Máscaras & Sussurros

41 Recuperação


Foi fácil dormir depois de tomar aquele remédio. Acordei em paz e completamente relaxada, o que foi um alívio depois de semanas sem conseguir dormir propriamente no hospital.

Tentei abrir a porta apenas para encontrá-la trancada. Consegui não surtar sobre o fato de estar como uma prisioneira na minha própria casa e berrei por Hinata. Foi o tempo de eu me trocar e prender meus cabelos pintados em um coque alto.

— Bom dia! – ela disse, com um sorriso no rosto.

— Bom dia. – respondi, quase receosa com o extremo bom humor da minha amiga.

— Eu e a Temari resolvemos que vamos nos revezar para ver quem cuida de você, hoje é a vez do Naruto.

Segurei um ataque de risos. Elas realmente achavam que Naruto era uma boa ideia?

— Eu sei... Mas ele é determinando quando realmente quer alguma coisa... Enfim. – ela disse, depois de um suspiro.

Fui até a sala, ainda de pijamas e vi Naruto esparramado no sofá com uma mão no controle remoto e a outra em um pote de pipocas. Sorri com seu jeito tão natural de ser e me sentei na poltrona ao seu lado.

— Fala, americana. Hoje você é minha. – ele informou, ajeitando-se. Revirei os olhos e peguei o controle de sua mão.

— Se comportem. – Hinata pediu e eu tive a impressão de que essa não era a primeira vez que ela mandava seu namorado se comportar. Sorri e acenei com a cabeça.

— Boa aula. – falei e ela sorriu. Então, beijou Naruto e saiu às pressas pela porta.

— Ela estava esperando eu acordar para sair, né? – perguntei.

O loiro apenas acenou com a cabeça em concordância e deu de ombros.

— Às vezes acho que ela é boa demais para o próprio bem.

— Eu sempre penso nisso... – comentei, mas para mim mesma do que para ele. – Certo, o que você vai fazer se eu tentar me tacar da janela?

Naruto fitou-me, divertido e respondeu simplesmente:

— Nada, você não vai morrer se cair do andar que estamos.

— Nós estamos no último andar. – informei, caso ele tivesse se esquecido.

— É, de um prédio de quatro andares.

O loiro mostrou a língua e eu sorri com sua criancice. Era tão fácil falar com ele, sua felicidade era contagiosa e seu otimismo iluminava qualquer ambiente.

Lembrei-me de como Hinata tinha falado que ele não se sentia confortável indo naquele apartamento porque o lembrava demais de Jiraya e fiquei pensando em como ele se sentia no momento, já que o padrinho não estava mais morto.

— Você vai pegar esse apartamento de volta, já que... Você sabe. – perguntei, sem delongas. Eu tinha aprendido que era mais saudável confrontar a realidade do que ficar inventando histórias em sua mente.

— Não faria isso com Hinata. – ele respondeu sem se importar. – Mas eu podia muito bem expulsar vocês duas e morar aqui com ela.

Ele obviamente estava brincando, mas me parecia uma ótima oportunidade para contar que eu não ficaria por ali por tanto tempo.

— Não sei como você tirar a Temari daqui, mas eu estou pensando em voltar para Nova York...

Naruto se sobressaiu e derrubou o pote de pipoca no chão, espalhando os milhos estourados pelo carpete.

— Eu estava brincando, você não precisa ir embora! – exclamou, indignado.

Sua reação me fez sorrir.

— Não... Não é por isso. Eu deixei algumas coisas pendentes lá, acho que está na hora de voltar e resolvê-las, sabe?

Ele apenas piscou lentamente e ficou me fitando, esperando por mais explicações.

— Eu preciso voltar. – conclui, por fim.

Naruto levantou-se e continuou me olhando, como se não acreditasse em minhas palavras. Então, sua expressão de incredibilidade tornou-se preocupada e eu franzi a testa, o que era aquilo de repente?

— Mas... Você vai voltar, né? – perguntou, enquanto andava de um lado para o outro, inquieto.

— Bom, eu tenho aula... Não sei se existem faculdades em Nova York que tenham programa de intercâmbio conjunto com a Oxford, mas...

— Você tem que voltar! — ele cortou-me com um berro, me fazendo pular do sofá.

— Naruto, eu...

— Você não entende. Cherry, quer dizer, Sakura, ele... Ele... Você não pode abandoná-lo!

Pisquei várias vezes, tentando decifrar o que ele tinha dito.

— Que? – perguntei, quando percebi que ele não iria explicar.

— Sasuke! – exclamou, como se fosse óbvio. – Ele... Você não tem noção do quanto ele...

— Eu não tenho mais nada com ele. Ele terminou comigo, lembra? Além do mais, os problemas dele, ele que resolva sozinho. Sinto muito, Naruto, mas até a psiquiatra disse que era melhor eu me afastar dele. – falei, rápido demais, como se quisesse me convencer também.

— Mas... Sakura, você não entende...

