Lágrimas de Amor
25 POV Carlisle
Eu acordei assustado. Levantei rapidamente e logo senti uma dor latente por todo o corpo. Onde eu estava? Olhei para meu corpo e ele estava enfaixado. Eu vestia um pijama e estava coberto. O que aconteceu? Olhei ao redor e meus olhos encontraram os de Aro. Se ele estava ali, onde estava minha filha? Onde estava Sophie? Quando foi que ela foi tirada dos meus braços? Olhei seriamente para Aro, que apenas me sorriu como se pudesse ler meus pensamentos sem me tocar.
– Não precisa me olhar assim. Sua filha está bem. Ela está em outro quarto com sua outra filha, Rosalie. – ele falou ainda sorrindo.
Ele também estava bem enfaixado, talvez não tanto quanto eu. Ele parou de sorrir e me encarou sério. Eu sabia que ele jamais pediria desculpas por tudo que causou. Mesmo que ele estivesse arrependido, ele jamais formalizaria isso em palavras. O orgulho de Aro era algo inimaginavelmente grande. Mas, apesar de tudo, éramos amigos. E certas coisas ele não precisava dizer para que eu entendesse. Confesso que, por ter consciência disso, Aro abusava da minha boa vontade e compaixão. Mas como não costumávamos manter contato, eu me tornei indiferente às poucas vezes em que era obrigado a vê-lo. Mas dessa vez ele ultrapassou todos os limites cabíveis àquela relação. Eu não o perdoaria tão facilmente, mesmo que ele pedisse perdão de joelhos. Eu demoraria anos para olhar para ele de maneira amigável novamente.
– Carlisle, eu sei muito bem que dessa vez eu passei dos limites com você. – ele começou de cara, o que me surpreendeu. – Não vou perder meu tempo dando desculpas, acho desnecessário já que me conhece tão bem. A única coisa que tenho a dizer é... – ele parou por um instante, como se precisasse de força para continuar. – Obrigado.
Eu fiquei boquiaberto. Aro estava me agradecendo? O grande e todo poderoso, rei dos vampiros, estava me agradecendo? Aquele era um momento inédito.
– Se não fosse por você, com certeza, tanto eu como Alec e Jane estaríamos mortos agora. Infelizmente não posso dizer que, algum dia, poderei pagar esse débito para com você. Até porque acredito que você não fez isso por nós e sim por Sophie. Mas de qualquer forma você nos salvou e eu gostaria de retribuir de alguma forma. – ele falava calmamente, o que me surpreendia ainda mais.
– Se quer retribuir, liberte a Sophie. Acho desnecessário dizer o porquê.
– Você nem precisava ter pedido isso. Eu não sou burro Carlisle! Ficou muito claro para mim que se existe alguém capaz de domar aquela fera, esse alguém é, única e exclusivamente, você. Não pretendo manter alguém na minha guarda que eu não possa controlar, seria loucura. Erros eu só cometo uma vez!
Ele ficou calado, agora encarando o chão. Eu estava me segurando para não gritar de alegria. Aro estava me entregando minha filha de volta! Se antes ela já era minha, agora mais que nunca. Nada mais impediria que ela vivesse conosco. Nada mais impediria que ela se tornasse, de fato, uma Cullen. E isso era algo a se comemorar! Depois de tantas lutas, literalmente, tudo ficaria em seu devido lugar. E não! Eu não me arrependi, não me arrependo e jamais me arrependerei de ter trazido Sophie para minha vida. Foi difícil, foi duro, foi cansativo, foi trabalhoso, foi sôfrego, mas a sensação de vitória era tão intensa e tão reconfortante que já valia por tudo que passamos. Era exatamente como se dizia, tudo que é mais difícil é mais gostoso. E o que mais queria naquele momento era abraçar a minha pequena. Eu queria dizer para ela que tudo acabara bem. Eu queria que ela soubesse o quanto aquela conquista tinha sido importante para mim e, com toda certeza, para toda a família Cullen. Esme provavelmente ficaria assustada quando retornássemos. Afinal, estávamos completamente machucados. Se eu estava naquele estado, nem conseguia imaginar Sophie. Sorri ao pensar que, provavelmente, ela estava enfaixada como uma múmia. E nem preciso dizer que aquilo já seria castigo suficiente por toda a preocupação que ela me causou. Eu realmente gostaria de ficar irritado com toda aquela confusão, mas eu não era tão incompreensivo ao ponto de condená-la por tudo que aconteceu. Ela foi a grande vítima, apesar de tudo que ela fez e de como fez. Tenho certeza que ninguém sofreu mais do que ela. E só de pensar nisso minha vontade de vê-la aumentava.
– Eu agradeço por ter entendido, Aro. E garanto que você não terá mais problemas com ela.
– Eu me certificarei disso.
– Como assim?
– Eu preciso acompanhar o caso dela de perto, meu caro. O poder que ela tem é impressionante. Por mais que eu tenha visto a influência que você exerce sobre ela, eu não posso deixar de imaginar alguma situação que saia do seu controle. Pode acontecer! Mesmo que você não aceite, pode acontecer.
