Luz dos meus olhos
41 Capítulo 41
Notas iniciais
– Eu te quero, Clarinha – Marina sussurrou, antes de se aproximar do pescoço da morena e deslizar suavemente os lábios sobre a pele arrepiada – Eu sempre te quero.
Sem que parasse com os beijos, a fotógrafa guiou a namorada até onde estavam sentadas antes, junto ao sofá, e a colocou, de pernas abertas, sentada em seu colo. O beijo tornou-se mais profundo, Clara invadiu-lhe a boca, a língua procurando e instigando a sua e em seguida sugando e mordendo levemente seus lábios, enquanto colava o corpo ao seu e fazia movimentos suaves com o quadril, roçando o sexo nela, provocando. Marina sentia a excitação aumentar, a umidade se formando de maneira abundante.
Deixou que as mãos que seguravam a cintura da morena deslisassem até as costas, subindo e descendo com firmeza, e logo em seguida deixando que uma se dedicasse a acariciar a curva na base da coluna, o que fazia com que Clara arqueasse o corpo contra o seu. A outra mão desceu até o cós do short, os dedos já se insinuando entre o tecido e a bunda, apenas as pontas, roçando, acariciando, brincando com a borda da calcinha. Sorriu quando Clara rompeu o beijo com um gemido abafado.
Em meio ao tesão que sentia, Marina tentava decidir como tomaria o corpo da namorada. Certamente, a queria nua, de pernas abertas diante de si, apenas não conseguia decidir se primeiro a faria gozar em sua boca ou em seus dedos. Enquanto a dúvida a fazia prolongar as carícias, Clara começou a beijar e chupar seu pescoço, descendo lentamente pelo colo. E então a fotógrafa sentiu que, se não reagisse, logo estaria dominada pela morena.
Segurou com firmeza a bunda da morena e se jogou contra o seu corpo, abrindo as pernas para que Clara ficasse no meio, sentada no chão. Uma presa fácil agora, para que Marina deitasse sobre seu corpo e decidisse como seguiriam a noite. Mas a morena mudou o rumo das coisas outra vez e, sem soltar seu corpo, estendeu uma das mãos para a taça que havia deixado no chão e a levou à boca.
– Ah, acabou – Clara fez charminho.
– Depois a gente pega mais, amor – Marina falou, já tentando beijá-la outra vez.
– Hmm. Pega um pouquinho pra mim, pega? — Clara pediu baixinho junto ao ouvido da fotógrafa – Você tá me deixando com calor – mordeu de leve o lóbulo da orelha delicada – com sede...
Marina se afastou atordoada, mordendo de leve o lábio inferior. Num momento estava decidida e dona de seus gestos, pronta para tirar a roupa da namorada e tomar seus seios na boca. E logo em seguida Clara lhe falava, não, sussurrava, com a voz rouca, e a deixava ansiosa com o que estava por vir. Aquela noite tinha que ser perfeita. Levantou-se, pegou as duas taças e foi até o balcão, intencionalmente devagar, aproveitando a pausa para planejar o que faria assim que voltasse para junto da namorada.
– Clarinha – chamou, enquanto servia as duas taças com a bebida gelada – Sabe que eu adorei esse cenário que você preparou pra gente? Tá tão lindo. Você vive me surpreendendo, Coisinha... Ah! — a frase terminou num gritinho agudo de surpresa, com a aproximação súbita e inesperada da morena às suas costas.
– Gosta de surpresa, hmm? — Clara perguntou e apoiou as mãos no balcão, impedindo que Marina saísse de onde estava. Devagar, estreitou ainda mais o contato entre elas, roçando o corpo nas costas da artista. Os braços esticados estavam tão próximos do corpo da fotógrafa que a impediam de se virar.
– Saudade de você, Marina. De te cobrir de beijos – sussurrou próximo ao ouvido e, usando o próprio corpo para impedir a artista de se mover dali, afastou os cabelos negros, descobrindo a pele branca e arrepiada do pescoço da namorada e ali colou os lábios, beijando, lambendo, mordendo.
