Lótus Negra
7 Capítulo VI – Estranhos
Os humanos desse mundo são realmente muito estranhos. Pensava a elfa sentada em uma poltrona verde-musgo, à sua volta muitas outras poltronas, escrivaninhase prateleiras lotadas de livros, pergaminhos, manuscritos e pastas. A maioria com títulos que ela não conseguia ler. Fechou com um baque a pasta em seu colo, que continha registros de monstros com pentagramas na testa, canos flamejantes saindo do corpo e órbitas vazias. Akumas. E suas outras evoluções. Era isso que aquele velho com profundas olheiras à havia explicado, entre outras coisas, que aparentemente só ele sabia. As Lendas sobre seu Povo. Elfos. Mitos. Apenas contos de Fada.
Ela bufou, irritada, cruzando as pernas e pegando a próxima pasta. Era sobre a tal Arca de Noé. Olhou para o lustre no teto, e as pinturas de seres angelicais batalhando, relembrando como fora parar ali. Havia contado só o necessário para aquele velho intrometido. Passou os olhos brevemente pelos documentos, não encontrando nada sobre ligações com outros mundos ou universos. Era tudo culpa daquele Portal Branco… era tudo culpa de…
— Allen Walker? – Leu irritada uma nota escrita no fim, fechando a pasta e a jogando na pilha ao lado. Olhou para os lados fulminando os pesquisadores humanos em trajes brancos, que observavam cada movimento seu desde que entrara naquele castelo. A Ordem Negra. E isso nem era o pior, pois eles ficavam cochichando coisas…! Idiotas, se soubessem do poder de sua audição, não ousariam tal infâmia. Fechou os olhos e massageou as têmporas, e mesmo que não quisesse ouviu o que falavam alguns pesquisadores sussurravam atrás de algumas prateleiras.
— Ela estava com o Kanda!
— Então ele não morreu mesmo?
— Nada! Ele deve ter aproveitado a guerra para fugir!
— Deve ter aprendido com o General Cross, olha a belezinha que ele trouxe junto!
— Será que ela também é exorcista?
— Se ela usasse as roupas da Lenalee-chan…
— Fora!— ordenou Kanda, uma aura demoníaca e fogo quase saindo dos olhos, na frente da porta da biblioteca. – Eu não vou avisar duas vezes.
E uma multidão de finders e cientistas brancos correram para fora, pela outra porta da biblioteca, é claro.
— Você demorou. – comentou Serenhiel despreocupada, espreguiçando-se enquanto levantava. E notou as roupas negras, o uniforme, que ele vestia. Sorriu sombriamente enquanto andava. Traidor.
— Onde pensa que vai? – reclamou o moreno, barrando sua saída.
— Embora. – respondeu, com cara de paisagem. Procurar um jeito de voltar.
— Vamos, então. – declarou Kanda, abrindo passagem e andando para fora da biblioteca.
— Vamos? – repetiu a castanha, estranhando. – Eu vou, você fica.
— E por que eu ficaria? – quase havia rosnado aquela pergunta.
— Voltou para eles. – Serenhiel indicou o uniforme que o outro vestia. – Dispenso-o de sua obrigação, não precisa mais me seguir.
— Você não tem esse poder. – declarou Kanda, sombrio, e ela o olhou com cólera. – E isso… – ele apontou para si mesmo. – não significa nada! Minhas roupas sumiram, eu não ia andar por ai de pijama.
— Idiota.— resmungou, andando sem esperar por ele.
— Bem eu que sou. – replicou o meio elfo, lançando um olhar de reprovação para a outra porta da biblioteca, enquanto a alcançava.
— Que… estranho! – murmurou Lavi, um tempo depois, saindo de trás da porta aonde havia se escondido. – Velho, será que ele não vai voltar mesmo?
— Isso só depende do Kanda. – declarou Bookman, voltando para o santuário de livros. – Nunca um caso como este foi registrado, é provável que ele seja a reencarnação do exorcista que usava a Inocência que sincronizou com o Kanda, e quando ele voltou para esta dimensão ou universo, recebeu as memórias da alma que sincronizava com ele. As lembranças de tantas identidades em conflito com a nova vida, é um milagre que ele não tenha ficado louco. Mas a aparência semelhante ao do antigo Yuu Kanda… é um mistério. – terminou sua tese, contemplativo, então acrescentou. – Lavi!
— Sim! – prontificou–se o ruivo, em posição de sentido.
— Quero que você, como Bookman, vigie esses dois.
— Certo, vou agora mesmo. – acatou o ruivo, com a voz séria. – Vê se não baba em cima dos livros, panda velho!
— Quem é o velho aqui?— gritou Bookman, dando uma voadora no neto.
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