Máscara

11 O Fim - Parte II


Notas iniciais
Disclaimer: TMJ pertence ao Mauricio de Souza (:

– Narração Denise –

Eu combinei com a Carmem que colocaríamos algo na bebida da Mônica e da Magali pra que elas dormissem até o final do jogo, então prenderíamos elas aqui dentro e só as tiraríamos quando fossem amigas novamente. Ninguém mais aguenta isso, essa rivalidade. São chamadas na escola de “frienemies”, o que é uma espécie de friends e enemies, amigas e inimigas. É um nome estranho, mas descreve a relação atual delas. Haha. Mas isso não importa agora, o que importa é que o jogo está acabando, e o povo já começou a sair do estádio. Daqui consigo ver a Mônica, apagada também. A Carmem viu que eu estava olhando pra lá e acenou, depois levantou o dedão em sinal de ‘sim’. O jogo acabou. Os Limões ganharam! AEAE \\O/. Agora tá todo mundo comemorando, foi uma virada, 3 a 2 para nós, o jogo foi ótimo, agora só estou pensando em como vou pra casa com o pensamento limpo, porque né.

– Narração Magali –

Estou acordando, quer dizer, acho isso. Tudo tá ficando claro de novo e estou abrindo os olhos. Mas o ginásio ta escuro, espera, cadê todo mundo? Eu acho que eu dormi e me deixaram aqui. Eu não faço a mínima ideia. Tudo sumiu e, espera, eu vejo a sombra de alguém. Eu acho que é a... A Mônica?! O que ela tá fazendo aqui? O que eu to fazendo aqui?

– Narração Off-

Eram duas garotas dentro de um estádio vazio e escuro. Nada, nada mesmo podia dar errado no plano da garota ruiva. Parecia tão simples, e seria tão bom vê-las amigas novamente depois.

_O que você tá fazendo aqui? – Perguntou Mônica, embravecida.

_O que você tá fazendo aqui?! – Magali respondeu, com um pouco mais de raiva na voz. – Olha garota, se você tiver alguma coisa a ver...

_Eu não tenho nada a ver com isso, você acha que eu seria idiota o suficiente pra me prender num lugar com você? – Retrucou a garota, impedindo a outra de terminar de falar.

_Não se pergunta algo que não se queira ouvir a resposta. – Depois dessa resposta, os olhos da Mônica se incendiaram de raiva. Magali observou Mônica dos pés a cabeça, e se ligou que ela não poderia ficar presa ali, por causa da criança.

_Olha aqui garota, se você vai ficar... – Tentou responder Mônica, mas foi impedida pela Magali.

_Calada. –Mônica arregalou os olhos. – Essa não é a hora de brigarmos. Temos que dar um jeito de sair daqui, e não, eu não vou fazer isso por você e sim pela criança. Já acho cruel demais ele ter uma mãe como você.

_Acho que devíamos concordar em, pelo menos agora, pararmos de nos atacar. – Mônica estendeu a mão e Magali a apertou. Era o começo da paz entre as duas, ou será que não? Magali saiu de perto da Mônica. – Magali, tenho um segredo... – A garota estava com lágrimas nos olhos, mas foi interrompida.

_Olha, eu acho que isso aqui é uma saída de ventilação, eu posso te dar pezinho e você vai. Você não pode ficar muito tempo mais aqui, pode fazer mal pro bebê. – A garota parecia realmente preocupada.

_Você fala como se eu passasse por ai. Olha o tamanho da minha barriga, criatura. – A outra garota estava a ponto de chorar. – Eu te dou pezinho e você tira a gente daqui. – Ela estava insegura em relação a mandar a garota que dizia tanto odiá-la para salvá-las.

_Mas eu não posso subir em você...

_É isso ou ficarmos presas aqui. – Mônica falou e Magali assentiu. A garota de cabelos longos subiu no ombro da outra garota, de cabelos não tão longos assim, e foi tentar entrar no cano da ventilação. –AAAAAAAAAA! – Mônica gritou, havia algo que ela não entendeu, ela sentiu uma dor muito forte na barriga, bem onde o bebê ficava. Magali notou e pulou, Mônica caiu no chão e a outra garota foi ajuda-la. Ela viu o sangue escorrendo pelo das pernas da garota e se desesperou.

_Mô, o seu bebê tá... Nascendo! – Era a coisa mais óbvia, mas também a única a ser dita naquele momento. Nada era igual aquilo. Magali pegou seu celular, que estava em seu bolso e tentou desesperadamente ligar pra alguém, mas o celular não pegou de jeito nenhum dentro daquele ginásio.