– Eu entendo o que quer dizer. Mas como pretende acompanhá-la de perto? O que planeja fazer?
– Não só eu como você também irá fazer alguma coisa. Minha parte será manter vocês, Cullen, em segurança. Faço questão de decretar que qualquer vampiro que se atrever a ameaçar sua família, terá que acertar contas com os Volturi. Eu sei muito bem a quantidade de vampiros que perseguem a Sophie, querendo matá-la. Mas esse é um risco que não estou disposto a correr. Se ela perder o controle novamente, sabe-se lá o que pode acontecer. E mesmo não atacando a Sophie diretamente, mais perigoso ainda será se algum deles resolver atacar alguém de sua família para atingi-la. Eu não preciso imaginar o que pode acontecer, afinal eu mesmo vivenciei isso. Então, farei o possível para manter esse tipo de ameaça longe de vocês. – aquela declaração me fez sorrir. – Porém, eu quero relatórios mensais sobre ela. Você terá que me reportar tudo. Tudo! Eu preciso ter a segurança de que as coisas estarão sobre controle e assim se manterão. Fui claro?
– Mais claro impossível. Sabe bem que sou um homem de palavra, por isso pode ficar tranquilo. Além do mais, nada é mais importante que a segurança da minha família. Isso é o mínimo que posso fazer para ter a paz que eu busco para mim e para eles. – respondi seriamente.
– Excelente.
– Aproveitando a oportunidade, já gostaria de avisar que estou adotando um filho da lua para a família.
– Como? – ele perguntou erguendo a sobrancelha.
– É uma longa história. Contarei com mais detalhes futuramente, mas por hora vou me ater a dizer que é impossível separá-lo da família. Ele teve um imprinting com a Sophie, então mesmo que eu quisesse afastá-lo, não conseguiria.
– Você realmente é uma pessoa estranha, meu caro. – ele riu com humor. – Não me oponho, já que é mais alguém para proteger a Sophie. Mas de qualquer forma quero que me informe sobre a relação entre ele e Sophie também.
– Claro.
Aro se levantou da cadeira em que estava sentado e foi em direção à porta.
– Consegue andar? – ele me perguntou de costas.
– Acho que sim.
– Siga-me.
Sem questionar levantei-me, com um pouco de dificuldade, e segui Aro. Pelos corredores do castelo eu podia sentir um clima de assombramento. Os vampiros pareciam inquietos, preocupados e surpresos. Alguns olhavam para mim como se eu merecesse muito respeito. Provavelmente a história se espalhara por toda a guarda. Aro jamais perderia sua postura e autoridade de líder, mas não provavelmente demoraria um pouco para reconquistar a confiança que nele era depositada. Afinal, ele levara uma surra de outro vampiro. Era como colocar à prova a fé de uma pessoa. Qualquer um se sentiria inseguro. Mas Aro era inteligente o suficiente para dar a volta por cima. E de qualquer forma, era o mínimo que ele merecia por tudo que causou. Claro que essa queda de confiança em sua pessoa era algo que o afetava de maneira muito intensa. Talvez fosse o suficiente para abaixar um pouco do seu ego. Ou não. Mas isso não importava, eu já não queria saber de vingança e justiça. Tudo que eu queria era paz e minha família. Senti saudades de casa. Apesar do mais difícil ter se acertado, aquela história ainda renderia por um tempo. Eu ainda tinha contas a acertar.
Aro continuou andando e eu continuei seguindo. Chegamos a um quarto, um tanto quanto isolado do castelo. Eu conhecia muito bem aquele lugar. Era onde os convidados mais importantes ficavam. Não necessariamente porque eram especiais no bom sentido, mas porque precisavam de atenção especial. Ele abriu a porta e eu logo pude ver Rose sentada em uma cadeira ao lado da cama, onde Sophie estava deitada. Ela estava dormindo e segurava a mão de Sophie. Tenho que admitir, aquela cena me comoveu. E pensar que tudo aquilo começou porque Rose não conseguia aceitar Sophie como sua irmã. Vê-la demonstrando aquele carinho e companheirismo para com a irmã chegava a me emocionar. Afinal, eu sabia que aquilo não era para me comover a não lhe dar a surra que ela, com certeza, ganharia. Era um sentimento puro e genuíno. Tinha mais certeza disso por saber que Rose não era do tipo que demonstrava carinho assim. E isso me aliviava, pois significava que o motivo pelo qual Rose não conseguia aceitar Sophie, já não existia mais. Sorri abertamente e, sem me importar com a presença de Aro, segui até onde minhas filhas estavam. Passei a mão carinhosamente nos belos fios dourados de Rose. Ela acordou assustada.
– Calma, filha. Sou eu. – disse sorrindo para ela.
