de rir.
O prazer e a dor vinham misturados.
...Então, era essa a sensação de ter um arquiinimigo?
Era como um abraço de loucura. Sim, uma definição tosca, verdade, mas a mais próxima de ser a verdadeira essência.
A sensação de ter o perigo tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe. A vontade de superar e, ao mesmo tempo, perder para sempre, apenas para poder ter uma meta a ser alcançada.
Lili não sabia explicar com clareza.
Mas era viciante. Tão ou mais do que lutar propriamente.
Asuka Kazama era completamente viciante.
Round 3:
Um único soco. O estilo de artes marciais milenares Kazama pregava que um bom golpe é aquele que é direto e definitivo.
Bastou um sopro do destino para que, pela milésima vez, a jovem de cabelos castanhos visse a outra cair vergonhosamente ao chão.
A cena era repetitiva e cansativa.
Mas fazer troça daquela situação, e disso ela tinha certeza absoluta, nunca iria perder a graça.
- Ainda não cansou, Lili?! — a voz estava carregada de ironia, como sempre.
Passando a mão pelos lábios e percebendo-os milagrosamente sem sangue, Lili Rochefort sorriu.
- Aproveite enquanto pode, Asuka! — avisou-a. — Assim que eu te pegar, você vai ver... Vou acabar com você!
Kazama deu um tapa em sua própria testa.
- Como você é insistente! — resmungou.
- Nunca vou perdoá-la... Por sua causa, não pude vencer o torneio e meu pai teve de se submeter à Mishima Zaibatsu!
Asuka Kazama franziu o cenho, parando-se antes que pudesse atacar a jovem loira.
Havia fogo nos olhos azuis de Lili Rochefort.
O fogo da decisão a abraçava com uma força extremada.
Aquela mesma decisão absoluta que japonesa via em seus próprios olhos. Aquilo que fazia de Lili uma criatura digna de ser chamada “arquiinimiga”.
Era engraçado ter uma rival...
Ora se fica irritado, ora se vê tendo uma total simpatia pela jovem caída à sua frente.
Meneando a cabeça, descrente com sua própria ação, Kazama viu-se dando a mão e ajudando a loira a se levantar.
- Se é assim... — e sorriu. — ...Então, tente me derrotar.
Lili sentiu o rosto esquentar.
- É claro!
Mas, pensou, possivelmente fosse da raiva por aquela arrogância totalmente justificável e certa.
Só podia ser da raiva e da frustração.
Aquele aperto no peito, a sensação de adrenalina prazerosa correndo dentro de si... Os efeitos de se ter uma rival.
- Ei. — chamou a morena.
- O que foi?
- Se eu vencer, Lili, o que eu tenho certeza de que vai acontecer... — sorriu ainda mais. — ...Vou te dar um abraço. Certo?
Ah. O rosto esquentando ainda mais.
- Deixe de brincadeiras, Asuka! — rosnou.
Lili Rochefort aceitou, à contragosto, a mão de Asuka Kazama e limpou a poeira de suas roupas (que ainda continuavam relativamente brancas).
Mas soltou aquela mesma mão no momento seguinte, por uma questão de ética entre duas lutadoras, antes que fizesse um gracioso movimento de ataque, tão típico seu.
Havia um calor extra que não o da batalha naquela mão que a outra havia pego. Um muito mais prazeroso, precisava admitir.
Tão prazeroso quanto aquela promessa.
Round 4:
The King of Iron Fist Tournament 6. Kazama lembrava-se com nostalgia da última edição, onde tentara, em vão, procurar o homem que ferira seu pai, deixando-o em estado grave no hospital.
Dessa vez, ela não estava atrás de vingança. Mas havia a decisão uma vez mais: Jin. Seu parente, Jin Kazama.
Ele, que usurpara o comando da Mishima Zaibatsu depois do término do torneio passado, havia semeado a discórdia e o caos em diversas partes do mundo. E Asuka acreditava que ela e só ela poderia trazê-lo de volta à razão.
Foi para aquilo que viera ali.
Ou melhor... Não podia dizer isso. Esse também era um dos motivos, é claro. Mas haviam outros.
Seria mentira dizer que só o desejo de encontrar Jin era sua força-motriz.
Porque havia, e não podia negar o fato de nenhuma forma, um verme mordiscando incessantemente sua consciência. Um verme em forma de uma jovem loira de sorriso superior.
...E imaginava se Lili Rochefort, a qual ela não via há bastante tempo, estava naquele torneio.
Round 5:
The King of Iron Fist Tournament 6.
Lili Rochefort tinha lembranças ruins da edição passada. Lembranças que acabaram por se estenderem ao presente.
Se seu pai, quase morto de exaustão, estava sendo obrigado a cooperar com o Mishima Zaibatsu, isso era porque aquela garota esteve sempre atrapalhando.
