– Ora, ora! Até os olhos dela mudaram. Interessante. – Aro disse enquanto se levantava.

– Como pode ver, totalmente diferente. – disse Anderson.

– E pelo visto não terá problemas com nossa alimentação. – disse Aro se referindo ao meu olho vermelho.

– Eu não me alimento de sangue humano. – respondi cabisbaixa.

– Não é o que seus olhos dizem. – disse ele levantando meu rosto para que eu o encarasse.

– Nunca confie nos olhos de uma assassina. – respondi séria.

Ele me olhou intrigado. Eu tinha que ficar séria e manter o mínimo de simpatia possível. Não seria difícil, afinal eu nunca fui simpática. Eu tinha plena consciência de que nunca fui um poço de educação. Apenas tinha que agir normalmente.

– Então não se alimenta de sangue humano? É pacifista como os Cullen? – ele perguntou voltando a se sentar no trono.

– Não tenho motivos tão nobres como eles. Eu sou uma assassina, lembra? – respondi irônica.

– Menos mal. Dessa forma será mais fácil se adaptar aos Volturi. – ele me olhava apoiando o rosto na mão que estava apoiada no braço do trono.

– Você está mesmo achando que eu vou ficar aqui por muito tempo? – gargalhei sem humor. – Não me faça rir.

– Eu não acho, tenho certeza. Você vai ficar aqui quer queira, quer não queira.

– É mesmo? E posso saber que garantia você tem disso?

– Os Cullen, lógico. – ele respondeu sorrindo confiante. – Você vai colaborar conosco OU os Cullen sofrerão as consequências.

Gelei dos pés a cabeça. Eu não poderia fazer aquele acordo. Da última vez que fiquei sujeita às pesquisas de Anderson, perdi completamente o controle. Como eu poderia afirma que eu ia colaborar? Isso era injusto! Eu não me perdoaria. Eu não me perdoaria por causar aquele mal aos Cullen! Eu não deveria ter me envolvido com eles! Eu já deveria saber que as coisas terminariam assim. E se minha personalidade assassina voltasse? Ela não se importava com ninguém! Ela não pensaria duas vezes antes de entregar os Cullen às garras daqueles Dráculas. Medo. Há muito tempo eu não sabia o que significava aquela palavra. Não por mim. Eu não tinha medo de nada. Mas pelos Cullen. Eles não mereciam aquilo! Eu não poderia permitir que eles sofressem por minha causa. Já bastava o pouco tempo que eu ficara lá. Causei tanta confusão. Até fiz Carlisle me bater. Eles não precisavam disso! E eu não estava disposta a causar mais uma ferida em mim. Eu não estava disposta a carregar mais aquele peso nas costas. Já bastava tudo que eu tinha feito e que provavelmente eu faria. Não! Eles seriam demais para mim! Eu não sabia dizer o que era aquele apego todo. Desde que me tornei vampira prometi para mim mesma que não desenvolveria sentimentos por ninguém. Justamente para não ter que passar por aquilo. Mas lá estava eu, tendo que descobrir que tipo de sentimentos eu tinha pelos Cullen para tomar uma decisão que poderia mudar o resto da minha vida e da deles.

Eu sabia que Aro já estava começando a ficar impaciente. Naquele momento não tinha mais ninguém no salão, só eu, Aro e Anderson. Eu poderia dar um fim naquilo. Eu só precisava me concentrar e trazer aquela personalidade à tona. Mas eu estava cansada. Cansada de ter que matar para sobreviver. Estava cansada dessa brincadeira de bater e correr. Talvez fosse a hora de finalmente aceitar que minha vida não seria muito melhor do que aquilo. E com certeza Carlisle ficaria triste se eu lutasse. Principalmente se fosse na proporção que eu estava planejando. Ele não estava ali, mas ficaria sabendo depois. Era impressionante como a fofoca voava entre os vampiros. Eu não teria mais contato com os Cullen, eu já havia tomado essa decisão. Talvez... Talvez estando ao lado dos Volturi, Carlisle não poderia me ver novamente. Eu tinha certeza que se o visse, provavelmente perderia o controle. Eu sabia que ele mexera comigo de alguma forma. Não só ele, como toda a família Cullen. O que eu tinha que fazer? Qual caminho eu tinha que trilhar? Uma decisão errada e eu poderia arrepender-me por toda a eternidade. O que eu poderia fazer?

