Notas iniciais
olá, eu ando meio doente, estou escrevendo devagarinho

Tom e Cass pararam para conversar logo depois da entrada no prédio, onde já estavam mais protegidos do vento. Saíram da frente da porta e conversavam em um canto:

— Mas o que você disse? – Cass perguntava.

— Eu não sabia o que você queria que eu dissesse. – ele respondia quase cochichando – E aí eu disse que a gente se aproximou, que conversamos muito… Dei a entender que a gente poderia vir a ter alguma coisa. – ele a observava buscando alguma reação que indicasse se ela gostava ou não da ideia – Mas de um jeito que se você quiser desfazer essa impressão, é relativamente simples.

— Entendi.

Cassandra entendia não só a escolha de Tom e porquê ele disse que ela vestir a jaqueta dele não faria diferença na impressão dos outros. Porém, só poderia concluir que ele queria confirmar essa impressão quando sugeriu que ela vestisse o casaco.

— Agi certo? – ele perguntou.

— Eu sei lá. – ela riu – Talvez eles só quisessem a fofoca.

Tom sabia que não era apenas isso, mas resolveu mudar de assunto:

— E a sua teoria?

— Espera, melhor disfarçar.

Cass puxou um livro didático da bolsa, o abriu aleatoriamente e se colocou ao lado de Tom, quase encostada na parede, onde conseguiam fingir analisar alguma coisa nas páginas. Uma vez bem acomodados, os dois se contataram telepaticamente.

— Minha teoria é a seguinte: quando estamos com nossas famílias, temos uma energia em comum que é reforçada. – ela explica – Você consegue perceber isso?

— Eu particularmente não, mas já li algo a respeito.

— Eu sinto quando estou com Agda e meu pai, e vejo também quando você está com seus pais e sua avó.

— Tudo bem, mas o que tem?

— No dia do contato com minha mãe, meu pai havia me levado ao Coliseu com Agda. A presença de nós três pode ter mandado um sinal, talvez um sinal que minha mãe estivesse esperando! É a energia da família dela.

Sem interromper os pensamentos, ela soltava frases como “isso aqui que eu não entendo”, para não parecer que estavam observando um livro em silêncio.

— Se o lugar for mesmo propício a portais, ela pode estar monitorando os pontos em busca de um sinal de que vocês estão juntos…

— Ele é adequado para portais, meu pai falou disso quando foi me levar.

— E você só pensou nisso depois que a gente até se beijou?

Tom buscava a expressão de Cass pelo canto dos olhos, ela torcia a boca um pouco tímida para responder:

— O que? Acha que eu já tinha a solução para achar minha mãe e resolvi que beijar você era uma prioridade?

— Vá com calma, precisamos testar sua teoria. E eu não pensei em prioridade, só achei conveniente.

— Conveniente?

Cass olhou para Tom, querendo saber o que ele queria dizer .

— Seu rosto é lindo quando você está perplexa. – ele pensou.

— Meu rosto é lindo?

— Sim. Mas agora precisamos nos preocupar, porque se a agência for toda de quem recebe o sinal, não teremos controle sobre quem o recebe.

— Claro, pensaremos nisso, mas…

Cass fechou o campo telepático e fechou o livro didático que eles fingiam analisar.

— Você está bem? – ela perguntou.

— Estou ótimo, o que houve?

— Achei estranho.

— O que?

— Você elogiando minha aparência.

— Não posso te achar bonita? – ele levantou uma sobrancelha, e cruzou os braços se virando para ela.

— Pode. Claro que pode. – Ela respondeu fazendo o mesmo – Eu mesma também te acho muito bonito!

— Ah é?

— Sim, desde a primeira vez que te vi. – Cass dava de ombros.

Aquele era provavelmente o flerte mais estranho e afrontoso que Thomas já havia participado, se segurava para não rir com isso.

— Eu te achava bonitinha, mas aí você apelou com aquele vestidinho preto e amarelo.

— Qual?

— O xadrez, quando você foi na minha casa pela primeira vez.