Quando Clara surgiu atrás de si, Marina percebeu que o pedido por mais champanhe tinha sido um truque, apenas para pegá-la desprevenida. Por algum tempo, tentou manter o autocontrole enquanto a voz rouca soava junto de si e o corpo de Clara roçava despudoradamente em seu traseiro. Queria se virar e reassumir o controle, arrancar cada peça de roupa que cobria aquele corpo bronzeado e mergulhar entre as pernas tão bem torneadas. Queria beijar, chupar e lamber até que a assistente perdesse as forças de tanto gozar. Mas quando a morena começou com os carinhos em seu pescoço e, logo em seguida, levou os lábios ao lóbulo de sua orelha, deixando uma trilha úmida, onde às vezes era possível sentir o sopro da sua respiração, aí Marina entregou os pontos, sabendo que estava completamente dominada, ansiando pelo próximo toque, pelo próximo gesto de Clara. E deixou claro o quanto estava entregue ao pender a cabeça para o lado, facilitando as carícias da morena e, ao mesmo tempo, buscando a mão que ela ainda tinha no balcão e trazendo-a para si, colocando-a sobre sua barriga, de onde deixou que seguisse por conta própria.
Sentiu a língua quente e úmida brincando com a ponta de sua orelha, em movimentos circulares que fizeram seu sexo molhar ainda mais quando imaginou que as mesmas carícias logo tocariam em seu clitóris. Estendeu o braço para trás, prendendo os dedos nos cabelos da namorada e a puxou para si, estendendo os lábios para um beijo faminto, entrecortado por gemidos. Estava imprensada entre o balcão e o corpo de Clara, e sentia as mãos dela percorrendo seu corpo. Barriga, seios, cintura: as mãos ágeis da morena exploravam tudo o que podiam alcançar e logo começaram a subir o vestido, a apalpar suas coxas.
– Bandida – sussurrou em meio a um gemido quando a morena levou a mão ao seu sexo e pressionou, por sobre a calcinha.
– Tá toda molhada... Prontinha pra mim – a frase dita em voz baixa, mais rouca que o normal devido ao desejo, fez com que Marina fechasse os olhos e afastasse mais as pernas, facilitando o acesso de Clara, que começou a massageá-la ainda por cima do tecido úmido. A fotógrafa ansiava para se livrar da peça e sentir os dedos da namorada. Sentia o sexo arder, insuportavelmente quente e escorregadio e começou a movimentar o quadril no pouco espaço que tinha, esfregando a bunda contra o sexo da morena, instigando-a a continuar.
– Clarinha, por favor...
– Por favor o quê, Marina? — A morena voltou a chupar e morder o pescoço branco.
– Eu preciso... Eu quero você.
Afastando-se o mínimo do corpo da fotógrafa e mantendo as carícias entre as pernas dela, Clara usou a mão livre para abrir o zíper do vestido que a artista usava, mas não a despiu. Apenas aproveitou que agora havia espaço para tocar-lhe os seios e tomou um deles para si, massageando, envolvendo-o e deixando o mamilo preso no vão entre dois dedos, de forma que qualquer movimento que fizesse pressionasse e puxasse o bico já intumescido, arrancando suspiros. Provocando o lóbulo da orelha com a língua, quis saber:
– O que você quer, Marina? — pressionou os dedos em seu sexo com mais firmeza – Meus dedos? Minha boca?
Ouvir as perguntas da morena só fez com que o fogo que ardia em suas entranhas a deixasse ainda mais ensopada. Marina queria tudo, queria os lábios, a língua, os dedos, queria o corpo de Clara, completamente nu, em seu próprio corpo. Mas não podia esperar, não conseguiria esperar. A necessidade de um toque mais íntimo era urgente e ela colocou sua mão sobre a que a pressionava por sobre a calcinha e a guiou para dentro da lingerie, colocando-a onde seu corpo implorava para sentir os carinhos da namorada.
Clara sorriu. Marina sabia que ela estava sorrindo, podia sentir os lábios se abrindo sobre a pele do seu pescoço, o ar quente que escapava por entre os lábios da morena. Sentiu uma pontada de fúria quando ela provocou:
– Tá com pressa, é?
Estendeu o braço outra vez para trás e segurou os cabelos castanhos, puxando a cabeça da namorada para a frente com alguma brutalidade, até que pudesse olhar para o seu rosto.
– Chega de falar – sussurrou, em tom imperativo, ao mesmo tempo em que movimentava os próprios dedos, junto com os de Clara, no sexo aflito – Anda logo, eu preciso de você.
A morena não hesitou em atender ao desejo, ordem, o que quer que fosse que tinha ouvido. Avançou nos lábios vermelhos, faminta, lambendo e sugando, até prender o lábio inferior de Marina entre os dentes e puxar com um pouco de força, arrancando um gemido. Dali desceu em uma trilha úmida pelo maxilar e pelo pescoço e encaixou seu rosto no ombro da fotógrafa, curvando o corpo sobre o dela.