– Então? Tomou sua decisão? – Aro perguntou.

– Aro, eu não acho que... – Anderson começou, mas foi interrompido por Aro que ergue a mão para que ele parasse.

– A decisão é dela.

– E... E se eu perder o controle durante as pesquisas? – perguntei receosa.

– Os Cullen sofrerão as consequências mesmo assim. Isso é um trato. Não me interessa como você irá cumpri-lo.

Engoli em seco. Ele estava falando sério. O que fazer?

POV Carlisle

Eu realmente estava desesperado. Os Volturi? Será mesmo que minha pequena estava nas mãos de Aro? Será mesmo que eu teria que enfrentá-los novamente? Dessa vez seria mais sério. Sophie era uma vampira extremamente incomum. Se ela realmente tinha sido levada até Aro, ele não desistiria dela tão fácil. Até hoje ele me perturbava com o assunto de entregar Edward e Alice para ele. Ele não me devolveria Sophie. Principalmente porque eu ainda não havia avisado que ela entrou para a família. Eu não tinha ideia do que fazer! Nem sequer sabia o que pensar. Só esperava que Rose estivesse errada. Se aquele vampiro a levou para outro lugar, seria mais fácil de trazê-la de volta. Mesmo que eu tivesse que procurá-la no inferno, eu a encontraria. Ficar sem ela na família estava fora de cogitação. Eu definitivamente a encontraria e a traria de volta. E ainda fazia questão de matar aquele desgraçado que não só levou minha pequena de mim, como ainda teve a audácia de se aproximar da minha princesinha e coagi-la a tal ato insano. Eu sabia que Rose tinha uma boa parcela de culpa naquela história. Mas ela não o faria se não a tentassem com algo que fosse de seu agrado. Ele provavelmente a manipulou psicologicamente. Mas isso eu descobriria depois que tudo se resolvesse.

Eu estava no meu escritório. Caminhava de um lado para o outro nervoso. Fazia pouco tempo que eu havia terminado os curativos de Rose. Ela se machucou muito. Quebrou três costelas, deslocou o braço e tinha hematomas e luxações por todo o corpo. Por ser uma vampira, alguns dias seriam suficientes para curá-la por completo. Mas eu não podia negar que me sentia péssimo por vê-la daquele jeito. Meu dever era proteger meus filhos. Como eu não percebi que tinha alguma coisa errada? Como eu pude deixar que as coisas chegassem naquele ponto bem debaixo do meu nariz? Se alguma coisa acontecesse com a minha pequena, eu jamais me perdoaria. Se Rose estava naquele estado, o que ele poderia fazer com Sophie? Ela era a prisioneira! Ele poderia torturá-la, machucá-la, fazer milhares de coisas cruéis. E se ela perdesse a cabeça de novo? Ela iria lutar! E se ela não fosse forte o suficiente? Se ela lutasse contra os Volturi? Ela não tinha chance! Por mais forte que fosse, não tinha como ela vencer toda a guarda. Ela poderia... Não! Não era hora de pessimismo! Eu a encontraria sã e salva! Eu não permitiria que minha filha fosse levada de mim tão fácil! Eu lutaria por ela! Eu cumpriria minha promessa! Eu JAMAIS a abandonaria!

Sentei-me em minha cadeira e deitei a cabeça sobre a mesa. Estava ficando agoniado. Ouvi batidas na porta. Não respondi e, então, a porta se abriu.

– Carlisle? – era minha Esme. – Você está bem, querido?

– Estou preocupado. – respondi tristemente.

– Eu também, meu amor. – ela veio em minha direção e me abraçou. – Não consigo parar de pensar nas atrocidades que esse sequestrador pode estar fazendo com minha florzinha! Dói tanto, Carlisle! – senti suas lágrimas em meu pescoço.

– Eu também meu anjo. – levantei-me e limpei as lágrimas da minha deusa. – Mas sejamos otimistas. Temos que acreditar que logo, logo nossa pequena estará em nossos braços novamente.

– É difícil, Carlisle! A situação dela é extremamente delicada. Ter sido levada até os Volturi é apenas uma hipótese. Ela pode ter sido levada para tanto outros lugares, Carlisle!

