Máscaras & Sussurros
52 Amanhecer
Naruto foi o primeiro a berrar o meu nome, como eu esperava. E só de ver o seu sorriso congelado naquele rosto alegre, o meu coração explodiu e eu queria parar no tempo. Eu queria guardar aquela imagem pra sempre. De Naruto correndo em minha direção, de Hinata apenas sorrindo atrás com toda a sua gentileza, de Temari virando-se subitamente e abrindo um sorrindo ao me reconhecer, de Shikamaru quase dormindo ao seu lado.
Eu não queria chorar porque nunca gostei de demonstrar fraqueza, mas naquele momento tudo o que me dava força eram aquelas pessoas, que apesar de tudo o que eu tinha feito por elas, ainda estavam ali, de braços abertos. Eles não tinham nenhuma dívida comigo, eles não tinham crescido comigo como os de Nova York, não. Eles tinham passado apenas seis meses comigo. E parecia uma vida toda. Sorri e me senti ser abraçada por Naruto, que falava alguma coisa. Nada fazia sentido e as vozes se misturavam, parecia um filme em câmera lenta. Eu fiz questão de memorizar a expressão de cada um e guardar aquilo no melhor canto da minha mente para eu lembrar toda vez que eu ficasse triste. Quando eu finalmente assimilei tudo o que estava acontecendo, eu me vi sentada no sofá, contando como tinham sido as coisas em Nova York. — Nós passamos o ano novo na mansão da família de Ino, ela acha que eu apaguei o vídeo dela arrotando uma música do High School Musical, mas na verdade eu só mudei o nome. Tem mais de quinhentos mil acessos. – falei, rindo. Diferente dos meus amigos de Nova York, os de Bristol não ouviram aquelas histórias com inveja, como se eu tivesse os traído com outros amigos. Não, eles entendiam que aquelas pessoas das minhas aventuras eram minha outra família e não substitutos. A certo ponto, meus discursos se cessaram e cada um foi para seu canto, tentando achar conforto em sua própria companhia. Novamente, fui atraída para a varanda de trás, exatamente como fui da primeira vez em que estive naquele quarto. E de novo, meus olhos cairam para a Catedral de Bristol, aquela igreja cativante. Eu, que não era nem católica, via uma beleza extraordinária nas instituições religiosas que nem os próprios crentes viam. Passei um certo tempo apenas abraçando aquele momento um tanto nostálgico, até que Temari chegou por trás, com um cigarro em mãos. — Como está o Gaara? – perguntou, cabisbaixa. Eu queria dizer-lhe tudo o que o seu irmão tinha me dito. Toda a verdade. Mas eu sentia que aquele segredo não era meu para compartilhar. Eu simplesmente não podia olhar nos olhos de Temari e dizer algo que Gaara e Sasuke passaram anos escondendo, acreditando ser pelo seu bem. Talvez fosse, eu não sabia. Não cabia a mim julgar. — Bem. Ele sente a sua falta. – foi tudo o que eu disse. Ela acenou, juntando-se a mim, na grade que nos separava do exterior do hotel. — Eu prometi a Hinata que não iria mais falar desse assunto com você, mas... — Você pode falar qualquer coisa comigo, eu estou melhor. – interrompi, já sabendo sobre o que ela iria falar. — Não fala isso pra mim, que eu levo ao pé da letra. – respondeu, brincando. – Escuta... Eu odeio o Sasuke e acho que vou odiá-lo pra sempre. Mas você tem direito de gostar dele e... Sei lá, preciso respeitar isso. Acenei. — Você não precisa respeitar, só se acostumar, porque eu amo ele, Tems. De verdade, eu amo. E eu nunca falei isso de ninguém antes. Acho que foi esse o principal motivo de eu me ferrar tanto. Eu estava morrendo de medo, porque eu nunca tinha me sentido assim e eu estava assustada, como qualquer criança tem medo de escuro. Eu tentei fugir disso, tentei fazer com que ele me odiasse... Sei lá, só estou falando que é sério e eu realmente queria que você entendesse isso. Temari apenas piscou algumas vezes, ela provavelmente não estava esperando tamanha sinceridade de uma vez só. — E eu entendo que você estava tentando me proteger dele, muito obrigada por isso. Mas eu sei onde eu estou me metendo, eu sempre soube. – completei, agora sem fitá-la. — Eu sempre subestimei você, Cherry. – ela respondeu simplesmente. – Desde o momento que eu te vi no bar e você me perguntou quem era ele. Eu lembro de ter pensado que você não ia sobreviver aqui e eu estava certa, mas, ao mesmo tempo, tão completamente errada. Você não só sobreviveu, como deixou efeitos colaterais... Ela deixou a frase pairando no ar e apontou com a cabeça para Sasuke, que por trás do vidro da varanda, estava sorrindo de forma completamente irresistível para Naruto, que aparentemente tentava explicar alguma coisa com um gesticular exagerado de mãos. Sorri com a cena. — Não sei o que você fez, mas ele está melhor. Ele está voltando ao que era. – Temari afirmou, agora me olhando com um sorriso em seu rosto. Devolvi o sorriso e respondi simplesmente: — Eu não fiz nada. Era verdade. Eu e Sasuke estávamos kits. Assim como ele tinha me destruido, ele tinha me salvado, eu devia isso a ele. Ele tinha dito que tinha melhorado por mim, mas eu não acreditava nisso. Não, assim como eu, ele tinha encontrado forças em si mesmo para se reerguer, eu só era o prêmio. O excesso necessário para que nossas vidas ficassem completas.
