Notas iniciais
Seria muuuuuuita cara de pau da minha parte se eu me desculpasse pela falta de atualizações? Seria, né. Sinto muito mesmo pela demora, vou dar um jeito nisso (algo como botar a autora de castigo, sem net, talvez funcione). Bom, vamos às nossas lindas, vamos à história! Ah! Alguém aí lembra daquela conversa da Duda, sobre Clara ter vergonha? Então, essa explicação era pra ter saído antes, mas eu não achava um jeito de escrever a cena. Espero que a explicação agrade...

Marina observou a morena à sua frente. Engoliu em seco. Quando passava a noite em Santa Teresa a assistente levava um pijama, às vezes uma camisola, mesmo que raramente usasse. Mesmo no Leblon, quando dormiam juntas, o mais comum era que Clara se vestisse apenas pela manhã e nessas ocasiões usava apenas um robe, a menos que Ivan estivesse em casa: nesse caso usava pijamas.

Mas ali, diante da porta, a morena usava apenas a blusinha leve de um pijama de algodão, branca, e uma calcinha boxer preta. E aquela simplicidade, tão espontânea, quase inocente, fazia com que a fotógrafa se descobrisse molhada antes mesmo de tocá-la.

Viu o sorriso acolhedor brotar dos lábios e dos olhos da namorada e deixou-se levar por ela, que tomou sua mão e a guiou apartamento adentro, até o quarto, trancando a porta atrás de si.

– Bom que você veio – a morena falou enquanto segurava seu rosto entre as mãos e tomando sua boca em um beijo carinhoso.

O corpo da fotógrafa respondeu de forma instantânea e suas mãos enlaçaram a cintura de Clara, fazendo com que os corpos se juntassem mais, o que fez a assistente suspirar, satisfeita.

– Eu tou feliz de ter vindo, meu amor – Marina sussurrou junto aos lábios da namorada, dando início a um novo beijo, lento e profundo.

Se deixou perder naquele beijo e deu por si prendendo a morena contra a parede. Sem soltar a cintura de Clara, afastou-se apenas o suficiente para deslizar os olhos pelo seu corpo e, ao fim, encará-la.

– Você tá tão linda – a frase saiu num sussurro delicado, perdido em meio ao sorriso. Viu a morena baixar os olhos, as bochechas corando.

– Imagina... É só que... Ah, Marina, se eu soubesse que você ia vir, tinha vestido algo mais...

– Shhhh – a fotógrafa colocou o dedo sobre os lábios da morena – Você tá linda sim, você é linda – falou antes de começar outro beijo, agora mais intenso, no meio do qual sussurrava o quanto a imagem de Clara, de blusinha solta e calcinha boxer, tinha mexido com sua mente desde a única vez em que a tinha visto assim.

E era verdade. Desde aquela manhã de segunda-feira, quando tinham se amado de maneira tão afoita na sala daquele apartamento, Marina sempre se lembrava de tê-la encontrado vestida de maneira tão confortável e do quanto aquilo espelhava a espontaneidade tão natural de sua namorada tão querida. A espontaneidade que ela amava.

Não que não gostasse das lingeries sexys, das produções caprichadas de Clara: Marina amava tudo isso. Mas as peças que a morena usava naquele momento simplesmente mostravam a Clara por quem ela se apaixonara. Uma mulher tão à vontade na própria pele que sempre seria capaz de seduzi-la, independente das roupas que usasse, independente de luxo ou de glamour. Que a havia seduzido e tomado seu coração sem ter a menor ideia de que estava fazendo isso.

Afastou-se da boca da morena e, numa trilha de beijos, foi do queixo ao pescoço. As mãos de Clara acariciavam suas costas, sua bunda, puxavam-lhe o cabelo. Marina intercalava beijos e chupadas no pescoço de pele dourada e uma de suas mãos puxava a cintura da namorada, ao passo que a outra já apalpava, com avidez, os seios de Clara, por sobre o tecido branco.

– Você é tão linda – Marina murmurava e seguia com as carícias. A mão que estava na cintura da morena escorregou para baixo – E essa calcinha te deixa tão gostosa...

Seguiu elogiando e acariciando, enquanto conduzia a namorada até a cama. Fez com que ela deitasse e, olhando em seus olhos, puxou o vestido por sobre a cabeça. Quando Clara levou as mãos para a barra da própria blusa, impediu:

– Não tira! Por favor, Clarinha – e deitou-se sobre ela, deslizando a mão para dentro da calcinha da morena.

***

Depois de rolar para um lado e outro da cama e não encontrar o corpo da namorada, Marina abriu os olhos, procurando por Clara. Estava sozinha no quarto e já havia amanhecido. Esticou braços e pernas preguiçosamente, imaginando que a morena já estava com o filho, provavelmente tomando o café da manhã. Levantou e percebeu que as roupas que haviam arremessado no chão durante a noite tinham sido recolhidas, exceto a calcinha boxer de Clara, que podia ser vista saindo de sob o travesseiro que a fotógrafa tinha usado.

