Máscaras & Sussurros
49 Recomeço
Eu fiquei sem ar. Mas não do jeito romântico que é demonstrado nos filmes, quando a mocinha chora de alegria ao ver o amado. Eu estava literalmente sem conseguir respirar. Um ataque de pânico me atacou mais rápido do que eu pude pensar. Sem conseguir evitar, comecei a ofegar ainda mais freneticamente.
Ouvir a voz de Sasuke depois de semanas tentando evitar até mencionar seu nome foi, no mínimo, chocante. Notei, então, que eu não estava com ansiedade, mas sim com pânico de voltar ao que eu era se deixasse Sasuke me afetar como antes. Eu estava tão assustada com o que eu poderia voltar a ser, que meu corpo rejeitou a ideia imediatamente. Minhas mãos estavam suando, mesmo estando frio e não importava o quanto eu tentava respirar, o ar nunca era o suficiente. Era como se eu estivesse com aquela sensação de querer bocejar, mas nunca conseguir. — Eu... – tentei formar palavras, enquanto recuperava o fôlego pouco a pouco. Já agachada, percebi o quão patético tudo aquilo parecia. — Eu não quero falar com você. – consegui falar, da forma mais firme possível. — Cherry... – ele sussurrou e eu me arrepiei. – Eu sei o que você está pensando. — Eu duvido muito. – respondi, ainda ofegante. Levantei-me e tentei respirar fundo. Eu não ia voltar a piorar por causa de uma conversa. Eu não podia deixar isso acontecer, ele não seria a minha perdição novamente. Era ridículo, eu não ia ter uma recaída por uma coisa tão idiota. — Eu sei que não tenho direito de te ligar... — Não mesmo. – retruquei imediatamente, interrompendo-o. Eu seria forte. Eu iria mostrar pra ele que eu estava bem sem ele e que ele tinha voltar pra casa. Que ele não podia fugir assim. Eu seria superior. Ele não me convenceria. — Naruto me disse que você estava melhor e que você iria voltar para o ano letivo, então... — Então o que? – perguntei, cortando-o novamente. – Você pensou que eu ia voltar e pular nos seus braços, ó nobre cavaleiro? Escuta, é óbvio que eu me importo com você, mas você está sendo egoísta... Como sempre. Fugindo desse jeito. Como você acha que Naruto se sente? Não é possível que você tenha tanto pouco respeito por ele assim, quer dizer, ele... — Eu estou em Bristol. – murmurou, como se estivesse alegando o óbvio. Eu quase tinha esquecido do quão indiferente ele podia ser com as coisas. — O que? – pensei em voz alta, percebendo só depois que tinha me expressado verbalmente. — Eu estou em Bristol. – repetiu e eu quase consegui tocar o tom divertido e zombateio que ele usou, como se estivesse contando vantagem por saber algo que eu não sabia. Quase doía fisicamente perceber o quanto eu estava ainda completamente ligada a ele. Por mais que eu tentasse me desvinciliar, apenas um tom como aquele já me fazia sofrer. Era completamente e absolutamente patético. — Qual é o próximo sermão? – ele perguntou, antes que eu pudesse me recompor e soltar algum comentário ácido. — Eu fico feliz por você estar de volta. – falei, sincera. – Mas isso não quer dizer que eu queira que você vá me pegar no aeroporto e que podemos viver felizes para sempre, as coisas não são assim, eu... — Puta merda, Cherry. Eu só quero te pegar no aeroporto, ninguém falou nada sobre felizes para sempre, nem que eu sou seu nobre cavaleiro ou qualquer merda do tipo. – ouvi. Ele sempre fazia isso. Ele sempre sabia como me desarmar. Ele era o único que conseguia ganhar uma argumentação de mim sem baixar o nível ou me xingar. Com um suspiro, percebi o quanto eu ainda me importava. Mas o que ele queria? Pra que ele estava me ligando? Por que ele queria me ver? — O que você quer? – perguntei, mesmo sabendo exatamente o que ele iria responder. — Te pegar na porra do aeroporto. – ele fingiu impaciência, mas eu conseguia ler seu tom de divertimento como ninguém. Eu sabia que ele ia dizer isso, ele nunca falaria suas verdadeiras intenções. — Se eu falar o dia e a hora que eu for chegar, você vai me deixar em paz? – perguntei, mesmo sendo a última coisa que eu quisesse. Mas eu sabia que aquele tempo era a melhor coisa para nós dois. Quando voltei para Nova York, quis me afastar dele e dar um tempo de nós. Aquele tempo ainda não tinha terminado e eu tinha noção disso. Sasuke precisava respeitar a minha decisão e me deixar viver sem ele. — Eu nunca vou te deixar em paz. – sussurrou com uma voz delirante que me faria voar se eu tivesse asas. – Mas posso prometer que eu não vou falar com você até você voltar. Suspirei. Merda, eu amava aquele cara. — Feito. Quando eu souber, eu te mando uma mensagem. – foi tudo o que eu consegui dizer sem demonstrar o quanto eu sentia falta dele. Porque eu não queria sentir. Eu ainda não queria ser tão vulnerável. — Como eu vou saber que você não vai mentir? – Sasuke perguntou indiferente. Dei de ombros para mim mesma. — Você não vai saber. – falei e desliguei. Eu ainda tinha essa necessidade de me mostrar no poder. De me convencer que eu estava no comando de qualquer coisa.
