Acordei na véspera da minha viagem com uma ansiedade anormal. Eu acordei bem mais cedo do que o normal e o sol ainda não tinha surgido. Em Nova York, era difícil ver o nascer do sol, mas o pôr do sol da ponte São Francisco é uma das coisas que todo mundo tem que ver antes de morrer.

Decidi acordar mesmo assim, sabia que não iria conseguir dormir de novo. Me levantei e coloquei a roupa que eu separei para a viagem.Ia ficar muito tempo no avião, então escolhi algo confortável e não me importei com o fato de Sasuke me ver daquele jeito, afinal, ele já tinha me visto pior...

Eu teria quer ir embora antes do almoço, então teria só a parte da manhã para me despedir. Não hesitei em acordar Tsunade e falar que iria para o The Republic começar o meu adeus.

Tinha sido bem mais fácil fugir sem dar tchau.

Claro que o bar estava fechado, mas eu tinha a chave, já que a casa de Sai ficava no andar de cima. Entrei e vi todas as cadeiras para cima das mesas e tudo escuro e vazio. Fiquei um tempo observando a cena, quando resolvi correr pelas escadas até o andar de cima.

Eu tinha certeza que ele ainda estava dormindo, mas não liguei em entrar.

Tentando não fazer tanto silêncio, fui direto para a cozinha fazer um café para Sai quando ele acordasse, eu sabia que isso faria com que ele não me odiasse tanto por entrar na sua casa sem pedir.

Mas era o meu último dia em NY, eu tinha um desconto.

Ele acordou cedo, como sempre. Eu nunca soube como ele conseguia acordar antes das dez todos os dias.

Chérie! – ele falou, em francês, assim que me viu.

— Antes que me xingue em francês, eu fiz café! – exclamei e entreguei-lhe uma xicará. – Eu estava sem nada pra fazer e hoje é o meu último dia aqui... – apelei.

— Você sabe que é bem vinda aqui. – ele disse, sem expressão e sentou-se na minha frente. – E eu sei que hoje é o seu último dia aqui. Eu ia preparar uma festa surpresa de despedida no bar daqui uma hora, mas como você está aqui, isso não vai acontecer.

— Eu sempre estrago a minha própria festa surpresa... – mencionei. Era verdade, já era a terceira vez que isso acontecia.

— Vamos te dar uma festa mesmo assim, vamos descer e preparar as coisas, as pessoas vão estar aqui às nove. – ele disse, levantando-se.

— Às nove? Eu duvido que eles vão acordar cedo pra vir... – murmurei, mesmo sabendo que isso não era verdade. Meus amigos podiam estar rabugentos e me odiando por ter que acordar cedo, mas eles apareceriam, eu sabia que sim.

Arrumamos o bar e esperamos até a porta começar a abrir. O que a gente estava fazendo seria ilegal se Sai não fosse o dono do bar e deixasse a gente usar o lugar antes de realmente ser aberto.

Todos ficaram surpresos ao me ver, porque esperavam que eu fosse chegar depois e ficar surpresa. Bom, eles já deviam saber que eu sempre estragava surpresas.

Kiba foi o primeira a dizer alguma coisa, é claro.

— Bomb, não acredito! Você estragou outra festa surpresa! Como você faz isso? – ele perguntou, realmente irritado, mas com uma mescla de curiosidade também.

Dei de ombros, eu não sabia.

Ficamos até às dez conversando e sendo idiotas juntos, como sempre. Parecia apenas mais um dia da semana e aquilo era bom. Eu não queria que parecesse como uma despedida, eu ainda odiava despedidas.

Eu precisava chegar no aeroporto pelo menos uma hora antes, então falei que precisávamos ir. Todos fingiram felicidade e êxtase por mim, mas eu sabia que no fundo estavam tristes por me ver partir de novo, só não queriam mostrar.