– Eu sei, meu amor. Mas eu prometo para você que nós a traremos de volta! Nem que eu passe séculos procurando por ela! – segurei seu rosto para que ela olhasse em meus olhos. – Eu sempre cumpro minha palavra, Esme. Eu trarei sua florzinha de volta!

Ela me abraçou forte e eu retribuí na mesma intensidade. Eu sabia que para ela era bem mais difícil que para mim. Ela nunca superou a dor de perder o filho. Era como se vivesse tudo novamente. Nesses momentos eu gostaria muito de poder arrancar aquelas lembranças ruins. Mas, assim como com Rose e Sophie, eu nada podia fazer por ela a não ser abraçá-la e dizer que ela jamais estaria sozinha. Sentia-me inútil desse jeito. Mas eu sabia que Esme confiava em mim. Jamais faltei com a minha palavra em anos de casamento. Se eu prometia alguma coisa, eu cumpria e dessa vez não seria diferente.

Esme me soltou, apenas para olhar em meus olhos.

– Já está quase na hora de vocês partirem. – ela me olhou triste.

– Nós voltaremos logo, minha linda. E pode ficar tranquila que não a deixarei sem notícias. – sorri tentando animá-la.

– Carlisle, eu queria conversar com você sobre a Rose. – ela começou e eu fiquei apreensivo.

– O que quer me dizer? – perguntei, apesar de já saber da resposta.

– Querido, quando tudo isso se resolver, eu gostaria que você levasse em consideração que provavelmente ela é a que mais está sofrendo. Eu posso ver em seus olhinhos o quanto ela está arrependida. Ela finalmente percebeu o quanto a Sophie precisa de nós e foi isso que fez com que ela lutasse para tê-la de volta. Não seja duro demais com ela. Ela já está pagando pelo que fez.

– Esme, eu prometo a você que se algo acontecer com a Sophie, eu não encostarei um dedo sequer na Rose. Ela já terá o castigo de conviver com isso por toda a eternidade. Mas Deus queira que isso não aconteça! Eu prefiro mil vezes dar uma surra nela a vê-la sofrendo por mais uma ferida em sua alma. Eu não vou facilitar para ela! O que ela fez foi muito grave, Esme. Dessa vez a farei entender o quanto ser egoísta pode prejudicar não somente ela, mas também a todos que estão ao seu redor. Eu sei que ela se arrepende, que está triste por ter feito algo tão cruel. Mas isso não é o suficiente para mim! Eu preciso ter a certeza de que isso não voltará a acontecer! E você sabe muito bem como eu garantirei essa certeza. – falei doce, porém firme.

– Eu te entendo, querido. Eu também senti muita raiva quando ela confessou o que fez, mas os olhinhos dela me derreteram completamente. – Esme falou docemente.

– Eu conheço bem esse seu coraçãozinho mole, meu bem. É por isso que a disciplina fica por minha conta em noventa por cento dos casos. – sorri mais abertamente.

– Ainda bem que você admite que tenho uma porcentagem de responsabilidade pela disciplina. Pequena, mas tenho. – ela também sorriu.

Beijei minha linda esposa. Esme era muito mole no que se tratava de disciplinar nossos filhos. Raramente ela batia neles. Mas não poderia tirar o mérito dela, afinal era ela que passava a maior parte do tempo com eles. Mesmo que ela ameaçasse em meu nome, era ela quem mantinha a ordem na minha ausência. E ela sabia da necessidade daquela disciplina. Mesmo que pedisse para que eu não fosse muito duro, ela jamais tirara minha autoridade de pai. E eu sabia o quanto era difícil para ela ouvir seus filhotinhos se matando de chorar em minhas mãos. Mas ela também tinha consciência do quanto me machucava ter que bancar o carrasco às vezes. Talvez fosse por isso que ela jamais interferia em minhas decisões, naquele sentido.

Paramos de nos beijar quando ouvimos batidas na porta.

– Entre. – disse e logo Rose apareceu.

– Está na hora, pai. Temos que ir. – ela disse sem olhar em meus olhos.

– Sim, vamos. – respondi.

– Querido, tome cuidado. – disse Esme.

– Pode deixar.

