Era clara aquela manha de sábado, o cheiro do almoço invadia cada aposento daquela casa. Nyeji levantou e em um longo bocejo desfez-se das roupas e foi para baixo do chuveiro. A água fria descia-lhe os cabelos enquanto o barulho levava sua mente para longe.

Saído do banheiro com uma toalha em sua cintura, o cabelo molhava o assoalho com gotas grossas. Adentrou no quarto e virou-se para a porta do armário embutido, mas sem olhar direito para o resto do quarto. Enquanto secava o cabelo, um vento entrou pela janela, levando ao seu nariz um cheiro conhecido. Virou-se para ver o amigo sentado em sua cama, observando-o com o velho sorriso na face.

Com o rosto ruborizado e sem pronunciar uma palavra, ele apontou a porta do quarto ao amigo que levantou e saiu com um riso contido do embaraço dele.

Nyeji viu-se extremamente envergonhado por algo que deveria ser natural. Seu coração estava levemente disparado e uma falta de ar açoitava-lhe o peito.

Deixou o quarto usando um elegante jeans e uma camisa pólo azul clara. Percorreu o olhar pela sala até encontrar Ryoshi sentado no sofá frente a sua mãe adotiva, preso em uma conversa. Para chamar-lhe a atenção, Nyeji apoiou a mão em seu ombro e saiu da sala esperando-o se despedir na porta da casa.

_ Não era necessário você vir me buscar. – olhou para o chão sem encarar o amigo enquanto caminhavam pela calçada. Um forte tapa nas costas seguido de uma risada foi a resposta dele. Permaneceram em silêncio até chegarem ao parque, onde um churrasco aguardava por eles.

O sol estava forte e as sombras escassas, Nyeji sentia tontura a cada passo. Sabia que não fora boa idéia ir, se sentia desconfortável e incrivelmente tentado quando cercado de pessoas tão ávidas e cheias de vida. Mas após tanta insistência, já havia gasto todas as desculpas possíveis para evitar tal situação.

Depois de algumas cervejas todos já estavam em euforia e as garotas se preparavam para a investida naqueles dois jovens solteiros.

Enquanto Ryoshi era perfeito em suas evasivas de uma ruiva de olhos verdes, enquanto Nyeji se via com sérios problemas em tentar dispensar uma loira magrinha muito persistente. Tomado pelo nervoso, ele foi entrando cada vez mais nas sombras das árvores, saindo de vista do grupo, seguido da garota que aguardava o momento certo para concretizar seus desejos.

Sentiu um aperto no peito e o medo tomou seu ser, não poderia ceder ali, já estava tão perto de um fim de semana normal.

Os outros aproveitavam a festa enquanto os dois permaneciam desaparecidos, e naquela euforia se foi o dia, com a ausência de dois jovens. As expectativas de todos no casal, fez-los esquecer o tempo e todos partiram com risos, deixando as sombras cobrirem o chão daquele momento.