Asuka Kazama fazia-a esquecer de seu pai, no qual ela devia pensar o tempo todo. A culpa de tudo aquilo era dela. Só podia ser dela.
- Pode vir! — a morena preparou-se.
Lili respirou profundamente. Desta vez, iria derrotar Asuka Kazama.
Toda a sorte de dores que a jovem herdeira conhecia voltaram com força total naquele momento.
As dores físicas. A dor em seu estômago, graças à potente cotovelada da morena. A dor por um chute bem aplicado em seu maxilar. A dor de cair de um mal jeito no chão e sentir alguma coisa quebrar (possivelmente, porém, era um alarme falso. Asuka nunca feria-a gravemente porque, assim como ela, gostava que sua arquiinimiga tivesse o menor número de entradas possíveis num hospital, para poderem brigar várias vezes).
Mas aquelas dores misteriosas e prazerosas vinham junto. A dor no peito; e ela parecia duas vezes mais pronunciada. A dor de perceber seus músculos tremendo, não de completa exaustão, mas de um estranho nervosismo que a loira não sabia de onde vinha. E a dor quando olhava para o rosto da outra; aquele rosto...
O rosto de Asuka Kazama era um abraço de loucura ainda maior que sua própria presença. Ele fazia Lili Rochefort esquecer até mesmo de seu pai.
Como se não existisse um mundo ao redor delas.
...Ah, a doce sensação de um nêmesis.
Round 6:
Girando em pleno ar, literalmente, Lili Rochefort soube que iria bater com força no chão antes mesmo de fazê-lo.
Aquele era um golpe que nem mesmo ela poderia desviar.
Por isso Asuka Kazama era tão boa: ela sabia exatamente a hora de atacar, com o quê atacar.
...Talvez, por isso a admirasse.
Porém, só aquilo não seria o suficiente para derrubar a loira daquela vez.
Tão logo as costas tocaram violentamente o solo áspero, Lili jogou o corpo para frente, como um felino em pleno ataque, e conseguiu derrubar a japonesa, colocando o pé em seu peito.
Arfando, ela percebera o impossível: Asuka estava no chão, rendida.
- Ah... — incrédula, como se fosse um pesadelo inacreditável, a jovem saiu de perto, deixando a outra se levantar e massagear a bochecha anteriormente ferida.
Constatando que, em termos legais, ela vencera de fato, sorriu.
O sorriso de quem não se lembrava do pai acamado, dos problemas de uma possível falência da família. Não era isso.
Em sua cabeça, aquilo sequer estava passando.
Para Lili Rochefort, aquele era um dia memorável. O dia em que ela derrubara Asuka Kazama definitivamente.
- Eu te derrubei, Asuka! — jogou, então, o cabelo para trás. — Venci!
Levantando-se sem maiores dificuldades, sozinha, a jovem japonesa concordou, com o olhar compreensivo de um adulto diante da alegria estonteante de uma criança.
- Parabéns, Lili. — sorriu.
- Hã?...
E Emilie Rochefort viu-se sendo abraçada por uma jovem de kimono e pele exalando um aroma adocicado.
O arfar de Asuka escorregava em seus ombros e sua nuca como se fossem fios de cabelo, enquanto as mãos enluvadas da japonesa apertavam suas costas de uma forma que a fez perder o ar, mas definitivamente não porque estavam muito fortes.
Um impulso inexplicável de ela própria cingir aquela cintura apoderou-se dela de uma forma que a fez retesar-se.
Aquela mesma sensação de agonia prazerosa que percorria seus membros toda vez que lutavam voltou com força total, como se aquele próprio sentimento fossem os braços a envolvê-la de encontro ao corpo quente de Asuka Kazama.
Lili Rochefort entreabriu os lábios, não sabendo porquê ou para quê fez aquilo. Surpresa, talvez?...
O rosto da japonesa deixou o abrigo dos ombros trêmulos da loira, para que os seus olhos castanhos fitassem intensamente os azuis da jovem monegasca. E, se fosse possível, Lili sentiu o ar faltar-lhe ainda mais, como se alguma coisa inexplicável e imensa estivesse comprimindo sua garganta.
- Asuka?... — sussurrou, tão baixo que a própria mal pôde ouvir.
- ...Lili. — respondeu ela, tocando em seu rosto.
E, então, a surpresa. A sensação de que toda a expectativa se transformou em um pedaço de surpresa gelada quando a mão de Asuka tocou em seu peito e empurrou-a para trás.
Caindo ao chão com o que se podia chamar de “estrondo”, a loira engasgou, completamente desprevenida.
- Viu? Nunca cante vitória antes da hora. — puxando para baixo suas luvas, a japonesa riu. — Eu venci de novo.
Round 7:
Leo Kliesen ergueu a sobrancelha.
