Lycan
4 Velhos tempos.
Notas iniciais
"O homem é lobo do homem, em guerra de todos contra todos."
Depois de aproximadamente vinte minutos dirigindo por dentro da mata, finalmente saímos dela e chegamos a um grande campo aberto com a grama baixa e verde, parei o carro e olhei para Hunter que estava vislumbrado com o que via, tudo bem que era apenas um campo aberto e só tinha mato, mas o que tinha alem dele era incrível, uma bela cachoeira com um magnifico lago com águas cristalinas que jaziam da cachoeira, o lago ficava a alguns metros de onde parei o carro, assim que abri a porta para descer, vi que Hunter ainda permanecia estático, eu sabia que isso trazia boas recordações de quando éramos pequenos e nossos pais nos traziam aqui, toquei de leve seu braço, e ele olhou para mim com um belo sorriso no rosto.
– vamos ? – o perguntei.
– como se lembrou desse lugar, éramos muito pequenos na época – ele falou enquanto admirava a paisagem.
– coisas boas nunca são esquecidas – falei, e quando ele me olhou com um sorriso no rosto, dei um de meus famosos sorrisos de lado – então... vai ficar ai só olhando a paisagem ou vai aproveitá-la ? – dizendo isso Hunter virou para mim e sorriu ainda mais.
Saímos do carro caminhando e parando a frente do mesmo, nossos olhos vislumbravam aquela bela paisagem, virei para Hunter e ele fez o mesmo, nos entreolhamos, e um sorriso cúmplice brotou de nossos lábios.
– está pronto ? – perguntei já me posicionando.
– já nasci proto, a pergunta é se você está pronta – falou com um sorriso debochado nos lábios.
– fale menos e haja mais – assim que disse isso, me transformei em lobo.
Minha pele antes pálida dava lugar a pelos macios e brancos como a neve, minhas mãos transformavam-se em patas, meu corpo se curvara, e quando dei por mim, já estava em minha forma lupina com um belo lobo negro a meu lado, era do mesmo tamanho que eu, com olhos azuis e um pelo negro, macio e brilhante, essa era a forma lupina de Hunter. Olhei-o como se perguntasse algo, o mesmo só assentiu, e começamos a correr em direção ao rio que estava distante de nós, corríamos rápido pela campina, sempre revezando quem ficava na frente, Hunter tinha tomado a frente, ele olhou para trás com um sorriso debochado naquele focinho peludo e eu arregalei os olhos e balbuciei um “cuidado”, ele não me deu atenção pois achava que queria distraí-lo, em seguida, só pude ouvir um pequeno barulho de rocha sendo totalmente fragmentada e um grunhido agudo de dor. Corri para perto de Hunter, o mesmo estava caído no chão.
– você ta bem ? – foi a primeira coisa que perguntei já na minha forma humana enquanto ajudava-o a se levantar.
– ai, ai, ai.... isso dói pra caramba – ele respondeu, enquanto se apoiava em mim para permanecer de pé.
Assim que ele conseguiu se estabilizar em pé, fiquei de frente para ele, para avaliar o estrago. Ele só tinha um corte do lado direito um pouco acima da sobrancelha.
– foi um pequeno corte, você vai sobreviver – falei
Assim que chegamos na margem do lago, Hunter ficou a admirar a paisagem e eu avistei uma bela árvore, onde decidi por me sentar, um turbilhão de lembranças me vieram a mente, em todas elas Hunter estava a meu lado. Era para cá que fugíamos quando estávamos assustados com algo, era para cá que nossos pais nos traziam para aproveitar o melhor que a natureza tem a oferecer, nos divertíamos muito em família aqui. Eu estava tão perdida em meus pensamento, que nem vi que Hunter havia sentado a meu lado, fui tirada dos mesmos por uma criatura loira que estava bagunçando descaradamente meus cabelos, virei lentamente para ele com o olhar mais assassino que possuía, ele sorriu amarelo e devagar retirou sua mão do meu cabelo cuidadosamente.
– só queria saber se você vai entrar ou não ? – não respondi sua pergunta, apenas me levantei e tirei as botas para logo em seguida tirar a calça jeans.
Pelo canto do olho pude ver Hunter me olhando que nem um retardado, mas agora que eu parei para pensar eu estou apenas com a calcinha e a blusa, me parece imprudente ficar com tão pouca roupa na frente dele, mas nós somos como irmãos. Afastei tais pensamentos e dei meus primeiros passos para dentro do lago, parei ao perceber que Hunter ainda permanecia parado no mesmo lugar, apenas virei minha cabeça e arqueei uma sobrancelha, ele instantaneamente se levantou e tirou a botas e praticamente arrancou a camisa jogando-a em algum lugar. Continuei a adentrar o lago, a água estava super gelada, parei quando a água já passava de minha cintura e virei para trás para procurar por Hunter, mas não o encontrei. Virei para todas as direções a sua procura mas não o encontrei, de repente senti algo segurar em meu pé e puxar para baixo da água e como ele é preso ao meu corpo eu fui junto. Emergi ofegante, consegui acertar um chute nas costelas de Hunter e o mesmo soltou-me, assim que recuperei o fôlego parti para cima dele, tentado de todas as formas possíveis afogá-lo, mas sem nenhum êxito. Depois de varias tentativas frustradas, tentei uma ultima vez, mas não esperava por isso, Hunter segurou meus braços quando os mesmos estavam a alguns centímetros de sua cabeça.
– andou treinando Hunter ? – perguntei o olhando fixamente.
– o que você acha que eu fazia nas minhas horas vagas ? – ele falou dando um sorriso de canto e em seguida puxou meus braços para baixo da água e depois os colocou atrás de meu corpo.
Nossos corpos estavam colados, eu sentia a respiração quente de Hunter em contato com minha pele gélida, aquilo me causava arrepios. O tempo parecia ter parado, ambos permanecemos em total e completo silencio, eu me perdi naquela imensidão azul que eram seus olhos. Tudo pareceu voltar a realidade quando escutamos um barulho de galhos sendo esmagados, nos soltamos rapidamente, ele estava meio que corado e acredito que eu também. Saímos da água e vestimos nossas roupas, pouco antes de adentramos na mata para verificar o que esmagava os galhos nos transformamos em lobos. Seguíamos o barulho, quando estávamos perto eu olhei para o lobo negro que me acompanhava e o mesmo pareceu entender, nos separamos para poder cercar o que quer que esteja fazendo aquele barulho. O barulho levava a uma espécie de clareira, onde no centro possuía uma gigantesca arvore, onde encostada nela havia um garoto que aparentava ser um ou dois anos mais velho que eu, me metamorfoseei de volta e passei a mão pelos meus fios de cabelo bagunçados e molhados.
– não deveria estar aqui ! – ele falo assustando-me com seu tom de voz.
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