Lágrimas da Realeza

13 Capitulo 8: Enquanto nosso amor existir


Notas iniciais
Algures no subsolo, uma antiga e podre cadeira vazia repousa envolta em uma inexplicável assombração que Hessonite, á muito, que teme, e evita relembrar.

Lá estavam as três, alinhadas, na sala que contava com tecnologia poderosa, ecrãs que mostravam o céu esverdeado e venenoso do planeta em que se localizavam. Lá estavam elas, prontas para entrar túnel adentro. E lá estavam elas, prontas para pisarem solo que á muito tempo não fora explorado.

Hessonite ativou seus óculos especiais ao tocar com os dedos levemente ao lado do seu olho direito, analisou a entrada do túnel mais uma vez, com certo ar desconfiado, depois, clicou numa parte dos óculos, que fizeram este se transformar num género de lanterna, emitindo uma luz poderosa suficiente para combater a escuridão lá dentro sentida. E então, Hessonite foi a primeira a seguir em frente com seus típicos imprudentes paços.

Jaspe caminhava por ultimo, e no meio ia Pérola, atrás de sua senhora, suportando vários equipamentos. Seu corpo frágil por vezes quase que não conseguia carregar tais coisas e portanto, se mantinha em um sacrifício difícil a cada passo que realizava.

E a poderosa guerreira que a seguia, sempre que podia, sempre que fugia do olhar cuidadoso de Hessonite, conseguia ajudar Pérola no que pudesse. Era um carrinho rudimentar que ela puxava, que contava recheado de coisas incompreensíveis por agora, parecia um computador, junto de inúmeras ferramentas, claramente pesado.

O chão do túnel escuro já a muito tempo não era pisado, sua superfície assim, era bastante rochosa, o que tornava a locomoção da grande maquina, por parte das mãos de Pérola, ainda mais difícil. E assim, a coitada, fazia o que podia.

Caminharam, caminharam, e continuaram a caminhar, enfrentando o misterioso ar puro do túnel, pouco ou quase nada poluído. Chegou a um ponto que Pérola ficara um tanto para trás. Hessonite manteve sua pressa em seus passos, não esperando por o caminhar da pobre empregada que carregava toda a mercadoria necessária para cumprir a parte da missão.

A general, a medida que caminhava, apontava para as paredes do túnel, analisando suas marcas, escavadas com imensa pressa, sinal característico daquele local, e da própria área do jardim de infância onde a base reforçada se encontrava instalada. Optou pelos seus próprios passos, sendo que a sua poltrona estava transformada no carrinho que Pérola puxava, por necessidade. Afinal, essa poltrona parecia ser a própria máquina.

Já deviam estar a caminhar a longas horas. Em pleno silencio, nenhuma trocava palavras, só olhares desconfiados entre si, envoltos em um estranho clima de tensão. Silêncio era tanto, que só os passos das três quebrado pelo barulho desajeitado de metal do carrinho a arrastar ecoavam em todo o local negro.

Até Hessonite parar, repentinamente. De forma a ressaltar a atenção de Jaspe.

— O que foi? – Questionou logo.

Depois de tanto tempo sem ali dentro ouvir vozes, era bem estranho ouvir as mesmas novamente, saindo e ecoando pelo local, como um som nunca antes descoberto.

— Aqui existiu uma derrocada – Hessonite deu um suspiro, como os dos seres orgânicos – É um beco sem saída.

— Lógico, ou pensavas que este sitio velho, só porque foi selado, não seria na mesma apanhado pela degradação do tempo? – Jasper pronunciou tal, com ar triunfante.

— Cala-te! – Ordenou, com raiva nas palavras, e assim Jaspe o fez, por enquanto.

Hessonite clicou então em outra opção dos seus óculos-visor especial. Um mapa holográfico fora mostrado junto com a luz que o mesmo emanava.

— Não temos nenhuma outra opção a seguir, temos que explodir com as rochas e tentar abrir um caminho – Analisou, fechando o holograma do mapa logo em seguida.

— Mas tendo em conta o estado destas paredes, pode criar outras derrocadas – A guerreira, comentou, ao cruzar os braços.

— Sim, eu sei. Não é novidade nenhuma – Respondeu de forma ríspida, fazendo a guerreira se calhar novamente — Tem essa possibilidade… A não ser que…

Hessonite não continuou suas palavras, e seguiu em frente se aproximando dos rochedos caídos.