Esse tom de quem baseou a relação em provocações até agora facilitava para Cass. Por dentro, adorava o sorriso de canto de Tom e o flerte estranho, por fora fingia indiferença.

— Ah, mesmo? – ela observava as próprias unhas – E você acha o que? Que eu estava tentando chamar sua atenção naquele dia?

— Eu tenho certeza que você se esforçou naquele dia. E por que você se esforçaria?

— Eu só estava me sentindo bem comigo mesma.

— Não. O seu uniforme de “se sentindo bem com você mesma” é a calça vinho do seu pijama e uma camisetinha justa que você sempre usa. – marcava os seios dela, sempre atraía os olhos dele – Uma covardia.

— Só admite logo.

— O que?

— Que você quer ficar comigo, né? – Tom estalou a língua, não respondeu. Poderia prolongar essa provocação por horas. – Agora é você quem está perplexo.

— Não estou perplexo, estou calculando minha resposta.

— Tudo bem então, calcule sua resposta. Eu já tenho uma.

— Quer me dizer?

— Não antes de você admitir.

— Você gosta de negociar, hein.

Ela sorriu satisfeita. O sinal tocou fazendo com que os alunos se movimentassem. Os dois observaram os colegas e Cass descruzou os braços, suspirando pelo silêncio de Thomas. Ela se virou em direção a sala, deu seu primeiro passo, quando ele disse:

— Espera.

— Que foi? – ela parou e se virou para ele de novo.

— Faça.

— Hã?

— Use seus poderes. Leia-me.

Cass se surpreendeu. De repente ele seria transparente? Respirou fundo um tanto ansiosa, se permitindo olhar para Thomas naquele instante e dessa vez com calma, sem pressa.

Tom era como a água.

Águas profundas de onde os sentimentos precisam emergir, porque ficam afundados em ponderações e lógica.

Ouvia um pensamento de Tom: “por favor, perceba que é sincero”.

E sentia no coração daquele mar o que ela podia chamar de amor. O afeto. O quanto ele ansiava para que ela percebesse um carinho que surgiu sem querer, mas havia ocupado de forma persistente este lugar profundo.

— É sério. – ele insistia sem saber que já estava acontecendo – Eu quero que você veja.

Tom diria mais alguma coisa, mas foi calado pela garota que deu dois passos rápidos em sua direção e o puxou pela nuca. Cass beijou seus lábios de forma que ele só conseguia definir como apaixonada. Ele a abraçou pela cintura, a ergueu em seus braços mantendo seus troncos colados frente a frente. Suas auras interagiam e se iluminavam. Ela o abraçava e o beijava finalmente entregue, esta era a palavra certa. Ela aproveitava a sensação dos lábios dele nos seus quando ele ouviu o pensamento dela.

— Você não está me carregando, está me flutuando.

— Ninguém vai saber.

— Eu te adoro, trapaceiro.

— Eu adorei sua resposta.

Eles soltaram os lábios para se olharem nos olhos, as auras não se retraíam. Ao redor dos dois, tudo era verde.

*

A tarde de sábado na casa de Cícero estava divertida. A família de Thomas compareceu trazendo sobremesas. Agda estava tímida a princípio, mas se interessou por Ariela quando disseram que a fonte de poderes da senhora eram registros escritos. Semelhante o suficiente com sua própria fonte de poder.

Thomas e Yago passaram longos minutos analisando o dispositivo que levava aos quartos, o como a pedra correspondente ao quarto escolhido brilhava quando se pensava nele, era no mínimo interessante. Thomas ficou satisfeito em saber que agora conseguia teleportar até a porta do quarto de Cassandra se quisesse.

Cass se revelava boa anfitriã, mantinha as pessoas falando, logo levou Ariela e Ayla para o quintal organizado por seu pai para que se acomodassem. Entendia a precipitação de Cícero, era satisfatória ter outros bruxos em sua própria casa, revitaliza o ambiente, trocava os ares.