Dei mais um beijo na minha esposa e saí do escritório. Rose e eu apenas levávamos uma mochila nas costas. Se Sophie não estivesse lá, não tinha porque ficarmos. Rose descia as escadas, cabisbaixa. Eu fiquei com pena, sabia que ela estava arrasada. Mas não a consolaria. Ela passaria por aquilo sozinha, pelo menos até que encontrássemos Sophie. Nossos filhos estavam na sala, esperando. Jake era o mais emburrado. Ele ficara revoltado por não poder ir. Eu o entendia, mas não podia fazer nada. Levar um lobo até um lugar cheio de vampiros era insanidade. Jamais colocaria meu filho em uma situação tão arriscada.

– Paizinho, tome cuidado. Estou com um pressentimento ruim. – disse Alice me abraçando.

– Tudo bem, bonequinha. O papai vai tomar cuidado. – disse beijando o topo de sua cabeça.

– Pai, tem certeza que só vai levar a Rose? Ela não está em condições de te ajudar se acontecer alguma coisa. – disse Bella.

– É, pai! Deixe que pelo menos um de nós o acompanhe. – disse Jasper.

– Não! Não há necessidade de levar mais alguém. Já está perigoso demais levar a Rose, não colocarei mais nenhum de vocês em risco. Quero todos aqui, seguros. – respondi firme.

– Mas, pai, nesse caso seria melhor que você fosse sozinho. A Loira não está em condições de sair de casa. – Emmett falou.

– NÃO! Eu preciso ir! Eu estou bem. – Rose falou com mágoa.

– Emmett, eu entendo sua preocupação, mas não deixarei que nada aconteça à Rose. Não temos certeza se Sophie está com os Volturi. Se ela não estiver lá, não há razão para criar esse alarde.

– Mas e se estiver? – perguntou Edward.

– Eles não farão nada com a Rose. Não estão interessados nela, ainda mais nessas condições.

– Mas eles podem pegá-la de refém para fazer chantagem. – disse Jasper. Eu já havia pensado nisso, mas seria difícil convencer Rose a ficar.

– Eu agradeço a preocupação de vocês, mas eu me entendo com os Volturi. Confiem em mim. – respondi firme. – Já levaram uma filha de mim, não permitirei que levem outra.

– Eu não concordo com isso! Você não teria que se preocupar com essas coisas se estivesse me levando! – Jake disse em tom revoltado.

– Já conversamos sobre isso, Jake. Você é um lobo! É ainda mais arriscado levá-lo.

– Não é justo, Carlisle! Você vai levar justo essa traidora?! Foi ela quem causou tudo isso! Se não fosse por ela, a Sophie estaria aqui! Ela já atrapalhou o suficiente! – ele falava revoltado.

– Escuta aqui Jacob, eu não vou permitir que você culpe sua irmã! Nem você nem ninguém tem o direito de condená-la! Ela errou e terá que se entender comigo! Mas eu proíbo que qualquer um de vocês diga algo nesse sentido! Entenderam? – falei autoritário.

– EU NÃO VOU ACEITAR ISSO! EU NÃO SOU OBRIGADO A FINGIR QUE ESTÁ TUDO BEM! ELA É UMA TRAIDORA SIM! E SE EU JÁ NÃO A CONSIDERAVA ANTES, AGORA É QUE NÃO CONSIDERAREI MESMO! EU ME RECUSO A FAZER PARTE DA MESMA FAMÍLIA QUE ELA! QUANDO ISSO ACABAR EU VOU EMBORA E LEVAREI A SOPHIE COMIGO! NÃO VOU FICAR EM UM LUGAR ONDE AS PESSOAS NÃO SÃO CONFIÁVEIS! – ele gritava e falava vermelho de raiva.

Aquilo me irritou de uma forma inimaginável. Além de dizer palavras completamente inaceitáveis para Rose, ainda tinha a audácia de dizer que levaria a Sophie, MINHA filha, embora daquela casa?! Fui até ele e segurei em seu braço, minha vontade era de lhe dar umas cintadas. Mas eu não tinha tempo a perder com isso.

– Você não vai levar a Sophie para lugar nenhum! Ela é MINHA filha e você não tem o DIREITO de levá-la para longe de mim. E mais! VOCÊ também é MEU filho e não colocará UM PÉ sequer para fora dessa casa sem a minha permissão! Não pense que esse seu ataque de rebeldia vai ficar impune! Você que me aguarde, moleque! – falei extremamente nervoso bem perto de seu rosto, enquanto apertava seu braço.

