A fria manhã não pudera esperar, e cedo, já estavam os soldados postos em formação. O temido Comandante Morrison trouxera consigo seu lendário exército de cem mil homens. Todo aquele aglomerado cobriu a longa pradaria leste de Metria.

Eis que ecoou através do árido clima uma voz.

— Renda-se agora, Azel – Gritou Morrison sob sua espessa barba negra. – Em vida alguma seu império resistirá a meu temido exército.

Azel era conhecido como o Rei Demônio, embora demonstrasse tamanha bondade entre os desfavorecidos.

— E agora? Será que realmente irão atacar os muros da cidade? – Perguntou Anne, fiel companheira de Azel. – Se o fizerem teremos que lutar – Disse a moça repousando-se na sacada de cima das grandes muralhas.

— Se Morrison deseja guerra, então lhe ensinemos uma lição. – Disse Azel, expondo um semblante sério. – Diga a nossos homens que se preparem no corredor. – Ordenou o bravo rei.

Sem aviso algum, os homens de Morrison começaram a avançar, uma formação impecável, mas não perfeita. E sem delongas, sem aviso algum, começaram uma investida de flechas contra o portão, não que aquilo fosse o derrubar, mas era tal como um aviso, que não estavam de brincadeira.

O Rei de cima das muralhas apenas deu um leve sorriso involuntário, como se soubesse de sua vitória. Rapidamente deu as costas e encaminhou-se para junto de sua tropa pessoal que o aguardava no fim das escadas.

A tropa pessoal do rei era selecionada a dedo, apenas os mais nobres e exímios guerreiros podiam se juntar a ela.

A tormenta de flechas prosseguiu por cerca de uma hora, e nesse tempo sequer ouve movimento nas muralhas de Metria.

— Vamos, deixe de ser covarde! – Gritou Morrison em meio a seu exército.

Mal sabia ele que já tinha caído na cilada do Rei Demônio. Ouviu-se um alto som vindo dos grandes portões, e os mesmo desabaram para cima do grande exército. Não seria somente isso, mas a chuva de flechas vindo da parte traseira de Metria tomara rumo a Morrison. A altura dos disparos conseqüentemente fez as flechas ficarem totalmente retas no limpo céu azul.

— Levantem os escudos homens! – Gritou bravamente um dos soldados. – Não deixemos passar uma sequer flecha!

Rapidamente viu-se um tapete vermelho. Os escudos estavam todos levantados. Foi o suficiente para que o pelotão de arqueiros de frente de Metria aproveitasse um disparo limpo e preciso, assim já derrubando grande parte da frota que tentava tomar o controle dos portões caídos.

Morrison estremeceu dos pés ao último fio de seus poucos cabelos grisalhos.

— O que estão fazendo homens? – Bradou erguendo sua espada perante seu exército. – Isso não é hora de brincadeira, vamos render e tomar toda a cidade de Metria.

Não muito longe dali, os aclamados Heróis de Metria estavam apostos. Azel, o rei, facilmente conquistava a confiança de todos. Era visto como um ícone no campo de batalha. Tomando a frente, sem olhar para trás falou, com sua leve voz:

— Aqueles que não puderem me acompanhar, voltem. – Rapidamente tomando as rédeas de fiel cavalo Júpiter.

O rei havira feito uma ótima escolha a tempos atrás, quando dentre um grupo de cavalos, o mesmo escolheu o que parecia ser o mais fraco. Júpiter hoje é conhecido como o mais rápido cavalo dos reinos de Wy, e mesmo carregado e protegido de armaduras, Júpiter jamais desapontou seu rei.

Quando a fumaça se esvaiu, novamente o solo da pradaria — outrora verde como uma linda fauna – e que agora era vermelho, pintado a sangue, começou a estremecer. Mesmo com os adventos anteriores o exército de Morrison se demonstrava superiormente maior, porém, aquele pequeno grupo que saiu dos portões de Metria não ousou recuar.

— Morrison, lhe darei uma única e última chance de voltar e desistir de tudo. – Gritou Azel, que em cima de seu cavalo tinha sua capa a voar. – Caso contrário, serei obrigado a mostrar-lhe o porquê de me chamarem de Rei Demônio. – Completou enquanto Júpiter relinchava.

— Não seja audacioso, Azel. Destruirei tudo e por fim lhe tomarei a espada do grande mestre. – Exclamou Morrison, empunhado um grande machado de duas lâminas em mãos. – Com isso, terei força para domin...

— Cale-se! – Interrompeu Azel, ajeitando sua coroa dourada. – Não diga asneiras, esta espada veio ao mundo por mãos humanas. Mesmo que algum deus existisse, o poder que ela contém é demasiado ínfimo para uma divindade.

— Humano algum pode ter criado tal arma. – Insistiu Morrison. – Dizem que ela pode devastar imensos exércitos com apenas um movimento. – Morrison olhava para o céu, como quem sonhava com aquele imenso poder. – Chega de bobagens, ataquem homens! – Gritou o barbudo, apontando seu machado em direção a Metria.

Exceto pelos arqueiros que guardavam a cidade de cima das muralhas, havia apenas o pequeno grupo do rei no campo de batalha. A diferença em número era clara.

— Rei, o senhor pretende acabar com isso de maneira rápida? – Perguntou uma voz feminina, completamente fechada sob uma pesada armadura do mais polido aço do continente.

— Oh, Nemesis. – Disse Azel com tom de surpresa. – Como foi com os bárbaros da montanha de Lili? Nem vi que estava de volta. – O rei pareceu esquecer a batalha.

— Como eu havira dito, tive de usar a força bruta. Aqueles ogros são completamente ignorantes e brutos. – Disse Nemesis, Comandante das tropas de Metria e também braço direito de Azel.

Gritos e mais gritos vinham em direção ao rei, o mesmo parecia estar nem aí para o imenso exército que marchava, corria e cavalgava em sua direção.

— Rei? – Disse Nemesis.

— Ah sim.

— Tudo bem Morrison, sua própria crença cairá sobre você. – Gritou Azel, exibindo um semblante de confiança jamais visto em rei algum deste mundo.

Júpiter deu alguns passos, o rei logo estava a frente.

— O que? Vai lutar sozinho? Contra todos meus homens? – Morrison riu. – Nem o mais destemido ser o faria.

O rei sem se deixar abalar, fitou Morrison, e com belas palavras o fez:

— Você sabe a diferença entre minha lâmina e o poder de seu exército? – Disse o rei, enquanto desembainhava sua espada. – A diferença é que – Júpiter deu mais alguns passos. – Minha lâmina é o céu e a terra! – O rei ergueu aos céus a lâmina negra, a lâmina mal vista pelos presságios dos anciões antigos de Wy.

O céu, imediatamente fez-se preto. Mas o exército continuou avançando, eis então que com apenas um leve balançar daquela lâmina, uma poderosa rajada negra cortou os campos infinitos de soldados.

Havia uma rachadura dividindo a pradaria ao meio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.