–Narração Magali-

AAAAAAAAAAAA. Eu tenho que manter a calma, manter a calma. AAA! Como eu vou manter a calma? A Mônica tá tendo o bebê, meu celular não pega dentro dessa bosta de ginásio, eu não sei quem apronto isso com a gente, mas eu sei que quando eu pegar, eu vou matar! Porcaria, eu não quero deixar ela aqui, mas é a única forma de poder chamar alguém. Mas e se eu entrar no caminho errado? E se eu fizer errado? E se der tudo errado? Eu to desesperada! Eu não sei o que dizer, fazer.

_Magá, você tem que ir lá na rua. É a nossa – Mônica deu um gemido forte de dor por causa do bebê – Única chance ;s.

_Mas eu não consigo subir lá e você não pode me levantar nesse estado.

_Procure uma cadeira. Acho que com isso você consegue subir. – Mônica parecia mais calma que eu, que estava em estado de pânico. Eu peguei meu celular e usei-o do único jeito que ele funcionava: Só pra tentar iluminar. E o mais legal é que ele nem ilumina muito ¬¬. Mas foi o que deu e finalmente! Achei uma cadeira, não é das maiores, mas vai dar pra alcançar a entrada da ventilação. Peguei a cadeira e coloquei embaixo da entrada. Subi sem muito esforço e entrei na ventilação, só que é muito escuro aqui. E não tem muito espaço. Me sinto sufocada, não tem muito ar aqui. Mas eu tenho que continuar, fazer isso pela Mô e pelo filho dela. De repente, eu caio na grama. Estou do lado de fora \\o/. Liguei pra uma ambulância. Eles estão vindo. Agora vou ligar para o Cas, preciso dele aqui.

_Cas, vem pra o ginásio da escola, agora. Preciso de você aqui. – Eu disse logo que ele atendeu, ele disse que em dois minutos estaria aqui.

– Narração Cascão –

Ah meu Deus, eu não sei porque concordei com a Denise! A Magá tá desesperada. Eu não acredito no que eu fiz. Eu to correndo o mais rápido que posso até o ginásio da escola, pelo menos ela não é muito longe dali. Logo eu vi a Magá gritando, na porta do ginásio.

_Maga, o que houve?

_Eu não sei amor, eu só sei que eu acordei dentro do ginásio e a Mônica tá lá, ganhando o bebê e, e, e... – Tadinha, tava desesperada. Eu fui e abracei ela. – Chama o Cebola, ele poderá ajudar. – Disse ela, ficando um pouco mais calma. Eu só assenti. – Amor, me coloca no teu ombro, eu vou voltar lá pra dentro. A Mônica precisa de mim.

_Mas como você saiu?

_Pela ventilação. Rápido! – Ela me levou até o túnel da ventilação e eu dei pezinho pra ela subir. Estou ouvindo uma sirene. Parece de ambulância e não parece estar muito longe.

– Narração Magali –

Estou voltando para dentro do ginásio. É, parece loucura, mas eu sinto que a Mônica precisa de mim. Eu consigo entrar no ginásio, sem cair no chão, é. Melhor assim né. Mas a Mônica tá sangrando muito e parece estar sentindo muita dor.

– Narração Off –

Um homem todo vestido de azul escuro chutou fortemente a porta do ginásio. A porta se abriu e então ele viu. Viu uma garota de 16 anos ganhando um bebê e sua melhor amiga do lado, segurando a mão dela e lhe dizendo que tudo ficaria bem. Ele chamou a maca. Ele e mais uma médica e um enfermeiro levaram a garota para dentro da ambulância. Havia um garoto que entrou correndo depois do paramédico no ginásio. Ele tinha os cabelos meio espetados, tinha lágrimas escorrendo pelo rosto e dizia repetidamente que amava a garota que estava ganhando o bebê. Ele correu segurando na maca com a garota até a ambulância. Ele queria ir a qualquer custo.

_Só um pra acompanhar. – Disse a médica. Os três se entreolharam e então a garota de cabelos compridos entrou na ambulância. Aconteceu tudo muito rápido.

_Mô, por favor, me desculpe. Eu não sei o que dizer, mas eu prometo a você que vai ficar tudo bem. Eu to aqui agora. Tudo vai ficar bem. – Disse Magali à Monica, que estava pouco consciente naquele momento. Depois eles chegaram ao hospital e os médicos levaram a Mônica até a sala de cirurgia. Logo depois chegaram os pais da garota, junto com eles Cebola e Cascão. Todos estavam muito nervosos. Algumas horas depois, o médico vai até a sala de espera.