Seguiu brincando com os seios excitados, massageando e apertando um e outro e algumas vezes fazendo uma carícia mais forte, com as unhas, ao mesmo tempo em que começou a ignorar a forma como Marina lhe guiava os gestos sobre o clitóris escorregadio e inchado. Levou rapidamente dedos à pequena entrada e, sem qualquer aviso, penetrou dois dedos ali, movimentando-os lentamente, girando-os para um lado e outro dentro de Marina, que gemeu e tombou a cabeça para trás, completamente entregue.
O movimento dos dedos da morena estavam mais lentos do que a ânsia de Marina pelo prazer exigia. Recusando-se a implorar para que a namorada a aliviasse logo daquela situação de desespero, começou a movimentar avidamente o quadril contra a mão da morena, chocando seu sexo contra ela, tornando possível ouvir o barulho molhado que sua pressa causava. “Só mais um pouco, Clarinha” – pensava enquanto rebolava sobre os dedos longos, o traseiro grudado no sexo da assistente, que às vezes gemia de pura excitação – “Mais um pouquinho, mais rápido...” Pensava que após o gozo, aliviada, iria levar a morena para a cama e devorar cada pedacinho de seu corpo.
E então o prazer se aproximou, a energia toda de seu corpo comecou a se concentrar em seu ventre, seguindo em direção ao sexo, seus gemidos ficaram mais intensos...
E Clara retirou os dedos de dentro de seu corpo, o que a fez voltar à realidade como se caísse do céu. Rosnou (sim, Marina ROSNOU) o nome da morena, e já ia soltar um palavrão qualquer, mas teve a boca preenchida pedos dedos abundantemente molhados que até então estavam mergulhados em seu sexo.
– Shhhhh... Calma, gostosa – Clara sussurrou – Eu vou te fazer gozar muito, e bem gostoso – mordeu de leve o pescoço branco – Mas eu quero te ver...
Desajeitada, por usar uma mão só, a morena começou a descer as alças do vestido da fotógrafa, que acabou por ajudá-la, enquanto sugava e lambia o próprio gosto nos dedos dourados. Quando a peça caiu no chão, Marina a chutou para longe, permanecendo apenas com as sandálias de salto alto e com a calcinha de renda preta. Clara voltou a acariciar seu corpo, agora com ambas as mãos, e a fotógrafa estendeu os braços para trás, alcançando o short da namorada e o abrindo com um puxão forte, que fez saltar o botão e a assistente, pega de surpresa, balançou o corpo para a frente, colando seu corpo outra vez na bunda macia de Marina.
Clara sacudiu as pernas e deixou o short cair, afastando-o com os pés. Prensou o corpo ainda mais contra Marina, o que fez com que ela se inclinasse sobre o balcão, os seios agora sentindo o granito frio, provocando um gemido surpreso.
– Clara – ela choramingou.
– Fala – a morena colocou dois dedos na própria boca, molhando-os de forma obscena – Diz o que você quer, Marina.
– Me fode, Clarinha – tomou a mão que a morena tinha junto aos lábios e começou a guiá-la para o meio de suas pernas – me fode logo...
A morena terminou o caminho por conta própria, invadindo outra vez a calcinha e indo direto ao clitóris sensível, onde começou a traçar círculos lentos e provocantes. E sua outra mão também entrou na lingerie de Marina, dessa vez pelas costas, e foi direto ao sexo molhado, penetrando outra vez, agora por trás.
Marina respirava ofegante e murmurava coisas desconexas. Empinava a bunda contra o corpo da morena, facilitando as estocadas, cada vez mais rápidas e profundas e sentia que estava saindo de si com o estímulo simultâneo no clitóris, já inchado e rígido. Sentiu outra vez que suas forças e todo o calor de seu corpo se concentravam no baixo ventre, sabia que faltava pouco.
E então sentiu mais um toque. Onde nunca ninguém tinha ousado, onde ela jamais permitira que alguém ousasse... Sem interromper o movimento dos dedos que a penetravam, Clara estendeu o polegar pelo seu períneo, massageando e alcançando a abertura tão sensível entre suas nádegas. E Marina gostou daquele estímulo a mais. A morena massageava, instigava, pressionava levemente, sem penetrá-la, provocando a insanidade que antecipava o gozo. Um gozo que agora a fotógrafa queria retardar, para prolongar a chuva de sensações que a dominava.