- Lili? Você está bem? — perguntou, enquanto se aproximava cautelosamente da jovem sentada no chão.
A herdeira Rochefort tremia, mais parecendo estar em pleno Ártico a menos 200 graus.
- Ela me abraçou... Porque sabia que ia vencer...
- O quê? — sobrancelha ainda mais arqueada.
- Aquela maldita Asuka...
Suspirando, o jovem loiro quase se ajoelhou para ficar da altura da moça caída, mas preferiu apenas estender a mão, esperando ela aceitar, para ajudá-la a se levantar.
- Me fez de boba... — continuou rosnando Emilie Rochefort. — Me abraçou porque sabia que eu ia ficar completamente sem ação...
Leo conteve o riso.
- Bem, vamos admitir: esse é um o melhor dos métodos para se acabar com uma luta, não é?
- Me fez de idiota... E eu acreditei nela...
Leo Kliesen não era lá alguém de se assustar com facilidade. Mas Lili daquele jeito, praticamente espumando e convulsionando de ódio, no chão, e não dando sequer para ver seu rosto... Não podia negar que era uma visão digna de pesadelos. Ou, pelo menos, o bastante para que alguém que não fosse ele pensasse duas ou mais vezes antes de chegar perto.
- Ei, Lili. — voz cautelosa. — Se acalme, vamos. Vai estourar alguma veia do seu cérebro daqui a pouco.
E, definitivamente se surpreendendo, Leo viu uma Lili Rochefort levantar-se num repente, com a face vermelha.
Perguntou-se mentalmente se não era de raiva...
- Isso não fica assim! — e a jovem saiu correndo, esquecendo-se do rapaz. — ASUKA! EU EXIJO UMA REVANCHE! E SE EU VENCER, DESSA VEZ VAI TER QUE ME DAR UM BEIJO!
...Mas, provavelmente, não era disso, não.
Dando de ombros, afinal, o loiro concentrou-se, especificamente, em uma parte daquela narração estranha.
Então, uma vitória equivalia a um abraço, e vice-versa?...
Round 8: O Omake.
Se não fosse o clima quente que o incomodava sem fronteiras, Sergei até mesmo pensaria duas vezes sobre vir morar ali. O silêncio era absoluto; sem o bafejar do vento, sem o som de flocos de neve. Apenas a quietude.
Mas, é claro, o som de alguém (conhecido) se aproximando o lembrou que a pátria mãe ainda era a melhor escolha de todas.
Ao menos, lá seus subordinados e, claro, todos os outros, sabiam que aproximar-se de Dragunov enquanto ele estava daquele jeito era como pedir para morrer. De uma forma nada tranqüila, por sinal.
Sem mover um músculo facial, o russo acompanhou os passos firmes, até divisar a silhueta de Leo Kliesen (como imaginou que fosse. Seu caminhar era inconfundível) vindo em sua direção.
Parando à sua frente, o jovem loiro apontou para ele.
- ...
- Sergei, eu o desafio! — anunciou. — Se eu vencer, que fique bem claro, já que parece ser só assim que eu vou conseguir um, tenho direito a um abraço!
Tentado a erguer a sobrancelha e deixar escapar um sorrisinho de escárnio, o russo limitou-se a se levantar depois de segundos realmente tensos, nos quais ele encarava o jovem à sua frente, e arrumar suas luvas, como se dissesse “então venha” com todas as letras.
Ah, essas crianças inocentes que se contentam com tão pouco...
Não tinham mesmo imaginação...
...Leo Kliesen, na verdade, ainda tinha muito o que aprender sobre punições de verdade.
E, assim, uma súbita idéia — e precisava admitir — muitíssimo agradável atravessou sua mente.
Muito bem. Se ele ganhasse, então...
Notas Finais: Se algum dia existir alguma fic mais fora do tema e OOC que esta, por favor, me apresentem. Uma coincidência que o tema Abraços do concurso seja justamente um dos tratados aqui. (?) ...Mas isso não muda o fato de que eu preciso me tratar e parar de jogar Tekken urgentemente. *perdida no vício*
É, na verdade, era para ser só yuri... Mas, por favor. Petit nunca deixaria passar batida a chance de fazer um omake (Hades levando pobres almas para os caminhos dumalz) e um yaoi básico. Mea maxima culpa, aceito as pedradas que vierem. LOL btw, vou desejar boa sorte para você, Leo. Vai precisar... Vai mesmo... *táparay*
Notas finais
Apesar de eu saber que Leo&Lili é praticamente canon no mangá de Tekken, NÃO! EU SOU UMA FÃ DO BOM E ETERNO YAOI! *apanha* ...Até porque eu também não preciso de motivos pra gostar dO Leo com o Dragunov, assim como ninguém explica porque Demyx&Zexion é um casal... *apanha de novo* É... Loucuras de uma yaoista, só podemos chamar disso.
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