Notas iniciais
Me desculpem por não postar logo! Preciso fazer minhas mãos acompanharem meu cérebro, que vive traçando rumos novos para a história.

Marina preferiu não mencionar a conversa que tivera com Cadu. Era óbvio para ela que ele fingia uma postura compreensiva quando falava com a ex-mulher. O que não era claro era o motivo que o fazia agir assim. “Será que ele ainda tem esperança de reconquistá-la? E se for assim, será que existe alguma chance dele conseguir?”

Por mais que ela quisesse poupar Clara de aborrecimentos ao omitir o que acontecera no Galpão, a morena percebeu que havia algo errado. A fotógrafa preferiu disfarçar, e acabou alegando as preocupações com as finanças do estúdio como motivo para sua mudança de humor. Não que não estivesse verdadeiramente preocupada com isso, mas os problemas financeiros já não afetavam gravemente o seu humor desde que engatara o relacionamento com a assistente. Ainda assim, o argumento foi suficiente para que Clara deixasse as perguntas de lado, tentando, com um jeito carinhoso e doce de menina levada, animá-la e fazê-la sorrir.

A fotógrafa bem que queria aproveitar os mimos da namorada e ignorar o incidente com o chef, algumas das palavras dele não saíam de sua cabeça, continuavam a machucar o seu coração. “A Clara vai acordar e vai perceber que não quer dividir a vida com uma mulher. Ela ainda vai se envergonhar de ter ficado com você.” Será que isso poderia acontecer, de verdade? A morena estava ali, abraçada com ela, em seu quarto, mexendo carinhosamente em seus cabelos. Tentando acalmá-la, sem nem mesmo saber o verdadeiro motivo daquele incômodo. Marina se perguntava como Clara reagiria se soubesse do seu passado, sobre o qual nunca tinham falado. Tivera a oportunidade de estar com muitas mulheres, em ocasiões das mais diversas e não se arrependia disso. Seguira o seu instinto, sempre esperando que a próxima conquista fosse para sempre e partira sem medo ao perceber que ainda não havia encontrado a dona de seu coração. Claro, deixara algumas mágoas pelo caminho, alguns relacionamentos mal resolvidos também. Mas nada daquilo tinha a ver com promiscuidade, como algumas pessoas poderiam pensar. Era apenas o desejo de encontrar e viver o amor que a vida tinha reservado para ela que a fazia buscar, em todas as mulheres que conhecera, aquilo que conseguira encontrar em Clara: a morena lhe trazia paz e segurança e conforto, e também era o motivo dos desatinos que incendiavam seu corpo e sua mente.

Levantou a cabeça e olhou para ela: Clara a observava, olhos e lábios unidos em um sorriso leve, difícil de interpretar. Marina selou seus lábios nos dela, uma, duas, três vezes. Sem se afastar de sua boca, quis saber:

– Tá pensando em quê? – Sentiu as mãos da namorada percorrendo suas costas até encontrarem caminho para baixo de sua blusa, os dedos pressionando a pele nua, subindo o tecido lentamente.

– Nisso – respondeu a morena, tomando-lhe um beijo, agora mais profundo, mais quente, úmido, enquanto deslizava as mãos para os seus seios, envolvendo-os por sobre a lingerie. Marina sentiu a umidade tomando seu sexo, onde a coxa de Clara já roçava, fazendo alguma pressão.

– Marin...

– Porra! – Clara exclamou baixinho. Nenhuma das duas tinha ouvido nada, mas Vanessa simplesmente brotou ao lado da cama. Flavinha e Gisele vinham logo atrás. Todas as três sorriam. Com um pouco de sorte, talvez ninguém tivesse notado o que haviam acabado de interromper. Mas sorte definitivamente não parecia ser o caso, a julgar pelo sorrisinho cínico, quase imperceptível, que a ruiva lhe deu.

A invasão do quarto de Marina tinha um bom motivo. As cinco agora podiam respirar um pouco aliviadas, a proposta era ótima para os negócios: uma famosa galeria de Londres queria expor o trabalho da fotógrafa em breve. O e-mail que haviam acabado de receber mencionava inclusive marchands dispostos a patrocinar o evento, caso chegassem a um acordo.

Não havia muito em que pensar. Aquela era a chance de colocar as finanças do estúdio em ordem, Marina ia aceitar, ia fazer daquele o melhor trabalho da sua vida. Já vinha preparando algumas coisas, sem saber muito em que resultaria, mas tinha um bom material de onde poderia selecionar as fotos que seriam expostas. Quase tudo havia sido registrado nas últimas semanas.