Pegamos a van de Shino e fomos até a minha casa, pegar Tsunade, que protestou bastante antes de entrar em um veículo com vários jovens com tinta no cabelo e piercings.

Mas a verdade era que ela já estava acostumada, só estava fazendo corpo duro porque não queria me ver ir embora de novo.

No aeroporto, eu dei um abraço em cada um deles e tentei não chorar.

— Eu sou terrível nisso. – falei, me lembrando de como Temari teve que falar por mim quando fui embora de Bristol.

Olhei para Ino, achando que ela iria se voluntariar para falar por mim, reprisando o papel da minha amiga inglesa, mas nada aconteceu, então apenas falei:

— Eu volto para as férias de verão (n/a: verão = julho nos USA). E vou manter contato, não vou ignorar vocês por seis meses, eu prometo.

Vi Ino bufar, como se não acreditasse e eu revirei os olhos.

— É verdade! – afirmei novamente e todos riram zombateios. – Enfim, vou manter contato. Tchau.

Falando, pousando o olhar em cada um deles uma última vez antes de embarcar. Tsunade me abraçou novamente e falou coisas como “cuidado”, “me liga assim que chegar” e outras coisas que ela realmente não levava a sério. Só estava tentando ser o que não foi quando eu fugi.

Dei um último tchau acenando com a mão e sumi nos corredores para o embarque. Eu sentiria falta de Nova York e o seu aeroporto altamente seguro.

Já no avião, comecei a pensar em como tudo tinha passado tão rápido. Tinha sido mais de um mês e parecia que passou apenas alguns dias. E mesmo assim, parecia que eu estivera em Bristol há anos atrás.


O tempo era tão relativo. Eu sempre odiei quem dizia o contrário. Como alguém pode falar que o tempo não passa mais rápido em certos momentos e até pára em outros? Essas pessoas certamente nunca se apaixonaram. Ou tiveram que ouvir uma palestra de cinco horas sobre direitos civis.

Na ida para Inglaterra pela primeira vez, a viagem tinha sido prazerosa e rápida, agora, como se o universo estivesse tentando provar o meu ponto, parecia estar demorando eras.

Eu sabia que estava parecendo durar mais porque eu veria Sasuke. E mesmo que eu tentasse negar para mim mesma, eu estava ansiosa para ver seus cabelos negros combinando com seus olhos profundos. Eu tinha que ver se ele realmente estava mudado.

Eu queria saber se ele ainda me odiava. Queria saber porque ele tinha decidido me pegar no aeroporto e porque ele tinha escondido a verdade sobre Kankuro.

Percebi, percebendo quão patétitca eu era, que depois de todo esse tempo, eu ainda queria desvendar Sasuke Uchiha. Ele ainda era aquele mistério que eu não sabia como lidar. Ele ainda tinha sua mente complexa com quebra cabeças a serem desfeitos.

E era exatamente isso que me fazia amá-lo tanto.

Era sua complexidade, sua inteligência, sua profundidade. Era o seu jeito racional, mas completamente impulsivo. Seu caráter bipolar, mas constante. Todas as suas máscaras, que combinavam tão perfeitamente com as minhas.

Meu olhar pousou nas minhas cicatrizes ainda visíveis no meu pulso e eu suspirei. Eu tinha feito isso comigo mesma. Tentava culpá-lo pelo o meu erro, mas eu sabia que tinha sido a minha mente enganado a ela mesma.

Era óbvio que ficar com ele tinha despertado essa loucura em mim, mas a culpa não era dele. Era minha e só minha. E era por isso que eu sabia que já podia vê-lo de novo sem me deixar afetar. Porque agora eu era forte para não me perder novamente.

Eu não iria me deixar influenciar pela perdição da negritude de seus olhos. Eu não me condenaria por pecados, porque não os cometeria mais.

Um toque do meu celular me despertou do mergulho profundo que eu estava fazendo na minha própria mente.