– PAI!! – ela se levantou e me abraçou. Eu logo retribuí e afaguei seus cabelos enquanto ela chorava em meu peito. – E-eu fii-fiquei tã-tão pree-ocuupa-daa!!
– Shiiii... Já acabou, princesa. Tudo vai ficar bem agora. – eu disse enquanto beijava o topo de sua cabeça.
Rose se afastou de mim e limpou as lágrimas. Ela olhou para Sophie e depois voltou o olhar para mim. Só então percebi o quanto seus olhos estavam vermelhos, provavelmente chorara muito. Eu sabia que aquilo a fazia sofrer, afinal a culpa ainda estava ali. Provavelmente ela ainda carregaria esse peso por um tempo. Eu mal podia esperar para acabar logo com toda aquela história. Eu precisava tirar aquele peso dos ombros da minha princesa, eu precisava dizer que ela estava perdoada. Mas esse dia talvez demorasse um pouco para chegar, afinal, ambos estávamos um tanto quanto machucados. Ela, obviamente, muito menos que eu. De qualquer forma, talvez esse tempo fosse importante para que Rose se aproximasse de Sophie mais ainda. Eu deixaria para contar para Rose sobre a história de Sophie quando fôssemos conversar.
– Sophie não deve demorar muito para acordar. – disse Aro se aproximando.
– A propósito, há quanto tempo ficamos desacordados? – perguntei.
– Hoje fez três dias.
– O que? Sério? – perguntei surpreso.
– Vocês se machucaram muito, Carlisle, mesmo para um vampiro. Sophie, então, nem se fala. Antes de tudo aquilo ela já estava muito machucada, então a coisa só piorou. Chega a ser um milagre que ela esteja viva.
Aproximei-me da cama onde Sophie dormia. Ela estava com o corpo todo enfaixado, realmente como eu pensava. Apenas seu rosto possuía algumas ataduras e faixas envolviam a parte de cima da cabeça. Doía vê-la daquele jeito. Não era fácil para um pai ver uma filha naquela situação. Por mais que eu soubesse que, para um vampiro, a cura era extremamente mais rápida, não podia deixar de me sentir triste com aquilo. Olhei para Rose, que continuava deixando o veneno escorrer pelo rosto, mesmo que silenciosamente. Senti-me fraco. Como pai meu dever era protegê-los daquele tipo de coisa, daquele tipo de sofrimento. Se tinha uma coisa que tudo aquilo me ensinou foi que eu precisava me tornar ainda mais forte. Talvez eu fosse forte para proteger Esme e meus outros seis filhos enquanto eram somente eles, mas agora eu tinha Sophie e Jacob. E a minha força já não era mais suficiente. Eu ainda tinha muito que melhorar em mim mesmo. Mas uma coisa eu podia afirmar com certeza; essa seria a última vez que algo assim aconteceria na minha família!
– Bom, vou deixar que fiquem sozinhos por um tempo. Se precisarem de algo, por favor, avisem para que me chamem. – disse Aro direcionando-se para a saída.
Aro saiu do quarto e Rose se aproximou da cama, parando ao meu lado.
– Ela está muito machucada. – ela disse bem baixo.
– Você ficou com ela esse tempo todo? – perguntei.
– A maior parte do tempo sim. Quando não estava aqui, estava no seu quarto. – ela olhava para Sophie. – Não era você que deveria ter se machucado. Era a minha responsabilidade.
– Não, Rose. Tanto você, quanto a Sophie são minha responsabilidade.
Ela ficou em silêncio, com um olhar perdido. Provavelmente não sabia o que dizer ou, provavelmente, não conseguia dizer.
– É tão ruim vê-la assim. Se não fosse uma vampira, qualquer um pensaria que está morta. – ela fez uma pausa, para então continuar. – Ela nunca vai me perdoar por isso.
– É claro que vai, princesinha. – disse pegando em sua mão e sentando-me com ela em meu colo na cadeira.
– Ela não é você, pai. Se bem que até você eu duvido que vá me perdoar. – ela falou agora olhando em meus olhos.
– Ainda vamos conversar sobre tudo isso, Rose. Terá que aguentar mais um pouco. – foi tudo que pude dizer.
Rose repousou sua cabeça em meu ombro e chorou silenciosamente, enquanto eu acariciava suas costas. Ficamos assim por um tempo, até que ela acabou dormindo. Provavelmente estava muito cansada. Perguntava-me se ela havia dormido durante esses três dias. Provavelmente não. Fiquei ali com ela no colo e olhando para Sophie. Queria que ela acordasse logo para levá-la embora daquele lugar. Queria levá-la dali e acabar com a angústia da minha família. Provavelmente Esme estava preocupada, já que não havia lhe dado nenhuma notícia. Ela brigaria comigo com certeza. Mas aconteceu tudo tão rápido, não tive condições de fazer nada. Já estava morrendo de saudades de todos, principalmente da minha deusa. Se ela estivesse ali agora, aquele peso não estaria tão grande. Ela sempre tornava tudo tão melhor, tão mais leve. Devo admitir que estava exausto. Tudo que eu queria era minha casa, minha cama e os reconfortantes braços da minha mulher. Tenho certeza que assim que a visse conseguiria renovar minhas forças para, então, colocar um ponto final em tudo aquilo.