Ele não recuou. Ficou me encarando e rosnou para mim, de novo. Meu Deus! Aquele garoto estava pedindo uma surra! O soltei bruscamente. Apertei a ponte do nariz, buscando paciência. Levantei minha mão, pronto para lhe dar umas merecidas palmadas, quando senti Rose segurar meu braço.

– Pai, não temos mais tempo! Precisamos ir logo! – ela falava sem olhar nos meus olhos.

Suspirei fundo. Ela tinha razão. Olhei para Jacob extremamente nervoso.

– Agradeça aos céus por eu não ter tempo a perder! Resolveremos isso quando eu voltar e pode se preparar! E nem pense em fugir, pois eu vou te achar e será muito pior! – falei apontando dedo em seu rosto.

Ele ainda me olhava desafiadoramente, embora estivesse com um leve tremor nas pernas. Mas de repente vi seus olhos se encherem de lágrimas.

– Pode ter certeza que eu vou te esperar! Não farei nada antes de ver minha Sophie segura, em meus braços. Mas pode ter certeza que você terá muito trabalho para me convencer de que eu estou errado.

Ele saiu pela porta e vimos ele se transformando em lobo e correndo para longe. Suspirei novamente. Já não tinha problemas o suficiente? O que mais faltava acontecer? Eu não o seguiria e nem pediria para ninguém o seguir porque sabia que ele não fugiria sem antes ver Sophie. Eu entendia o quanto aquilo era difícil para ele. A ligação que ele tinha com Sophie era muito forte e vê-la correndo perigo e não poder fazer nada era complicado. Ainda mais tendo o temperamento que ele tinha. Mas isso não justificava aquela afronta, como se ele não me devesse o mínimo de respeito e consideração. Ele sabia que não tinha mais como escapar de ser meu filho, então eu o faria entender aquilo por bem ou por mal.

Passei a mão pelos cabelos, gesto tão comum para demonstrar o quanto estava nervoso.

– Pai, relaxa. Ele vai voltar, só está querendo esfriar a cabeça. Vai por mim, ele não queria ter feito aquilo. Só está muito preocupado com a Sophie. – disse Edward.

– Eu sei meu filho. Mas o que ele fez foi errado. Jamais vou tolerar que um filho meu me desafie dessa forma, como se eu não soubesse o que é melhor para vocês. Além do que, Rose não precisa que a culpem por nada. Ela sabe muito bem a gravidade do que fez! Se tem alguém aqui a quem ela deve satisfações, sou eu! Não permito que nenhum de vocês seja cruel ao ponto de condená-la ainda mais do que ela já o está fazendo. – respondi.

– Carlisle, acalme-se. Vai ficar tudo bem. Vá e traga nossa filha logo para acabarmos com tudo isso! – disse Esme.

– Vamos pai. – disse Rose.

– Vamos.

Peguei minha mochila e saí com Rose. Íamos correndo pela floresta até a cidade e lá pegaríamos um taxi para nos levar até o aeroporto. Corremos o mais rápido possível, não tínhamos tempo a perder. Chegamos à cidade, bem rápido. Teríamos chegado antes, mas Rose estava com dificuldades de usar toda a sua velocidade por conta dos ferimentos. Mas ainda estávamos com tempo. Pegamos um taxi e logo chegamos ao aeroporto. Nosso voo era em meia hora. Tivemos sorte de conseguir um voo em cima da hora. Fiz o check-in e nos direcionamos até o portão. Sentamos a fim de esperar a chamada. Rose andava ao meu lado como um zumbi. Ela ficou praticamente o tempo, inteiro, cabisbaixa. Em alguns momentos vi veneno pingando de seus olhos. Aquilo me partia o coração. Eu queria consolá-la e dizer que tudo ficaria bem. Mas ela precisava passar por aquilo. Ela precisava entender o peso que uma decisão como aquela trazia. Ficamos em silêncio o tempo todo. Ela não olhara em meus olhos uma vez sequer desde sua confissão. Provavelmente estava com vergonha e com medo. E era justamente por isso que eu não gostei das palavras de Jake. Ela já estava sofrendo o suficiente. Como ele tivera coragem de dizer aquelas coisas vendo quão arrasada Rose estava. Tudo bem que, de todos, Rose era a que menos se dava bem com Jacob. Mas ele não precisava ter dito aquilo em uma situação tão complicada. Ele tinha que ter tido o mínimo de compaixão. Mas tudo bem! Eu ainda ia ensinar para aquele moleque o que era ser um Cullen!

