Lótus Negra
1 Prefácio
Notas iniciais
Em meio às ruínas de Martel, a Terra Final, duas figuras sôfregas apoiadas em um pilar xadrez corroído pelo tempo.
Abraçando os restos quebrados de um rosto antes sorridente.
Órbitas vazias, inertes. Um pentagrama na testa.
Vidas destruídas pela ordem, corpos mutilados pelo ódio.
Da fétida lama no chão, brotavam inúmeras flores de lótus.
Desabrochavam, resplandeciam, apodreciam e se esvaiam, sendo engolidas pelo negrume.
Ele prometera vê–lo ir embora, até o final. Não poderia desistir antes. Não deixaria ser consumido antes.
A culpa e a dor crescendo, derretendo e devorando o resto de seu gelado coração mortal.
Duas miragens. Um sussurro. Surpresa.
A alma corrompida escorregando de seus braços e afundando na lama borbulhante.
Apertou, com o que restava de suas forças, aquele boneco em seus braços.
Sim
…Uma lágrima e um sorriso. Idiota.
A última flor de lótus sendo engolida pela lama.
Estendeu o braço, tentando tocar o céu azul. Inútil.
Olhos semicerrados, sentindo sua vida esvair. Desde quando era tão fraco?
Nada mais importava. Já havia encontrado Aquela Pessoa.
Um último suspiro. Mas… ele falhara.
Se ao menos… pudesse ter uma última chance.
A frustração da derrota e o amargor do sangue invadindo sua boca.
Desabando no chão, afundando na lama.
Sem resistência.
Era apenas outra flor de lótus sendo consumida pelo vazio.
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