Lycan

2 Retornando ao lar.


Notas iniciais
Gostaria de agradecer a quem comentou, espero que gostem.

"O lobo pode perder os dentes, porém sua natureza jamais."

– Ditado romeno

A viagem já durava mais de três horas, e estava sentindo-me bem desconfortável, então avistei um posto de gasolina e parei, desci do carro e enchi o tanque, e estiquei um pouco as pernas. O tempo que passei no posto foram uns dez minutos e segui viagem outra vez. Depois de quase mais três horas dirigindo finalmente chego à mansão Raider. Parei o carro em frente a seu gigantesco portão de ferro onde no meio possuía o símbolo da família, um lobo negro uivando para lua, assim que parei abri a janela do carro, e apertei o botão do interfone que fica ao lado do portão, logo pude sentir que as câmeras que ficam em cima dos gigantescos muros me observavam, e uma foz soou do interfone.

– seja bem vinda senhorita Raider – falou a voz, que por ser masculina e um pouco computadorizada, pude deduzir que era de nosso “security system” que é um sistema de segurança que foi criado por mim, eu o batizei de Cytro.

Os portões se abriram num estalar de ferros, e prossegui meu caminho, a mansão ficava a uns quarenta metros do portão, e possuía um grande jardim, na verdade ta mais para mini floresta, que era cortada por uma pista de lajotas, por onde os carros passavam. Depois de cerca de três minutos transitando entre a mini floresta finalmente cheguei à residência em si, dei a volta na fonte onde no meio da mesma possuía uma estatua de um lobo, parei o carro e desci já com a bolsa nas costa, assim que fechei a porta, inspirei aquele cheiro delicioso de casa, pude ver que o sol já se punha. Fui em direção a enorme porta de madeira branca, subi alguns pequenos degraus e quando estava encostando na porta para a abrir, a mesma se abre, e alguém pula em meu pescoço abraçando-me com um “daqueles abraços de urso”, e pude ver que era uma cabeleira amarelada, constatando que era minha mãe, retribui o abraço, e quando ela me soltou ela disse.

– querida como você esta ?, se machucou ?, está com fome ? – e lá vem ela com o bombardeio de perguntas.

– eu to bem mãe – disse isso enquanto tirava a bolsa das costas, e em seguida abria a jaqueta que estava fechada, só que o problema é que me esqueci de como estava meu pescoço, mas quando me lembrei, já era tarde de mais, pois minha mãe já me olhava com os olhos arregalados.

– querida o que aconteceu com seu pescoço ? – ela perguntou-me com o semblante preocupado em seu rosto.

– não foi nada de mais mãe – respondi, e pude ver que seu semblante no rosto mudou de preocupado para o de uma mãe que não acredita na desculpa esfarrapada que seu filho da .

– Ártemis Akita Raider não minta para mim! – foi o que ela disse, então suspirei fundo, pois fui derrotada nos argumentos.

– o alvo me pegou de surpresa mãe, mas não se preocupe, eu já to bem – falei um pouco receosa pela bronca que iria levar.

– tudo bem querida, mas você tem que tomar mais cuidado da próxima vez......– não deu tempo dela terminar, pois foi cortada por um timbre de voz forte e rouco, salva pelo gongo.

– querida acho melhor a Ártemis descansar agora, depois você fala com ela – meu pai falou enquanto chegava perto de onde estávamos, que agora que notei que ainda estávamos na porta.

– tudo bem querido, vou fazer o jantar – minha mãe disse e me deu um beijo na bochecha, e rumou para a cozinha, assim que ela saiu de meu campo de visão de um longo suspiro, que não passou despercebido por meu pai.

– Ártemis, você esta bem ? – ele perguntou enquanto analisava meu pescoço.

– estou bem pai, só um pouco cansada pela viagem, ainda não tive tempo de descansar – e dei um sorriso forçado.

– tudo bem em tão, é melhor você subir para tomar um banho e descansar, e depois vir jantar conosco, quero saber sobre como foi sua missão – meu pai falou e em seguida deu um de seus famosos sorrisos, ele veio ate mim e beijou minha testa, logo em seguida foi para onde minha mãe estava.

Fechei a porta, e subi a enorme escadaria que leva para o andar de cima, no qual há um amplo corredor muito bem decorado com paredes cor branco gelo, e muitos quadros e estatuas adornando-o, alem de muitas portas, depois de andar por aquele vasto corredor finalmente localizei a porta de meu quarto. E adentrei no mesmo, meu quarto era enorme, com paredes pitadas em tons escuros e diferentes umas das outras tanto nas cores como nas texturas, uma parecia uma barra de chocolate, outra era preta com detalhes em um preto mais escuro, e a outra era um marrom bem escuro com detalhes em alto relevo. O piso era de madeira escura, e no meio do quarto havia um enorme lustre de cristal, embaixo do mesmo tinha um pequeno sofá marrom e um tapete azul, um pouco atrás estava uma cama de casal bem grande com cobertores listrados em branco e preto e algumas almofadas pretas, e do lado da cama havia duas grandes janelas com cortinas cinza, o quarto também possuía do lado das janelas uma mesa e uma cadeira para o computador, e encostado na parede ao lado havia uma penteadeira e em cima da mesma um espelho, em cada lado da cama havia um criado mudo com abajures.