– Até porque a minha inspiração só veio quando você resolveu me fazer feliz, ficando comigo – abraçou Clara, beijando-lhe o rosto. Vanessa, fora do seu campo de visão, fez careta para a cena.

Gastaram o resto da tarde discutindo os termos da resposta que dariam à galeria e analisando o material que Marina tinha juntado. Em sua maioria, fotos feitas nas ruas e praias da cidade, nas quais pessoas anônimas exibiam a alegria diante de pequenos gestos de carinho. Havia todo tipo de pessoa naquelas imagens: idosos, jovens, adolescentes, todos aparentando formar casais. Todas as imagens possuíam e transmitiam a sensação da mais genuína alegria.

Aos poucos, apesar dos efeitos que as fotos de Marina produziam, Clara sentiu o coração pesar. Cada vez mais calada diante da empolgação da namorada e das outras três, despediu-se na hora de buscar o filho, com um abraço mais apertado que o habitual. A fotógrafa notou a diferença.

– Hey! Que foi, amor? – quis saber, ainda abraçada à morena.

– Nada não. Só um pouco cansada – tentou disfarçar.

Marina queria que ela voltasse para jantar, iriam comemorar a novidade. Afinal, boas notícias deviam ser sempre comemoradas. Clara disse que jantaria com Ivan, na casa da irmã, o que era verdade. A fotógrafa propôs adiar a comemoração, para que ela pudesse estar presente, mas ela recusou.

– Amor, não faz isso. Eu sei que a Vanessa batalhou pra caramba pra conseguir essa proposta, os patrocínios – mesmo que não se desse bem com a ruiva, tinha que dar o braço a torcer, afinal ela se empenhava muito no trabalho. E, bom, se Marina a considerava tanto como amiga, Clara estava disposta a respeitar a escolha da namorada, mesmo sabendo que Vanessa tinha outros sentimentos – Comemora com as meninas, vocês merecem isso.

– Tem certeza? A gente pode mesmo deixar pra outro dia.

***

O jantar na casa de Helena foi tranquilo. A mãe delas, Chica, estava presente com Ricardo. Virgílio comentou que havia convidado Cadu, mas ele não pudera comparecer. Depois de se despedir da família, Clara levou o filho até o apartamento onde um dia tinha vivido com o ex-marido.

Quando se deitou, os sentimentos estavam todos confusos. Tinha um misto de alegria e tristeza dentro de si, graças a Cadu e a Marina. Olhou o celular, esperando uma mensagem dela, mas não havia nada. “Elas ainda devem estar comemorando. Talvez tenham saído. Sossega, Clara, tá tudo bem.” Mas não sossegava. Digitou uma mensagem curta, de boa noite, e enviou.

Sim, Clara tentou dormir. Rolou pela cama por um longo tempo, mas nenhuma posição era confortável o suficiente. Abraçou os travesseiros, tentou ouvir música, mas nada ajudava. Por fim cedeu às inquietações e acendeu a luminária, pegando o caderno que guardava na mesa de cabeceira e uma caneta. Vários rascunhos e suspiros depois, ouviu o toque do celular, indicando uma mensagem recebida.

“Amor! Já dormiu?” Sorriu. Não pensou em responder, simplesmente ligou para ela. E conversaram sobre o jantar de ambas, as duas lamentando a ausência da outra e contando como já sentiam saudades. Quando finalmente desligaram, Clara adormeceu sorrindo.

***

Mesmo dormindo pouco, Clara acordou cedo. O sábado ainda amanhecia e ela já corria na praia, como gostava de fazer. O pensamento estava em Marina, mas ainda era cedo para procurá-la, então corria mais rápido, como se isso fosse ajudar a apressar as horas.

Ofegante e suada, voltou para casa, subindo para o apartamento pelas escadas, pulando os degraus de dois em dois. Depois do banho, tentou obrigar-se a tomar o café da manhã e simplesmente não funcionou. O aperto no peito crescia, a garganta apertava. Ela precisava da namorada, precisava estar com ela enquanto fosse possível. Deixou tudo onde estava e saiu, rumo a Santa Teresa e quando chegou lá continuava sendo cedo demais.

Por mais que não entendesse o descuido de Marina com as portas daquela casa, sentiu-se extremamente agradecida por encontrá-las destrancadas. Depois de passar pelo segurança do portão, que já a conhecia e a cumprimentou de forma simpática, estacionou e entrou na casa, seguindo direto para o quarto da fotógrafa.