— A não ser o que? – Questionou a guerreira.

Hessonite pareceu entrar em um modo de meditação, um triângulo de luz fora desenhado no chão onde ela se encontrava, em seu redor, quase como um círculo mágico. Em suas mãos, outro triângulo de luz. O objecto mágico emanava claridade impressionante.

— HA não… — Jaspe deu uns passos atrás, impedindo igualmente Pérola de avançar, e depois dirigiu-se a Hessonite – Para! Isso não vai resultar!

Mas a general continuou. Segurou firme o triângulo que contava em suas mãos. A luz que emanava ficava cada vez mais intensa. Um outro triângulo fora invocado, pelo mesmo, e dirigiu-se em direção á parede, atravessando os rochedos. Hessonite, então, despedaçou o triângulo que segurava firme entre seus dedos. Uma pequena explosão fora sentida entre os rochedos.

O chão e todo o túnel estremeceu, alguma terra caiu da parte de cima, mas nada muito grave. A rocha pareceu ter criado varias fissuras. Apesar dos avisos constantes de Jaspe, Hessonite continuou, realizou o mesmo processo. Mais uma, outra, e outra vez. As rochas que interrompiam a passagem acabaram totalmente em fragmentos, aos poucos, que caiam, abrindo, por sorte uma entrada. Ainda era pequena. Com seus óculos, ela avaliou os locais da rocha, mais frágeis, mais duros, onde podia dirigir os triângulos mágicos de luz e assim criar mais pequenas explosões de forma segura e estratégica, tendo cuidado com os sítios com maior possibilidade de gerar uma derrocada caso ali explosão acontecesse.

Uma entrada fora finalmente criada. Hessonite com certa força removeu alguns dos calhaus manualmente. Era uma entrada pequena, mas se cada jóia esticasse ou modifica-se magicamente seu corpo o suficiente, daria uma otima passagem. Só existia um problemazinho: A carga que Pérola trazia, tal, sem qualquer sombra de duvidas, não iria caber na passagem.

Quando estavam prestes a entrar buraco a dentro, Jaspe chamou silenciosamente a atenção de Hessonite através de gestos simples, e esta olhou educadamente para trás, logo se apercebeu do problema, e foi ai, que encolheu os ombros, num sinal de tanto faz, virou-se novamente em direção aos rochedos caídos e a entrada que criara, como se não quisesse saber daquilo, simplesmente.

A empregada parecia ofendida, com a sensação de estar abandonada, até ver a sua senhora, passado algum tempo depois, breves segundos, estalar os seus dedos.

Pérola ficou incrédula com o descaramento. Hessonite, durante todo este tempo, podia-lhe ter facilitado a vida só a carregar uma pequena esfera magica que surgira naquele instante, esfera pequena, bolha que conteve todo o material, e que podiam carregar e flutuar bem facilmente por ai sem qualquer peripécia. Mas não, Pérola teve que carregar todo o tal material tecnológico essencial para confirmar a maquina da forma mais pesada, insuportável, dura, possível!

As três, então, passaram o local da derrocada, entrando em outro local novo. Pérola, agora, só carregava tal bolha, sem esforço, mas ainda estava ofendida por ter passado praticamente todo o caminho com aquilo como se fosse carga pesada. Passado mais uns 10 minutos de silenciosa caminhada, depois de todas as horas seguidas que se mantiveram em um esforço abafado ali dentro, chegaram a outro beco sem saída. Desta vez, não parecia ter existido uma derrocada.

Hessonite confirmou seu mapa, abrandou a cabeça de modo afirmativo, e apontou a luz dos seus óculos para cima, revelando sobre a luz uma coisa incomum naquelas paredes velhas, extremamente desgastadas. Parecia um alçapão extremamente arcaico.

Madeira, uma porta de madeira velha, podre, bem descaída. Estava trancada pela fechadura, uma fechadura de metal enferrujada, mas devido ao seu estado absolutamente avançado de degradação, Hessonite deu um soco, não foi forte, mas o suficiente para derrubar a porta.