Já estou com saudades”, seguida por várias carinhas tristes. Ino conseguia ser completamente carinhosa quando ela queria. Eu sabia que aquilo era mentira, não era possível alguém sentir falta de outra pessoa em algumas horas, ainda mais Ino, que tinha o coração de pedra quando se tratava de amizade.

Mentirosa. Você só deve estar entediada porque o Gaara está fazendo alguma coisa sem você”, respondi, sabendo que ela não iria se ofender. Ter uma conexão assim com alguém me permitia soltar comentários ácidos e grossos, já sabendo como a pessoa iria reagir.

Minhas amigas de Nova York eram como família, então não importava o que eu fizesse, elas ainda gostariam de mim e isso era o meu porto seguro. Era o que faria com que eu não surtasse novamente.

Você me conhece bem demais, testuda. Me conta todos os detalhes sórdidos de quando você encontrar aquele partidão Uchiha. Sim, eu pesquisei ele no Google. Mandou ver, amiga, estou orgulhosa!”, me dei ao direito de corrigir os erros gramaticais para tornar isso legível.

Você é nojenta. E eu não sabia que você sabia como pesquisar coisas no Google”, respondi, brincando.

Haha, engraçadinha! Desliga esse celular, senão o avião vai cair e a Tsunade vai me culpar”.

Pensei em Tsunade e como ela estava sozinha novamente. E apesar dela não ligar para isso, eu sabia que seria difícil para ela ficar sóbria, sem ter alguém para servir de distração. Eu estava torcendo para que ela não piorasse novamente.

Falando em Tsunade, você vai ter que cuidar dela para mim, porca. Não sei se você percebeu, mas ela estava bem melhor do que antes, não quero que piore de novo”, mandei, torcendo para que ela entendesse o que eu queria dizer.

Você se acha hein, garota? Ela não vai piorar só porque você se mandou. Ninguém te ama tanto assim”, eu sabia que ela estava brincando, mas também notei que não tinha prometido cuidar de minha tia, então escrevi de novo:

Promete que vai cuidar dela.

Que idiota, Cherry! Claro que eu vou cuidar dela! Você está matando o momento fofo de amigas...”

Suspirei, talvez confiar em Ino não fosse uma ideia tão boa, mas mesmo assim eu confiava a minha vida a ela, então sabia que não era um erro. Ela com certeza não iria deixar Tsunade se afundar novamente, elas tinham alguma conexão estranha que eu nunca entendi.

E ai, já chegou em Bristol?”, perguntou de repente, me fazendo rir.

Você realmente vai ficar me mandando mensagem de texto a cada cinco minutos? Eu te aviso quando chegar em Bristol. E me deixa em paz.”

Você é tão grossa.

Li com um sorriso no rosto e ouvi a comissária de bordo falar para apertarmos nossos cintos e nos preparmos para a descida.

Quando o avião finalmente pouso, eu quase pude sentir o ar frio e característico da Inglaterra cobrindo o meu corpo, apesar de saber que não tinha como. Levantei da minha poltrona e me ajeitei o máximo que consegui, eu tinha que mostar a Sasuke que eu estava bem sem ele.

Pisei no aeroporto e tudo o que eu consegui pensar era que eu veria Sasuke Uchiha e teria que estar preparada. Eu não podia ter um ataque de pânico novamente. Eu não podia ficar sem ar.

Eu iria conseguir vê-lo e não surtar.

Tentando me convecer, sai do portão de embarque.

Notas finais
(GENTE ALGUEM É FÃ DE KINGDOM HEARTS?? ALGUÉM MAIS TA SURTANDO PELO LANCAMENTO DO 3???? EU TO MORTA AINDA!)
Enfiiiim esse é o anti-penúltimo cap ):, sei que não tem nada demais, mas achei ele necessário para a conclusão.
Gostaram?

Beeijos :*

PS: feliz dia dos namorados pra quem tem namorado! Hahaha