A tarde estava para começar e com mais seis bocas em casa, foi preciso sair para comprar o almoço. Eu e Calore fomos e o resto do pessoal ficou para observar Dhuly secretamente, de modo que ela não desconfiasse.

No dia anterior, a reunião foi fechada com aquelas poucas e rápidas ideias. Eu achei que seria algo bem mais demorado, que haveriam diversas ideias boas e ruins para serem analisadas. Foi até melhor que só as melhores fossem expostas há mesa. Isso reduziu o tempo de reunião e possibilitou mais tempo para eles estudarem um pouco mais Dhuly.

Após a reunião, ficamos todos na sala em volta de Dhuly, como se ela fosse o centro das atenções. Não pude deixar de perceber que Trevor ainda me observava mais do que deveria observar Dhuly. Isso me deixou agoniado, mas eu jamais me atreveria a perguntar o porquê daquilo.

– Voltamos já. Fiquem de olho na pequena Dhuly! — disse Calore ironicamente enquanto caminhávamos até a garagem.

Aquele seria o dia da morte de Dhuly. Eu já estava pouco mais tranquilo quanto a isso. Pensando muito bem em todas as coisas ruins que aconteceram e poderiam acontecer, minha mente não se sentia mais tão preocupada. Seria o bem da humanidade. Ficaria tudo bem.

– Hoje é o grande dia! — Cal brincou dirigindo o carro até o centro da cidade.

– Se tudo der certo... — eu respondi, dessa vez confiante.

– Dará certo. Se você nos ajudar a distraí-la, será melhor ainda.

– E quando começarão?

– Quem sabe na hora do almoço. Podemos pôr a droga na comida dela, já que o primeiro passo é dopá-la.

Eu realmente tentava me manter confiante, então dava toda a força para o plano dar certo.

– Com certeza. — respondi sinceramente.

Chegando ao supermercado resolvemos comprar pizza. Duas pizzas grandes para todos nós. O plano seria botar a droga que os gêmeos trouxeram, na pizza de Dhuly, de modo que ela dissolvesse e ficasse imperceptível.

Voltando para casa com as duas caixas de pizza na mão, Dhuly já foi correndo até mim para abrir uma.

– Não, não, não, mocinha! Cadê os modos? Temos convidados hoje.

– Desculpe pai. Eu AMO pizza! — ela disse salivando.

Eu me virei para trás e pisquei para Cal, que trancava a garagem no momento. Ele, captando a ideia, piscou para os outros cinco caras que estavam atrás de Dhuly, que não percebeu, pois estava fissurada com a pizza de calabresa.

Na hora eles perceberam do que se tratava.

Estava para começar o passo número 1 da morte da Segunda Sem Coração do mundo.