Depois de conversas, comidas e dos grupos se modificarem algumas vezes, Cícero, Thomas e Yago se encontravam no ateliê de Cícero. O pai das garotas custava a dar o braço a torcer, mas havia gostado de Tom. Achava o garoto curioso, confiante e, pelo como se conheceram, sabia que ele tentava cuidar de Cassandra. Houve um pequeno silêncio entre os três quando ouviu a voz do adolescente perguntar:

— Você não contou a ela ainda, né? Sobre os poderes.

— Não. – Cícero respondeu observando o rapaz, percebia que ele queria saber o porquê e não esperou que perguntasse – Depois que ela saber, os poderes vão se desenvolver rápido. Eu estou atualizando algumas de nossas defesas para manter a todos seguros.

— Eu estou o ajudando nisso, filho, fique tranquilo. – Yago também olhava para o filho enquanto falava.

— Entendi. – o mais jovem balançava a cabeça digerindo a informação.

— Você geralmente não liga de guardar segredo. – Yago pensava em provocar o garoto. Sabia que algo acontecia entre os dois.

— Por um tempo eu não ligo. – Tom respondeu – Só acho que ela tem que saber.

— Ela vai, te asseguro. – Cícero o acalmava – Estamos apenas construindo o momento certo.

— Yago! – ouviram a voz de Ayla o chamando de fora do ateliê – Como era aquela história da pirâmide aliada mesmo?

Yago riu só de lembrar.

— Com licença, eu preciso contar essa.

O bruxo de cavanhaque prateado se ausentou, deixando Cícero e Thomas no ateliê.

— Não quer ouvir a história do seu pai? – Cícero perguntou.

— Eu já ouvi essa história um milhão de vezes! – Thomas ria e negava com a cabeça.

Cícero também riu, mas quando olhou para Thomas novamente, percebeu que o garoto parecia estar pensando em como dizer algo. Ele esperou, calmo, até o jovem bruxo dizer:

— Eu fiquei aliviado de saber que meu pai está ajudando.

— Sim, está. Você parecia bem investido em tentar ajudar, mas fique tranquilo, estamos cuidando disso.

Mas os pais de Tom haviam o pedido para se afastar e Cícero não sabia disso.

— Eu queria ajudar com alguma coisa que a fizesse passar despercebida se encontrasse alguém de novo ou se alguém a procurasse.

Tom tirou um pequeno cristal do bolso, lembrava uma ametista. A pedra tinha um formato irregular, devia medir uma polegada e possuía uma extremidade incolor e translúcida e a outra tomada de um roxo profundo, com um belo degradê entre elas.

— Um amuleto? – Cícero perguntou.

— Sim. Eu preciso apenas de algo que a segure formando um pingente, geralmente não preciso ter muita preocupação estética, mas acho que ela se importaria, então estava pensando se eu poderia usar algumas ferramentas emprestado.

— Eu posso fazer algo pra você.

— Eu quero fazer! Digo, eu quero ter essa habilidade, então…

— Claro! Claro… – Cícero queria gargalhar, mas se satisfazia em manter um pequeno sorriso no rosto – Pode usar o que quiser, tenho alguns metais maleáveis nos fundos.

— Parece ótimo! Obrigado.

— Não há de que.

Cícero o deixou sozinho por algum tempo, voltou depois de minutos vendo o garoto empenhado, mas inexperiente. Deu conselhos tentando não se meter demais, acreditava que este era o momento para o qual pais se preparavam. A filha conhece alguém, logo esse alguém frequenta sua casa, usa suas coisas, te fazia aprender e ensinar coisas. Cassandra não havia lhe contado nada mais uma vez, mas o ressentimento e a dureza nunca duraram muito em seu coração e estava feliz em saber que ao menos se tratava de alguém dedicado. Tentaria receber Tom como nunca fora recebido pelo pai de Ariane.

*

Muito longe dali, uma mulher de cabelos loiros e ondulados estava prostrada sobre uma mesa em frente a um globo de metal que girava rapidamente. Observava o globo com olhos atentos, esperando qualquer mínima luz. O quarto em que estava era cinza, improvisado, as paredes tinham resistência mágica, a cama era um tanto pequena e possuía poucas roupas e pertences guardados em uma bolsa e uma caixa.