Recolheu a peça, sorrindo. A calcinha tinha sido retirada do corpo da amada apenas no fim daquela noite de amor, para que Marina sentisse o gosto e matasse sua sede pelo prazer da morena. Pensando em talvez confiscar aquela peça para si, caminhou para o banheiro.

Ao contrário do que tinha imaginado, Clara estava no banheiro. Ainda nua, de costas para a porta, diante da pia e do espelho. A morena se assustou quando a ouviu chamar seu nome e sentiu as mãos envolverem sua cintura. Marina não entendeu quando, ao invés de corresponder ao seu carinho, Clara debruçou-se sobre a pia, segurando os cabelos.

***

Não tinha como não rir. Até tinha tentado segurar, quando percebeu o olhar assassino da morena, um olhar que logo foi substituído por um biquinho manhoso. Marina dirigiu até Santa Teresa rindo sozinha, como louca (quem a via pela janela do carro certamente pensava que ela o era).

Quando Clara abaixou sobre a pia, o seu primeiro pensamento foi pelo bem estar da morena. Ela estava passando mal? Enjoada, talvez?

Mas não. Clara enfiava o rosto na cuba da pia e parecia procurar algo. Marina precisou insistir para que ela se levantasse e, mesmo pedindo, a morena não explicou facilmente a situação. Por fim, sem dizer muita coisa, Clara, com os olhos estreitos que Marina poucas vezes via, mas sempre gostava, pediu ajuda para procurar.

Ela não tinha dito o que procurava, mas logo que a fotógrafa olhou para dentro da pia, foi impossível não perceber. Aquela coisinha pequena, côncava, de um azul transparente, bem delicado. “Como eu nunca percebi isso?”

Se tempos atrás ela tinha ficado chateada com a namorada por causa de uma conversa entre a morena e Duda, agora tudo parecia tão absurdo que só conseguia rir.

“Você continua aquela menina que morria de vergonha, que não criava coragem”. Era isso que a mulata tinha dito para Clara quando elas estavam na piscina. E, céus, Marina tinha tentado tanto entender o que aquilo significava, mas a namorada sempre tinha desviado do assunto, sem explicar nada daquilo.

Lembrava de ter ficado chateada por saber que entre a morena e a amiga havia algum segredo que Clara se recusava a compartilhar com ela. E, ao mesmo tempo, lembrava de todas as vezes em que a namorada se trancara no banheiro pela manhã, na maioria das vezes, enquanto ela ainda dormia. Lembrou dos olhos apertados em tantos momentos, franzindo os cantinhos, aquele hábito de Clara que ela achava que tinha um charme quase adolescente.

Uma hora ela teria que saber, mas a morena pareceu realmente sem jeito quando foi pega de surpresa naquela manhã. Escondia tão bem a miopia, a necessidade dos óculos de grau. Usava lentes de contato quase o tempo todo e, totalmente sem graça, admitiu para a fotógrafa que enxergava mal e que não gostava que a vissem com os óculos. “Me zoavam tanto quando era mais nova, que preferia sair sem eles e não enxergar nada”, ela tinha dito. E Marina lembrou das fotos que tinha visto, na casa da namorada e na casa de Chica: em várias delas a morena escondia uma das mãos, e ela agora tinha certeza do que ela segurava atrás das costas.

Só perguntou para confirmar. Clara usava óculos, e tinha vergonha disso. Marina recolheu a lente de contato de dentro da pia e a morena a lavou e colocou de volta no estojinho que estava sobre a pia.

Ainda um tanto envergonhada, Clara aceitou colocar os óculos, como a fotógrafa pediu. E a armação dourada, estilo aviador, a deixava linda. E Marina disse isso a ela, repetiu e, com jeitinho, a convenceu a não colocar as lentes de imediato. Mas não tinha esperança alguma de que ela saísse de casa com os óculos.

***

Clara chegou a Santa Teresa e encontrou o clima leve, alegre. Marina e Flavinha faziam a edição das fotos do último ensaio enquanto conversavam, e a assistente contava à artista sobre Duda, algo que Clara já havia comentado com a namorada. A morena sorriu consigo mesma quando soube que a amiga tinha mandado flores para Flavia naquele dia e feito um convite para jantar. Toda a conversa que tinham tido parecia ter surtido efeito.

Toda aquela tranquilidade foi interrompida pelo toque do telefone. Quando Clara atendeu, uma voz feminina perguntou, em francês, por Marina Meirelles.

Notas finais
E então? Ainda vale a pena? Ainda tem alguém pra ler as cenas dos próximos capítulos???
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.