Assim que entrei, joguei minha mochila, que havia pego do chão da entrada, em cima da minha cama, tratei logo de tirara a jaqueta e largá-la em algum canto do quarto, o mesmo foi feito com o telefone que foi parar em cima do criado mudo, fui para o banheiro e enchi a banheira, que tava mais para uma piscina em miniatura, me despi e logo entrei na mesma deixando meus pensamentos fluírem fazendo com que meu corpo relaxasse. Passaram-se uma meia hora e finalmente criei coragem e sai da banheira, peguei uma toalha e sequei-me, enrolei a mesma em meu corpo e fui para o quarto, adentrei em meu closet, e vesti-me, usava um short Jens verde musgo com uma camisa de manguá comprida cinza com o desenho de um panda na frente e, um allstar de cano curto rosa claro, peguei o quite de primeiros socorros que estava dentro de uma gaveta em minha cômoda e coloquei alguns curativos em meu ferimento no pescoço, e então segui para o andar de baixo.

Desci a escada e fui para a sala de jantar onde estavam minha mãe com um enorme sorriso no rosto, e meu pai que contava uma de suas histórias sobre suas antigas caçadas. Assim que me viram minha mãe logo voltou seu sorriso para mim e sentou-se a mesa e a seu lado meu pai fez o mesmo, sentei-me a mesa que já estava posta para o jantar com arroz, um suculento frango, batatas frita, sucos de diferentes sabores e tudo mais. O talheres eram de prata, os pratos de porcelana e as taças de cristal, coloquei um pedaço do suculento frango, batatas fritas e arroz e suco de morango, comíamos em silencio, ate o mesmo ser quebrado por minha mãe que disse.

– querida então como foi sua missão – minha mãe disse com um sorriso no rosto.

– foi normal mãe, tive de perseguir um exilado pelo meio de uma floresta – falei dando de ombros, aquilo era normal para nós.

– mas você o levou para a central ?– perguntou meu pai enquanto cortava o frango em seu prato.

– eu o matei – mais uma vez dei de ombros, e vi minha mãe arregalar os olhos, ela ainda não havia se acostumado com meu novo posto, ao contrario de meu pai que parecia orgulhoso.

– por que fez isso Ártemis..... – disse minha mãe me fitando com aquelas gigantescas esmeraldas.

– como assim por que ela fez isso ?! — meupai a perguntou confuso, como se aquilo fosse à coisa mais natural do mundo, logo seus olhares se encontraram e pousaram sobre mim.

– eu tive que fazer....- falei na esperança de que aquela resposta bastasse para ambos, mas como a sorte não estava do um lado, isso não bastou, então continuei – eu havia chegado na cidade por volta de umas duas da tarde, me hospedei em uma pequena pousada, e estava estudando o caso quando um uivo me tirou a concentração, então fui procurar de onde o mesmo vinha, isso já era umas dez da noite, eu segui o uivo mas não sabia para onde ir, quando estava desistindo o ouvi novamente, e identifiquei de onde vinha, e segui em direção a ele, entrando na floresta – parei de falar esperando que não precisasse continuar, vi que meu pai me ouvia atentamente como uma criança escutando uma historia de seu pai antes de dormir, enquanto minha mãe me encarava com o semblante calmo.

– e o que aconteceu ? – perguntou meu pai enquanto minha mãe revirava os olhos, acho que ela também notou que ele estava que nem criança.

– continuei seguindo em direção ao uivo que estava se tornando cada vez mais alto e repetitivo, como se ele quisesse que alguém fosse até ele, quando estava a alguns metros dele me transformei e continuei, assim que cheguei bem perto eu vi que ele era grande, marrom com olhos amarelos, quando o mesmo me viu começou a correr e eu o segui, eu tenho que admitir que ele era rápido, corremos por algum tempo, mas quando eu estava me aproximando dele, ele parou de repente, e ficou a me encarar e mostrar seus dentes rosnando, eu parei e mantive distancia e fiz o mesmo mostrando meus dentes e rosnado, eu o avalie, e de súbito, ele veio para cima de mim e agarrou meu pescoço, mas eu senti que sua mordida não era para matar, e sim para causar submissão, quando eu tentava me soltar ele apertava mais a mordida, mas em um descuido dele me soltei e rapidamente mordi o pescoço do mesmo com tanta força, eu não queria submissão, eu queria......eu....- por alguma razão não consegui terminar a frase, naquele momento, senti um aperto em meu peito, e um pensamento veio a minha mente deixando-me arrepiada, “eu só queria matar”. Fui tirada de meus devaneios quando minha mãe me chamou, e pela sua expressão ela estava preocupada, o mesmo valia para meu pai, que agora se encontrava me encarado com uma expressão neutra em seu rosto.

– você queria o que querida – meu pai me perguntou, o olhei nos olhos e prossegui.

– eu queria, eu só queria matá-lo – minha voz saiu firme e fria, fazendo com que eu mesma tivesse medo da mesma. Minha mãe nada disse, e meu pai me olhou um pouco apreensivo.

– e então quem quer sobre mesa ? – minha perguntou, e conseguiu arrancar de mim um famoso sorriso de canto que herdara de meu pai.

– não obrigada mãe, estou um pouco cansada, se não se importam gostaria de descansar um pouco – falei já me levantando.

– boa noite querida – meu pai disse e me deu um beijo na testa.

– descanse bem – minha mãe se pronunciou e depois deu mais um de seus abraços super apertados, poxa ela é uma lycan assim como eu e possuía uma força descomunal, sinto ate pena de meu pai quando ela esta de TPM.

Sai da sala de jantar e subi a escadaria, indo direto para o meu quarto e me jogando na cama assim que adentrei no mesmo, antes de adormecer, os pensamentos que rondavam minha cabeça eram os de eu ter sentido prazer em “MATAR” alguém, e logo apaguei.

Notas finais
Se possível comentem por favor.