_Vocês são conhecidos da senhorita Mônica Souza? – Todos olharam com receio, mas concordaram. – Eu vim lhes dar a feliz noticia que tudo ocorreu muito bem e, em algumas horas, poderão visita-la.

_E o bebê? – Perguntou Cebola.

_Nunca vi uma criança tão forte. – Disse o médico, sorrindo. Todos pularam e começaram a chorar, mas a chorar de emoção. O médico voltou a seu posto.

_Olha, se vocês quiserem ir para casa, descansar, vão. É a única coisa que se pode fazer agora. Como nós somos os pais da Mônica, nós vamos ficar aqui, até que vocês voltem. – Disse seu Souza, e os três jovens não concordaram muito, mas acabaram aceitando. Algum tempo depois, o médico voltou ali e disse que eles já poderiam visitar a garota. Os pais da Mônica foram até o quarto e viram ela, ainda dormindo. Eles sorriram por estar tudo bem com a filha deles e se sentaram num sofá que havia perto da cama. Dona Luisa se encostou no ombro do seu marido e adormeceu. Magali, Cascão e Cebola foram para a casa do Cascão, já que era a mais perto do hospital. Lá eles jogaram um pouco de conversa fora, mas logo caíram no sono também.

~No outro dia~

Magali acordou por volta das 9 horas da manhã, e depois acordou Cascão e Cebola, respectivamente. Ela estava ansiosa para visitar a recente antiga amiga. Eles foram andando até o hospital e logo que chegaram lá, pediram para entrar no quarto da Mônica. Eles foram andando, devagar. Logo entraram no quarto e felicitaram a amiga. Ela estava com o bebê no colo. Era um menino, até bem cabeludo. Cabelos escuros e olhos claros. Mas bem, ele era recém-nascido, a cor dos olhos poderia mudar. Cebola sorriu e deu um selinho em Mônica, bem, aquilo parecia um ‘quer voltar comigo?’ e um ‘quero’ como resposta. Parecia que havia remorso no olhar da Mônica, algo que raramente viam. Mas Magali percebeu.

_E então amiga, qual vai ser o nome dele? – Disse Magali, tentando quebrar o clima meio pesado.

_Andrews. Eu amo esse nome. – Cebola deu um sorriso e assentiu. – Cê, eu preciso te falar uma coisa. – Todos ficaram nervosos.

_Quer que a gente saia? – Sugeriu Cascão.

_Não, prefiro que fiquem aqui. – Todos assentiram, na sala só havia Mônica, Magali, Cebola e Cascão (e o bebê, mas ele não sabia falar e não entendia, então não contava). – Cê, você não é o pai do Andrew. – Cebola ficou pasmado.

_Mas e... – Mônica interrompeu Cebola.

_Me deixa terminar, por favor. O pai do Andrew é o Fábio. Mas... – Cebola saiu correndo. Magali e Cascão gritaram pelo nome dele, mas ele não voltou.Mônica começou a chorar.

– Narração Cebola –

Eu não acredito! Como aquela criança não pode ser meu filho? Como pode ser filho do Fábio?! Porque justo com o Fábio? O garoto que vem me causando provocações todos esses meses, tanto físicas, quanto morais e virtuais. Eu venho sofrendo de depressão e de bullying. Tenho faltado aulas por ter que voltar pra casa pra trocar de roupa, motivo? Jogarem tinta em cima de mim. Colocarem minha cabeça dentro do vaso. Acabar com meus cadernos. O Fábio e o Toni até acharam um hacker para o jogo que eu jogo. Hackearam minha conta. Eu não tenho amigos, nem virtuais, nem reais, nem nada. Eu só tenho gente que não se importa e que me odeia. Eu visto camisetas de manga longa até no verão. Eu não quero que vejam meus braços, porque nem o sangue que escorre neles é mais meu. Minha alma não me pertence mais, meus braços têm cicatrizes que vão desde o pulso até o antebraço. Nos dois braços. Ninguém nota, porque ninguém liga. Esses cortes são formas de pedir socorro, mas ninguém liga. PRA MIM CHEGA! Eu não sei como, mas eu vou fazer isso. Eu peguei uma folha e uma caneta e comecei a escrever ali. Depois peguei uma corda que tenho guardada e amarrei bem forte na parte mais alta da casa; a janela do sótão que dá para os fundos. Deixei o bilhete numa mesinha que tem pouco antes da janela e cravei o facão em cima do bilhete, que se prendeu junto à mesa. Depois amarrei a corda no pescoço e subi na janela. Como será o fim de uma vida? Será que ficará tudo escuro e não aparecerá mais nada? Só vou descobrir isso, agora.

