Luz dos meus olhos
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Clara teve a impressão de que o elevador tinha parado no tempo. Ficou colada à parede de trás do elevador, torcendo para chegar logo ao seu andar, enquanto Marina se postou de frente para ela, as costas junto à porta. A fotógrafa seguiu provocando. O braço direito cruzado sobre o corpo, ela levava a mão esquerda ao rosto, brincando com o dedo que usara no carro para torturar a namorada, passando-o sutilmente pelos lábios, às vezes deixando que a morena entrevisse a ponta da língua em contato com o dedo. Tudo de uma forma tão discreta que se alguém entrasse no elevador, seria incapaz de notar. E, ao mesmo tempo, era tão provocante que Clara sentia o sexo contrair de forma dolorida, tamanha o desejo que Marina lhe provocava.
Totalmente embriagada pelo desejo, a assistente se atrapalhou com a chave da porta por tempo suficiente para que a namorada a abraçasse pelas costas.
– Você fica muito – deu ênfase no muito – gostosa nesse vestido – sussurrou, antes de morder-lhe o lóbulo da orelha e grudar seu corpo às costas dela.
Já dentro do apartamento a fotógrafa prendeu Clara contra a parede, as mãos em sua cintura, buscando seus lábios, que não conseguiu tomar.
– Espera – pediu a morena – Não estamos sozinhas hoje.
De fato, as luzes acesas e o som de uma música qualquer indicavam que Alice estava por ali. Clara puxou Marina pela mão, guiando-a até seu quarto. Quando entraram Marina fechou a porta atrás delas e jogou a morena contra a parede, colando seu corpo ao dela. A única luz que tinham vinha da janela aberta para a noite carioca. Era o suficiente para enxergarem a silhueta uma da outra.
– Clarinha – Marina sussurrou, mordendo o lóbulo da orelha da namorada – Eu vou te chupar a noite toda – mordeu outra vez, antes de beijar-lhe o pescoço – Quero você gozando na minha boca...
Clara gemeu. O sexo pulsava, urgente, e a umidade tomava todo o espaço entre suas pernas. Todo seu corpo clamava pelo toque de Marina, que agora corria as mãos pelo seu quadril, puxando o tecido branco, desnudando as suas coxas e apalpando a bunda. As mãos da fotógrafa deslizaram por sob a calcinha, os dedos apertando com força a carne de seu corpo, ao mesmo tempo em que a boca buscava os seus lábios.
Clara desviou, evitando o beijo. Colou os lábios no rosto da namorada e deixou que eles percorressem a face, descessem para o pescoço, a língua molhando todo o caminho percorrido. Quando Marina tentava retribuir, Clara evitava os seus lábios. Puxava a fotógrafa para junto de si, deixava que ela a tocasse, apalpasse, mas fugia de seus beijos.
– Clarinha... Por favor... – Clara a afastou, puxando-a pelos cabelos, olhando desafiadora.
– Que foi?
– Não foge de mim – a fotógrafa sussurrou, apertando as mãos em seus seios, por sobre o vestido, avançando outra vez em direção à boca da morena, que desviou outra vez, levando a boca até a orelha da fotógrafa. Mordeu, provocando. Usou a língua no lóbulo delicado, preso entre seus lábios, até arrancar um gemido da namorada, que voltou a procurar sua boca.
– Me beija, Clarinha! – o sussurro era quase uma súplica
– Depois, mocinha – a morena segurou o rosto da jovem, olhando em seus olhos – Primeiro eu quero sentir sua boca em mim...
– Clarinha...
– Termina o que você começou no carro. Eu não consigo esperar – Clara falou com as mãos ainda no rosto de Marina, empurrando-a para baixo.
A fotógrafa se deixou guiar. Ajoelhou-se diante da namorada, correu as mãos pelas coxas douradas, erguendo o vestido e segurando-o na altura da cintura dela. Aproximou o rosto de seu sexo e inspirou profundamente, deixando que a morena visse em seu rosto a expressão de deleite que seu cheiro provocava. Beijou-a por sobre a calcinha, provando o gosto do tesão que encharcava o tecido.
– Marina...
– Pede, Clara. Pede pra mim!
Clara olhou para a jovem entre suas pernas, admirando o brilho de desejo que inundava os olhos castanhos. Sem nenhum pudor, segurou a namorada pelos cabelos, empurrando seu rosto para o sexo que latejava e, em vez de pedir, exigiu:
– Me chupa, gostosa! Me lambe todinha e me faz gozar na sua língua!
A fotógrafa não perdeu tempo. Fez a namorada segurar o vestido e usou as mãos para descer a calcinha, as unhas roçando a pele bronzeada, deixando marcas de sua passagem. Tentou admirar a visão da pele úmida diante de seus olhos, mas não foi possível, agora ela também tinha pressa. Mergulhou o rosto entre as pernas de Clara e enfiou a língua entre seus lábios, procurando a entrada. Gemeram juntas.