Temari fez uma expressão de incredulidade, mas preferiu não argumentar, invés disso, pegou no meu braço e me levou para dentro. Já estava tarde, mas ninguém dava indícios de querer ir embora, então simplesmente abrimos outra garrafa de vinho e voltamos a conversar. A certo ponto, consegui um momento a sós com Sasuke, enquanto todos estavam em volta da pequena mesa de centro. Aconchegados na grande poltrona de couro de canto que eu tanto amava, parecia que estávamos em nosso próprio mundo. — Me desculpa por não acreditar em você. – pedi de repente, me referindo a toda história de Kankuro. – Eu nem te dei a chance de se explicar, te julguei da pior maneira possível... Ele não me respondeu nada, então eu simplesmente continuei: — Gaara me contou tudo... Eu me senti péssima, eu cheguei a pensar que você era... Que... — Cherry, pára. – ele pediu, agora me ajeitando em seu colo para que conseguisse olhar em meus olhos. — Não me fala que desculpas não combina comigo. Foda-se isso. Eu me arrependi e... — Não ia falar isso. Você é tão irritante quando acha que tudo é culpa sua. – ele disse, mas não de forma séria e fria. Ele realmente estava se divertindo às minhas custas. Revirei os olhos, eu realmente estava tentando mostrar meu arrependimento, por que ele tornava tudo tão difícil? — Eu não ligo mais se você me julgou. Eu também fiz muita merda. Nós dois fudemos com tudo. Vamos esquecer isso. – ele disse simplesmente, daquele seu jeito indiferente. Ele estava certo. Ficar se remoendo pelo passado era provavelmente a pior coisa que poderíamos fazer àquela altura. Encostei a cabeça em seu ombro e ficamos naquele silêncio que era tão cômodo para nós, eu apenas sentia o seu coração e sua respiração lenta, enquanto ele mexia nos fios do meu cabelo. Se eu pudesse congelar uma cena para guardar para sempre, seria aquela. Eu poderia ficar pra sempre ali, simplesmente aproveitando pacificamente a companhia de Sasuke, sem dramas, sem máscaras, sem mentiras, sem sussurros. Abri os olhos e vi Temari, divertindo-se com o jogo de cartas que estavam jogando. Apesar da clara felicidade, eu via a sombra da angústia em cada sorriso seu, a raiva reprimida em seus olhos... Ela não merecia aquilo. Assim como eu e Sasuke, ela merecia um esclarecimento. — Você tem que contar a verdade para ela. – falei, de repente, fazendo Sasuke se sobressair. — Não. – ele respondeu simplesmente com um tom de voz tão definitivo que eu sabia que qualquer argumentação seria em vão. Não queria discutir, então preferi outro momento para trazer aquele assunto a tona novamente. Lentamente, os raios de sol começaram a invadir a sala, iluminando pouco a pouco tudo o que tocava. Dançando nas frestas das cortinas, eles eram intrusos no nosso ambiente tão envolvido pelo pecado da noite. Aos poucos e sem se despedir, as pessoas foram sumindo e logo, eu e Sasuke também saímos e andamos para lugar nenhum, nos perdendo pelas ruas de Bristol, sem rumo. Estávamos juntos, era o que importava. Em um dia de inverno, por pura ironia do destino, muitos dias depois da minha chegada, nos deparamos com o lugar onde tudo começou, onde eu soube com toda a certeza que eu nunca mais esqueceria daqueles olhos. Na árvore. Naquela árvore onde as raízes presenciaram a posessão total do meu corpo e alma e a completa loucura da minha mente, acordando para o melhor dos prazeres. Sorri com a lembrança e olhei para Sasuke, tentando saber se ele também se lembrava. Eu duvidava que sim, tinha sido há tanto tempo atrás... Mesmo assim, vi um meio sorriso brotar em seu rosto e me perdi em êxtase. Ele lembrava. Nos sentamos juntos encostados na árvore e não dissemos nada, apenas deixamos nossos corpos absorver a memória e importância daquele lugar. Rapidamente e como uma onda, deixei a minha mente viajar. Depois que eu voltei para Bristol, tudo pareceu se encaixar. Logo, eu consegui voltar para os meus estudos e finalmente consegui um emprego decente, ajudando Sasuke a administrar seus horários, agora ele apresentava-se frequentemente com o seu violino em diversas orquestras. Ele se destacava com o seu estilo nada clássico, mas seu talento