Não que isso fosse algo necessariamente ruim, mas eu sabia que eu precisava melhorar um pouco antes de querer qualquer coisa. Já de pé, eu estava tentando me recompor e fiquei pensando em um modo de voltar para a sala de jantar e fingir que nada tinha acontecido. Contei até dez e respirei fundo, pronta para abrir a porta de vidro. Mas o meu celular tocou novamente e me impediu de qualquer outra coisa. Era um toque de mensagem. O peguei rapidamente e li: “Eu prometi que não ia falar com você. Escrever é outra coisa.” Por mais que eu tentasse, não consegui conter uma risada ao ler aquilo. Apesar de seu humor babaca, o que mais me deixava aliviada era saber que ele estava bem e aparentemente não estava mais furioso comigo pelas minhas transgressões e meus dramas. Talvez ele tivesse realmente me perdoado e quisesse me pegar no aeroporto para tentar voltar comigo. Preferi não pensar muito naquilo e voltei para mesa. Para a minha sorte, Tenten e Tsunade estavam conversando e nem ligaram pelo fato de eu demorar para voltar. Seus pratos já estavam vazios e eu voltei a comer como se nada tivesse acontecido. Era díficil fingir indiferença quando o meu interior estava a milhão. Me odiei por ainda deixar que Sasuke me afetasse daquele jeito, mesmo sendo de um modo positivo. A minha psiquiatra teria muito trabalho aquela tarde. Tenten foi embora depois de lavarmos a louça e eu subi até o meu quarto, ainda pensativa. A minha sessão psiquiatrica demorou mais que o normal, ela tinha dito que aquilo era um ótimo teste para eu ver se estava pronta para voltar pra Bristol. Que eu podia responder e falar com Sasuke para ver se sua mudança era real e como aquilo me afetaria. Eu estaria usando ele, isso era um fato, mas era um experimento para mim também. Ambos estariam sendo testados, então não me senti muito mal em levar aquilo adiante. Eu ainda tinha um mês pela frente antes de voltar para a Inglaterra, dava tempo de ver se eu pioraria ou não. É claro que essa ideia não era ideal, mas eu preferia ela do que sentir falta dele por um mês inteiro e depois me jogar de cabeça. Com isso em mente, respondi: “Você é ridículo.” Felizmente ou não, a resposta foi imediata: “Você não vive sem mim... – Literalmente.” E logo depois: “Desculpa, muito cedo para piadas sobre tal assunto?” Ri sozinha e notei que ele realmente estava sóbrio. De todas as suas máscaras, a sobriedade era a minha favorita. Sempre tinha sido. Era o meu fraco, era o que me fazia me apaixonar por ele toda vez, de novo e de novo. E eu tinha o perdido. Eu tinha quase me esforçado para perdê-lo. Mas dessa vez eu estava melhor, eu já não tinha tanto medo. Eu já não era tão egoísta, eu não o trairia. Eu não acreditaria no pior dele. Eu ouviria sua versão das histórias mentirosas que espalhavam sobre ele.. Com uma dor no peito, notei que isso só aconteceria se ele voltasse comigo. Eu ainda não o tinha. Ele ainda não era meu. E eu nem tinha certeza se eu realmente queria isso ainda. Era tudo tão confuso. Tentei não pensar muito em tudo aquilo e respondi. Ficamos nos falando até o fuso horário nos trair e eu ter que dormir. Eu sabia que a diferença de horário de Bristol eram quase de cinco horas, então assumi que ele ficou acordado de madrugada para falar comigo, o que não ajudava em nada na minha jornada de me desvincilhar. Acordei no dia seguinte de bom humor. Eu não sabia se tinha sido influência da minha conversa com Sasuke ou não, mas certamente estava mais feliz e o novo ano estava começando de forma excelente. Eu passei os meus dias de férias como sempre passara, apenas as noites que eu trocava. Invés de ir para festas e me perder na noite, eu ia dormir mais cedo e descansava sem pesadelos. Eu teria que voltar a festejar um dia, mas sabia que ainda não estava pronta. Que era muita gente, muitas cores e muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo para eu poder raciocinar. Preferia me manter longe de substâncias que mudassem minha condição também, como bebidas e remédios. Agora eu estava tentando me curar sem ter que me medicar. Seja remédios para dormir ou anti-depressivos. Eu não queria depender de nada para me sentir melhor e eu sabia que ia conseguir. A minha mudança era significativa e eu a percebia toda vez que lembrava de como eu era apenas um ano atrás. Eu já estava pronta para ir pra Bristol. As minhas aulas começariam em uma semana e eu já estava me preparando para voltar para a Inglaterra. Com as malas prontas e a cabeça no lugar, eu passaria a semana aproveitando com os meus amigos de Nova York o máximo possível. Dessa vez eu me despediria propriamente.“Vou chegar dia 3 às 12h do horário de USA, faça as contas ai.” Mandei para Sasuke assim que comprei as passagens. Eu estava com saudades de Bristol. Apesar de fazer pouco mais de um mês que eu estava longe, parecia muito mais que isso. Todo o tempo fora de Nova York pareceu como uma eternidade, e agora o tempo fora de Bristol parecia outra. A vida na Inglaterra parecia a vida de outra pessoa na minha cabeça, algo que tinha acontecido anos atrás. Eu sentia falta de seu tamanho pequeno e de suas características tão charmosas. Sentia falta dos meus amigos e queria vê-los com um sorriso no rosto. Eu ainda não sabia como ia conciliar minha vida de lá com a minha vida do Estados Unidos, mas como todos os outros obstáculos que eu tive, esse era só mais um que eu iria ultrapassar. “Estarei lá.” Recebi como resposta e sorri ao perceber que eu estaria feliz mesmo se aquilo fosse mentira e ele não aparecesse lá.
Notas finais
Oooi amorecos, novo cap procês ♥
A fic vai acabar no cap 51, com o epilogo, então está acabando *chora*
Mas e ai, gostaram? *-*
Beijão :*
A fic vai acabar no cap 51, com o epilogo, então está acabando *chora*
Mas e ai, gostaram? *-*
Beijão :*
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