— Não quero falar sobre isso, por favor, Naruto. – pedi, suplicante. Apesar de já ter enfrentando quase todos os meus demônios que envolvessem Sasuke, eu ainda não estava pronta para saber o que ele estava fazendo ou o que ele fez durante nosso tempo separados.

Era simplesmente demais para eu aguentar.

Naruto suspirou e voltou a se jogar no sofá.

— Ok. – murmurou, claramente insatisfeito por não conseguir falar o que queria.

— Você só não queria que eu fosse embora por ele? E eu achando que éramos amigos... – comentei, brincando, apenas para quebrar a tensão que tinha se estabelecido.

— Eu te odeio desde o momento em que te vi toda carrancuda perdida pelas ruas. – Naruto replicou, em um tom sonhador como se estivesse lembrando de um passado distante.

— Eu não estava perdida... – menti, desnecessariamente, apenas para irritá-lo.

— Certo.

Senti uma pipoca bater no meu rosto e virei-me para ver a posição comprometedora de Naruto.

— Isso é guerra, inglês. – anunciei, levantando-me rapidamente e pegando todas as pipocas do chão antes que ele as alcançasse.

Ficamos a tarde inteira brincando de ser crianças e destruindo involuntariamente o apartamento. Depois de uma incansável guerra –e desperdício- de comida, passamos para a água, para finalmente chegarmos em travesseiros, que infelizmente não soltaram penas como faziam nos filmes.

O resultado foi os nossos corpos imundos e molhados deitados exaustos no carpete da sala.

— Você vai voltar, né? – ele perguntou, depois de conseguir fôlego o suficiente para falar.

Suspirei. Como diria para ele a verdade? A simples verdade de que eu não sabia se voltaria ou não. Que eu não sabia se iria suportar vê-los todos os dias e lembrar de todos aqueles momentos ruins e todos aqueles pensamentos venenosos.

Eu simplesmente não sabia se era forte o suficiente para encarar tudo aquilo por muito tempo. Quando Sasuke aparecesse na minha frente, ou se eu visse Neji pelas ruas.

— Eu não sei. – admiti, escolhendo ser sincera. Já sabia bem onde minhas mentiras me levariam.

— Eu tenho certeza que você vai voltar. – ele respondeu então, fácil demais.

— Ah, é? Como você tem tanta certeza? – perguntei, em tom zombateio.

— Ninguém consegue ficar tanto tempo longe de mim depois de me conhecer. – explicou e eu ri, empurrando-o para longe.

— Talvez eu volte só para socar a sua cara. – informei.

Mesmo com o meu tom de brincadeira, ele percebeu que eu estava sendo honesta sobre a parte de voltar. Porque afinal, era verdade, eu não iria conseguir ficar muito tempo longe.

Talvez o mesmo tempo que eu tivesse ficado longe dos meus amigos de Nova York. Eu nunca tinha parado para pensar o quanto eu sentia falta deles e o quanto isso refletia nas minhas ações em Bristol, o quanto eu queria me sentir pertencente, parte de algo.

Tudo porque eles não estavam lá. Para compartilharmos piadas internas ou falarmos apenas com um olhar.

A verdade era que eu tinha deixado a minha família para trás e eu já estava mais do que pronta para voltar para eles.

Eu tinha fugido e nem me despedido direito, mas agora eu já estava em sã consciência e tinha percebido o maior dos clichês da vida. Quando você perde alguma coisa, é quando você percebe quanta falta ela faz.

— Eu vou voltar. – falei, por fim. Porque sabia que eu pensaria a mesma coisa quando estivesse em Nova York por muito tempo. E sentiria falta dessas pessoas o mesmo tanto que eu estava sentindo dos meus amigos americanos.

Recebi um silêncio como resposta e virei-me para fitar Naruto, que adormecia desajeitadamente no chão. Sorri com a cena e levantei-me. Peguei uma almofada do sofá e uma manta e joguei em cima do loiro.

Ele pegou a almofada inconscientemente e a colocou entre sua cabeça e o chão. Satisfeita com a minha boa ação, me joguei no sofá e liguei a televisão.

Eu nunca fui muito fã de TV, mas eu não podia sair de casa e a minha sessão psiquiátrica era em algumas horas.

Fitei Naruto no chão e pensei no quão fácil seria sair do apartamento e simplesmente fazer alguma besteira.

Por algum motivo, eu não quis. Pela primeira vez na vida, eu estava satisfeita exatamente onde eu estava. Exatamente naquela posição miserável, suja de comida, molhada e completamente exausta.

Mas, não sei porque, satisfeita.

Sorri com o meu recente esclarecimento mental e assisti algum programa de receita até a hora da minha terapia.

Notas finais
GENTE NAO SEI QUANTAS DE VOCÊS ACOMPANHA O MANGÁ, MAS PQP TO SURTANDO (ainda) HIHIHI FINALMENTE AH! *fangirl mode on* KD O PROX CAP, NECESSITO CARA, MEU DEUS.
Enfim. Cap novo, yey ♥ (por que eu não sou o Kishi e torturo ninguém com hiatus hunf)
Haha espero que tenham gostado, reviews? *-*
Beijão :*