– Narração Off –

Mônica sentou-se na cama do hospital, e olhou profundamente nos olhos da Magali. Ali Magali soube que tinha algo errado no fato do Fábio ser o pai da criança.

_Vou contar. Eu não engravidei do Fábio porque eu quis. Foi assim...

~FlashBack~

Estava com um vestido vermelho. Eu estava indo a uma festa que o Cê disse pra eu não ir. Acho que eu estava indo a essa festa porque ele disse pra eu não ir. Fábio tinha dado em cima de mim uns dias e então me convidou para a festa na casa dele. A casa do Fábio era enorme, tinha um bosque ao lado e era linda. Então eu fui à festa, o Fábio foi me buscar em casa, e depois ele me convidou para dançar.Dançamos uma música lenta e depois que começou a batida da música denovo, ele sussurrou no meu ouvido:

_Vamos ali no lago? É lindo lá e é mais ou menos um km daqui. – Eu concordei com um sorriso no rosto. Não sabia que a casa dele havia um lago. Nós saímos da casa e fomos à dentro da floresta. Ele dissera que o lago ficava perto, mas tinha que atravessar a floresta. Fomos papeando, até que chegou certo ponto e tínhamos andado quase um km, e não havia visão de lago.

_Fábio, onde está o lago? – Perguntei, pouco receosa.

_Mônica, nós dois sabemos pra que viemos aqui.

_Sabemos, é? Pra que viemos? – Eu vi ele abrindo o cinto. Ah não. Eu nunca fiz sexo nem com o Cebola, que é o garoto que eu mais gosto, imagine com o Fábio? – Não Fábio, eu não vou fazer isso. – Disse e comecei a voltar.

_Você não tem escolha. Daqui ninguém lhe ouve. – Eu comecei a correr de volta para a casa. Mas era muito longe. Eu parecia uma presa, e o Fábio era o caçador. Ele veio em mim e me segurou fortemente.Eu era a garota mais forte, antes. Mas isso havia mudado e vários garotos eram mais fortes que eu agora. Ele me jogou no chão. Ele levantou meu vestido vermelho, e abaixou a calça dele.

_Fábio, por favor, não. SOCOOOOOOOOOOOOOOOORRO! – Eu já chorava. Ele colocou uma mão na minha boca. Eu tentei lutar contra ele, mas ele era mais forte.

_Se você não gritar, prometo que não dói tanto. – Ele fez cara de mau. Eu estava totalmente perdida.

_Por favor, Fábio, não. Não, não, não... Não. – Eu já era mais fraca. Ele abaixou a cueca e abaixou a minha calcinha. Eu estava chorando muito agora. Ele começou a colocar aquilo em mim e começou a colocar forte. Senti o sangue sair. Ele fazia movimentos pra frente e pra trás muito fortes. Doía demais. Eu chorava muito. Então eu senti algo quente dentro de mim. Eu não sei o que é, mas é aterrorizante. Ele colocou suas calças denovo. E voltou para festa, como se nada tivesse acontecido. Eu meio que me ajeitei, meus cabelos estão revirados, tem sangue escorrendo pelas minhas pernas e eu vou ir pra casa. Não estou nem ai pro que pensam de mim agora. Andei quase 10km até em casa. Abri a porta com a chave escondida que ficava debaixo da pedra. Bati na porta quarto dos meus pais, mas eles não respondiam.Fui para o meu quarto, que por sorte era uma suíte, tomei um bom banho e voltei para o meu quarto. Tentei dormir, mas não consegui. Com as luzes desligadas, eu fiquei ali, acordada a noite inteira.

~Fim do FlashBack~

_E daí eu fiquei com depressão e tive aquela briga com você, me desculpe. – Disse Mônica, terminando a narração. Magali estava com a boca aberta e Cascão estava a abraçando pelas costas.

_Porque você não me contou?

_Eu estava em choque, amiga.

_Me desculpe. Eu não sabia, eu... – Disse Magali, mas Mônica a interrompeu com um abraço.

_Tudo bem. Nós temos que ir atrás do Cê. Ele não me parecia bem quando saiu daqui. – Disse Mônica. – O médico disse que é pra mim ir um pouco no sol, pegar um pouco de vitamina D. Mas disse pra mim voltar ao hospital em no máximo 2 horas, assim que saísse do hospital.

_Mô, eu vou ali visitar a minha mãe tá? – Disse Magali, saindo.

_Ok, Cas, vai junto?

_Não, ela prefere ir sozinha.

Notas finais
Hey Hey Hey õE peço desculpas novamente. Estou postando por partes porque eu termino de escrever e posto. É. Espero que vocês gostem *-*Obrigada pela paciência e por não pararem de ler *-*