Não sei quanto tempo fiquei com Rose em meu colo, talvez não tanto quanto eu pensava. Ficar ali vendo minhas filhas frágeis daquele jeito fazia com que o tempo parecesse ter parado. Quando me dei conta, Rose acordou e começara a chorar de novo. Talvez por ter percebido que Sophie ainda não havia acordado.
– Rose, vá dormir mais um pouco. Pode deixar que eu fico com a Sophie agora. – disse, afastando Rose de mim.
– Não, pai. Vou ficar até que ela acorde.
Teimosa como sempre. Mas dessa vez eu não iria me opor. Realmente seria melhor que ela ficasse ali, esperando a irmã acordar. O que me dava medo é que, com tudo aquilo tendo acontecido, Rose não deve ter se alimentado. E se os Volturi trouxessem pessoas para se alimentarem? Seria um problema pra Rose. Se ela estivesse dormindo talvez fosse melhor. Mas como estávamos em um local isolado, talvez não tivesse tanto problema assim. De qualquer forma eu sabia que não conseguiria afastá-la dali até que Sophie acordasse. Quanto tempo mais ela ficaria dormindo? Será que acordaria mesmo em pouco tempo? Mesmo sendo uma vampira, ela se ferira gravemente. Talvez ainda demorasse mais um ou dois dias. E mesmo que acordasse naquele momento, ainda precisaríamos de pelo menos mais um dia para podermos viajar com tranquilidade.
Rose se levantou do meu colo e foi até o banheiro, provavelmente para lavar o rosto, tentando manter-se acordada. Eu fiquei olhando para Sophie e, então, segurei em sua mão. Eu não cabia em mim de ansiedade para poder olhar no fundo daqueles olhos e verificar, por mim mesmo, que tudo estava bem. E também estava ansioso porque finalmente a verdadeira personalidade de Sophie se estabeleceu. Eu queria conhecê-la, eu queria saber mais da minha pequena. Queria saber do que ela gostava, o que ela pensava, o que ela não suportava, eu queria saber tudo. Queria saber se era sorridente ou se era melancólica, se era pessimista ou otimista, se era aquela menininha frágil ou se era alguém forte. Tantas questões para fazer, tantas respostas para descobrir. Eu sabia que teria a eternidade para isso, mas queria que essa eternidade começasse logo.
Rose retornou ao quarto e aproximou-se da cama, do lado oposto ao que eu estava. Ela passou a mão suavemente no rosto de Sophie. Nesse momento senti minha mão ser apertada. Será que...? Olhei para ela esperançoso e vi seus olhos se apertarem. Rose olhou para mim, surpresa. Logo em seguida, Sophie abriu os olhos com um pouco de dificuldade. Eu sorri. Seus olhos estavam brancos, assim como antes de desmaiar. Soltei um suspiro de alívio. Não era um sonho, ela realmente era minha pequena. E por um milagre estava ali, comigo. Apertei um pouco mais a sua mão para que ela percebesse que não estava sozinha. Vi que ela fechou os olhos novamente, como se a luz estivesse lhe incomodando. Ela apertou um pouco os olhos fechados e os abriu lentamente. Repetiu esse processo umas duas vezes e então os manteve abertos. Ela olhou para mim e sorriu.
– Que bom que acordou, pequena. – eu disse, não contendo as lágrimas de alegria.
– Pare de chorar, por favor. – ela disse bem baixinho.
– São de alegria, não se preocupe.
Ela me sorriu e então voltou seu olhar para Rose. Essa, por sua vez, já estava soluçando. Sophie, com muita dificuldade, ergueu sua outra mão, como se quisesse que Rose segurasse. O que foi prontamente atendido, já que Rose segurou a mão dela com as suas duas, como se estivesse tomando cuidado para não machucá-la.
– Por que está aqui? – Sophie perguntou.
– E-eu... – Rose falava sem olhar nos olhos de Sophie.
– Você se machucou? Alguém fez algo com você? – aquela pergunta me surpreendeu um pouco. Rose apenas balançou a cabeça em negativa. – Que bom! Jamais me perdoaria se alguém te machucasse de novo por minha causa.
Sophie falou aquilo sorrindo. Rose não aguentou mais, abraçou a irmã, deitada, e começou a chorar alto. Sophie me olhou como se não estivesse entendendo o que Rose estava fazendo.
– Ela estava preocupada com você, Sophie. – eu disse.
– Desculpe por preocupá-la, Rose. Mas eu sou forte, não morro assim tão fácil. – ela disse com humor.
– Me-ee per-doooaaa, Sooo-phiiiie… Poorr fa-favooooor… — Rose falou ainda soluçando de tanto chorar.