compensava as aparências e nós não ligávamos para o que ninguém dizia, desde que estivéssemos felizes e ganhando dinheiro. Eventualmente, eu consegui convencer Sasuke a contar a verdade para a Temari. Ela teve dificuldades para assimilar tudo, mas no fim acabou acreditando e perdoando-o. Acho que nunca superou a morte de seu irmão, mas pelo menos agora não tinha tanto ódio no coração e não precisava mais odiar ninguém. E acabei descobrindo a verdade sobre Itachi. Na verdade, foi ele quem fez Sasuke ficar viciado em drogas. Ele colocava doses em suas bebidas para que ele ficasse fisicamente necessitado. Ele queria deixá-lo inapto para que seus pais não deixassem Sasuke ter os direitos sobre a empresa, nem a herança. Itachi se drogava por diversão junto com Sasuke, mas ele já era mais propício ao vício por causa das drogas em suas bebidas quando mais jovem. Quando ele soube o que o irmão mais velho fez, resolveu sair de casa e não manter mais contato, pois sempre que se falavam, Itachi tentava fazer com que ele assinasse um contrato que renunciasse toda a herança de sua família. Toda a história de que Sasuke devia dinheiro para o irmão por causa de drogas era uma mentira que Itachi inventou para cobrir a verdade, pois poderia ser preso por envenenar o próprio irmão. Por causa da condição claramente viciada do Uchiha mais novo, os pais acreditaram que ele estava roubando e o expulsaram de casa e de suas vidas. Sasuke aparentemente não se importava com nada disso e falava que não queria ter nada a ver com uma família assim, mas eu achava tudo muito triste. Tentei em vão convencê-lo a resolver as coisas, mas não adiantou. Mas isso não importava. Não importava porque tínhamos todo o resto para nos manter no chão. Porque, no fim, o pôr de sol de Bristol ainda era maravilhoso. A igreja da frente do quarto 301 ainda me encantava em todos os sentidos. O apartamento de Sasuke ainda era como um lar. O seu violino ainda me proporcionava experiências únicas. A caixa chinesa ainda nos impedia de entrar em casa e destruir tudo. A balada de trás do bar ainda era alucinadora e ainda deixávamos nossas bolsas com o balconista. E eu ainda tínhamos nossa cicatriz de “x”. A jaqueta de Sasuke ainda era preciosa para ele e ainda se tornava minha às vezes. E o meu all-star ainda estava rabiscado e meus pulsos manchados. Kakashi ainda era um idiota. O quadro de Dali ainda era o nosso favorito e na lápide de Orochimaru ainda tinha o “... e gay” escrito com spray. Ainda éramos um pouco egoístas e masoquistas. Mas no fim, tudo era uma prova de que o passado tinha valido a pena, apesar de tudo. E no presente -que é o que importa- estávamos felizes. E ninguém podia tirar isso de nós. Porque estarmos juntos era tudo o que bastava. Sempre foi. Olhei para a lua cheia, que brilhava e beijava os nossos rostos com o seu brilho forte e pensei, que pela primeira vez, eu não queria estar lá. Eu queria estar exatamente onde eu estava. — Vamos, temos que ir. – Sasuke disse, me despertando de meus devaneios. Peguei sua mão e levantei-me. E simplesmente assim... Fomos para casa.
Notas finais
Heeeey, ok, finalmente o fim *chora.
Amanhã eu posto o epílogo, e dai eu me despeço e escrevo um livro aqui nas notas, porque eu sempre me empolgo, eu sou mega emotiva (JURA?).
Eu não sei mesmo escrever últimos capítulos, é uma coisa que eu preciso aprender, então se quiserem me xingar, fiquem a vontade. Haha me falem se gostaram ou não, podem ser sinceros ok?
Beijinhos, até amanhã T_T
PS: cap dedicado à Uchiha Shikichika e à Dallila Machado que recomendaram a fic tão lindamente ♥33 Obrigada lindonas!
Amanhã eu posto o epílogo, e dai eu me despeço e escrevo um livro aqui nas notas, porque eu sempre me empolgo, eu sou mega emotiva (JURA?).
Eu não sei mesmo escrever últimos capítulos, é uma coisa que eu preciso aprender, então se quiserem me xingar, fiquem a vontade. Haha me falem se gostaram ou não, podem ser sinceros ok?
Beijinhos, até amanhã T_T
PS: cap dedicado à Uchiha Shikichika e à Dallila Machado que recomendaram a fic tão lindamente ♥33 Obrigada lindonas!
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