Marina dormia profundamente. Clara parou ao lado da cama, admirando aquela visão: os cabelos pretos, bagunçados em ondas que caíam sobre as costas e também sobre o seio, Marina estava deitada de lado, abraçada a um travesseiro, tal como ela própria estivera horas atrás. Tinha o corpo descoberto, os lençóis escuros atirados para os lados só faziam ressaltar a pele branca e delicada. Marina usava uma camisola de seda preta, longa. Clara se lembrava da primeira vez que a vira vestida assim. Fora também a primeira vez que a vira nua, quando a ajudara a ir para o banho, na manhã seguinte à exposição em que se conheceram. Sentiu-se tão ansiosa quanto naquela manhã.

Deu meia volta e fechou a porta do quarto. Não havia chave, mas para uma porta eternamente aberta, aquilo deveria representar um bom recado. Com cuidado, tirou os sapatos e deitou na cama, abraçando a namorada pelas costas. O contato fez com que ela despertasse e se virasse para Clara, abraçando seu corpo com um sorriso:

– Bom que você veio! – e adormeceu novamente, no que foi seguida pela assistente.

Clara despertou com a cabeça apoiada no ombro de Marina. Não sabia exatamente quanto tempo dormira, mas agora estava absolutamente bem, só por estar ao lado dela. Ergueu o corpo, apoiando-se no cotovelo e observou a namorada, que dormia tranquila. A seda preta da camisola formava um contraste absolutamente sedutor sobre a pele branca. Deixou os olhos percorrerem o corpo todo e sentiu-se presa na visão da coxa que escapava pela fenda do tecido. Não se lembrava daquela fenda na camisola da namorada, mas aquela visão lhe trouxe ideias e sensações absolutamente urgentes.

Será que devia? Nos últimos dias, vinha desejando fazer aquilo, mas hesitava a cada vez que percebia o olhar ansioso da namorada sobre ela. Por maior que fosse o seu desejo, acabava por fazer apenas o que já havia dado certo, temendo decepcioná-la.

Moveu-se na cama, posicionando-se entre as pernas da fotógrafa. Observou faminta a pele que escapava por entre o tecido preto. Não voltou a pensar sobre o que estava prestes a fazer: colou seus lábios no interior da coxa da fotógrafa e percorreu a pele, deixando ali um rastro úmido. Passou a língua pela pele que se arrepiava, indo de trás do joelho até a virilha, e usou as mãos para afastar o tecido.

“U- A- U!” – suspirou. “Não posso parar agora, não com essa visão!” Clara observava agora a namorada adormecida, com as pernas entreabertas, descobertas até a altura dos quadris. Assim como da primeira vez que a vira com aquela peça, também agora a fotógrafa não usava nenhuma calcinha. A diferença estava na assistente, que agora se deliciava em observar o sexo nu, absolutamente depilado, sabendo que vê-lo já não era suficiente.

Inclinou-se e voltou a percorrer as coxas da fotógrafa com língua e lábios, até que ela se mexeu, afastando mais as coxas e, ainda adormecida, gemendo. Então não resistiu e levou sua boca até a intimidade da namorada, usando a ponta da língua para percorrer toda a extensão dos grandes lábios, para cima e para baixo, repetidamente, até sentir que a umidade que causava com seu gesto estava chegando em sua boca. Só então usou sua língua para abrir os lábios de Marina, passando a explorar a sua intimidade. Ouviu-a gemer e olhou para ela. Manteve os olhos em seu rosto enquanto explorava o sexo umedecido, até encontrar o pequeno ponto de prazer e prende-lo em seus lábios, chupando delicadamente. Foi quando a fotógrafa abriu os olhos, num gemido.

Ouviu quando ela gemeu seu nome, sentiu que ela começava a se mexer em sua boca. Num pedido silencioso, estendeu uma das mãos e tomou-lhe um dos seios, mantendo os olhos presos aos dela. A fotógrafa parou de tentar rebolar em sua boca: os olhos sorriam de tesão, os dentes prendiam o lábio inferior. E por fim os dedos da mão direita abriam seus grandes lábios, expondo seu sexo à morena que o sugava avidamente. A respiração da fotógrafa pesou, a cada movimento da língua ou dos lábios de Clara ela se esquecia de como fazer para obter mais oxigênio. Uma onda de prazer percorreu seus músculos e tirou-lhe a voz, enquanto espasmos dominavam seu corpo. Tinha o nome da namorada nos lábios e nenhuma força para emitir um único som, surpresa em ser acordada de maneira tão agradável.

Notas finais
Espero que não tenha sido muito calmo. Espero que não tenha decepcionado vocês!