O globo continuava girando, sem luz alguma.

— Sur Ariane. – ouviu chamar do lado de fora – Estamos te esperando.

Ariane se levantou de supetão, jogando os cabelos para trás. Rapidamente começou a trançar seu cabelo com as duas mãos, caminhando até o lado de fora de seu quarto. Parada ao lado da porta estava Joane, uma guerreira muito mais jovem, pouco mais velha do que sua primogênita, Cassandra.

— Já chegaram todos? – a mais velha buscava confirmar.

— Sim. O negociador deles está saindo do veículo.

— Você o viu?

— Sim. É ele mesmo.

O restante da caminhada pelo corredor foi silencioso. Subiram escadas mal iluminadas, passaram soldados, um portal, mais soldados, um segundo portal, até saírem de uma tenda em um campo aberto onde o cheiro de morte impregnava as narinas. Ela foi escoltada até uma nova tenda, maior, onde os inimigos a esperavam. Logo reconheceu o pior deles: seu pai.

— Ari! – ele sorria como se aquele fosse apenas um dia normal em um escritório.

— General Ometolemos. – ela respondia com frieza, se sentando de um lado da mesa – Seus navios ainda estão na entrada do canal.

— Estão aguardando o carvão azul. – ele se sentou do outro lado.

— E navios carregados de soldados e armas conseguem carregar quanto carvão?

— O suficiente.

Não era possível que ele a achasse tão idiota. Se mantinha calma, sua família estava bem, só pôde ver Cassandra, mas sabia que sua família estava bem. Isso que tentava manter em mente.

— Estamos esperando que Aeritos cumpra sua parte do acordo, general. Com seus navios de guerra nos portos, como os cargueiros deveriam atracar?

— Levaremos nestes mesmos navios, apenas abram os portões.

— Sua estrutura militar recua, a minha verifica, nós abrimos os portões, vocês pagam pelo carvão, carregam seus cargueiros e vão embora. Nesta ordem. Simples assim.

— Sem Cinder voltar ao Concílio? Não vai acontecer.

— Então seus hospitais continuam reduzindo a capacidade.

— É por isso que é tão fácil dizer que vocês são agentes do caos. Nefastos! Não ligam para aqueles que precisam dos recursos?

— Nos importamos o suficiente para oferecer um suprimento mínimo mensal. Apenas aceite!

— Você é uma aerita, Ari, sabe que não é suficiente!

Ariane respirava fundo.

— Eu vi minha filha, Isidoros. Ela vive fora de perigo e muito bem. Você pode dizer o mesmo da sua?

Houve silêncio. O General Ometolemos sabia que sua filha não estava fora de perigo. Sabia inclusive que alguns de seus colegas se dedicavam a caçá-la exclusivamente. Mandá-la para negociação era uma grande provocação.

Ariane não podia dar muito tempo ao pai. Disse:

— Posso aguardar sua retirada ou continuaremos nos matando?

Isidoros não respondeu, apenas desejou que sua filha não fosse tão teimosa quanto ele.

*

As visitas à casa de Tom haviam mudado de função. Se antes as desculpas eram treino e descoberta de poderes, agora abriam mão delas apenas para estarem juntos.

Cass estava sentada na cama de Thomas, suas costas encostadas na cabeceira e as pernas cruzadas à frente. Ele mexia no armário, apresentando possibilidades de camisas xadrez para a festa junina.

— Essa. – ela falou apontando – A azul.

— Achei que você ia gostar da preta. – ele respondia analisando a peça de roupa.

— Eu gostei, quero até roubar pra mim, mas não parece festa junina.

— Tem razão. – ele guardou as peças em cabides – A sua também é azul?

— Minha roupa? É vermelha, mas tem umas florzinhas bem no azul da sua camisa. Você quer que a gente combine?

— Você não?