E as três subiram, Hessonite com um salto rápido, Jaspe também, Pérola foi a que contou com mais dificuldade, que logo passou quando em um gesto de carinho, Jaspe lhe estendeu a mão, erguendo e puxando de imediato seu corpo de empregada delicado e frágil. Não tardou em estar num interior de um novo local.

A primeira coisa que sobressaiu ali dentro foi Hessonite, imóvel, como, uma pedra comum (literalmente) encarando ao redor. Estavam no interior de uma grande sala velha, o material parecia ser do mesmo da tal sala da uma ruina velha da base onde os ecrãs do exterior decoravam as paredes com imagens brilhantes do céu noturno… Mas aquele… Aquele era muito diferente.

Era gelado, frio… Pérola não se sentia nada bem. Pressentia que algo de muito ruim tinha acontecido ali, á muito tempo, e ainda mais persentia isso, ao ver no rosto de Hessonite certa expressão de terror. Jaspe, era das três, a que menos se mantinha preocupada, parecia normal, impaciente.

— Eu não acredito que este sitio ainda existe… — Hessonite se ajoelhou, em um modo bem perturbado – Eu não acredito que… Voltei aqui…

— Era o que eu estava a tentar te dizer a um bom tempo, mas me mandavas sempre para me calar… — Jaspe começou, meia irritada, cruzando os braços – Eu ia te contar que sabia de uns rumores sobre a possível existência de um túnel que vinha parar aqui, mas nem tive a chance…

— Os mapas estavam incompletos e não diziam ao certo…. Então… Era um dos caminhos que passava pelo Armazém dos Leakileaki… — Hessonite pronunciou, quase em murmúrios.

Aquela palavra, o nome de tal estranho e misterioso sitio, ecoou, ao inicio, parecia estranha e muito engraçada, principalmente para quem tinha a mente uma ferramenta de pensamentos bem viajados que encontravam contextos do sei lá. Mas na realidade, fora pronunciada de uma forma seria entre a dupla, até demais. Pérola quase começava a rir, ao ouvir o nome que parecia para ela cortar o clima sério, não sabia exatamente os motivos, até ver, em tal instante, a mudança súbita na cara de sua senhora, algo que também fez sua própria face mudar de forma drasticamente igual.

Um momento súbito de silencio foi então, ali, gravado, Por algum motivo estranho, tal penetrante silêncio junto com o pouco vento, correntes estranhas de ar que ali passavam, pareceram refletir barulhos estranhos, de coisas que aconteceram em tal negra sala durante o passado, de forma um tanto perturbante para as personagens, e para, principalmente, Hessonite, que encarava cada canto ao redor, como se estivesse presa, como se estivesse sufocando, como se estivesse a sentir uma dor enorme que não conseguisse ultrapassar, e… Como se estivesse, morrendo.

De facto, a energia ali sentia, não era das melhores, o lugar, contava com muita negatividade, que aos poucos, apenas aumentava, apesar de estar abandonado, sem nada, á muitas eras parado no tempo. E era quase como se Hessonite já conhecesse todos os caminhos, todos os recantos do local, muito bem, demasiado bem para o que ela mesma desejava. A sala estava parada, no tempo, e Pérola ficou durante certos segundos, imóvel, encarando tudo o que conseguia, tentando processar tudo que não entendia, e igualmente se sentindo mal. Reparou que parte das paredes estavam muito negras, indicando a existência de um possível incêndio ali ocorrido em outras eras.

Naquele instante, os olhos da General estavam tão abertos, percorrendo um filme em memorias que só Hessonite conhecia.

— Vamos logo sair daqui – Disse Jaspe, ao puxar pela mão de Pérola, em direção a outro local, a saída do sitio – Não é saudável ficar presa ao passado.

Já estavam a meio do caminho pra lá chegar, quando se aperceberam, que Hessonite não lhes tinha seguido, então, voltaram atrás.

Jaspe deu um suspiro, e se dirigiu a Hessonite, a general parecia misteriosamente triste, bem perturbada. Era estranho… Uma personagem maioritariamente séria, acabar demonstrando uma expressão frágil, tão profunda assim, todo o tempo.

Pérola ficou ainda mais mal por aquilo, apesar de tudo o que Hessonite lhe tinha feito até aquele momento, sentiu certa piedade em relação a general, principalmente quando reparou que uma pequena lágrima escorria em seu rosto. Hessonite manteve-se imóvel, e Pérola então, decidiu avançar.