Fez a morena passar uma das pernas por sobre seu ombro e a segurou pela bunda, apertando, puxando-a para si, ao mesmo tempo em que a outra empurrava sua cabeça, como se fosse possível ficarem mais próximas do que já estavam. Marina empurrava a língua para dentro de Clara até onde era possível, arrancando-lhe gemidos. Quis penetrá-la com os dedos, mas Clara a desviou, puxando a mão para o seio.
– Só a boca. Me chupa toda, me faz gozar, só com a boca – Clara apertou a mão da namorada no seio e mexeu o quadril, deslizando o sexo molhado no rosto da namorada – Chupa, Marina.
Ela obedeceu. Lambeu toda a extensão daquele sexo úmido e levou os lábios para o clitóris rosado, inchado, absolutamente duro de tesão, e o beijou, antes de envolvê-lo em seus lábios e sugá-lo, faminta. Já estava excitada antes, mas a postura da morena, assumindo o comando, exigindo dela que lhe desse prazer daquela forma, a fazia perder o juízo. Tomou posse daquele ponto de prazer, pressionando-o, deslizando nele a língua quente e macia, cada vez mais rápido. Sentiu um leve tremor da namorada e soube que faltava pouco. Afastou a cabeça e olhou para cima. Clara a encarou, confusa pela interrupção.
– Marina...
– Goza pra mim – pediu, baixinho – Na minha boca – Voltou para onde estava, abocanhando o clitóris como se disso dependesse sua vida. Olhou de relance para cima e viu que a namorada mordia as costas da mão, numa tentativa de abafar os gemidos. Continuou a trabalhar com a língua, cada vez mais rápido, até sentir que a morena perdia o controle do próprio corpo, explodindo em espasmos e perdendo a capacidade de ficar em pé. Quis admirá-la, amava a expressão do rosto da namorada durante o gozo. Todavia, teve receio de que ela realmente não conseguisse ficar em pé.
Desceu a perna que tinha em seu ombro e segurou-a pelos quadris, ajudando-a a descer até o chão. A cama estava a poucos passos, mas nenhuma delas se importou com isso. Clara deitou-se ali mesmo e puxou a fotógrafa para cima de si. Lambeu o queixo molhado, provando do próprio gosto, antes de tomar-lhe a boca em um beijo profundo, guloso, ao mesmo tempo em que as mãos ávidas tentavam tirar o vestido de Marina.
A fotógrafa sentou-se sobre Clara e tirou a própria roupa, deixando apenas a calcinha. Em seguida, puxou o vestido da morena, deixando-a nua. Voltaram a se beijar, até que a assistente interrompeu o beijo e levou dois dedos aos lábios da namorada, que os sugou para dentro da boca, a mente já antecipando o que viria a seguir. Não resistiu quando, num impulso, Clara inverteu as posições e se colocou por cima dela. Sugou os dedos dela uma vez mais e a encarou.
– Vai me comer, Clarinha?
– É o que você quer? – Marina balançou a cabeça, afirmativamente, ficando mais molhada ao sustentar o olhar lascivo e dominante da morena – Então tira essa calcinha, rápido!
Clara afastou as pernas da fotógrafa e ajeitou-se com cuidado sobre uma das coxas da jovem. Levou os dedos à própria boca e os chupou, antes de colocá-los dentro dela num único movimento, o mais fundo que conseguiu, arrancando dos lábios da namorada um gemido surpreso. Tinha pressa, queria vê-la delirando, queria o prazer da sua Marina e as estocadas eram firmes, profundas, fazendo ecoar no quarto o barulho de sua mão chocando-se contra o sexo molhado. Sentiu-se molhar e teve certeza que a jovem sob seu corpo também sentia isso, sabia que molhava a pele dela.
Marina tinha a respiração ofegante. Balbuciava o nome da assistente, sem conseguir falar direito. Sentiu que ela começava a rebolar, friccionando o sexo molhado em sua coxa, e enlouqueceu de tesão. Estendeu a mão, chamando-a para si, os olhos bem abertos, devorando a visão da libido personificada à sua frente. Clara colou seu rosto ao dela, mordendo o lóbulo da orelha e sussurrando em seu ouvido:
– Você fica mais linda ainda quando tá transando – Marina gemeu – Goza pra mim? – enfiou um terceiro dedo no sexo dela, fazendo com que estremecesse.
– Mais... – a fotógrafa balbuciou – Mais rápido, amor.
A morena acelerou o movimento dos dedos e sentiu que o interior da namorada se contraía. Movimentou-se para baixo, sem diminuir as estocadas e, encarando os olhos castanhos, colou os lábios no clitóris rígido e inchado, usando a língua para traçar pequenos círculos sobre ele. Sentiu que a fotógrafa explodia sob si e devorou o prazer que dominou o corpo delicado, sentindo o próprio corpo exigir mais daquilo que estava proporcionando à jovem.
Clara jamais saberia dizer se gostava mais de observar a expressão de prazer no rosto de Marina ou sentir o seu beijo logo após o gozo. Tomou-lhe a boca carinhosamente. A fotógrafa sorria em seus lábios.
– Bandida você! Acho que eu não tenho força pra me mexer ...