– Perdoar pelo que? Você não tem culpa de nada. Eu lhe disse antes, não é como se eu esperasse que todos da família gostassem de mim logo de cara.
– Ma-aas não e-era isso qu-que eu que-riiiaaa...
– Eu sei que não. Não precisa mais chorar. Não estou com raiva nem nada do tipo. – Sophie ainda falava baixo.
Deixei que Rose chorasse tudo que ela precisava. Agora tudo se resolveria.
– Como se sente, pequena? – perguntei.
– Como se um trator tivesse passado em cima de mim. – ela sorriu e eu também. – Desculpe por preocupá-lo também, papai.
– Está tudo bem agora. Tudo que eu quero é te levar para casa logo.
– Você vai mesmo me levar com você? Mesmo depois de tê-lo machucado dessa maneira?
– E você acha que eu passei por tudo isso pra deixar você para trás no fim? É uma piada, não é? – perguntei, erguendo uma sobrancelha.
Ela ficou calada por um tempo. Rose ainda estava deitada sob ela, chorando.
– Pai, eu...
– Se for para falar que não pode voltar porque é um monstro e blá blá blá, nem precisa continuar. – interrompi.
– Na verdade eu ia dizer que estou com fome.
Eu olhei para ela e ela olhou para mim de um jeito travesso. Eu comecei a rir e ela também. Então aquela era a minha filha? Aquela era a Sophie? Ela era divertida, bem humorada e doce. No fundo eu sabia, eu sabia que era assim. Eu não conseguia acreditar que ela fosse cruel, eu sempre a vi daquela forma. Claro que provavelmente ela ainda era melancólica, mas isso se resolveria com o tempo de paz a alegria que nos aguardava. Pelo menos eu esperava que agora poderíamos ter paz. Vi Rose se levantando e limpando as lágrimas. Provavelmente ela ainda não estava satisfeita só com o que Sophie disse.
– Eu vou buscar um pouco de sangue para você. – disse Rose.
– De jeito nenhum, mocinha. Não vou deixar você sair por aí sozinha. – eu disse.
– Mas, pai, a Sophie está com fome e você não tem a menor condição de ir caçar.
– Eu disse não, Rose. – falei mais firme.
– E você vai deixar a Sophie com fome no castelo dos Volturi? Logo aqui onde o cheiro de sangue humano infesta as paredes? – ela disse de forma atrevida, mas não podia negar que ela tinha razão.
– Rose, será que terei que ser mais claro? Eu – disse – não! Não me faça repetir! – continuei sério.
– Ei! Será que dá pra vocês relaxarem? Não é como se eu fosse morrer de fome. E eu agradeço a preocupação Rose, mas o cheiro de sangue humano não me afeta como a vocês. – disse Sophie.
– Mesmo assim! Você está com fome! Precisa comer para recuperar as energias mais rápido. – disse Rose.
– Eu concordo com Rose, mas não posso permitir que ela vá sozinha. Vou dar um jeito nisso. – disse me levantando e indo em direção à porta.
Antes que eu pudesse sair, alguém abriu a porta. Dei de cara com Aro e atrás dele Jane e Alec.
– Chegou em boa hora, Aro. – eu disse.
– Ora, ora, vejo que Sophie acordou. – Aro disse.
– Observação genial, senhor Volturi. – disse Sophie, irônica.
– Não vou negar que eu mereço essa hostilidade. – Aro respondeu.
– Você quer mesmo que eu diga o que você merece? Um pau no...
– Sophie! – repreendi. É, ela continuava atrevida.
– Tudo bem, Carlisle. Eu não podia esperar ser recebido com carinho depois de tudo.
– Entendo o que ela sente, mas exijo o mínimo de educação. – olhei severamente para ela, que se encolheu na cama. Tive que segurar para não rir, ela já estava agindo como meus outros filhos.
– Você é bem linha dura, não é meu caro? – Aro me perguntou com humor.
– Não é essa a questão. Mas, mudando um pouco de assunto, será que você poderia conseguir um pouco de sangue de animal para Sophie?
– Não vejo problemas nisso. Alec, Jane.
– Sim, mestre. – eles responderam juntos.
– Vocês ouviram o Carlisle. Tragam um pouco de sangue animal, imediatamente.
– Sim, mestre. – eles logo saíram.
– Eu vou com vocês! – Rose saiu logo atrás, nem tive tempo de detê-la.
– ROSALIE!! – ainda gritei, mas em vão. – Essa menina está realmente procurando encrenca.
– Deixe-a, Carlisle. Ela ficou o tempo inteiro no quarto com Sophie ou com você. Deixe que ela saia um pouco. Estará segura com Alec e Jane.
– Aqueles dois estão tão feridos quanto eu, Aro. Não me trás segurança nenhuma que ela esteja com eles. – Aro gargalhou com minha declaração.
– E você fala como se ela fosse uma garotinha de cinco anos completamente indefesa. Francamente, não sei como consegue ser tão respeitado tratando seus filhos dessa forma.