Ao inicio, tomou uma aproximação cautelosa, com olhar curioso, observava de perto a face da velha general, aterrorizada, relembrando-se de tudo o que tinha visto e acontecido ali.

Não sabia exatamente o que fazer, e,, então… Pensou em algo reconfortante, e, assim, quase como instintivamente…

Abraçou-a.

Pérola abraçou a sua Hessonite, com certa força.

Durante muito tempo, a general manteve-se parada, envolta no carinho da pequena nobre jóia, em certo instante, até pareceu soltar bem mais lágrimas com tal gesto…

Até que…

Numa espontânea raiva, empurrou a Pérola, repentinamente, e contra o chão, com certa ferocidade, soltando-se dos braços daquela descarada que a tinha abraçado, e agido de forma incorrecta, sem qualquer permissão por parte de suas superiores palavras.

Jaspe acolheu a empregada, ajudando esta a se erguer, enquanto encarava com raiva em seu olhar a general.

— Só porque achas que sofres-te pior e mais que os outros, não significa que tens todo o direito em fazer os outros também sofrer — Jaspe repreendeu Hessonite, enquanto acolheu pérola. Que deixou algumas lágrimas escapar, um pouco assustada, apesar de não estar surpresa.

— Eu já disse, vamos sair deste sítio miserável… Eu nem entendo como viemos parar aqui – Comentou de seguida, mais desperta á realidade.

Hessonite então, num comportamento mais estranho, saiu dali, continuando , a medida que passava, sempre se manteve com olhos fixos num certo local da sala, onde ela se manteve a olhar, durante, todo aquele tempo, sempre, de modo constante. Pérola, por acaso, dirigiu seus olhos ao mesmo local que os olhos de sua senhoria também, igualmente fitavam, até reparar numa… Cadeira? Cadeira de antiga madeira? No centro de tal lugar, no centro de tal escuridão… E ao lado, perto de um tal esqueleto…

— Madame… Morgana… — Murmurou a general, serrando os olhos de súbito, e virando a cara para a frente, seguindo em frente a saída do armazém, sempre caminhando.

Pérola apenas… Encarou o esqueleto sem cabeças. Vários ossos, que aparentavam ser do seu crânio, estavam espalhados nos arredores. Ela não entendia o que era aquilo, mas o certo, é que entendia, uma negatividade assombrosa ali concentrada, ali, e naquela cadeira… E também, entendia que Hessonite revivia bastantes memórias antigas, constantemente.

E novas… Novíssimas, memorias começaram a surgir em frente a seus olhos fechados e apavorados… Sempre…

— DEIXA-A EM PAZ! – Gritou uma conhecida voz nobre salvadora.

Um vulto verde correu em direção a uma humana, seu punho rodeado com uma aura verde que fortalecia ainda mais sua manopla. Realizou um soco certeiro. A pessoa nem teve tempo de se desviar, e já contava com o rosto completamente desfigurado, com o crânio esmagado, que logo explodiu com a energia do ataque furioso da poderosa Jóia.

Caiu no chão, com a cabeça totalmente desfeita em migalhas cerebrais. Apesar disso, a gargalhada maquiavélica dela ainda parecia ecoar pelas paredes, como uma assombração, que agora, estava solta, e sempre iria ali, ficar, encarnada nas altas paredes.

Seus capangas assustados com a morte da líder, logo executaram um plano de fuga para sair do armazém, enquanto as chamas consumiam as altas paredes ainda mais. Lá fora, os bombeiros tentavam controlar as altas labaredas, e combatiam o fumo que escondera toda a macabra cena. Por sorte, até parecia que todo o combate ás chamas parecia estar a seguir um bom rumo… Mas não seguia nada um bom rumo o que ainda viria a seguir de tudo aquilo.

Esmeralda correu, e desprendeu Hessonite da cadeira, e a primeira coisa que a Joia laranja fez, apesar de seu corpo estar imundo de resíduos provenientes dos tais orgânicos nojentos que usaram seu corpo de forma desrespeitosa, foi abraçar a sua amada, se desfazendo em lágrimas.

— Está tudo bem agora, minha pequena… — Comentou ela, encostando a cabeça da companheira, com força contra o seu peito.