Foi impossível. Marina perdeu o controle quando Clara exigiu seu olhar e, mergulhada em seus olhos, disse que queria vê-la gozar. Seu corpo obedeceu à vontade da morena, se contraindo ao redor dos dedos longos, e toda a energia concentrada em seu sexo espalhou-se tão rápida e intensamente que ela gritou. Gritou o nome de Clara e desabou sobre o balcão frio, incapaz de manter-se de pé.
Clara deixou as mãos exatamente onde estavam. Enquanto Marina recuperava o fôlego, debruçada sobre o granito gelado, a morena beijava suas costas e pressionava levemente a intimidade molhada e, devagar, girava os dedos dentro do canal encharcado, provocando ondas de choque na fotógrafa. Só parou quando a namorada encontrou forças para erguer o corpo e afastar-se do balcão.
***
Marina se ergueu e girou o corpo, ficando de frente para Clara e jogando seu corpo no dela, buscando sua boca, ansiosa para perder o fôlego recém recuperado num beijo selvagem, faminto e completamente correspondido pela morena, que enlaçou sua cintura com um braço e a segurou pela nuca com a outra. E a fotógrafa só deu por si quando sentiu a mesa atrás de si.
Queria inverter o jogo, queria dominar a namorada e dar prazer a ela, mas não conseguia resistir ao comando que vinha do castanho profundo daqueles olhos. Sentiu-se uma presa, submissa à vontade de sua predadora e deixou que ela a pegasse pelas coxas e a colocasse sentada sobre a mesa, ansiando pelo que viria a seguir.
Claro que, durante o tempo em que ficaram afastadas, Marina quis ter algum prazer. Não com outra mulher, apenas se masturbando. E, nas poucas vezes em que levou o desejo adiante, havia sido um completo fracasso. Acabou desistindo: sempre que se tocava pensava em Clara e, depois do alívio, as únicas sensações que permaneciam eram a saudade e a frustração pela ausência dela. Tudo o que ela queria e precisava era Clara.
E agora estava ali. Diante dela, nas mãos dela. Entregue.
Entregue aos lábios que tomaram sua boca, à língua que explorou sua boca. Aos beijos que desceram por seu colo e alcançaram seus seios, onde se transformaram em lambidas, e mordidas e chupões. Estava entregue à voracidade da morena que a fez deitar sobre a mesa e subiu com ela, que descartou sua calcinha e se encaixou entre suas pernas, abrindo seu sexo com as mãos e mergulhando ali o seu rosto.
***
A noite foi longa. Intensa. Marina tomou a morena para si logo após gozar em sua boca. Se amaram também no tapete e seguiram aos beijos para o quarto, onde continuaram se amando.
Era quase dia quando Marina despertou, com as pernas entrelaçadas às da morena, que tinha a cabeça em seu peito. As velas todas já estavam há muito tempo apagadas e elas finalmente tinham cedido ao cansaço. Com sede, desvencilhou-se cuidadosamente do corpo da namorada e foi até a cozinha, praticamente sem ver o que fazia.
Depois de dois copos de água gelada, estava mais desperta quando voltou para o quarto. Parou junto à porta, apoiando o ombro no batente, e observou a namorada.
A única coisa que cobria o corpo de Clara era uma faixa pálida de luar. Ficou um tempo observando o corpo da jovem que tanto amava. Uma pontada de remorso invadiu seu peito quando notou o quanto ela estava mais magra. Claro, tinha percebido alguma mudança antes, mas seus sentidos estavam tão excitados que quase não identificou as costelas mais salientes, as coxas mais finas e definidas. A urgência tinha impedido sua mente de registrar o quanto as roupas de Clara estavam mais largas.
Percebeu de repente o impacto que o afastamento tinha tido sobre a morena. Entendeu que ela havia tentado abstrair a dor com as longas corridas na praia. Era o que ela sempre fazia quando os pensamentos estavam muito barulhentos. Corria e tentava se acalmar. Uma ternura profunda a invadiu.
Alheia a tudo que se passava na cabeça e no coração da fotógrafa, Clara se mexeu, ficando deitada de costas, as pernas afastadas, espaçosa. E o luar que entrava pela janela se encarregou de iluminar apenas as coxas entreabertas e o sexo nu e liso.