Ouvimos a chamada e nos dirigimos até o portão de embarque. Apresentamos as passagens e nos dirigimos até o avião. Sentamos em nossos lugares e ficamos aguardando a decolagem. Rose ficou perto da janela, então ficou olhando para fora. Eu apenas encostei minha cabeça e encarei o teto. Eu estava começando a ficar ansioso. Ao mesmo tempo que eu torcia para Sophie estar com os Volturi, também torcia para o contrário. Eu sabia o quão difícil seria tirá-la das mãos de Aro, mas também seria difícil encontrá-la se ela não estivesse lá. Qualquer uma das hipóteses seria trabalhosa. Mas nada que pudesse me fazer desistir da minha pequena. Não era só a vida da minha filha que estava em jogo, a felicidade de mais dois filhos também estava. Não era desmerecendo Esme e os outros, eu sabia que seria difícil para eles também, como para mim. Mas Rose e Jacob estavam envolvidos muito mais que qualquer um de nós. E como meus filhos, era meu dever impedir que algo tão catastrófico pudesse acontecer.

A viagem seria um pouco longa. Era tempo demais para que milhares de coisas pudessem passar em minha cabeça. Será que estava tudo bem com minha pequena? Será que a estavam maltratando nesse exato momento? O que será que estavam fazendo com ela? Eu a queria em meus braços novamente. Eu a queria bem perto de mim, onde eu pudesse dizer que estava tudo bem, que eu não a deixaria, que ela não precisava se preocupar. O que será que ela estava pensando? Será que estava pensando que eu desisti dela? Será que pensava que eu a estava procurando? Será que ela tinha alguma esperança de que eu a encontrasse? Ou será que ela já tinha se entregado e aceitado tudo como se fosse seu destino? Eu queria poder acreditar que não, mas a probabilidade dela ter se entregado era muito grande. Principalmente depois do que aconteceu entre ela e Rose. Provavelmente estava pensando que deveria ficar com o sequestrador mesmo, porque tinha causado muitos problema na nossa família e todas aquelas coisas depressivas que ela fazia questão de pensar. Como eu queria dizer, naquele momento, que ela estava enganada. Queria que ela pudesse sentir meu amor, de alguma forma. Queria alcança-la, nem que fosse em seus sonhos. Não queria que todo meu esforço e o de Esme tivessem sido em vão. Eu tinha esperanças que de alguma forma nosso amor a alcançou o suficiente para gerar pelo menos um pouco de dúvida, quando ela pensasse em desistir. Que ela ao menos pensasse em mim antes de entrar em uma luta. Eu realmente queria acreditar que ela apenas estava esperando por mim.

O tempo foi passando e meus pensamentos estavam a mil. Senti alguém se encostando a meu ombro. Quando vi, Rose caíra dormindo. Sorri de leve. Ela devia estar cansada depois de tanta coisa. Era muita pressão em cima dela. Eu queria entender por que ela fizera aquilo. Eu queria entender por que ela não confiou em mim e preferiu entregar a irmã. Mesmo que ela ainda não aceitasse muito bem a adoção de Sophie, era crueldade demais para ela fazer algo do tipo. O que se passava naquela cabecinha? Que tipo de pensamento poderia levar Rose a cometer um ato tão absurdo? Por mais que eu pensasse não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Eu queria que aquilo terminasse logo. Eu queria poder ter minha pequena em meu braço novamente, queria ter minha doce princesinha de volta, queria ter meu lobinho como filho o mais rápido possível. Aquela situação estava realmente me oprimindo de uma forma incômoda. Era coisa demais para tão pouco tempo. Sophie estava conosco a menos de quatro dias e tanta coisa já tinha acontecido. Ela com certeza estava revirando nossa vida. Mas eu tinha certeza de que quando aquele turbilhão passasse, ela tornaria tudo mais completo, mais feliz. Eu já podia vê-la sorrindo para mim, como todos os meus outros filhos. Já podia vê-la estudando, tendo uma vida normal depois de séculos. Era exatamente isso que eu havia proposto. E, como havia dito para Esme, eu sou um homem de palavra!