– Eu tenho meus métodos. E não é como se eles não gostassem de serem mimados assim.
– Carlisle, você é o vampiro mais estranho que eu já conheci.
Eu sorri com aquela declaração e ele sorriu de volta. Eu jamais saberia explicar que relação era aquela. Éramos amigos declarados e inimigos naturais. Sentia que era como uma bomba prestes a explodir, só precisava de uma fagulha. Estranho era pensar que essa fagulha jamais surgira. Nem mesmo o ocorrido com Sophie conseguira fazer a bomba explodir. Não sabia dizer se era pelo meu dom da compaixão ou se era pelo companheirismo que Aro tinha por mim. Afinal, ele podia ter me matado. E por que não o fez? Era um mistério. Eu preferia acreditar que ainda existia algo de bom naquele vampiro de nariz em pé, apesar de sempre achar que ele era um caso perdido. Mas até que ele estava sendo bastante compreensivo depois de ter sido derrotado pela Sophie. Pensei que ele ainda aprontaria mais alguma, mas pelo visto ele realmente se rendera. Era difícil acreditar naquilo, mas eu conhecia Aro o suficiente para saber que ele realmente não estava planejando fazer mais nada.
– Bom, vim aqui apenas para dar uma olhada. Alec e Jane não devem demorar com o sangue.
– Obrigado, Aro.
Ele deu um leve sorriso e saiu do quarto. Logo voltei a sentar-me na cadeira ao lado da cama. Sophie olhava para mim incrédula.
– Pai, eu realmente preciso concordar com o Volturi, você é o vampiro mais estranho que já conheci. – ela falou.
– E isso é ruim? – perguntei erguendo a sobrancelha.
– De forma nenhuma. Só uma pessoa estranha assim para querer ter uma filha como eu. – apesar de ser uma declaração em tom negativo, ela falava com humor.
Eu apenas sorri e acariciei seus cabelos. Uma filha como ela. Totalmente diferente de tudo que eu já tinha visto. Como não me encantar. Aqueles olhos me cativaram desde a primeira vez que nossos olhares se cruzaram. E naquele momento eu jamais poderia imaginar que tudo isso ia acontecer. Mas mesmo que eu soubesse, não deixaria de acolhê-la. Valeu à pena. Mesmo que tudo aquilo tenha sido uma experiência terrível, eu tinha que agradecer à Rose. Se não tivesse acontecido, Sophie não teria conseguido finalmente se encontrar. Talvez até conseguisse, mas levaria muitos e muitos anos. Agora lá estava ela, sorrindo para mim de um jeito que eu pensava só conseguir ver depois de décadas de convivência. Foi por conta de todo aquele sofrimento que, finalmente, Sophie entendeu o quanto eu a amava e ela descobriu o significado do amor. Talvez tivesse sido isso que dera a ela forças para suportar as chamas e viver. Era difícil dizer, já que em toda a sua vida ela viveu muitos milagres. Ela encarou a morte muitas vezes e dessa vez ela provavelmente perderia. Não digo que sou o salvador dela, afinal fui incapaz de fazer qualquer coisa para ajudá-la. Mas pelo menos de uma coisa eu tinha certeza, enquanto ela percebesse o meu amor, não voltaria à vida que tinha.
Saí de meus devaneios quando senti que Sophie pegou em minha mão. Ela suavemente levou até os lábios e beijou.
– Então quer dizer que a Sophie durona tem um lado carinhoso? – brinquei.
– Sempre tive. Só não tinha para quem demonstrar.
– Agora você tem muitas pessoas. Inclusive certo lobo orgulhoso. – sorri travesso.
– Ele deve estar preocupado.
– Estava todo nervoso porque eu não quis trazê-lo.
– Ainda bem que você não o trouxe. Não gostaria que ele tivesse visto aquilo. – olhei curioso para ela. Ela me olhou e começou a rir. – Ora pai, apesar de ter hábitos bem masculinos, eu ainda sou uma mulher!
– Não é isso. Por um momento eu pensei que...
– Eu diria que gosto dele? É, você não está errado. Na verdade, de todos vocês. Eu já sabia disso, só não tinha coragem para alimentar esse tipo de sentimento. – agora ela ficou séria. – Eu sempre preferi guardar esse tipo de coisa comigo. Dói menos quando não é algo declarado.
– Você me disse que não sabia o que era amor.
– E eu realmente não sabia. Eu tinha uma leve ideia do que poderia ser, mas nunca experimentei. Afinal, ninguém nunca ficou o suficiente ao meu lado para que eu pudesse desenvolver algo assim. Da mesma forma que ninguém jamais demonstrara isso por mim. E mesmo que alguém dissesse que me amava, como você o fez, eu preferia não acreditar. Como já disse, dói menos quando não é algo declarado. Se eu não acreditasse, era mais fácil de ignorar ou pensar que eram apenas palavras da boca para fora.
– E por que fazia isso? Por que se fechava dessa forma?