Marina não se conteve. O desejo que a tomou era o mesmo que sentia durante o tempo em que esteve viajando, mas agora ela podia colocá-lo em prática. E queria dar esse carinho a Clara, queria lhe dar mais prazer, retribuindo ao tanto de amor e cuidado que recebera naquela noite.
Conhecia bem todas as variações do sabor da namorada. E, quando colocou a língua entre as dobras rosadas, sentiu o gosto suave e delicado que ela tanto gostava de transformar. Estimulou e provocou e logo o sexo de Clara estava molhado, o cheiro e o sabor alterados, fazendo com que sentisse em sua boca a excitação que provocava. Logo a morena se contorcia e suspirava, ainda entorpecida pelo sono. Acordou completamente apenas quando, já na iminência do gozo, foi tomada por gemidos. Começou a se movimentar de encontro à boca da fotógrafa e logo explodiu em prazer.
Marina engatinhou na cama e se ajeitou nos travesseiros, acomodando Clara, ofegante e suada, jundo ao seu peito. Acariciando seus cabelos e suas costas, fez com que ela adormecesse outra vez, com um sorriso satisfeito. Adormeceu em seguida, tomada pela certeza de que ali, abraçada à morena, era o seu lugar no mundo.
***
Marina franziu os olhos, recusando-se a acordar. Afundou o rosto no peito de Clara e tapou os ouvidos. O barulho irritante parou, para logo em seguida recomeçar. Levantou a cabeça e olhou em volta, mas não conseguiu achar a origem do som. A morena continuava profundamente adormecida e ela teve pena de acordá-la para perguntar onde estava aquele celular infernal. “Porquê ela deixou o alarme ligado num domingo?”, perguntava para si mesma enquanto ia até a sala. Silêncio. Quando o barulho recomeçou, conseguiu achar o aparelho.
– Clara! Clarinha, acorda, meu amor!
Precisou de algum esforço para acordar a morena, que abriu os olhos preguiçosa. Mas a preguiça logo passou quando a fotógrafa começou a falar.
– Seu celular tava tocando, amor. Acho que a gente dormiu demais – estendeu o aparelho para ela.
Clara olhou o aparelho e franziu os olhos, sem entender. Marina explicou.
– É quase uma da tarde, Clarinha. Tem cinco chamadas perdidas da sua mãe e mais três da Helena...
A morena levantou num pulo. O almoço. Tudo bem, aos domingos o almoço na casa de Chica saía tarde, mas se ela não desse sinal de vida logo alguém bateria à porta.
– E com os seus gritos ontem à noite, vão vir aqui com a polícia, procurando um corpo!
Marina deu um gritinho indignado e um tapa no ombro da morena, afirmando que ela era muito mais barulhenta. E que precisava de um banho para sentir-se gente outra vez.
Clara mandou a namorada para o chuveiro e ligou para a mãe. Enquanto falava com ela e garantia que logo estariam lá, recolheu os vestígios da decoração noturna e logo em seguida correu para o banho também.
Em meia hora estavam vestidas, Marina usando roupas da namorada, entrando no apartamento de Chica. Toda a família tentou evitar qualquer comentário sobre o atraso delas, embora os olhares e sorrisos divertidos fossem perceptíveis. A gargalhada estourou mesmo quando estavam à mesa e Ivan, inocentemente, comentou sobre o apetite da artista.
– Mãe, você não deu café da manhã pra Marina não?
***
As duas pensaram em aproveitar o resto da tarde na praia, mas os biquínis de Clara não só não se pareciam em nada com Marina como também não lhe serviriam, por isso optaram por seguir com Ivan até Santa Teresa e ficar por lá mesmo, curtindo a piscina.
– Assim a gente aproveita e faz companhia pra Flavinha também – sugeriu Marina.
Ela não contava com a surpresa que encontraria em casa. Clara também não, apesar de já ter pensado várias vezes no assunto.
– Olha, que bom, a Flavinha não tá sozinha! Me sinto menos culpada assim, por roubar a amiga dela – Marina falou, brincando com os dedos da morena.
– Mãe, posso ir pra água? Eu já passei protetor em casa.
Clara seguiu com o filho para a piscina e Marina foi para o quarto trocar a roupa. Entrou em casa chamando por Flávia e não a encontrou, mas pode perceber a batida de uma porta, o que a fez sorrir. A amiga estava acompanhada e tinha acabado de fechar o quarto, o que era sinal de que ela estava superando o rompimento com Vanessa.
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