— Não… Não está… — Disse entre lágrimas e soluços – Nunca vai estar.

— Os restantes membros do nosso poderoso Esquadrão Asa Relâmpago vão apanhar os que fugiram e vamos ter vingança disto tudo – Disse – Não chores mais, sabes que eu não gosto quando vejo as tuas lágrimas. Tudo vai voltar ao normal.

— Não… Não estás a compreender… Esmeralda… Aquela Peridot…. Ela…

— Vai ser despedaçada pelas minhas próprias mãos – Comentou com fúria em suas palavras, depois de adotar uma posição superior – tal como eu fiz com essa desgraçada da Madame Morgana. NINGUEM NUNCA MAIS VAI TE POR O DEDO EM CIMA!

Ao desfazer a manopla que explodiu com a cabeça da humana, Esmeralda conseguiu limpar a sua mão do sangue, e acariciou a cara de Hessonite. Olhando-a sincera, olhos nos olhos brilhantes.

Hessonite aninhou ainda mais sua cabeça na mão de Esmeralda.

— Essa Peridot… Ela… Vai acabar com tudo.

Esmeralda pareceu incomodada, talvez sabia do que Hessonite se referia.

— Ainda não acabou. E nunca irá acabar, enquanto eu estiver aqui, enquanto tu estiveres aqui comigo. Nunca irá acabar, enquanto… Enquanto nosso amor existir. É uma promessa…

— ‘’Enquanto nosso amor existir. É uma promessa…’’ A general murmurou, a medida que observava tal podre, antiga, empoeirada cadeira, desaparecer a cada passo em frente que ela realizava.

Pérola olhou a sua senhora, uma lágrima cai levemente de um dos seus olhos. Várias outras imagens pareciam passar em frente aos olhos dela, lhe dando uma manifestação de medo, raiva, ódio, saudade, tristeza… e outras negatividades que sempre a assombravam.

E isso, também acabou por a deixar irrequieta, parecia querer conter seu ódio

Como uma típica pérola, ela se aproximou para tentar compreender, para tentar acalmar a sua senhora de tais frustrações.

Mas Hessonite…Apenas rejeitou isso… A empurrou contra o chão.

….

Os restos mortais e vestígios de criaturas que ai outrora viveram era bem notável entre aquilo que parecia ser uma cidade subterrânea, destruída por uma guerra qualquer, e bastante decaída graças ao tempo velho em que ali permanecera fechada em plena decomposição.

Caminharam entre os edifícios caídos, sempre seguindo mapa um pouco incompleto da General. Depois de atravessarem inúmeras desertas e tenebrosas ruas, chegaram rápido a um outro armazém, parecia um pouco mais livre de energia negativa que o outro, mas, ao mesmo tempo, ainda mantinha o ar misteriosamente pesado.

A primeira coisa que realçaram ao chegar ao local, foi o som estranho daquilo que parecia uma maquina, motor impune de tecnologia meia velha, ruído que provinha do interior de tal local.

— Estamos perto, finalmente – Comentou Hessonite com um suspiro.

Entraram então, o armazém era vazio, caminharam em frente, invadido a poeira, até chegarem a um novo alçapão no meio do chão, debaixo daquilo que parecia destroços antigos de sei lá. Fora fácil de encontrar, e de, claramente, derrubar a porta e entrar no novo túnel.

A cada passo que realizavam, mais intenso era o barulho do motor da misteriosa coisa que era bastante audível devido a todo o silencio e solidão de tal cidade subterrânea. Todo o túnel, era um autentico labirinto, por clara conveniência dos seus criadores originais, mas graças ao mapa de Hessonite, fora fácil descobrir directamente qual o caminho em seguir. Em alguns locais, era possível ver alguns fragmentos de Humanos e Jóias mortas, que claramente aterrorizaram Pérola, e ainda alguns monstros que a muito foram ali selados.

Jasper conseguiu tratar daqueles monstros sem facilidade para proteger Pérola, Hessonite passava por eles sem preocupação, quase como se os ignora-se e não tivesse tempo de lutar contra, apesar de tais coisas claramente desafiarem um bom conflito físico.

Passados quase meia hora de caminhada, chegaram a um beco misterioso, sem saída. A única coisa que contava, era um estranho painel gravado numa das paredes. De tecnologia arcaica, mas notoriamente bastante avançada para o tempo em que foi construído. Na sua lisa superfície, luz verde era emitida de símbolos estranhos.