– Para me proteger. – meu coração se apertou com aquela resposta. – Já bastava os ferimentos em meu corpo e os que já tinham sido feitos na minha alma, eu não precisava de mais.
Ela ficou em silêncio durante um tempo e o clima ficou pesado. Falar sobre aquilo era extremamente difícil para ela antes. De alguma forma continuava sendo difícil, mas agora ela parecia ter criado forças para exteriorizar. Isso me alegrava por um lado, mas me deixava ansioso por outro. Agora nós poderíamos ver os sentimentos que ela guardava. Sentimentos bons, sentimentos ruins, sentimentos incompletos, sentimentos repletos de significado, tudo se mostraria. E eu tinha que estar preparado para qualquer tipo de reação. Muita coisa ainda precisava se revelar sobre a verdadeira Sophie. E eu tinha que ter foca o suficiente para apoiá-la, para lhe dar a segurança de que ela podia sair daquela casca.
– Pai, eu preciso lhe pedir um favor. – ela começou tirando-me dos meus devaneios.
– Diga.
– Não faça nada com a Rose, por favor.
Aquele pedido me espantou. Eu ficava feliz de saber que ela não tinha nenhum ressentimento daquela história toda, mas daí pedir algo absurdo assim parecia surreal demais. Ali tinha coisa!
– Por quê? – perguntei.
– Porque quando eu disse que a culpa não é dela, é porque realmente não é. – ela me fitava com olhos cheios de sinceridade.
– O que quer dizer com isso? – perguntei erguendo a sobrancelha.
– Eu sabia que era uma emboscada.
– O QUE? – espantei-me de tal forma que acabei gritando. – Você sabia que era uma emboscada e mesmo assim foi com ela?
– Isso mesmo. – ela me encarava seriamente.
Levantei-me da cadeira e passei a mão em meus cabelos, bem nervoso. Ela sabia? Ela sabia o que provavelmente aconteceria e mesmo assim foi? Ela foi? Eu não podia acreditar naquelas palavras! Mas Sophie não parecia estar mentindo para tentar livrar a cara da irmã. Então por quê? Por que ela fez aquilo? Será que ela não pensou em nenhum momento o tanto de sofrimento que ela causaria a todos? Será que ela não pensou o que poderia acontecer? Será que nem passou por aquela cabeça o quanto ela se machucaria? Não! Isso era difícil de aceitar! E pensar que tudo poderia ter sido evitado se ela simplesmente tivesse se negado a ir ou tivesse me comunicado. Não! Aquilo era revoltante! Sentia meu veneno ferver. Eu não tinha nem palavras para descrever o quanto ela fora irresponsável! O quanto ela for insensível! Comecei a andar pelo quarto completamente inquieto. O que eu faria com aquela menina? O que ela pretendia com aquela declaração? Era pedir pra apanhar! Mas eu poderia puni-la? Depois de tudo que ela passara, seria justo dar qualquer tipo de punição? Oh Céus! E agora? O que eu faria?
– Se você quer punir alguém, esse alguém tem que ser eu. – ela falou novamente.
– Qual é o seu problema? Você gosta de apanhar, por acaso? – perguntei em um tom revoltado, tentando amenizar a raiva que estava sentindo.
– Não é essa a questão. – ela desviou o olhar.
– Por que então? Por que você fez algo assim? Tem noção das coisas que poderiam ter sido evitadas se você tivesse pensado um pouquinho mais? Tem noção do que essa sua escolha irresponsável causou? Claro que tem, não é? Afinal, você foi a mais afetada! – eu tentava me manter calmo, mas estava difícil. – Sério, Sophie, eu não consigo acreditar que você fez isso! Eu... Eu estou tão revoltado nesse momento que nem sei o que dizer! Eu devia era te dar uma surra por isso!
– Pai, eu entendo você. Mas, sério, o que você esperava? Eu nunca fui o tipo de pessoa que foge dos problemas. Eu nunca dependi de ninguém para nada. Eu nunca fui socorrida por ninguém e muito menos tinha alguém para quem pedir por socorro. Você apareceu na minha vida de repente e eu comecei a viver algo que jamais imaginara. Mas mesmo que eu estivesse encantada, você esperava que eu fosse mudar em menos de uma semana?
Naquele momento ela não estava sendo atrevida, o que me deixou mais calmo. Ela tinha razão! Eu não podia esperar esse tipo de atitude de alguém que vivera a vida como ela. Mas aquilo não deixava de ser revoltante. Inspirei profundamente, eu queria entender.
– Em momento algum você pensou o quanto sua decisão me afetaria? Em momento algum você pensou em todo caos que essa decisão traria? Eu não entendo, Sophie! As coisas estavam indo bem antes que isso acontecesse! Eu sentia que nós estávamos ficando mais e mais próximos! Eu até podia sentir que você estava começando a confiar em mim! Então por quê? Você estava me enganando? Estava mentindo para mim? A troco de que? O que você ganharia com isso? Eu realmente não entendo!