– Então fica assim – Clara a abraçou – quietinha – beijou-lhe a testa e estalou os lábios nos dela.
– Mas – Marina sussurrou – eu sei que você tá toda molhada... Eu quero te chupar outra vez – viu Clara morder os lábios – Você quer?
– Muito – a morena estremeceu com a pergunta.
– Então vem. Dá aqui na minha boca, amor – a fotógrafa a puxava, indicando suas intenções. Clara levou segundos para compreender, e logo estava sobre a boca da namorada, os joelhos apoiados um de cada lado da cabeça dela.
***
A manhã de domingo encontrou as duas abraçadas na cama. Clara observava o sono da namorada, que tinha um sorriso nos lábios. Sentia tamanha ternura que seria capaz de passar o dia todo ali. Isso, claro, se não estivesse morrendo de fome.
Afastou-se com cuidado e saiu da cama. Vestiu uma camisola de algodão, dessas que lembram mais uma camiseta, e foi para o banheiro lavar o rosto e as mãos, antes de ir para a cozinha, providenciar o café da manhã. Que ela, obviamente, serviu na cama.
– Você tá me deixando mimada – Marina comentou – E vai acabar me deixando gorda também.
– Boba! Você é linda – Clara fez um carinho no rosto da namorada – Sabe que esse deve ser nosso último café aqui, né?
Sim, Marina sabia. E vinha tentando não pensar no assunto. Clara voltaria para o antigo apartamento, que Cadu devia estar desocupando naquele dia. Ela ficava feliz pela morena, que voltaria a morar com o filho, mas também ficava triste: elas não poderiam mais manter toda aquela intimidade, não passariam tantas noites juntas. Até porque a assistente sempre evitara dormir em Santa Teresa. E depois do que acontecera no dia anterior, Marina tinha certeza dos motivos dela. Decidiu resolver aquele problema logo. Não era possível que a morena seguisse se sentindo mal em tocá-la dentro de sua própria casa.
***
Foram até a casa da fotógrafa para que ela pudesse trocar de roupa e pegar algumas coisas. Clara tinha decidido que levaria a namorada para o almoço na casa da mãe. Depois passariam a tarde na praia, com Ivan.
A expectativa para o almoço em família deixava Marina tensa. Não sabia o que esperar. Claro que se sentia feliz por ser incluída nos planos da namorada, mas não fazia a menor ideia do que esperar daquilo. Sabia da conversa que a assistente tivera com a mãe a respeito do relacionamento delas e tinha medo de que Chica desaprovasse a sua presença ou que apenas a tolerasse para agradar a Ricardo, seu primo e namorado da mãe de Clara. De verdade, ela tinha medo de desagradar à família da namorada. E, óbvio, mais medo ainda ela tinha de recusar o convite e desagradar a própria Clara.
Quando a morena a puxou pela mão para dentro do apartamento da mãe os temores da fotógrafa começaram a se esvair. A mulher que segurava sua mão parecia ser o centro de alegria da família, com o sorriso aberto e sincero e todos os que ali estavam conversando calmamente se levantaram buscando o abraço de Clara, cumprimentando a própria Marina com beijinhos no rosto ou abraços e logo aquela sala tinha uma reunião bastante animada, uma família de verdade estava ali. E o melhor disso tudo foi perceber que a assistente segurava sua mão durante quase todo o tempo, soltando-a apenas quando se sentaram à mesa.
Ivan chegou ao apartamento da avó quando estavam na sobremesa, tinha almoçado com o pai. Correu para abraçar a mãe, em seguida virou-se e estendeu os braços para Marina também, carinhoso. Quis saber se ela iria à praia com eles e fez com que ela prometesse jogar frescobol com ele.
***
Passaram horas agradáveis na praia. Foram ao quiosque que Clara costumava frequentar e as duas brincaram por um tempo com Ivan, até que alguns amigos dele chegaram e ele lhes deu folga. Clara aproveitou que os pais de um amiguinho iriam ficar por ali, tomando conta das crianças e convenceu Marina a caminhar um pouco.
– O Ivan é tão doce – a fotógrafa comentou, depois de algum tempo caminhando em silêncio.
– É, ele é o meu tesouro, sabe – Clara Parou de frente para a namorada – E ele gosta de você.
Marina sorriu e segurou as mãos da morena. Quis saber dela se Ivan aceitaria o fato de estarem juntas.
– Ele vai ter que aceitar, amor. Eu só quero fazer isso devagar – Clara hesitou com a mentira – Tenho medo de apressar as coisas e ele não aceitar bem – medo ela tinha, realmente. O garoto ainda agia como se ela nunca houvesse contado a ele.
– Tenho certeza que você vai fazer a coisa certa. Você é uma mã... – Marina não terminou a frase. Clara havia soltado suas mãos e tinha os olhos apertados, como se tentasse ver melhor algo que estivesse longe.
– Não acredito! – o sorriso tomou todo o rosto da morena antes dela gritar – Duda! Duda, aqui! – Clara ergueu os braços e sacudiu, atraindo a atenção de uma moça que caminhou na direção delas.
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