Ela sorriu, isso o fez rir e logo se jogou na cama colocando sua cabeça no colo dela. Os dedos dela encontravam os cachos pequenos, acariciando a cabeça dele. Ela ficou em silêncio, observando o sorriso que ele geralmente escondia, mas agora aparecia quando ele estava se sentindo especial.

— Você liga pra datas mundanas? – ele perguntou.

— Tipo natal, essas coisas?

— Sim.

— Não muito. Eu gosto das festas, mas não tenho muito apego. Por quê?

— Quero te dar uma coisa, se você dissesse que ligava, ia esperar até o dia dos namorados.

A gaveta da escrivaninha se abriu, uma caixinha de papel azul flutuava até a cama.

— Namorados, é? Que emocionado…

— Algum de nós dois tinha que ter alguma sensibilidade.

— E essa pessoa é você?

A caixinha parou na frente de Cass, se abrindo devagar, Thomas observava a reação dela de seu colo. Ele ficou satisfeito quando a garota sorriu abrindo a boca em surpresa.

— Eu fiz pra você. – ele a contatava pela mente dela agora – Eu queria que você usasse sempre.

— É lindo! Fofo! Eu quero te atacar! Eu amei! Claro que vou usar sempre.

Ele sorriu e se sentou na cama, pegando a correntinha para colocar em Cass. Ela ergueu os cabelos dando as costas para ele e ele prendeu o acessório ao redor do pescoço da bruxa, dando um beijo em sua nuca em seguida. Ela sorriu se virando e dando um beijo breve nos lábios dele.

— Ficou como você imaginava?

— Em você ficou ainda melhor.

Ele a abraçou e fez os dois flutuarem, o corpo dela ficava sobre o dele como se estivessem deitados na cama. Ela sorria aproveitando a nova experiência.

— Eu sempre quis fazer isso. – ele pensava.

Ela riu.

— Dá pra ter algumas ideias.

— Eu tenho uma lista de ideias.

Se beijavam apaixonados, as mãos dele corriam pelo corpo dela, fazendo com que a aura dela se agitasse e o corpo dela se arrepiasse. Cass deixava o corpo deles colados, descobrir o que conseguia sentir com Tom fazia a experiência anterior parecer um tanto sem sal. A língua dele brincava com a dela dentro de sua boca, ela sugava a boca dele, ele puxou uma das pernas dela para si, fazendo com que ela o envolvesse. Um arrepio correu todo o corpo de Cass naquele momento, começando dos dedos dos pés e terminando em sua cabeça. E quando atingiu sua cabeça, sentiu. Era o toque da mente de Tom, ela não ouvia os pensamentos dele, mas sentia algumas sensações conforme ela se movia e o acariciava.

Tom, por outro lado, se sentia energizado. Era melhor do que da primeira vez em que Cass tocara sua mente acidentalmente, dessa vez era a vontade de ambos. Suas mãos exploravam o corpo de Cass, e cada vez que sentia o corpo dela se arrepiar, o arrepio acabava dentro de sua mente, o fazendo querer mais.

Ela nem percebeu quando ele girou os dois no ar. Cass apenas percebeu o que acontecia quando ele a pousou sobre a cama dele. Sobre a garota, Tom erguia a camiseta dela para que seus beijos fossem do colo para a barriga da garota, sua mão repousava sobre o quadril dela. Ela se contorcia em arrepios, suspirava, e cada reação dela era sentida por ele.

Cass o puxava pela nuca para retribuir com o que sentia, queria beijá-lo, queria sentir o gosto da pele e causar as reações que ele a causava. Ela beijou a boca dele enquanto a ponta de seus dedos deslizavam sobre suas costas, por baixo da camiseta. Seus beijos seguiam um mapa, que saíram da boca de Tom indo para a linha de seu maxilar, chegavam em seu pescoço e ali ela mordiscava, chupava, coisas que davam pequenos arrepios em Thomas. A mão esquerda de Cass provocava, seus dedos acariciavam as costas de Tom perto do cós da calça e aos poucos trazia a mão para frente, margeando a vestimenta, e foi por erro de cálculo que os dedos passaram em cima da calça sentindo o volume sob a mesma. Uma onda a balançava da cabeça aos pés, era vontade. Não dela, mas de Thomas. Ele querer a fazia sentir o mesmo desejo. Sua mão desceu mais alguns centímetros, tomada pela vontade, sentindo um arrepio de Thomas ecoar dentro dela.

