Lótus Negra
28 Capítulo XXVII– Missão?
— Komui! Você é louco? – gritaram Lavi e Allen, dois dias depois, após voltarem de uma missão.
— Vocês já deveriam saber a resposta – resmungou Reever, com uma pilha de papéis não assinados.
— Que história é essa de mandar o Kanda e a Seren–chan numa missão, juntos? – inquiriu Lavi, para um Komui que sorria amarelo.
— Era uma missão bem leve, eles não tiveram problemas, já devem estar voltando – explicou Komui, ignorando o olhar de repreensão do ruivo.
— Esse não é o problema! – disse Allen, gesticulando. – Por sua culpa aqueles dois não param de brigar!
— Veja bem, Allen–kun. A culpa não é exatamente minha – livrou–se Komui, enquanto ajeitava os óculos. – Eu só estava dando oportunidades para eles se entenderem!
— Supervisor idiota, vamos Allen, não adianta perder tempo com isso – falou Lavi, deixando o relatório da missão na escrivaninha e saindo.
— Tsk, que perda de tempo – resmugou Kanda, sentado na janela da cabine privativa, em um trem.
— Nem me fale – resmungou Serenhiel, sentada do outro lado, preenchendo um relatório enfadonho sobre a missão.
Acabará que, no final, não havia Inocência nenhuma. Era apenas um Akuma baixinho nível dois, parecido com um duende, que agia como tal. Roubando, assustando e enganando as pessoas, matando algumas no final. Um dos finders fora uma dessas pessoas, o outro estava sentado do lado de fora da cabine.
Durante a missão toda, os exorcistas haviam conversado apenas por frases curtas e monossílabas, se evitando a maior parte do tempo. Até mesmo agora que estavam um de frente para o outro, não de propósito, o que podiam fazer se os dois queriam sentar na janela? Além do mais, a elfa nunca havia andado de trem antes, assim como não conhecia quase nada daquele mundo, então as vezes observava as cidades, lagos e montanhas por que passavam.
— Já terminou? – perguntou Kanda, de olhos fechados.
— Não – negou Serenhiel, e bufou entediada, segurando o papel na frente do rosto dele.– Mas não me importo que você termine.
— Há – fez Kanda sarcástico, ao abrir os olhos e ver relatório em sua frente. E falou frio.– Dê para o finder, pra isso que ele serve.
Ela se levantou com passos firmes, abrindo a porta e falando rapidamente com o homem encapuzado lá fora, lhe entregando o relatório e fechando a porta. Voltou para a janela, sentando de braços cruzados e observando o golem caramelo, que voava em círculos pelo teto.
— Isso é patético – comentou Kanda, lançando um olhar frio para o golem. Que tremeu e pousou no colo dela.
— Hei! Não fale mal do Steamcanpy! – reclamou Serenhiel, pegando o ser com as mãos e o acariciando com um dedo. Ao ver a cena, Kanda lhe lançou um olhar raivoso e virou o rosto. – Ei Yuuu~~ – cantarolou ela, imitando Lavi, para irritá–lo. E riu ao dizer – Quem vê, parece até que você está com ciúmes.
— Idiota – rosnou Kanda, fechando os olhos.
E então o trem freou bruscamente, os vagões deram um solavanco para frente, fazendo a maioria dos passageiros se seguraram para não cair. Como uma peça pregada pelo destino, a frente de Serenhiel era onde Kanda estava, e ela caiu por cima dele, que por reflexo a segurou. A morena estava no colo dele com as mãos apoiadas em seus ombros, fora reflexo do impacto para não cair para frente, que era o rosto dele, a centímetros de distância.
— Vocês estão... – começou o finder, preocupado, abrindo a porta. Mas fechou rapidamente ao ver o estado dos dois exorcistas. – Desculpe incomodar.
— Droga— praguejaram os dois, ao mesmo tempo, encarando-se por alguns segundos, com as faces avermelhadas.
Serenhiel saiu de cima de Kanda, de um salto, indo olhar lá fora, mas voltou bufando. Sentou–se ao lado dele, só que o mais longe que pode.
— Ele sumiu – resmungou. – Só espero que não seja mais um daqueles fofoqueiros. Vai ser o inferno quando voltarmos para a Ordem.
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