– Você entende. Só não consegue aceitar. Eu disse antes, pai, eu sempre estrago tudo. É verdade que eu realmente estava começando a construir algo com você e isso me assustou. Eu tive medo. Medo de que mais uma vez eu estragasse tudo e acabasse te perdendo depois de criar um vínculo. Eu não queria isso, eu não sabia o que fazer. Quando eu percebi que a Rose estava tentando me levar para uma emboscada, eu pensei que essa era a chance de sair dali sem me machucar e sem machucar vocês. Antes que algo sólido fosse construído.
– Mas o meu amor por você já era sólido desde o início!
– Mas eu não entendia o que era isso! Eu achava que você estava construindo algo assim como eu!
– Mesmo que eu ainda estivesse construindo, por Deus, a massa já tinha sido feita. Algo já estava pronto! Você não pensou o que aconteceria depois? Você não imaginou que...
– Não! Eu sequer imaginava que você viria atrás de mim! Você acha que se eu soubesse que colocaria você em risco, eu teria feito o que fiz? Eu sempre odiei envolver as pessoas nos meus problemas! E querendo você ou não, essa sempre foi a minha vida! Eu sempre fui perseguida! E mesmo que a Rose não tivesse participado da emboscada, Anderson continuaria me perseguindo até conseguir me capturar! – ela parou por um momento e voltou a me encarar com os olhos cheios de veneno. – Por favor, me perdoa! Eu não queria te envolver nisso tudo! Eu não queria que você tivesse se machucado assim! De verdade, eu estava pensando no que seria melhor para todos! Na minha mente deturpada, aquilo era o certo! Você não merece uma filha como eu! E mesmo que eu mude, que eu não seja eu, ainda não seria digna de ser sua filha! É assim que eu penso! Mas algo mudou em mim depois que eu entendi o que era amor! Eu continuo pensando que não mereço, mas não consigo mais me ver sem você! Eu quero esse amor pra mim! Mesmo que eu jamais mereça, eu quero!
Sophie derramava lágrimas silenciosamente. Eu estava certo, ela ainda era melancólica. Era como se todas as suas personalidades tivessem se misturado. Mas eu fiquei feliz. Feliz porque algo mudou. Mesmo continuando com pensamentos pessimistas, agora ela entendia o quão forte era o meu sentimento por ela. E isso já fazia toda diferença. Era o começo para que ela entendesse todo o resto. Se ela sabia o que eu sentia, nunca mais voltaria a fazer algo daquele tipo. Isso para mim já era o suficiente. Ela não precisava ser punida, ela já tivera castigo demais. O mais importante ela entendeu. Aproximei-me de sua cama e sentei-me na beirada. Limpei as lágrimas de seu rosto, que já estavam começando a amolecer os curativos.
– Tudo bem, minha pequena. Eu vou aceitar, mas você entendeu que o que fez foi errado, não é?
– Não consigo pensar que foi certo olhando para você nesse estado.
– Não só eu, pequena. Olha só para você! Quem mais sofreu com isso foi você! Me machuca te ver assim!
– Eu sei, pai. Agora eu sei. – ela desviou o olhar.
– Olha pra mim, pequena. – ela demorou um pouco, mas olhou. – Não faz mais isso. Mesmo que pense que não mereça, o que não é verdade, agora você entende a dimensão do que eu sinto e sabe que qualquer coisa de ruim que te aconteça irá me afetar também. Quando eu digo nada de lutas, eu quero dizer nada de lutas! Quando eu digo para não se menosprezar, eu quero dizer não se menospreze! Porque isso vai te machucar! E se te machuca, me machuca também! É isso que você quer?
– Não!
– Então você me promete que não fará mais isso?
– Eu prometo que vou tentar, pai.
– Já é um começo. Tenho mais seis filhos e sei muito bem como é difícil para vocês, eternos adolescentes, cumprirem o que prometem. – sorri com humor.
– Assim você me ofende. – ela fez bico.
Eu gargalhei com aquilo. Lembrei-me de Edward por um momento. Ela também riu.
– E sobre a Rose, pai?
– Ela vai levar uma surra.
– Mas...
– Não, Sophie! O que ela fez foi inaceitável! Não interessa o fato de que aquele vampiro continuaria te perseguindo, a obrigação da Rose era vir me contar o que estava acontecendo. Ela sabe muito bem que deve me reportar qualquer coisa que ameace a segurança da família! Ela traiu a minha confiança e vai ter que acertar as contas comigo. E se você é esperta, não vai interferir. Fui claro? – falei firme.
– Sim senhor.
Ela então se calou. Eu a ergui por um momento, só para que eu pudesse me sentar próximo à cabeceira da cama e colocá-la em meu colo. Fiquei alisando seus cabelos e pensando o quanto eu queria estar na minha casa, com ela e toda minha família. Eu não esperaria mais, partiríamos assim que amanhecesse. Eu realmente precisava colocar um ponto final naquela história.
Continua...
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