Continuaram se beijando, acariciando e rolando no ar e na cama, até só estarem deitados lado a lado trocando beijos delicados, sorrindo feito dois perfeitos apaixonados idiotas. Cass admirava Tom. Aproveitava estarem conectados para sentir sua pele, seu olhar, sua aura… a energia dele parecia melhor havia alguns dias. Significativamente maior. Isso a fez juntar as sobrancelhas.

— Você tem um segredo novo? – ela perguntou

Ele respirou fundo antes de responder.

— Tenho.

— Parece grande.

— É.

— Ah…

Houve silêncio entre eles. Ela desviava o olhar, pensativa, torcia a boca. Ele começava a se preocupar com as expressões que ela fazia enquanto pensava.

— Não é um problema pra você, é?

— Para mim? Não, claro que não! Eu entendo.

Entende mesmo? – ele passava a usar o campo telepático, onde omitir era possível, mas mentir não – Até meus pais têm os receios deles, eu sei que não é confortável.

— Eu gosto de pensar em mim como alguém com quem você vai poder contar seus segredos, mas só você vai conseguir dizer quais segredos eu posso ou não posso saber sem que você perca energia. E eu entendo isso.

— Você pareceu incomodada.

— Sim, mas não com isso.

Ouviram duas batidas leves na porta.

— Tom? – era a voz de Yago, os dois adolescentes se arrumaram sentados lado a lado na cama – Eu vou abrir aqui, hein.

— Pode entrar, pai. – o jovem bruxo respondia.

A porta se abriu, Yago parou na porta, ele lá usava pijamas e olhava para os dois torcendo para ver nada inapropriado.

— Cass, não me entenda mal, mas prometi ao seu pai que te lembraria do seu horário às dez horas. – Yago falava balançando a cabeça.

— Já são dez horas?! – ela não havia percebido o tempo passar, se levantou da cama com pressa – Eu já vou.

A mão de Tom segurava a dela.

— Depois se você quiser falar daquilo… – ele se preocupava.

Cass sorria com a atenção dele, se inclinou e se despediram com um beijo rápido.

— Depois a gente fala. – ela respondeu – Boa noite! E desculpa ter perdido a hora, seu Yago. – a garota se dirigiu ao mais velho.

— Não se preocupe, você é bem-vinda.

Thomas deu mais um beijo sobre a mão dela antes de soltá-la e ver Cassandra desaparecer. Olhou para seu pai em seguida, que estava o encarando com as mãos nos bolsos.

— Que foi? – o adolescente perguntou ao reconhecer o olhar do pai.

— Nada. – Tom não respondeu, sabia que o pai falaria alguma coisa – Parece que pedir para você se afastar da situação era o que faltava para que você tomasse alguma iniciativa, não é?

— Na verdade, foi sim.

— Eu me preocupo.

— As proteções do Cícero e as suas já eram fortes, combinadas então vão ser praticamente intransponíveis. E mesmo assim nada acontece faz tempo! Qual é o real problema?

— A parte que nos faz dizer “praticamente”, Thomas. Há coisas que não podemos prever, dispositivos que não sabemos que foram desenvolvidas...

— Cass vai poder saber, talvez em breve.

— Nada garante que ela vá lidar bem com isso.

— É por isso que ela precisa de ajuda!

— É lindo que você pense tanto nela, mas, quando chegar a hora, lembre de olhar pra você. – Tom estalou a língua e girou os olhos. O pai não gostava de continuar discussões, então deixou que o garoto o ignorasse. – Só pense no que eu disse – Fechou a porta e saiu.