— Este é um dos muitos painéis que controla a maquina… Depois de tanto tempo, finalmente… Encontrei um… — Hessonite pronunciou, enquanto contemplava tal coisa ao passar suas mãos na sua superfície, depois mudou um pouco sua expressão, com raiva nas palavras – Eu não acredito que este sitio era óbvio demais e em todas minhas pesquisar nunca o consegui descobrir!

— Até os melhores podem errar – Pronuncio Jaspe, como reacção Hessonite lhe transmitiu um olhar assassino, mas a guerreira ergueu os ombros, no tanto faz, como se não tivesse sido afetada por tal ameaça.

Hessonite, então, desfez a bolha que suportava sua prancha, e a transformou num computador. Pérola e Jaspe afastaram-se para deixarem a mestre trabalhar em silencio.

A general, ligou uns fios ao painel, mexeu em sua superfície, clicou cuidadosamente nuns painéis, e tentava decifrar qualquer informação nestes demonstrada. O computador que trazia registava tudo automaticamente graças a sua interligação ao mesmo tempo que Hessonite remexia e caçava nos ficheiros do painel através de palavras chave que ela, de alguma forma, já conhecia.

Todo este processo cuidado demorou cerca de vinte minutos, na sua reta final, Hessonite fechou o ecrã principal do painel, desligou seu computador com as novas informações guardadas, e virou-se em direção as outras duas companheiras, com um ar...

Pouco satisfeito.

— Então…? – Jaspe questionou, com certo medo do que ai vinha, pois Hessonite não parecia lá muito satisfeita.

— A bateria da maquina ainda tem energia suficiente para se manter ativa durante mais uns bons milénios – Respondeu – Se os exemplares de baixa qualidade que eu consegui, se provarem com minerais suficientes para uma produção, Diamante Amarelo não vai gostar de esperar que esta coisa seja desactivada por si só e que a natureza do próprio planeta se recomponha.

— E… ? – Comentou ao cruzar os braços, requisitando mais informação.

— Ela vai querer enviar umas jóias numa missão suicida para desativarem com suas próprias mãos, além de limparem o planeta – Ela pronunciou com olhar sério – E já sabes perfeitamente, dentre as Joias que serão escolhidas, as que estarão no topo da lista.

Jaspe engoliu a seco, como os seres orgânicos, ela própria pareceu ficar com certo medo de tal informação, mas nem tanto como a poderosa general, esta, que realmente tinha vivenciado o verdadeiro poder daquilo que ela sabia. Pérola tentava perceber o que se passava, Hessonite aos poucos acabava ainda mais perturbada.

— Eu posso acabar…. Como ela…. Como ela acabou… Como eu fiz… Ela ficar… — E esfregou a mão, desativando seu óculo especial, já que não era mais necessário naquele momento, e igualmente limpando algumas lágrimas que saiam de seus olhos.

Pérola não sabia o que fazer neste novo momento mais frágil. A general se aguentava sempre firme, mas a dor era enorme, e pareceu piorar depois da cena da cadeira e das misteriosas recordações ali vivenciadas. Queria a apoiar, apoiar sua senhora, mas se o fizesse, arriscaria em receber outra boa chapada em sua delicada face, uma, mais uma, outra e talvez ainda mais outra vez. Hessonite era difícil.

Enquanto isso, Jaspe virava as costas e realizava um sinal indicando uma saída dali. Hessonite e a nobre empregada, assim, a seguiram. Afinal de contas, já mais nada ali em baixo estavam a fazer. Agora, só restava o por em pratica o plano de fuga de Hessonite para sair do planeta. Uma questão de tempo até os chupa-pedras surgirem e serem a boleia exata que elas requisitavam.

Notas finais
Peço desculpa pela demora, o capitulo seria para ser publicado no dia do ultimo episódio de Diamond days, mas devido a falta de tempo, como comecei a trabalhar, acabei por estender a data. Lágrimas da Realeza agora vai entrar num longo hiatu, sem data exata de retorno devido a isso, como também estou ocupada no meu tempo livre focando em uma outra fanfic que em breve irei publicar por aqui. Obrigado pelo carinho ♥