O dia foi passando. Já estava de noite. Estávamos chegando, mas ainda demoraria um pouco até chegar à Volterra. Pousamos e saímos do aeroporto. Não tínhamos tempo a perder com taxi. Íamos correndo mesmo. Aproveitei para levar Rose para caçar. Não podia esquecer de que estávamos indo até os Volturi, apesar de tudo. Não perdemos muito tempo com a caça, apenas o suficiente para que Rose pudesse saciar a sede. Esperava que não ficássemos muito tempo lá. A situação era desfavorável, não importava o ângulo pelo qual se olhasse. Continuamos nosso caminho e à medida que nos aproximávamos de Volterra, sentia como se meu coração estivesse batendo. Finalmente alcançamos o nosso destino.

– Está tudo bem, Rose? – perguntei.

– Está sim. – ela respondeu sem olhar para mim.

Aproximei-me das portas e conversei com o guarda que estava ali. Ele entrou e ficamos esperando seu retorno. Quando ele retornou disse que Aro nos receberia na sala do trono. Seguimos o guarda até o local. Não que eu precisasse de guia, afinal passei anos naquele lugar. Mas eu sabia que era uma questão de segurança, afinal, não éramos exatamente bem vindos. Quando entramos, Aro já estava em seu trono. Ao seu lado estavam Alec, Jane e Renata. Ele sorria para mim, enquanto os outros mantinham uma postura séria.

– Carlisle, há quanto tempo! Como vão as coisas na família? – ele me perguntou de maneira tão cordial que eu suspeitava que não tinha a menor ideia sobre a história de Sophie.

– Não tão bem quanto eu queria, meu caro. – respondi sorrindo de canto.

– Ora, mas por quê? Já transformou a parceira de seu filho, agora sua família está completa. Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou em um tom preocupado.

– Como pode ver, minha filha foi atacada por um vampiro. – mostrei Rose, que até então estava atrás de mim.

– Mas isso é terrível! Se eu puder fazer algo por você, diga-me. Sabe que somos amigos eternos, não é? – ele falava tão cordial que eu estava suspeitando de sua atitude.

– Na verdade é justamente por isso que eu vim. Recentemente adotei mais uma filha. Ela se chama Sophie. Provavelmente já ouviu falar sobre ela, já que dizem que ela é bem famosa entre os vampiros.

– Sophie? Não me lembro de ninguém com esse nome.

– Talvez não se lembre do nome, mas ela tem uma fama considerável por ser uma assassina de vampiros.

– Ah sim! Já ouvi falar. Inclusive já mandei muitos atrás dela. Fiquei sabendo que ela tem um dom um tanto quanto incomum.

– Pois bem, eu resolvi adotá-la. Mas no último dia um vampiro a capturou e eu não tenho ideia de onde ele possa estar. De acordo com Rose, aqui presente, que esteve no momento que ele a levou, Sophie disse que esse vampiro estava associado a vocês, Volturi. Essa informação procede? – perguntei ansioso.

– Bem, Carlisle, eu não...

Aro foi interrompido por um vampiro que entrou batendo as portas, às pressas no salão.

– Aro, eu tive alguns problemas nos testes e... – ele se calou assim que nos viu.

– É ELE PAI! FOI ELE QUEM CAPTUROU A SOPHIE! – Rose gritou.

Continua...

Notas finais
Yooo pessoitas ^^/ Tudo bem com vcs? Então, mais um cap XD!! Eu tô ficando ansiosa pro desenrolar da história... huahauahauahuahauahau XD!! Tô me divertindo horrores escrevendo ^^!! Eu realmente tenho mto o q agradecer as três escritoras q me inspiraram XD!! Mais uma vez agradeço à Sarinha Myuki, Bellinha Black e Nelluca XD!! Se non fosse por elas eu nem teria me aventurado nisso XD!! E tbm agradeço a todos que tem acompanhado e me apoiado ^^!! Essa fic tbm é pra vcs ^^!! ^^!! Bom, aguardo os comentários e até o próximo cap o/